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Faaliyet Bilgileri

B. PERFORMANS BİLGİLERİ

1. Faaliyet Bilgileri

A década de 1990 é uma década muito representativa em relação ao campo da educação tanto no âmbito nacional quanto em âmbito local. No Ceará, a década de 1990 é representada pelo mandato de Ciro Gomes (....) que atuou na área educacional com o lema: “Escola Pública: A Revolução de uma Geração.” (Ceará, Mensagem Anual, 1992, p. 39). De acordo com Tavares (2001), sob esse slogan, promoveu-se um programa no âmbito educativo fortemente influenciado na teoria da qualidade total de cunho administrativo. Assim palavras como, gestão, participação, qualidade, otimização, excelência e outras tantas originárias do mundo da gerência de negócios, impregnam os discursos oficiais relativos à educação.

A educação voltada para o mundo do trabalho passa a permear todas as esferas da sociedade alencarina. Nesse contexto em 1994, a Escola Técnica Federal do Ceará, juntamente com as demais Escolas Técnicas da rede federal, são transformadas em Centros Federais de Educação Tecnológica, mediante a publicação da Lei Federal No 8.948, de 08 de dezembro de 1994, que estabeleceu uma nova missão institucional, a partir da ampliação das possibilidades de atuação no ensino, na pesquisa e na extensão. Ressalte-se que, embora incluído no raio de abrangência do instrumento legal atrás mencionado, o CEFETCE somente foi implantado efetivamente em 1999. Cabe aqui registrar que, no interstício entre a publicação da lei atrás mencionada e a efetiva implantação do CEFETCE, mais precisamente em 1995, com o

43 Para aprofundar o tema ver o documento “Diagnóstico do Município de Fortaleza: A situação Educacional em números (2000-2010), produzido pelas autoras.

objetivo de promover a interiorização do ensino técnico, a instituição estendeu suas atividades a duas Unidades de Ensino Descentralizadas (UnEDs), localizadas nas cidades de Cedro e Juazeiro do Norte, distantes, respectivamente, 385km e 570km da sede de Fortaleza. Em 1998, foi protocolizado junto ao MEC seu Projeto Institucional, com vistas à implantação definitiva da nova instituição, o que se deu oficialmente em 22 de março de 1999. Em 26 de maio do mesmo ano, o Ministro da Educação aprova o respectivo Regimento Interno, pela Portaria No 84 (IFCE 2009).

O Ministério da Educação, visando à formação de profissionais aptos a suprir as carências do mundo do trabalho, incluiu entre as suas finalidades a de ministrar ensino superior de graduação e de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, mediante o Decreto n° 5.225, de 14 de setembro de 2004, artigo 4º, inciso V. A essa altura, a reconhecida importância da educação profissional e tecnológica no mundo inteiro desencadeou a necessidade de ampliar a abrangência dos Centros Federais de Educação Tecnológica. Em comum com essa necessidade, a extensão de políticas públicas voltadas para essa área também foi em número elevado nos anos 2000, e como já estamos debatendo sobre tal objeto, o PROEJA foi uma das políticas que foram implantadas no Instituto Federal do Ceará.

Segundo o professor Dante Henrique Moura do IFRN (2006, p.5) que acompanhou de perto o processo de implantação do PROEJA nos IFEs, esse processo inicia- se com a realização por parte da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC/MEC, durante o segundo semestre de 2005, de um conjunto de oficinas pedagógicas distribuídas pelo país, cujo fim era promover a capacitação dos gestores acadêmicos das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica (IFET) com vistas à atuação no PROEJA. Na verdade, essa ação, ao invés de concretizar a capacitação esperada, resultou em uma série de análises, reflexões e duras críticas relativas ao conteúdo e, principalmente, à forma de implantação do Programa.

O autor reitera que todo esse contexto aliado à mudança na equipe dirigente da SETEC no último trimestre de 2005, cuja nova equipe mostrou-se sensível às críticas generalizadas provenientes do meio acadêmico e da Rede, implicaram em uma mudança de rumos no caminho da implantação do PROEJA, no sentido de construir uma base sólida para a sua fundamentação. O primeiro passo, nessa nova fase, foi a constituição de um grupo de trabalho plural (MEC/SETEC, 2005), que teve como tarefa elaborar um documento base de concepções e princípios do Programa, até então inexistente, e cujo resultado aponta para a perspectiva de transformar esse Programa em política pública educacional.

