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Nas duas primeiras aulas ministradas, os objetivos traçados foram o de apresentar o projeto para os alunos e fazer com que eles se familiarizassem com o roteiro cinematográfico. Para isso, a princípio, houve uma explicação detalhada de todo o percurso a ser traçado a partir daquele instante. Foram apresentadas as atividades a serem desenvolvidas e foi dado espaço aos alunos para que esclarecessem suas dúvidas. Feito isso, partiu-se para o levantamento das informações prévias acerca do gênero em estudo. Os alunos foram instigados a expor o que entendiam a respeito da função social e das características do roteiro. A cada resposta dada, eu ia à lousa e anotava o que diziam. Fiz questão de que eles visualizassem as hipóteses levantadas a fim de buscar confirmá-las, ou não, no passo seguinte, que foi a leitura de um roteiro cinematográfico. Cada aluno recebeu a xerox do roteiro “Um

lugar seguro”, de Deborah Zaniolli, para que acompanhassem a leitura foi feita por mim e

observassem os aspectos constitutivos do gênero. Durante a leitura, houve pausas para a explicação de termos técnicos próprios do cinema que não eram conhecidos pelos alunos. Durante essas explicações, os alunos faziam anotações em seus roteiros, para que não

esquecessem esses conceitos. Terminado esse passo, um debate foi promovido. Os alunos puderam analisar as respostas dadas anteriormente e acrescentar informações. Se a resposta na lousa não correspondesse ao gênero, eu apagava para que, ao fim, ficassem escritas apenas aquelas que estavam de acordo com o conteúdo estudado. Finalizamos esse encontro lendo as anotações que permaneceram.

5.3.1.2 Segundo encontro

Momento de produção textual. Primeiramente, foi explicado aos alunos que eles teriam que criar quatro cenas de um roteiro cinematográfico. Nessa fase, os alunos ainda não dominavam as características do gênero. No entanto, esse passo é importante para que se possa traçar os caminhos a serem tomados, as metodologias a serem aplicadas, os exercícios a serem formulados. Portanto, assim foi feito. Para cada aluno foi dada uma folha em branco para que elaborassem seu texto. Ao fim do encontro, recolhi as produções textuais.

5.3.1.3 Terceiro encontro

Na elaboração de um bom roteiro cinematográfico, o conflito deve estar bem definido: alguma coisa acontece, alguma coisa deve ser feita, alguma coisa se faz. Esse é o primeiro passo para a elaboração de um filme. O conflito é apresentado na storyline. Nesse encontro, objetivou- se explicar no que consiste o conflito, explanar a importância de uma premissa sólida para a construção de um roteiro cinematográfico e expor os aspectos constitutivos da storyline. Os dois primeiros objetivos foram alcançados através de uma conversa com os alunos. Contudo, para a compreensão das características do gênero em questão, primeiramente foi feita a leitura de diferentes storylines (Anexo A) a fim de que, por elas, os alunos pudessem apreender seus aspectos constitutivos e pudessem falar sobre. Houve uma conversa em que os alunos expuseram suas percepções. Em seguida, com o auxílio de um datashow, foram exibidos três curtas-metragens para que os alunos produzissem suas

storylines. Foram eles: Tentáculos”, “Fly” e “Presto”. Todos disponíveis no Youtube. A cada

audiovisual exibido, havia uma pausa para que os alunos fizessem suas anotações; em seguida, o filme era exibido novamente com o propósito de que eles confirmassem ou corrigissem as informações coletadas na primeira exibição. Após essa produção, foi explicado aos alunos que eles produziriam a storyline de seus próprios filmes e que enviariam, até o dia estabelecido, por e-mail ou pelo WhatsApp. O encontro foi finalizado com o recolhimento das storylines

produzidas a fim de que eu as corrigisse.

5.3.1.4 Quarto encontro

Storyline produzida, momento de ampliar a história produzindo a sinopse. Nela,

tempo, espaço e personagens precisam ser definidos. O primeiro passo foi a conceituação do gênero sinopse. Depois foram debatidas a importância do tempo e do espaço para a construção da ação dramática e a relevância de se construir um personagem verossímil. Cada aluno recebeu uma folha xerocada que trazia a definição de sinopse, a explicação do tempo e do espaço nas narrativas, os tipos de personagens e um exemplo de sinopse (Anexo B). Explicados o tempo, o espaço, os personagens e a sinopse, foi feita a leitura do exemplar escolhido. Ressalto aqui que, como esse gênero é algo bem particular para os roteiristas, foi muito difícil encontrar um acessível. As sinopses que se acham facilmente na internet são as produzidas por críticos de cinema quando os filmes já foram lançados, não as feitas por roteiristas como planejamento de

seus audiovisuais. O único texto encontrado está disponível no blog

https://ouricouricado.wordpress.com/2011/05/01/ e foi produzido por Carla Françoase em um curso de cinema que fez. Esse texto foi utilizado, pela escassez já mencionada, em todas as aulas sobre sinopse. Depois de lido o texto, os alunos tiveram que identificar o tempo, o lugar e os tipos de personagem na sinopse em questão. Após isso, houve uma conversa a fim de verificar a identificação de cada um dos componentes solicitados. Terminada essa fase, foi solicitado que os discentes fossem pensando no perfil de seus personagens, no tempo e no espaço em que a história aconteceria.

5.3.1.5 Quinto encontro

A sinopse é o gênero que apresenta a história ampliada. Nela, tempo, espaço e personagens devem estar definidos, assim como o enredo da história, com começo, meio e fim. Todo roteiro cinematográfico organiza-se em três atos (vistos anteriormente no capítulo 2). A sinopse, sendo o gênero que apresenta a história em sua completude, deve também se fundamentar nesses atos. Portanto, nesse encontro, priorizou-se o estudo dos atos que estruturam o roteiro cinematográfico. Iniciando o encontro, retomou-se os conceitos vistos na aula anterior. Em seguida, foi distribuída uma folha xerocada contendo os três atos (Anexo C). A partir desse material, pôde-se estudar o esquema canônico de escrita de um filme. Após isso, fez-se novamente a leitura da sinopse vista na aula anterior para que, juntos, pudéssemos

identificar os três atos. Terminada essa fase, foi solicitado aos alunos que ampliassem suas

storylines, transformando-as em sinopses estruturadas nos três atos estudados. Fixamos uma

data para o envio dos textos por e-mail ou pelo WhatsApp. Assim concluímos esse encontro.

5.3.1.6 Sexto encontro

Sinopse produzida e corrigida, chegou o momento de transformá-la em uma escaleta. Nesse encontro, buscou-se apresentar a estrutura composicional deste gênero e mostrar sua importância para a produção do roteiro cinematográfico. Para iniciar o estudo, foi dada a cada aluno uma folha xerocada com a escaleta da sinopse que vinha sendo trabalhada nas aulas anteriores. Pedi que, antes de sua leitura, voltássemos para a sinopse a fim de relembrar a história e gerar maior familiaridade com seu enredo. O propósito era fazê-los, durante a leitura da escaleta, visualizar as transformações ocorridas na narrativa, dando suporte para que pudessem fazer isso também com seus textos de forma mais segura. Foi realizada uma leitura coletiva da escaleta, havendo pausas para que comentários fossem feitos acerca do enredo, dos detalhes acrescidos, das mudanças encontradas e dos termos próprios do cinema que apareciam no texto. Terminada a leitura, foi o momento de falar sobre as características da escaleta: cabeçalho e descrição das ações. Foi muito importante esclarecer e frisar que esse gênero não apresenta diálogos. A base é a ação a ser realizada em cada cena. Finalizada essa parte, foi momento de solicitar aos alunos que transformassem suas sinopses em escatelas e que as enviassem, na data fixada, por e-mail ou pelo WhatsApp.

5.3.1.7 Sétimo encontro

Momento de falar sobre a função social do roteiro cinematográfico e de apresentar seus aspectos composicionais, uma retomada dos conceitos vistos no primeiro encontro. Novamente, foi feito um levantamento dos conhecimentos dos alunos sobre o roteiro. Isso permitiu verificar se os conhecimentos adquiridos tinham sido ampliados até então. Após isso, foi dado a cada aluno um material xerocado (Anexo D), foram apresentados os tipos de rubricas e os tipos de diálogos inadequados para um roteiro de cinema. Terminada essa parte, cada aluno recebeu o roteiro “Vida de Cadeirante11”, de José Rodrigues. A leitura foi feita

11Disponível em:

coletivamente, sempre com interrupções para explicação dos termos técnicos que surgiam ao longo da leitura e dos aspectos formais, como uso da maiúscula, formatação, mudança de cena. Finalizado esse momento, houve a exibição de dois curtas-metragens, “Momentos”, de Nuno Rocha, disponível no YouTube, e “Perdoa-me”, de André Dias e Joana Silva, disponível no Vimeo. Por meio dessa exibição, os alunos tiveram que analisar os elementos narrativos e identificar cada ato de ambos os filmes. Após essa atividade, foi feita a correção.

