Para caracterização das condições da infraestrutura urbana, que qualifica o grau de urbanização dos bairros de Capim Macio e Tirol adotou-se, a definição de infraestrutura urbana expressa por Zmitrowic e Angelis Neto (1997), ou seja, o conjunto de sistemas técnicos de equipamentos e serviços necessários ao desenvolvimento das funções urbanas para os quais as mesmas podem ser vistas sob três aspectos: social – voltado para promoção adequada das condições de moradia, trabalho, saúde, educação, lazer e segurança; econômico - busca propiciar o desenvolvimento de atividades de produção e comercialização de bens e serviços; e, institucional – deve oferecer os meios necessários ao desenvolvimento das atividades político-administrativas, entre os quais se inclui a gestão cidade. O sistema de infraestrutura segundo os autores é composto de subsistemas e cada um tem como objetivo final a prestação de um serviço (ZMITROWIC; ANGELIS NETO, 1997, p. 2).
Além das definições anteriores, ressalta-se que os instrumentos normativos objeto deste estudo (Lei Complementar nº 82/2007, Art. 12) estabelecem, para efeito de aplicação de parâmetros de intensificação do solo urbano acima do adensamento básico permitido que, deve ser garantida a disponibilidade de infraestrutura, composta pelos seguintes sistemas: abastecimento de água e esgotamento sanitário; drenagem de águas pluviais; energia elétrica e o sistema viário.
Embora os instrumentos normativos venham se referir a infraestrutura urbana composta por esses sistemas, o presente estudo adota o termo técnico “subsistema” conforme já definido, para caracterizar a oferta dos serviços de água e esgoto através de indicadores, como os domicílios residenciais atendidos pela rede geral desses subsistemas, por considerar essas variáveis relevantes na definição dos parâmetros urbanísticos analisados, assim compreendidos: - o subsistema de
abastecimento de água cuja função é prover toda população de água potável suficiente para todos os usos, ou seja, a qualidade e quantidade são as condições primordiais; e, o subsistema de esgotos sanitários que tem a função de afastar a água servida, imprestável mesmo a usos secundários, sem comprometer o meio ambiente e deve ser entendido como um complemento necessário ao subsistema de abastecimento de água (ZMITROWIC; ANGELIS NETO, 1997).
Cabe ressaltar a importância dos demais subsistemas (drenagem de águas pluviais; energia elétrica e sistema viário) para caracterizar o acesso à terra urbanizada em atendimento a um dos eixos do direito a cidade. Pelas dificuldades de acesso à informação junto aos diferentes gestores envolvidos na operacionalização desses serviços, optou-se por aprofundar o estudo sobre os subsistemas de água e esgoto.
Observando os dados relacionados às condições do atendimento dos sistemas de infraestrutura, em 2000 e 2010 os mesmos revelam que apesar do aumento na oferta de serviços básicos (fornecimento de água e esgotamento sanitário) especialmente, na Região Administrativa Leste, a situação do município, em relação a esses serviços apresentou, no mesmo período, um pequeno acréscimo (6,4%) dos domicílios atendidos.
No bairro de Capim Macio, a despeito do crescimento urbano da região e dos investimentos públicos aplicados nas ultimas décadas na implantação da rede de esgoto, verifica-se, segundo os dados apresentados na Tabela 04, que o bairro apresenta condições ainda bastante precárias com relação aos domicílios atendidos pela rede de esgotos sanitários. Em 2010, os dados registram que apenas 0,03% domicílios se encontravam ligados à rede geral de esgotos. Conforme informações da Gerência de Projetos da CAERN, concessionária responsável pela operação dos subsistemas, a rede de esgoto foi implantada, mas, as ligações prediais ainda não ocorreram em sua plenitude, sendo a fossa séptica a solução adotada, na maioria dos domicílios.
Em relação ao abastecimento de água, o percentual de domicílios atendidos vem crescendo significativamente. Em 2000, apenas 27,9 % dos domicilio de Capim Macio e 23,5 % dos domicílios do Tirol encontravam-se ligados à rede geral de água. Em 2010, esse percentual passou para 56,9 % em Capim Macio e, aproximadamente, 70% dos domicílios do Tirol são atendidos pela rede geral de água de acordo com dados da Tabela 6.
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Tabela 6 - Abastecimento de agua e esgotamento sanitário nos domicílios particulares permanentes por bairro, região e Natal, 2010.