Esse documento apresenta uma retrospectiva histórica sobre a educação de jovens e adultos no Brasil; uma análise dos problemas de acesso, permanência e qualidade da educação básica no País, tanto para o público denominado “regular” como na EJA. A partir daí, apresentam-se e discutem-se as concepções e os princípios do Programa. Nele, também são discutidos os princípios dos projetos político-pedagógicos que podem fundamentar as ofertas decorrentes do Programa, além de diretrizes gerais para a sua operacionalização. Ressalte-se que o documento aponta para a urgente necessidade de promover a formação de profissionais para atuar nessa nova esfera educacional, articulando-a com o fomento a linhas de pesquisa nesse campo, como forma de efetivamente contribuir para a transformação do Programa em uma política pública de educação (MOURA, 2006, p.5). Nesse contexto, o PROEJA surge nos IFEs, não como fruto de uma visão interna, não como o desejo dessas instituições em atender a essa nova clientela, surge como uma ação do MEC, que atendendo a pressões dos grupos de EJA que atuavam no Brasil, procurou associar a educação profissional a educação geral de nível médio, atribuindo de forma impositiva aos Institutos Federais a realização dessa missão

É nesse campo de debate que é implantado o curso de Telecomunicação e Refrigeração e Climatização. O curso foi implantado em 2007.1, com o objetivo de proporcionar aos jovens e adultos a educação profissional integrada à educação básica. A carga-horária é de 2360h, com duração de 7 semestres (3 anos e meio). Na concepção do Programa os referidos cursos devem pautar-se na concepção de uma política, cujo objetivo da formação está fundamentado na integração de trabalho, ciência, técnica, tecnologia, humanismo e cultura geral, podendo contribuir para o enriquecimento científico, cultural, político e profissional das populações, pela indissociabilidade dessas dimensões no mundo real. Ademais, essas dimensões estão estreitamente vinculadas às condições necessárias ao efetivo exercício da cidadania. Todavia, torna-se oportuno esclarecer alguns aspectos do que vem ser a propalada educação integral, assunto de que muito se fala, mas que poucos conseguem efetivamente traduzir em ações no dia a dia nas salas de aula. Esse tema tem gerado angústias nos professores que trabalham com o PROEJA nos IFCE – Campus Fortaleza, fato esse observado em encontros científicos em que foi possível minha participação com colegas com atuação no PROEJA.

O que nos parece paradoxal com a implantação desse Programa no IFCE é que a integração decorre da possibilidade e da pertinência pedagógica de se compreender o conhecimento humano como produto de necessidades e praticas do ser social. Luckács (1981, p. 21) já afirmava que “[...] o trabalho criou a ciência como órgão auxiliar para alcançar um

patamar cada vez mais elevado, cada vez mais social.” O mesmo ocorre em relação à cultura, correspondente às linguagens e aos códigos éticos e estéticos que orientam as normas de conduta de um grupo social. ( RAMOS , 2010, p.68)

Continuando esse debate Savianni (1989, p. 1) expõe que o trabalho, como princípio educativo, está na base de uma concepção epistemológica e pedagógica, que visa proporcionar aos sujeitos a compreensão do processo histórico de produção cientifica, tecnológica e cultural dos grupos sociais, considerada como conhecimentos desenvolvidos e apropriados socialmente, para a transformação das condições naturais da vida e para a ampliação das capacidades, das potencialidades e dos sentidos humanos. Ao mesmo tempo, é pela apreensão dos conteúdos históricos do trabalho, determinados pelo modo de produção no qual este se realiza, que se pode compreender as relações sociais e, no interior dessas, as condições de exploração do trabalho humano, assim como de sua relação com o modo de ser da educação.

Certamente que os cursos os quais abarcamos como objeto de pesquisa precisariam, em sua gênese, incorporar o processo de integração da educação geral e educação para o trabalho. Por fim, Ramos (2010, p. 74) ao analisar a integração do ensino médio com o ensino técnico, conclui que:

[...] a integração do ensino médio com o ensino técnico é uma necessidade conjuntural – social e histórica – para que a educação tecnológica se efetive para os filhos dos trabalhadores. A possibilidade de integrar formação geral e humano é, por essas determinações concretas, condição necessária para a travessia em direção ao ensino médio politécnico e à superação da dualidade educacional pela superação da dualidade de classes.

Nesse sentido seria condição necessária integrar os cursos de Telecomunicação e de Refrigeração e Climatização, não só a partir da sua proposta curricular para o campo de trabalho, mas também em uma proposta de integração. Talvez esse seja o maior desafio posto para professores, pedagogos e gestores encarregados do cumprimento dessa missão. É desafio pelo desvelamento de questões com as quais não temos experiência em trabalhar, é desafio porque não existe material didático apropriado para atender a esses alunos, é desafio por termos que nos aperfeiçoar em uma nova forma de educar que parte de pressupostos muito diferentes daqueles com os quais formo formados. Por outro lado, é oportunidade em virtude de:

Oferecer aos professores e aos alunos a possibilidade de compreender e apreender uns dos outros, em fértil atividade cognitiva, afetiva, emocional, muitas vezes no esforço de retorno à escola, e em outros casos, no desafio de vencer estigmas e preconceitos pelos estudos interrompidos e a idade de retorno, é a perspectiva sensível com que a formação continuada de professores precisa lidar. (SETEC.MEC 2007, p.36 e 37).

Dessa forma, como assevera o referido documento, é fundamental que preceda à implantação dessa política uma sólida formação continuada dos docentes, por serem estes também sujeitos da educação de jovens e adultos, em processo de aprender por toda a vida.

Benzer Belgeler