• Sonuç bulunamadı

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Mesmo antes de nascermos de certa forma, fomos pensados por alguém, num conceito original, talvez por nossos pais. Carregamos uma quantidade significativa de expectativas que podem ou não ser contempladas a partir do olhar do outro.

Num primeiro momento, as expectativas continuam elevadas, pois levamos algum tempo para construir o conceito da linguagem, da comunicação e o que os outros pensaram sobre nós continua sendo idealizado, pois não temos como modificar uma vez que não conseguimos empreender uma comunicação mais objetiva.

Quanto tempo leva este processo de desenvolvimento? Depende de cada um. Não há como mensuramos ou definirmos um padrão. E é justamente isto que nos difere de tudo o que foi criado. Não pretendemos ser igual a ninguém, numa aproximação semelhante aos nossos pares, contudo por meio da experiência, descobrimos que ser diferente é o objetivo maior.

Mostrar ao outro o que ele não enxerga claramente é algo que se reveste do mistério que é o ser humano. Estreitar relações e afetos é muito bom, mas o ser humano quer mais do que isto. Ele deseja expressar sua originalidade, todavia preservando o seu mundo particular.

Dificuldade de compreensão? Diríamos que desvendar o pensar do ser humano é extremamente desafiador e envolvente, pois ora ele quer se mostrar como é e em outro momento esconder, fechar-se e negar-se. Aqui percebemos o processo da espiral da autodescoberta e da auto-revelação, uma vez que só mostramos o que queremos que o outro veja.

Para Wilber (2000), o nosso “eu” mostra-se sob a forma de duas partes:

[...] primeiro, existe um espécie de eu observador ( um sujeito ou observador interior); e, segundo, existe uma espécie de eu que é observado (algumas coisas objetivas que você pode ver e conhecer a respeito de você mesmo – sou pai, mãe, médico, funcionário de um escritório; peso tantos quilos, tenho cabelos loiros, etc.). A primeira parte é sentida como “eu”, a segunda como um “mim” (ou “meu”). Chamo o primeiro de eu proximal (pois está mais próximo de “você”), e o segundo de eu distal (pois ele é objetivo está “afastado”). Dou a ambos – juntos com qualquer outra fonte de ipseidade – o nome de eu total.” ( p.48)

Para que possamos criar um processo circular e ao mesmo tempo espiralado, onde os nossos “eus” se encontrem e façam surgir um “eu total”, necessitamos mergulhar no profundo e é isso que falávamos anteriormente, pois as expectativas de “eu” que os outros esperavam ver, não é um “eu” que

desejamos nos tornar e nesse sentido deixar transparecer o que somos é primordial.

Somos mestres em ilusionismos! Deixamos que o outro nos vislumbre conforme queremos e acabamos entrando ou mergulhando em um emaranhado de conexões que abalam a consciência que temos de nós mesmos. Por que fazemos isto?

Hamachek (1979) aponta em seus estudos uma dualidade e ao mesmo tempo uma limitação em compreender quem somos e principalmente o significado da vida em cada um de nós:

[...] nós, seres humanos, somos criaturas interessantes, paradoxais. Procure pensar a respeito. Ás vezes nos é mais fácil ser amistosos com quem não gostamos do que ser afetuoso com alguém a quem queremos muito. Olhamo-nos no espelho na esperança de que reflita aquilo que gostaríamos de ser e nos desapontamos quando ele apenas reflete a imagem do que somos. Podemos caracterizar as coisas às quais nos opomos, mas frequentemente temos dificuldades em especificar o que defendemos. Amamos o que desejamos, mas uma vez que o temos não amamos necessariamente o que conseguimos. Podemos identificar o que fizemos, mas nem sempre estamos seguros do porquê o fizemos em primeiro lugar. Podemos dizer nossos nomes às pessoas, mas temos dúvidas quanto à nossa identidade. Achamos mais fácil explicar o que fizemos do que explicar quem somos. Na realidade, em cada uma das nossas buscas individuais de respostas, valores, e de um estilo de vida adequado, nos defrontamos irremediavelmente com o problema do significado – com a questão da significação da vida. ( p. 01)

Talvez nem o grande psicanalista Sigmund Freud tivesse a resposta para esses questionamentos, entretanto o fato é que há pouco tempo aprendemos que demonstrar o que sentimos pode nos auxiliar na compreensão de quem de fato somos e o que queremos fazer com nossa vida.