Fonte: Elaborada pela pesquisadora a partir de dados da Prefeitura Municipal de Natal - Anuário dos anos 2003 e 2011/2012 – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB/DIPE) –
Base de Dados IBGE – Censos de 2000 e 2010
Acrescenta-se à caracterização dos subsistemas de água e esgoto, uma referência sucinta, sobre os serviços de drenagem, pavimentação, produção de lixo e sistema viário, como elementos que contribuem para as condições sanitárias e de urbanização da área.
Identificam-se, de acordo com os dados apresentados na Tabela 7 (APÊNDICE G) e Tabela 8 (APÊNDICE H), condições distintas de cobertura desses
Ano Bairro Região
Administrativa Domicílios Totais % domicílios ligação de água a rede geral % domicílios ligação de esgoto 2000 Capim Macio 5.713 27,9 0,03 Região Sul 40.807 82,3 84,3 Tirol 4.091 23,5 18,9 Região Leste 30.046 91,9 61,8 Município 177.783 93,7 21,9 2010 Capim macio 7.360 56,9 0,95 Região Sul 51.243 82,34 14,1 Tirol 5.236 68,9 65,3 Região Leste 34.897 92,6 71,9 Município 235.579 90,5 24,5
serviços, sendo que o Tirol, por se tratar de área com a urbanização consolidada apresenta melhor cobertura quanto a esse aspecto, com 96 % das vias drenadas e pavimentadas enquanto que, Capim Macio, área de ocupação mais recente, conta com aproximadamente, 50 % das vias pavimentadas e 80 % drenadas fruto de investimento público nos últimos anos, evidenciando que o quadro de carência desses serviços está diretamente relacionado ao descompasso entre a expansão urbana e a oferta dos serviços, uma vez que as áreas com ausência ou reduzida cobertura coincidem, com os espaços de expansão urbana.
Dentre os problemas que caracterizam as condições atuais da infraestrutura urbana, em Natal, incluem-se: a gestão dos diversos subsistemas envolvendo diferentes gestores o que, tem dificultado a eficiência desses serviços, aliado à ausência ou deficiência do planejamento reduzindo a capacidade de acompanhamento e gestão dos serviços, prejudicando a análise, a previsão e a tomada de decisões, entre elas a definição dos custos dos diferentes subsistemas. Aqui cabe uma ressalva para o subsistema viário que, segundo Mascaró (1997), é o que merece maior atenção por parte dos gestores públicos, pois é o mais caro dos subsistemas citados.
Ocupando aproximadamente de 20 a 25 % do solo urbano, o subsistema viário é aquele que mais se relaciona com o usuário e, depois de implantado, apresenta uma grande dificuldade de ser ampliado, devido aos altos custos envolvidos e às dificuldades que tal ampliação implica na operação do sistema de transportes. Os custos da pavimentação e da implantação das redes de drenagem, segundo Zmitrowicz e Angelis Neto (1997) representam mais de 50 % da composição dos custos totais da infraestrutura urbana.
A partir da Lei Complementar nº 07/1994, os usos em todo território municipal, foram agrupados em duas classes: residencial e não residencial sendo, permitido o uso misto (residencial + não residencial).
Esta pesquisa focaliza, prioritariamente, o uso residencial considerando como pressuposto, sua a predominância na ocupação do espaço urbano de Natal em relação aos demais usos. Fato comprovado através dos dados de domicílios atendidos pelo subsistema de abastecimento de água que, segundo dados da CAERN (Tabela 9, APÊNDICE I) em 2010, nos bairros de Tirol e Capim Macio das 9.707 ligações de água, 84 % são residenciais, o que tem levado os projetos de infraestrutura urbana, segundo Oliveira (2010) adotar como indicador a densidade
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populacional no dimensionamento dos diferentes sistemas, em geral, calculado para atender a demanda dos usos predominantes (OLIVEIRA, 2010, p. 120).
Essa situação tem contribuído para a definição dos critérios que condicionam a intensificação do uso e ocupação solo, no município Natal, especialmente, a partir de 1994, reforçando a compreensão de que a intensificação do solo urbano guarda uma estreita relação com a disponibilidade dos sistemas de infraestrutura urbana.
Zmitrowicz e Angelis Neto (199, p. 25) relacionando a capacidade dos subsistemas de infraestrutura com a intensificação do uso do solo e custos de investimentos na implantação ou ampliação das redes de serviços destaca:
A concentração de usos é, em princípio, limitada pelo ponto de saturação das redes viárias e de infra-estrutura, cuja expansão encontra diversos obstáculos, pressupondo a necessidade de novas obras, desde simples ampliação de redes até a implantação de novos equipamentos estruturais, por vezes de grande vulto.
