O resultado final das análises de risco por meio da aplicação da metodologia FMEA/FMECA é expresso sob a forma de uma planilha, na qual são sistematizados todos os dados obtidos em escritório, no campo e no laboratório (Anexo III). Essa planilha deve conter, além de todas as informações relevantes relacionadas às observações de campo e aos critérios de análise estabelecidos nas reuniões das equipes, a especificação, de forma clara e sucinta, de todos os elementos constituintes dos subsistemas que possam necessitar de intervenções emergenciais ou periódicas.
CLASSIFICAÇÃO DO RISCO ÍNDICE DE CRITICIDADE (IC = O x S) NÚMERO DE PRORITICIDADE (RPN = O x S x D)
P4: Não há necessidade de nenhum tipo
de intervenção na via
P3: Serviços de Manutenção Periódica P3: Serviços de Manutenção Periódica P2: Obras de Reparo Emergencial P2: Obras de Reparo Emergencial P1: Interrupção da Via e Paralização
Completa da via
RISCO INTOLERÁVEL IC > 40 RPN > 110
PROCEDIMENTOS PARA CONTROLE/REDUÇÃO DOS RISCOS
OU
OU
OU
RISCO ACEITÁVEL IC 16 RPN 50
Em geral, é útil complementar essa planilha com dados considerados relevantes durante a realização das análises, tais como:
− Esquema lógico do sistema, que inclua o sistema principal, os subsistemas, os modos de ruptura e as possíveis conseqüências de evento;
− Desenhos ilustrativos dos modos e mecanismos de ruptura (croquis);
− Tabelas da escala de valores adotados para a determinação dos índices de criticidade; − Diagrama dos blocos funcionais para indicar a ligação existente entre os itens que
compõem o sistema;
− Ensaios de laboratório e de campo; − Fotografias;
CAPÍTULO 8:
CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS
Neste trabalho, realizou-se um estudo das técnicas de análise de riscos aplicadas a obras geotécnicas e elaborou-se uma metodologia de análise centrada na confiabilidade, envolvendo as ferramentas de análise semi – quantitativas FMEA (Failure Modes and Effects Analysis), FMECA (Failure Modes, Effects and Criticality Analysis) e FTA (Fault Tree Analysis), aplicadas a pavimentos ferroviários e, especificamente, à Estada de Ferro Carajás.
Na metodologia proposta, foram explicitadas as atividades fundamentais necessárias para se determinar as funções e os modos de ruptura dos elementos que compõem o sistema, as causas que provocam as falhas funcionais e o impacto da ocorrência dos eventos. Além disso, elaborou-se uma ficha de campo para se proceder às observações técnicas das estruturas em campo e avaliar as suas condições. A ficha de campo inclui um item destinado à programação de campanhas de ensaios de laboratório e / ou campo e, assim, à determinação das propriedades dos elementos da infra – estrutura da via. Essas fichas de campo devem ser guardadas para futuras comparações com dados de vistorias técnicas e avaliar o desempenho da estrutura. Elaborou-se também uma planilha FMEA / FMECA para sistematizar a apresentação, de forma clara e resumida, dos resultados oriundos das observações de campo.