No momento que chegamos a esta vida, tomamos contato com um universo que não nos pertencia, tivemos que pouco a pouco nos inteirarmos e buscarmos associações para senti-la mais nossa do que de nossos pais. O vinculo é importante, mas a vida é contada a partir do olhar deles e permanecemos muito tempo olhando a vida pelas janelas de suas vidas.

Incrível é perceber que o que eles veem não é o que gostaríamos de ver, o colorido não reflete o que olhamos e as limitações são visíveis, uma vez que enxergamos muito além daquele que está vendo o mesmo ponto.

Neste momento, a primeira espiral que nos constitui começa a se estruturar em cada um de nós. AA eessppiirraall ddoo eeu desenha-se na primeira u

compreensão que fazemos de quem somos e daquilo que não queremos ser ou parecer do outro. Começa o caminho em busca da originalidade, da marca única e intransferível que nos foi dada como projeto aqui nesta dimensão.

A subjetividade se reveste com uma túnica que agregará possibilidades, sonhos, desafios, anseios, buscas, sensações, prazeres, medos, frustrações, conquistas e expectativas. A transparência dela será observada pelas experiências que irão fazer ao longo de sua existência, das suas relações com o cosmo, com o ambiente e com o outro.

Percorremos esse caminho na esperança de encontrarmos uma resposta, mas atualmente sabemos que podemos não encontrar uma única resposta, um único parâmetro e isto é muito bom, na medida em que não é a quantidade de respostas que dirão o que fizemos de nossas vidas. Iremos provocar um enfrentamento muito mais pessoal do que coletivo e como sairemos desta experiência somente a própria poderá nos mostrar.

Dos estudos de Happé (1997), podemos corroborar as ideias, pois

[...] precisamos das experiências que atraímos. Quando aceitamos a vida como ela vem e respondemos de uma forma harmoniosa com a Lei do Amor, tudo muda conforme essa nova direção. Nós somos criadores e podemos criar a harmonia e paz; para isso somente precisamos ficar em sintonia com o poder do amor criador. Quando somos capazes de fazer essa escolha e a praticamos, entendemos quem somos, ao mesmo tempo em que nos tornamos conscientes de nossa importância no planeta, Nesse ponto, fazemos o que sentimos que é apropriado. ( p. 77 )

Esculpir uma essência leva uma vida toda. Deixar ser, considerando o que há de espontâneo, livre e único é uma aprendizagem que não estamos acostumados.

Vivemos em uma sociedade que se acostumou a medir tudo pelo que terá de retorno imediato e pelo que os outros podem oferecer para que se possa ter cada vez mais. E aqui adentramos em uma viagem que está na contramão do previsível, do palpável e do objetivo.

O olhar que a espiral propõe deveria também alcançar a retomada da relação com a natureza, como nos diz Happé (1997)

[...] a natureza é o espelho e o professor mais direto da nossa consciência. As coisas naturais conversam conosco no fundo de nossa alma. Visualize-se, então, caminhando à beira do oceano; permita que a mãe oceano lave seus pés e lhe dê forças; sinta o sol brilhando sobre o seu ser, dando-lhe calor, segurança e luz. Torne-se perceptivo da paz e da quietude poderosa das montanhas e aprenda a compartilhar das qualidades da natureza, porque tudo é você. Sinta as arvores e converse com a grama sobre qual você caminha, passe-lhes o que você sabe e escute o que elas têm a dizer. Desfrute do bem-estar de estar uno com a natureza. [... ] nos separamos demasiadamente da natureza e, ao fazê-lo, também nos separamos das qualidades que ela oferece para ajudar-nos a manifestar os milagres em nossas vidas. ( p. 78 )

Desmistificar tal conceito é importante, pois podemos compreender o que nos cerca, mas o deixar ser é muito mais voltado para o lado de dentro do que o de fora. Equilíbrio sim, mas vital é o encontro com o que foi pensado como projeto de vida para nós. A cor e as matizes nos cabem. Podemos contar com o apoio dos outros, contudo a quantidade de tintas dependerá de nossas escolhas e das opções que fizermos para revelar o que nos constitui enquanto seres em formação, mediados pela relação com a natureza.

Benzer Belgeler