Y. Ö.K DOKÜMANTASYON MERKEZİ TEZ VERİ FORMU
2. BÖLÜM
2.2. Ticari Televizyonun İşleyişi
O resultado é uma visibilidade também pequena nas narrativas em que a mulher é protagonista ou coadjuvante do crime. No período pesquisado, o único caso em que o sujeito abusador é do sexo feminino é o da professora americana condenada pela justiça. Os dois jornais publicaram a notícia no formato de uma nota:
Acusada de manter relações sexuais com um estudante de 13 anos, uma professora de Ciências da 6ª série foi sentenciada na sexta-feira na cidade de Wilmington, Estado de Delaware, nos EUA, a 10 anos de prisão (ZH-N 28; 19.03.07).
Mas a percepção é de que mesmo na condição de acusada, o sujeito abusador é tratado com maior condescendência sendo valorizada, na narrativa, a demonstração de fragilidade da professora no tribunal:
Rachel Welch, 35 anos, declarou-se culpada das acusações de estupro em segundo grau. Ela chorou muito na corte quando o juiz Calvin L. Scott deu a sentença mínima obrigatória. (GP-N 30;
19.03.07).
A GP, diferentemente da ZH, não utiliza a expressão abuso sexual para classificar o crime cometido pela mesma. Em alguns trechos (GP e ZH), há a impressão de se estar falando mais de um caso pitoresco do que realmente de um problema social: “Rachel é acusada de ter mantido 28 relações sexuais com o garoto, além de fornecer álcool ao menino e permitir que ele dirigisse seu carro”. (ZH-N 28; 19.03.07). A percepção é reforçada pela fala do editor de mundo de ZH. Segundo entendimento do jornal, a notícia foi publicada por se tratar de um fato que, na avaliação da editoria, foge ao comum:
Pela curiosidade, embora aconteça com alguma freqüência, mas o normal é um homem abusar de uma mulher, uma mulher abusar de um menino é uma coisa muito rara pelo menos que se saiba. Então pelo fato de ser raro, vira notícia. (Apêndice 4; Entrevista com Luciano Peres em 21.02.08)
O entendimento do editor de que a notícia foi publicada mais pelo aspecto da curiosidade do que da denúncia de violação, apesar da vítima ter apenas 13 anos,
faz pensar sobre por que os dois jornais não situaram a professora como agressora? É como se a mulher – cotidianamente enquadrada no papel de vítima – não se adequasse ao de geradora da violência. Deslocada da condição de subjugada, ela, como sujeito abusador, parece não se adequar também no papel de quem detém as regras do jogo sexual. Atributo normalmente atribuído ao homem, conforme comprovam os registros nas delegacias da mulher (BANDEIRA, 1999).
Já a participação das mulheres como coadjuvantes do abuso é um pouco mais percebida. Foram registradas apenas seis notícias relacionadas a casos em que as mulheres aparecem como co-autoras do crime. Ainda assim, o grau de participação das mulheres não fica esclarecido. Não se fica sabendo como agiam e também não há detalhamento sobre a identidade delas. Um dos exemplos é o do guarda municipal denunciado por produzir material pornográfico com crianças e adolescentes. A mulher dele, segundo a reportagem, foi indiciada como co- participante. Mas diferentemente da forma como ele foi retratado pela reportagem, sua conduta no trabalho, o que os colegas diziam dele, à mulher não foi dispensada qualquer atenção maior. Ela aparece em apenas uma linha, numa defesa vazia: “A mulher do guarda afirmou que era obrigada pelo marido a participar”. (ZH-N 29; 24.03.07). Outro caso é de um casal de pastores que teria instalado uma igreja numa ilha do Paraná chamada Valadares. O templo que, segundo a reportagem, ficava numa das áreas mais “miseráveis da ilha”, teria funcionado durante quatro anos. O pastor é acusado de ter abusado e explorado sexualmente de meninas entre 10 e 15 anos e contava com a cumplicidade da mulher – fato também pouco destacado na matéria. O que a reportagem aborda de maneira mais evidente é a acusação na maior parte das vezes velada, sobre outro tipo de responsabilidade normalmente atribuída às mulheres (mães) das vítimas de abuso sexual, a de que são coniventes ou omissas.
Não faltam dedos acusatórios a apontar para as mães por não terem visto o que acontecia com suas filhas. ”Nós somos vítimas, e estão nos acusando” disse uma delas. Os últimos dias tem sido de clausura para a família, recolhida em casa para evitar a hostilidade dos vizinhos (GP-N 5; 24.09.06)
Os estudos sobre a omissão e até certa condescendência das mães em relação ao crime de abuso cometido às filhas estão mais relacionados ao incesto. Bandeira e Almeida (1999, p. 156) entendem que nos casos de abuso dentro da
família, a prática da violência sexual não acontece de repente, de maneira não anunciada: “ela vai sendo tecida de diferentes maneiras, utilizando-se de códigos, sinais, mensagens e jogos que, instalados no seio familiar, começam a atuar”. Para Cromberg é preciso pensar no incesto numa situação triangular, com a mãe presente ou ausente: “A mãe também participa da atmosfera incestuosa e não dá para culpabilizar ninguém do ponto de vista psíquico, pois se a mãe é omissa o ódio é grande (CROMBERG, 2001, p. 98). O comprometimento emocional sugerido por Cromberg remete para o aspecto multigeracional do abuso sexual, que tem sido estudado especialmente pela psicologia e psiquiatria. Não há consenso entre as pesquisas sobre o grau de incidência desta violência na família de mulheres que sofreram abuso na infância. Mas muitos trabalhos apontam para a probabilidade de reprodução do modelo. Pesquisas como a de Narvaz (2003), Narvaz e Koller (2005) mostram que muitas destas mães que foram abusadas carregam as seqüelas da violência na vida adulta, mantendo uma postura de apatia, desinteresse, e submissão perante a vida.
De qualquer maneira, ainda faltam pesquisas mais consistentes para se analisar também a omissão dos de fora da família nos casos de abuso sexual. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, (Apêndice 3) em 61,7% dos casos analisados pela instituição, alguém informou que já sabia da situação abusiva e não denunciou.
4.2.3 Incesto e homicídio: relações de proximidade e distância entre abusador