O desenvolvimento dos estudos propostos no escopo desta dissertação possibilitou a caracterização das seguintes premissas e/ou conclusões:
− Constatou-se, a priori, uma quase absoluta falta de estudos de gerenciamento de riscos voltados a pavimentos ferroviários, além de uma grande carência de aplicações e análises específicas para a área da geotecnia; por esse motivo, para o desenvolvimento deste trabalho, foram introduzidas adaptações/especificações às ferramentas de análise de riscos para outras áreas;
− Verificou-se também que, no Brasil, ainda é muito incipiente a utilização das análises de risco aplicadas a estruturas geotécnicas, mesmo sendo obras que precisam ser monitoradas para evitar conseqüências catastróficas se os riscos se concretizarem. O que se observa, na realidade, é que há uma prática de monitoramento ineficaz das estruturas, ou seja, as estruturas geotécnicas são instrumentadas, mas não há pessoal capacitado no campo para ler e interpretar os resultados obtidos e fazer as análises devidas para prever o potencial da ocorrência de eventos. Além disso, cabe ressaltar que a instrumentação das estruturas fornece apenas o índice de detecção das estruturas e nenhum outro dado adicional;
− É de grande utilidade aplicar uma técnica de analise de riscos que forneça dados reais da estrutura e que auxilie no planejamento de serviços de manutenção e obras de melhoria da estrutura;
− Uma análise de riscos bem desenvolvida e analisada, além de reduzir o risco associado à estrutura e mitigar os impactos da ocorrência dos riscos, ajuda a planejar os serviços de manutenção de forma adequada, sem perda de tempo e nem de paralisações da produção, sem quaisquer investimentos na manutenção;
− Os elementos que deverão receber manutenção são aqueles que, por meio dos resultados da aplicação dos critérios de hierarquização (RPN – Risk Priority Number, Matriz de Criticidade), forem considerados críticos;
− Para realizar uma análise de riscos, impõe-se a preparação de uma equipe multidisciplinar de forma a identificar e analisar previamente os possíveis riscos associados à obra, além de minimizar a subjetividade envolvida no processo;
− Os dados históricos sobre a ocorrência dos eventos é de grande ajuda para determinar a freqüência da ocorrência dos eventos e existe uma relação direta entre os resultados das observações com a identificação das causas dos modos de ruptura, permitindo a sua detecção antecipada;
− É possível hierarquizar os riscos associados a pavimentos ferroviários e definir quais as medidas de mitigação e redução dos riscos; a ficha de campo e a planilha FMEA / FMECA propostas devem ser atualizadas de acordo com a experiência dos membros da equipe e às reais condições de campo;
− A aplicação apropriada das análises de riscos ajuda na operação, manutenção programada, inspeções de rotina, monitoramento da estrutura e a revisão periódica da segurança, além de desenvolver, na equipe de campo, sensibilidade para identificar qualquer mudança no comportamento da estrutura;
− O dimensionamento tradicional das estruturas pode ser complementado com as análises de risco de forma a otimizar o projeto, a construção da obra, a operação e o monitoramento da estrutura visando aumentar a segurança das estruturas geotécnicas.
Como limitações óbvias destas técnicas, foram constatadas grandes dificuldades para se correlacionar todas as causas de ocorrência do evento e suas potenciais conseqüências. Por outro lado, o envolvimento contínuo das pessoas, o tempo demandado para a realização dos trabalhos e os custos de manutenção associados às análises constituem elementos restritivos à aplicação generalizada das metodologias de análises de risco.
Como sugestões de trabalhos complementares para subsidiar e dar continuidade ao estudo desenvolvido, são propostas as seguintes abordagens:
− Aplicar a metodologia proposta à Estrada de Ferro Carajás como um todo, no âmbito da técnica de Projeto TMD, avaliando-se as influências relativas de cada trecho delimitado pelos condicionantes geológico-geotécnicos locais, incluindo- se as zonas dos pátios de manobra e de mudanças de vias;
− Elaborar e implementar metodologias de análise de risco para as estruturas complementares ao pavimento ferroviário (obras de arte correntes, taludes de corte e aterro, túneis, etc.);
− Elaborar e implementar metodologias de análise de risco para o material rodante ou para subsistemas isolados da ferrovia (dormentes, por exemplo, caracterizando influências específicas tais como natureza, rigidez, elementos de ligação com os trilhos, etc);
− Comparar os resultados da classificação dos riscos obtidos através da FMEA / FMECA com outras técnicas de análise;
− Fazer uma comparação detalhada das análises de risco implementadas com a variabilidade das condições operacionais da ferrovia de campo ao longo do tempo.
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