No tocante, aos subsistemas de abastecimento de água e esgoto, tem sido adotada como referência para o dimensionamento dos componentes das redes, o consumo per capita de diário de água. De acordo com a Organização das Nações Unidas essa cota, mantem uma relação direta com tamanho da população e o consumo médio diário de água por pessoa (para atender as necessidades de consumo e higiene), podendo variar em razão do porte das cidades, das condições climáticas e costumes da população.
De acordo com os dados no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS (2012) o consumo diário de água por habitantes, no Brasil, alcançou 159 litros/habitantes/dia, em 2010 e, a região nordeste foi a que apresentou menor consumo, ou seja, 117 litros/habitantes/dia. No munícipio de Natal, de acordo com o Plano Esgotamento Sanitário de Natal (CAERN, 2004) a média é de 250 litros/habitantes/dia.
No que se refere ao volume de esgoto, em geral, as concessionárias desses serviços consideram que, aproximadamente, 80 % do volume de água consumido são transferidos para geração do efluente o que possibilita mensurar as condições dos subsistemas para atender demanda, a partir da população residente.
Neste sentido considera-se que a descrição dos aspectos relacionados às condições da infraestrutura instalada, nos bairro de Capim Macio e Tirol, refletem os critérios utilizados para definir os limites de intensificação do uso do solo, resultando
no macrozoneamento do município expresso na delimitação da Zona de Adensamento Básico, Zona Adensável e Zona de Proteção Ambiental, tanto 1994, como em 2007.
O Quadro 5, apresenta de forma resumida, alguns dos indicadores que podem influenciar na construção dos índices de controle urbanístico, comparando o desempenho de cada bairro em relação a Natal.
Quadro 5 - Síntese da situação dos dados populacionais, principais serviços de infraestrutura urbana dos bairros de Capim Macio e Tirol, em relação a Natal, 2010
Informação
Localização
% do bairro em relação a Natal
Natal Capim Macio Tirol
POPULAÇÃO Capim Macio Tirol
População Total Taxa de crescimento Densidade demográfica 803.739 1,21 46,69 22.760 1,04 52,52 16.148 0,88 44,85 2,83 - - 2,00 - - DOMICÍLIOS Total Casa Apartamento Casa em vila/condomínio 235.522 81,35 11,85 6,58 7.360 44,52 49,31 6,01 5.236 28,72 67,67 3,5 3,12 - - - 2,22 - - - Média de Pessoas/domicílios (tamanho da Família) 3,41 3,09 3,08 - - INFRAESTRUTURA URBANA % de domicílios ligados a rede geral de água
% de domicílios ligados a rede geral de esgoto 98,30 31,8 57,0 8,04 68,8 97,48 - - - - Rendimento Meio Mensal
(Salários Mínimos) 1,78 4,71 6,46
- -
Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base nos dados do IBGE e SEMURB (2010)
A partir desses dados, verifica-se que em termos populacional os bairros do Tirol e Capim Macio representam juntos, menos de 5% da população do município com uma taxa de crescimento inferior a da capital, chegando a percentuais inferiores a 1% como é o caso do Tirol.
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Em relação à concentração populacional os dados relacionados a densidade demográfica permitem mensurar o grau de adensamento e a efetivação da aplicação dos parâmetros de controle urbanísticos analisados. O Bairro de Capim Macio, apesar de localizado na Zona de Adensamento Básico (conforme dispõe a Lei Complementar nº 082/2007) apresentou em 2010, uma densidade demográfica (52,52 hab/ha) superior a do bairro do Tirol (44,85 hab/ha).
Com relação à infraestrutura urbana, especialmente, os subsistema de água e esgoto, os dados de 2010 revelam que Natal, assim como, os Bairros de Capim Macio e Tirol apresentam mais da metade dos domicílios atendidos pela rede de abastecimento de água (Tabela06). É com relação ao subsistema de esgotamento sanitário, que reside a maior diferença entre os dois bairros: o Tirol com 97,50% dos domicílios ligados rede geral e, o bairro de Capim Macio com apenas 8,04%.
As descrições dos aspectos relacionados às condições da infraestrutura instalada nos bairro de Capim Macio e Tirol refletem os critérios de intensificação do uso do solo utilizados na delimitação da Zona de Adensamento Básico (Capim Macio) e Zona Adensável (Tirol), constante do macrozoneamento do município, tanto em 1994 como em 2007, os quais levaram em consideração a infraestrutura instalada procurando atender a um dos eixos da função social da cidade estabelecidos nas citadas normas.
4.3 APLICAÇÃO DA DENSIDADE E COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO