BÖLÜM 2. YURTDIŞI DENEYİMLİ YÖNETİCİLERİN UYUM SÜRECİ
1. Temel Değişkenler Kültür
Desde 1940, São Paulo e Minas Gerais ocupam, respectivamente, a posição de primeiro e segundo estados mais populosos do Brasil. Em 1960, São Paulo concentrava 18,3% da população brasileira e Minas Gerais 14,1%. No entanto, enquanto 62,6% da população paulista já residia em áreas urbanas, em Minas 61,2% residia em zonas rurais.
A diversificação e dinamismo do parque industrial de São Paulo, associados ao seu intenso desenvolvimento urbano passam a atrair, cada vez
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Para o caso específico da RMBH na década de 70 ver Rigotti (1994) e Matos (1995); sobre a RMSP ver Cunha (1994).
mais intensamente, migrantes de outros estados. Na década de 60, o estado cresceu a uma taxa média anual de 3,3%, graças ao extraordinário ritmo de crescimento da área urbana (5,9% ao ano), uma vez que na área rural houve crescimento negativo de 3,1% ao ano.
Por outro lado, no mesmo período, Minas Gerais apresentava uma proporção de população rural maior que a média brasileira e também o maior volume de residentes rurais do País (Rigotti e Carvalho, 1997). As altas taxas de fecundidade total nestas áreas, de 7,7 filhos por mulher em idade reprodutiva nos anos 60, segundo estimativa de Carvalho et al (1981) e o atraso relativo da indústria mineira, agravado pela recessão de 1962/1967 (Carvalho, et al 1998), delineavam um quadro favorável aos enormes fluxos de população.
Em 1970, São Paulo aumenta sua participação populacional, concentrando em seu território 19,1% da população brasileira. Minas Gerais, ao contrário, reduz sua participação para 12,3%, o que só podia ser explicado por uma notável perda populacional, dado seu crescimento vegetativo relativamente alto.
Os dois estados mais populosos do Brasil também tiveram os volumes mais expressivos de migrantes do País. São Paulo apresentou um ganho líquido de 1,7 milhão de pessoas, enquanto Minas uma perda de quase 1,6 milhão de indivíduos - considerando o efeito indireto - correspondentes a taxas líquidas de 9,6% e de -13,8%, respectivamente. Nos dois casos, há predominância dos grupos jovens adultos nos saldos migratórios. A maior parte dos migrantes que se deslocaram para São Paulo, assim como aqueles que deixaram Minas Gerais, constitui uma volumosa população em idade ativa, sendo que o impacto do saldo migratório na população ao final do período foi maior na faixa dos 25 aos 29 anos, em ambos os estados. A taxa líquida de migração para este grupo etário foi de 20,0%, em São Paulo e de -21,6%, em Minas Gerais, como atestam as estimativas de Carvalho e Fernandes (1991).
A taxa de crescimento em São Paulo aumentou de 3,3% ao ano, entre 1960 e 1970, para 3,5%, entre 1970 e 1980, isto é, um ritmo maior do que aquele verificado para a média brasileira, que foi de 2,9% e 2,5% ao ano, nas
respectivas décadas. Em Minas Gerais, nos mesmos períodos, a taxa de crescimento permaneceu no patamar de 1,5% ao ano, bem abaixo da média do País. Nos dois estados, estas taxas observadas só podem ser explicadas pelos saldos migratórios da década de 70.
O intenso avanço da industrialização brasileira nos anos 70, liderado pelo vigor da indústria paulista, foi acompanhado pelo processo generalizado de intensificação da urbanização. Em 1970, a maioria da população do Brasil, 55,9%, vivia em áreas urbanas. Ao lado do Rio de Janeiro - estado mais urbanizado do Brasil, devido ao enorme peso da cidade do Rio de Janeiro -, São Paulo constituía-se em um dos estados mais urbanizados, pois abrigava 80,3% de sua população em áreas urbanas. Neste ano, a maior parte dos residentes de Minas Gerais, 52,9%, habitava as áreas urbanas, percentual mais baixo do que a média brasileira.
Dez anos depois, 88,6% da população paulista e 67,1% da mineira residiam em centros urbanos. São Paulo se destaca com o maior saldo migratório intercensitário da história brasileira, tendo apresentado um ganho de mais de 3,5 milhões de pessoas na década de 70, somado o efeito indireto. Ao final do período, o saldo migratório foi responsável por um quarto da população recenseada em 1980, com idade entre 20 e 29 anos.
Por outro lado, Minas Gerais experimentou um arrefecimento da sua perda populacional, pois apresentou um saldo negativo de pouco mais de 1,4 milhão de pessoas, contra 1,6 milhão na década anterior. Sua taxa líquida de migração, que havia sido de -13,8% nos anos 60, passou para -10,7% no decênio seguinte (Carvalho e Fernandes, 1991).
A década de 70 foi, no Brasil, em geral, e particularmente em São Paulo, o momento culminante dos grandes saldos migratórios brasileiros, e o florescimento de duas realidades que se tornariam irreversíveis na vida nacional: a rápida queda da fecundidade e a urbanização. Estes dois fenômenos são fundamentais para se entender a posterior evolução das migrações internas brasileiras.
O declínio da fecundidade se refletiu no crescimento populacional do País. A taxa de crescimento médio anual caiu para 2,5%, pois até “o declínio
da fecundidade rural foi também generalizado, com uma queda média, em nível nacional, de 22,4%” (Carvalho, 1993). Iniciava-se, então, o processo de envelhecimento da população brasileira, que paralelamente ao esvaziamento das áreas rurais, terá como conseqüência futura a diminuição dos estoques populacionais, pelo menos em termos relativos, nas idades mais propensas à migrar, ainda que o impacto da queda da fecundidade sobre a natalidade não seja imediato.
De fato, como a fecundidade brasileira permaneceu alta durante várias décadas, a estrutura etária favorecia um alto crescimento demográfico. Com a queda da fecundidade, iniciada no final dos anos 60, tem início o arrefecimento do ritmo do crescimento populacional, mas este não é diretamente proporcional à queda da fecundidade. Dada a existência de grande proporção de mulheres em idade reprodutiva, a taxa bruta de natalidade (TBN) decresce menos que a fecundidade corrente.
“No entanto, o declínio da TBN, no princípio menor que o da fecundidade, faz com que comece a se estreitar a base da pirâmide etária, fenômeno este que, com o passar do tempo, tem repercussões sobre toda a distribuição da população pelos diversos grupos etários” (Carvalho, 1993).
No caso brasileiro, espera-se que a população com menos de 15 anos de idade não deverá crescer nas próximas décadas, apresentando até crescimento negativo em alguns quinquênios, enquanto a população entre 15 a 65 anos crescerá acima da média, mas em ritmo rapidamente decrescente. Os grupos etários mais jovens deste intervalo de idades irão apresentar baixas taxas de crescimento e até mesmo taxas negativas (Carvalho, 1993). Portanto, o estoque de população nas idades mais propensas à migrar diminuirá, ao menos em termos relativos, com o passar do tempo.
Outro fator fundamental, para o entendimento da dinâmica migratória recente, é o esvaziamento das áreas rurais. Nos anos 60, São Paulo apresentou o maior saldo migratório negativo das áreas rurais brasileiras (mais de 2,6 milhões de pessoas), considerando-se apenas o efeito direto da migração, seguido de Minas Gerais, onde a perda nas áreas rurais chegou a quase 2,4 milhões de indivíduos (Carvalho e Fernandes, 1991). Como grande
parte da emigração rural se dirigia, pelo menos na primeira etapa migratória, para a área urbana do próprio município, infere-se que volume considerável da migração com destino urbano tinha como procedência, em grande parte do País, as áreas rurais das próprias UF.
A grande diferença entre os dois estados é que as áreas urbanas de Minas Gerais experimentaram um saldo migratório positivo de pouco mais que 1 milhão de pessoas, não tendo sido capazes de absorver a maior parte da emigração rural, enquanto São Paulo, mesmo com a maior perda rural já ocorrida em uma única década no Brasil, não apenas absorveu, em grande medida, a sua própria população rural, como também a de outros estados, haja vista seu saldo migratório urbano positivo de quase 4 milhões de pessoas, sem contar o efeito indireto. Isso mostra a extraordinária capacidade do estado em atrair e absorver mão-de-obra de outros estados.
Na década de 70, mudaram os volumes dos saldos migratórios, mas o perfil dos deslocamentos populacionais continuou semelhante ao do período passado. Em Minas, o saldo migratório urbano positivo foi maior que o da década anterior (mais de 1,2 milhão de pessoas, desconsiderando o efeito indireto), mas a perda rural superou a marca dos 2,5 milhões de migrantes (apenas o efeito direto), a maior verificada nos anos 70. Mais uma vez, Minas não foi capaz de absorver seu imenso êxodo rural (Carvalho e Fernandes, 1991).
São Paulo também deu continuidade à trajetória passada. O saldo migratório rural negativo, de pouco mais de 1,5 milhão de pessoas, caiu muito em relação ao verificado na década anterior. Em compensação, as áreas urbanas aumentaram ainda mais seu poder de atração, e os ganhos líquidos atingiram o pico dos 4,4 milhões de pessoas, não incluindo o efeito indireto. São Paulo e Minas Gerais apresentaram, respectivamente, o maior ganho líquido urbano e a maior perda líquida rural verificados no Brasil (Carvalho e Fernandes, 1991).
Cabem aqui algumas reflexões a respeito dos dois fenômenos que, como dito anteriormente, causariam grande impacto no processo migratório futuro. O veloz declínio da fecundidade no Brasil tem como conseqüência
inexorável o envelhecimento populacional, trazendo profunda modificação na estrutura etária. Além disso, o processo de queda da fecundidade tende à convergência entre grupos sociais e regiões, o que levará, cada vez mais, à diminuição dos diferenciais de fecundidade rural e urbano.
Por outro lado, nas décadas de 60 e 70 houve um verdadeiro esvaziamento das áreas rurais em Minas Gerais e São Paulo. Estas perderam, juntas, pouco mais de 5 milhões de pessoas nos anos 60 e 4 milhões de pessoas no decênio seguinte. Estes números gigantescos e o intenso ritmo de queda da fecundidade indicavam que não haveria mais as mesmas condições objetivas para que os imensos saldos migratórios verificados nas décadas de 60 e 70 continuassem por muito tempo.