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Temel Mali Tablolara İlişkin Açıklamalar

A. MALİ BİLGİLER

2. Temel Mali Tablolara İlişkin Açıklamalar

No Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels já proclamavam a necessidade do capital avançar incessantemente a procura de novos mercados a fim de estabelecer novos padrões de sociabilidade para exploração. As transformações da década de 1980, aos anos 2000, no Brasil demonstram um processo de avanços e retrocessos no mercado de trabalho. Pochmann (2010, p. 12), em pesquisa sobre a trajetória do mercado de trabalho expõe que a década de 1980, caracterizou-se por uma estrutura de “progressivo assalariamento com a manutenção de formas de ocupação mais precárias, como a ocupação do tipo conta-própria e com níveis de informalidade.” Já nos anos de 1990, o autor salienta

que além de um agravamento de todos os elementos constituintes da década anterior houve também um aumento sem precedentes da taxa de desemprego.40

Já nos finais da década de 1990 e a entrada do País nos anos 2000, ocorre uma transformação econômica com bases em dois padrões distintos, o primeiro compete a um novo modelo de desenvolvimento e depois a um novo padrão de trabalho. No que diz respeito ao novo padrão de desenvolvimento, a sociedade como um todo, procura combinar de maneira favorável os avanços econômicos com os progressos sociais. Pochmann (2012, p.31) explica que esse fato adveio da

[...] ampliação da massa de remuneração do trabalho, especialmente por conta da forte geração de ocupações com remuneração levemente acima do salário mínimo, potencializa e sustenta a dinâmica da economia em novas bases sociais de modo praticamente sem paralelo durante os últimos quarenta anos no Brasil.

O autor ainda complementa dizendo

Na década de 2000, por exemplo, os empregos com remuneração de até 1,5 salário mínimo foram os que mais cresceram (6,2% em média ao ano), o que equivaleu ao ritmo 2,4 vezes maior que o conjunto de todos os postos de trabalho. As ocupações sem remuneração (-0,9%) e aquelas com rendimento de cinco ou mais salário mínimos mensais (-3,3%) sofreram redução líquida no mesmo período41 (IBDEM, p. 12)

No que se refere ao novo padrão de trabalho, em primeiro lugar urge conceituarmos o que é padrão de trabalho, para que possamos compreender o cenário onde está posto. Na acepção de Pochmann (IBDEM), padrão de trabalho se caracteriza por “uma dinâmica de geração de empregos para a força de trabalho segundo a faixa de remuneração, ou seja, o sentido geral de evolução do nível ocupacional e do rendimento recebido pelo conjunto de trabalhadores”. O referido autor complementa que, na década de 2000, ocorreu uma alteração importante na mão de obra brasileira, ou seja, do total líquido de 21 milhões de postos de trabalho que foram criados na primeira década do século XXI, 94,8% foram remunerados, e nos postos de trabalho sem remuneração ocorreu uma redução considerável, cerca de 1,1 milhões.

40 Pochmann (2010, p. 12) socializa a taxa de desemprego que “saltou de um patamar médio de 6,6%, no governo Sarney, para quase 8,5% no mandato de Collor/Itamar; teve novo salto para 10,2% no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso e para 11,7% no segundo; foi reduzido para 11,3% no primeiro mandato do presidente Lula e a previsão é de terminar o segundo com média anual de 9%.

41 Em pesquisas Krein (2012, p. 2) advoga que essa situação faz parte da plataforma de governo do Presidente Lula que tinha como base três propostas na área de regulação do trabalho: “1) valorização do salário mínimo; 2) redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; 3) criação do Fórum Nacional do Trabalho (FNT), que teria a função de redesenhar o sistema de organização sindical e trabalhista no País, a partir de um diálogo tripartite entre os agentes sociais (empregadores e trabalhadores) e representantes do Estado”.

Podemos elencar que um dos fatores da mudança estrutural das políticas de emprego no País está consequentemente relacionada a elevação da escolaridade. Pochmann (2008, p. 39) especifica que, a partir dos anos 2000, ocorre uma importante elevação do nível de escolaridade em todas as faixas etárias, ou seja, “em 2004, a população brasileira tinha em média 6,6 anos de estudo, enquanto em 1993 eram somente 5,1 anos, assim houve um aumento de quase 30% na quantidade de anos de estudo pela população”. Queremos advogar que essa elevação foi em consequência da substancial mudança na política de avanço no que diz respeito à variados níveis de escolarização. Aqui trataremos da Educação Profissional e tecnológica, que como já salientamos em capítulos passados, a partir da Era Lula, a educação profissional se apresentou como “carro-chefe” da política não só de emprego, mas também na área social e educacional.

De acordo com Sousa (2011, p. 50-51) o fortalecimento das Redes Federais e Estaduais de Educação Profissional e Tecnológica foi amparado pelas seguintes ações:

1. Criação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – por meio da Lei No 11.184, de 7 de outubro de 2005, em substituição ao Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná.

2. Expansão da rede federal por meio da Lei No 11. 195, de 18 de novembro de 2005. 3. Definição de políticas que assegurem aos alunos o acesso e permanência nas redes de

educação profissional e tecnológica, para que assumam a perspectiva de profissionalização sustentável.

4. Definição de políticas que assegurem aos professores das redes de educação profissional e tecnológica condições efetivas de trabalho e salário para que assumam a perspectiva de profissionalização sustentável.

Essas ações foram vinculadas a uma política de financiamento que se desdobrava na criação de mais escolas técnicas e agrotécnicas federais, além da aceleração de projetos do Programa de Reforma da Educação Profissional o PROEP.42 Fora essas ações também fazem

42 O Programa é dirigido pelo Ministério da Educação em conjunto com o Ministério do Trabalho. Financiado com recursos federais, sendo 25% do MEC, 25% recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT do MTb, e os 50% restantes oriundos de empréstimo externo contraído junto ao BID. Os recursos destinados ao Programa totalizam o equivalente a 500 milhões de dólares. A análise sobre o impacto da reforma da EP e do PROEP sobre o CEFET-RN é de estudo no trabalho MOURA, D. H. La Autoevaluación como Instrumento de Mejora de Calidad: un Estudio de Caso (El Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte / CEFET - RN / Brasil). 2003. 516 f. Tese (Doutorado em educação) – Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madri. Madri,2003.

parte do PROEP às parcerias com empresas e o terceiro setor (fabricas, empresas de serviços, agroindústrias e ONGs), assim nesse pequeno relato podemos perceber que a Educação Profissional do Brasil, especificamente a partir dos anos 2000, acelerou seu atendimento tentando dirimir a fissura existente entre a formação e a prática para o mercado de trabalho.

Essa situação se reflete nas capitais brasileiras. No Ceará, a elevação das matriculas na área de Educação Profissional e Tecnológica são representativas a partir dos anos de 2005 até 2010. Abreu e Oliveira43 (2011, p. 20), em levantamento, expõem que “as matrículas na educação profissional e tecnológica, nas redes públicas e privadas, em Fortaleza, no ano de 2005, correspondiam a 5.890 e chegava a 10.850, em 2010, predominando a rede privada”. Nesse tempo podemos atribuir ao Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia uma parcela dessa elevação.

4.3 Conceituando os Cursos no IFCE – Campus Fortaleza: Telecomunicação e

Benzer Belgeler