3.2. Like Water for Chocolate
3.2.1. Tita’s Expression of Feelings via Foods
Legislação Europeia
A utilização de aeronaves civis não tripuladas está a ter incrementos substanciais, sendo que a sua operação desregulada pode, em algumas situações, ser suscetível de afetar a segurança operacional da navegação aérea, bem como a segurança das pessoas e bens à superfície ou até mesmo à utilização para a prática de atos ilícitos (ANAC, 2016).
A nível europeu, segundo Clarke & Moses (2014), o crescimento e evolução deste tipo de tecnologia apresenta pressões diretas sobre os governos quanto à necessidade de formulação de legislação específica face a múltiplas aplicações que este tipo de aparelhos podem ter. Em países como o Reino Unido (RU) e Espanha, já existe legislação para regular a utilização dos VANT. A nível do Reino Unido, segundo a Civil Aviation Authority (CAA) (2016), os VANT encontram-se categorizados em duas classes, nomeadamente os que se destinam para actividades recreativas e para fins comerciais. Para a finalidade comercial, estes podem ser divididos por peso inferior a 7 kg e superior. Os VANT de peso inferior a 7 kg são permitidos com algumas condicionantes, nomeadamente (CAA, 2016):
i. A sua utilização em espaço limpo e consequente permissão da CAA; ii. O aparelho tem que se encontrar a pelo menos 500 metros do operador; iii. Este tem que estar à distância de 150 de qualquer cidade ou vila;
iv. Estar a pelo menos 50 metros de pessoas, veículos ou estruturas; v. Garantir que a carga no aparelho encontra-se segura e estável;
vi. O plano de voo deve estar em concordância com a legislação municipal e permissão da CAA.
Em Espanha, no ano de 2014, foi dado um passo importante na formulação e aplicação de legislação específica na utilização de VANT. Segundo o Real Decreto-ley n.º8 (2014), há a distinção entre os diferentes tipos de VANT, sendo categorizados em menos de 2 kg, até 25 kg
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e superior a 25 kg. Face a este novo regulamento, todos os VANTs que apresentem um peso inferior a 25 kg não necessitam de estar registados no registo de matrículas de aeronaves.
Legislação Nacional
A nível nacional, surgiu o Regulamento n.º1093/2016 da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) publicado no Diário da República a 14 de Dezembro de 2016. Este regulamento define as condições necessárias para a realização de operações aplicáveis à utilização do espaço aéreo por aeronaves civis pilotadas remotamente. Este regulamento apresenta em consideração as normas aplicáveis à organização do espaço aéreo, presentes no Regulamento de Execução n.º932/2012, da Comissão de 26 de Setembro de 2012.
De realçar que o presente Regulamento define condições aplicáveis à utilização do espaço aéreo independentemente da atividade que se pretende realizar ou da finalidade de utilização destas aeronaves (ANAC, 2016). No âmbito deste regulamento, excluem-se as aeronaves do Estado e as operações de sistemas de aeronaves civis pilotadas remotamente em espaços fechados ou cobertos.
O Artigo 3.º do Regulamento n.º1093/2016 define 10 regras gerais na operação face à utilização de VANT civis (ANAC, 2016):
1. Só podem voar até uma altitude máxima de 120 metros a contar da superfície e a sua realização apenas pode ocorrer em períodos diurnos;
2. As aeronaves pilotadas remotamente não podem operar perto de aeroportos ou aeródromos;
3. Têm de dar prioridade de passagem às aeronaves tripuladas;
4. As aeronaves-brinquedo, pilotadas remotamente e com peso inferior a 250 gramas, não podem operar a mais de 30 metros de altura;
5. Devem manter uma distância segura de pessoas e bens patrimoniais para evitar danos em caso de acidente ou incidente;
6. É proibido a operação destas aeronaves sobrevoar sedes de órgãos de soberania, embaixadas e consulados, instalações militares, instalações das forças e serviços de segurança, prisões, centros educativos e locais onde decorram missões policiais; 7. É proibido sobrevoar zonas de sinistro onde decorram operações de proteção e
socorro;
8. É proibido sobrevoar concentrações com mais de 12 pessoas ao ar livre; 9. Têm de voar sempre com as luzes de identificação ligadas;
10. O operador das aeronaves remotamente pilotadas não se pode encontrar incapacitado na sua aptidão física ou mental, ou sob a influência de substâncias psicoativas ou medicamentos.
Presente no Artigo 4.º do Regulamento n.º1093/2016 há a existência de algumas regras específicas de operação na utilização dos drones:
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a) Voos nas proximidades de infraestruturas aeroportuárias civis; b) Voos realizados com aeromodelos;
c) Voos realizados com aeronaves brinquedo;
d) Voos cuja realização carece de autorização expressa da ANAC; e) Operações e voos com restrições.
2. O voo de uma aeronave remotamente pilotada em áreas de jurisdição militar, designadamente em áreas restritas ou em áreas temporariamente reservadas constantes das publicações aeronáuticas nacionais, incluindo na CTR das Lajes, depende de autorização da AAN.
3. Sem prejuízo do disposto no artigo 14.º, as informações relativas às infraestruturas aeroportuárias e às áreas mencionadas nos números anteriores, constam das publicações de informação aeronáutica nacionais, designadamente do IAIP Portugal e do Manual VFR.
Para a recolha de imagens aéreas, existe ainda a necessidade de obter autorização por parte da AAN, sendo que esta autorização tem em consideração não só a tomada de imagem mas também aspetos de segurança. No ANEXO C encontram-se representados os documentos para o pedido da autorização à AAN relativamente ao enunciado previamente
Com efeito, enquanto um voo tripulado antes de se iniciar o voo tem que ter aprovado o plano de voo e que é um acréscimo de garantia na segurança aérea, já nos VANT tal não acontece, sendo que é através destas autorizações, como a emitida pela AAN, que se tenta condicionar os fatores de risco que lhes possam estar associados.
Estes aspetos de segurança têm a haver, dominantemente, com o facto de poder interferir com outras aeronaves em voo, daí a razão de haver fortes condicionantes na envolvente de bases áreas militares e aeroportos comerciais, para além de outros espaços condicionados e de haver um condicionamento generalizado em termos da máxima altura em que é admissível um VANT voar.
No caso da monitorização costeira, os voos com o VANT estão geralmente confinados a uma estreita faixa e que correspondente a pouco mais que os 50 m da margem do mar e onde também existem inibições legais à execução de a voos tripulados baixos salvo em situações excecionais como seja os que envolvam vigilância ou salvamento.
Por esta razão, previamente à execução destes voos de monitorização com o VANT da APA, I.P. é efetuada uma comunicação prévia à respetiva Capitania do Porto com jurisdição no local em causa, de forma a ser salvaguardado qualquer potencial conflito caso sejam acionados meios aéreos de emergência por razões de segurança.