5.3.1.8 Oitavo encontro

Nesse dia, os alunos levaram para a escola o software Celtx instalado em seus celulares ou notebooks. O intuito era começar a produzir o roteiro cinematográfico nesse aplicativo em sala de aula, sob minha orientação. Antes disso, foi exibido aos alunos, com o auxílio de um datashow, um tutorial de como utilizar o Celtx no celular. Após esse tutorial, abri o software em meu notebook e comecei a manuseá-lo, ensinando aos alunos como usá-lo. Depois disso, os alunos tiveram a oportunidade de começar suas produções textuais. Entretanto, nem todos os alunos conseguiram levar o Celtx. Alguns não tinham celular ou o celular não era compatível. Outros não tinham notebook, apenas computador de mesa. Nesse momento, foi preciso mudar a estratégia. Pedi para que eles se organizassem em dupla e, juntos, produzissem um texto no aplicativo. O importante era cada um deles ter um tempo para usar o Celtx, pois as dúvidas e dificuldades surgiriam nesse momento. Isso foi importante porque, estando presente para observar o desempenho dos alunos, pude ajudá-los a resolver os problemas que apareceram, o que facilitou a produção do roteiro cinematográfico quando estavam fora da sala de aula.

5.3.2 Atendimento em laboratório

O segundo modo de ação da pesquisa foi realizado no Laboratório de Redação. Cada aluno, em um dia e horário agendados previamente, foi atendido individualmente para ter seus textos corrigidos. Esse momento foi de fundamental importância para a percepção do desempenho dos alunos nos gêneros produzidos, para a observação das dificuldades apresentadas e para a verificação dos progressos feitos. O atendimento em laboratório permitiu um melhor acompanhamento da escrita de cada aluno e possibilitou que ele, acompanhando a correção de seu texto, pudesse esclarecer suas dúvidas e entender o que precisava ser

melhorado.

Para esses encontros, o texto precisou ser enviado previamente por e-mail ou pelo

WhatsApp, em uma dada pré-estabelecida. Como o tempo de atendimento em laboratório era

limitado, dependendo da extensão do texto, se ele fosse trazido apenas no dia marcado, poderia haver o risco de eu não conseguir concluir a correção no período estipulado. Tendo anteriormente acesso ao texto, pude antecipar sua leitura - que pôde ser feita em qualquer ambiente e momento favoráveis, já que o texto poderia ser lido até mesmo pelo celular -, e tive tempo para corrigi-lo com maior cuidado, apontando as correções a serem feitas pelo aluno durante a reescrita. Isso otimizou o tempo que aluno e eu tivemos juntos em laboratório.

O laboratório também foi usado para a construção de um roteiro coletivo no Celtx, pois, percebendo que os alunos não tinham segurança no manuseio desse programa, proporcionei um momento de produção textual em grupo, a fim de que eu observasse as dificuldades dos alunos e tentasse solucioná-las.

5.3.3 Atividades extraclasses

Depois de estudarem as características dos gêneros constelados para a elaboração do roteiro cinematográfico e de assistirem aos curtas-metragens selecionados, os alunos partiram para a elaboração do próprio roteiro. Na 16ª aula, eles iniciaram suas produções em sala de aula, sob minha orientação, mas tiveram que as concluir sozinhos, organizando seus horários da melhor maneira possível, como quisessem, já que o Celtx permite isso. Após a correção do roteiro em laboratório, sua reescrita também foi feita em um momento escolhido pelos alunos, individual e independentemente. Para a segunda correção, foi solicitado também que, em uma data pré-determinada, os alunos enviassem seus textos por e-mail.

Benzer Belgeler