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Nas falas, foram encontradas expressões e palavras que faziam referência ao ambiente, mas com uma abordagem social. Portanto, diferenciando para um foco histórico, bem como as práticas sociais na vila e relacionando outra categoria proposta para esta pesquisa: o ambiente social.

Itapuama do passado é caracterizada por ser uma comunidade tranquila, com pouco agito social. Sobre o antigamente, aparece um discurso composto por uma exuberante presença da natureza, além da ineficiência nos serviços à população (transporte). Poucas festas, entre elas a Festa da Lavadeira (todo dia 1º de Maio) e o forró do Marrudo (mais frequente, quinzenal, mensal), ponto de encontro de parte da comunidade.

A Festa da Lavadeira tem sofrido embargos nos últimos anos, sob ameaça de não acontecer, isto porque a festa acontecia historicamente desde 1987 na Praia do Paiva, área onde se implementa o empreendimento que tem modificado os contextos locais. Talvez por uma proposta de higienização, entretanto, esforços dos organizadores tem dado continuidade a

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esse importante evento cultural brasileiro, que aconteceu em 2012 e 2013 no Bairro do Recife. O que preocupou alguns segmentos culturais no tocante à manutenção dos costumes locais, pois a sustentabilidade também perpassa um crescimento econômico, mas baseado numa permanência da história, que está diretamente relacionada às pessoas e ao ambiente local.

O forró do Marrudo faz parte da história local, por estar presente e promover entretenimento desde a década de 80. Este ponto é reconhecido como referência para localização, lembrado como um fenômeno histórico e um dos principais pontos festivos de Itapuama.

Um ponto também que é o forró, é o forró de Aílton. Que Aílton não existe mais, mas aí ficou o nome. Morreu faz tempo. Ficou o filho dele, mas o nome permaneceu pelo conhecimento, aí ficou forró do Aílton, né? Mas o filho dele morreu também, de choque e aí ficou forró do marrudo. Ele ficou sucessor do pai... (E02, Fem., 40 anos)

Lembro... do forró, principalmente. Nas antiga, que era bonzinho... A estrada quando era de barro, eles faziam... o dia do forró... Num era como hoje em dia que coloca música uó... E tinha o... o nome mesmo era forró do Ailton, né? Aílton era o dono, que era o pai de Marrudo. Então, o que é que acontecia... Muitas... várias vezes eu cheguei a ver, se alguém chegasse... o pessoal tomava uma... aí... ficava lá... e pra lá de Bagdá... começava a dançar, a dançar mais caliente... aí ele afastava. Ele tirava o pessoal e mandava sair do salão. A gente se acabava de rir. (E11, Fem., 40 anos)

As práticas mais presentes nos discursos dos entrevistados foram o surf, a pesca, caminhadas e o camping. Todas diretamente relacionadas ao mar e aos benefícios que este provê. Com exceção da pesca, que em algumas entrevistas (pescadores) tinham um contexto profissional, as práticas estão relacionadas ao lazer, bem estar e ao uso da praia como uma fonte de relaxamento.

Um lugar que eu relaxo é a praia. Eu vou ali e num precisa nem tomar banho. É só ficar ali olhando e relaxo. (E08, Fem., 29 anos)

A prática do camping é percebida de outra forma pelos moradores da praia de Itapuama. Em conversas informais, eles se queixaram da quantidade de lixo que os “campistas” geralmente deixam no local, o que não acontecia antigamente. O local dos acampamentos mudou do antigo coqueiral, onde foi construído um calçadão, para uma faixa curta de restinga mais próxima ao mar. Os moradores informam que a prática do acampamento atualmente é acompanhada do consumo de drogas, bem como o problema da insegurança, depois de episódios de violência contra campistas.

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Além destes usos, foram feitas “reclamações” relacionadas a outras práticas. Alguns entrevistados comentaram sobre assaltos mais freqüentes, o que associaram à quantidade de pessoas que passou a frequentar a praia, bem como a facilidade de acesso à Itapuama, visto que agora ela se transformou num local de passagem de veículos nos sentidos norte-sul e vice- versa. Esses assaltos estão diretamente relacionados ao crescimento de Itapuama, segundo algumas das pessoas que participaram das entrevistas.

Outro perigo comentado tem ligação com a quantidade de carros, que ocasionou mortes e acidentes envolvendo pessoas da comunidade. Pôde-se perceber que o crescimento de Itapuama estava diretamente relacionado a essas ocorrências.

E por uma parte é rim que agora... violência também, né? Que antes num tinha violência, né? Agora tá teno. Carro matando gente aí, atropelando, sabe? Já morreu um amigo da gente, já. (E04, Masc., 33 anos)

Frente a esse tipo de problema os moradores se organizaram e fizeram manifestações pedindo iniciativas das empresas relacionadas na construção do empreendimento do Paiva e da prefeitura, no sentido de melhorar a situação para os moradores, pois os automóveis (ônibus, carros de passeio e caminhões) passam em alta velocidade.

Então, da, da estrada, a gente meteu fogo aí... Meteu aí e na ponte. (E04, Masc., 33 anos) Até o final desta pesquisa (2012), infelizmente estas ações não surtiram resultado e a via principal ainda não teve a implantação dos redutores de velocidade eletrônicos ou físicos.

No tocante à categoria centrada na pessoa, buscou-se observar quais pessoas e como elas foram citadas nas entrevistas. As pessoas mais citadas foram aquelas responsáveis pelos estabelecimentos comerciais mais antigos, além de familiares. Mães, pais, irmãos, filhos foram os mais citados entre os parentes de uma maneira geral. Houve um caráter histórico com pouca profundidade ao mencionar estas pessoas.

Embora Itapuama seja reconhecida como uma vila unida, onde pessoas sentem “bondade”, existem algumas falas que fazem referência à desunião em Itapuama. Por mais que ocorra uma beleza cênica, tranquilidade e seja reconhecido um clima amistoso, as pessoas reconheceram um clima de “cada um no seu lugar”.

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Os filhos geralmente são citados em relação com a escola – incluindo uma reclamação pelo fato de não atender à demanda local – e com a tranquilidade local para se cuidar das crianças, lembrando que ainda é uma praia relativamente segura e calma.

Em relação à violência, alguns moradores reconhecem que Itapuama está menos segura, o que se traduz em medo do outro, sobretudo do desconhecido.

... porque era inseguro, a gente aqui não tem muito, é... segurança de policiamento, não tem um núcleo policial, falta, né? (E02, Fem., 40 anos).

Os participantes também salientaram que até poucos anos atrás Itapuama recebia poucas famílias de fora, mesmo em época de veraneio e “agora tem muito trabalhador das praias da redondeza, principalmente do Porto de Suape”. Eles ainda indicam que embora toda a região do Cabo de Santo Agostinho se vanglorie por ser reconhecida pelo codinome “canteiro de obras de Pernambuco”, na área existem inúmeros problemas com relação aos serviços sociais básicos, como saneamento, educação, saúde, inclusive oportunidades de emprego. Além disso, o caráter de “hospedaria para trabalhadores de outros estados ou do interior”, atinge de modo desigual às pequenas comunidades existentes na área que, transformadas em dormitórios, são submetidas a uma grande ocupação não planejada, noturna e majoritariamente masculina, e acabam por arcar com suas consequências, como necessidade de lidar com o aumento do consumo de álcool e outras drogas, vandalismo e prostituição.