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2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.3. Atıksuda Renk Giderim/Arıtım Metodları

2.3.5. Adsorpsiyon

2.3.5.1. Adsorpsiyon Mekanizması

2.3.5.2.1. Temas Süresi

Na concepção de Hume, as idéias também se dividem em idéias da memória e idéias da imaginação; as primeiras retêm grau considerável de força e vivacidade, enquanto as segundas são mais débeis41 podendo perder completamente seu grau de intensidade, “tornando-se uma perfeita idéia” (T., I, I, 3: 33, 1). Um critério adicional que nos ajuda a diferenciar as idéias da memória e da imaginação é que as primeiras preservam “a forma original sob a qual seus objetos se apresentam” (T., I, I, 3: 33, 3) ou, numa palavra, suas impressões; enquanto a própria natureza das segundas é a de não preservar a ordem e a posição das idéias. Em suma, podemos simplificar estes termos afirmando que na memória a ordenação das idéias é dada para nós e, no caso da imaginação, a ordenação das idéias é feita por nós (Sales Lima, 2003, p.33-34, nota) aduzindo, pois, que essa liberdade da imaginação repousa na consignação da acepção humeana de experiência como o lugar da contingência ou onde tudo que é diferente é separável; em contraponto àquela subjacente à acepção de experiência como impressão de

faculdade da imaginação. Coventry (2009, p.66-67) observa que não “existe, contudo, nenhum manifesto explícito do Princípio da Separabilidade na [primeira], Investigação, apesar de existir uma alusão sutil do princípio na seção 4, em sua discussão da relação causal [como podemos ver em E., IV, XI: 59] (...). Uma provável razão para a omissão do Princípio da Separabilidade na [primeira] Investigação é que a maioria dos tópicos para os quais o princípio é usado no Tratado, assim como idéias abstratas, espaço e tempo e identidade pessoal, não está mais presente na [primeira] Investigação”.

41 Quando comparada às percepções sensíveis, a percepção retida na memória é mais fraca e é dito ser uma idéia;

quando comparada com idéias da imaginação o quadro se altera pois ela é mais forte e talvez seja equivalente a uma impressão. Portanto, parece não se configurar numa ambigüidade o fato do texto humeano expresso no

Tratado e na primeira Investigação às vezes se referir a percepção retida na memória, ora como uma idéia e,

poder ou conexão [lógica] irrestrita, de modo que nossas ações antes que racionais possam ser adequadamente enquadradas num marco cético-naturalista onde, como mencionado em nossa Introdução no caso do tom ausente de azul, se propõe que a insaturabilidade de nossos hábitos [indutivos] substitua com proveito a saturabilidade de nossa razão [dedutiva].

Entretanto, cumpre iterar que se a imaginação dos homens é livre o bastante, isto não significa imputar-lhe poderes de ordenação arbitrários42. Apesar da liberdade desfrutada por essa faculdade, ela não deixa de estar submetida a alguns princípios... Como resolver essa aparente contradição? A temática relativa a acepção teórica do princípio da cópia, acabou de mostrar que ela se pauta por um conjunto de impressões e idéias desprovidas de relações ou independentes entre si, conjunto esse que repousa numa concepção singular e muito bem determinada de “diferença”, que é um pressuposto da máxima nominalista de que as qualidades de nossas percepções podem ser distinguidas e assim isoladas uma das outras através da faculdade da imaginação. Se esta faculdade não é ilimitadamente livre no sentido de separar percepções complexas, o que dizer quanto a sua liberdade de combinar percepções simples?43 Esse é todo o programa que está subjacente à formação da ciência da natureza humana, a saber, investigar as operações e os limites do nosso próprio entendimento, através da observação da constância exibida pela imaginação, pois seria estranho nessa faculdade, “se ela não fosse guiada por alguns princípios universais, que a tornam, em certa medida, uniforme em todos os tempos e lugares” (T., I, I, 4: 34, 1).

É pela associação de idéias que Hume vai procurar explicar por que a faculdade da imaginação, apesar de proceder com liberdade apresenta uma certa ordenação nas idéias complexas, numa “prova cabal de que as idéias simples, compreendidas nas idéias complexas, foram reunidas por algum princípio universal” (E., III, I: 42), que aproxima e exerce influência sobre todos os povos e faz com que haja uma correspondência entre as diversas línguas, atuando “apenas como uma força suave, que comumente prevalece...” (T., I, I, 4: 34,

42 “Podemos conceber um cavalo virtuoso, pois podemos conceber a virtude a partir de nossos próprios

sentimentos, e podemos uni-la à forma e figura de um cavalo, animal que nos é familiar” (E., II, V: 35). Este é um exemplo da capacidade combinatória que caracteriza a imaginação que na verdade é ilusória quando se supõe [metodologicamente] sua operação dissociada do principio de cópia. Limita-se, nesse caso, o “poder criador da mente [que] consiste meramente na capacidade de compor, transpor, aumentar ou diminuir” (Ibid) nossos átomos de percepção fornecidos pela experiência. Segundo Hume, não há nada “que esteja fora do alcance do pensamento, exceto aquilo que implica em absoluta contradição” (E., II, IV: 35). Mas isto, evidentemente, tem que ser qualificado pela operação conjunta dos princípios da cópia e associacionista da imaginação.

43 Estamos vendo que em Hume, a separabilidade dos átomos perceptivos, ou do simples, depende da

experiência, ou melhor, a liberdade da imaginação é restringida pelos dados sensíveis oriundos do princípio da cópia. Isto vem reforçar a tese de que o princípio da imaginação é inerente e está sendo constantemente vigiado pelo princípio da cópia. Se a formação do princípio da cópia depende da separabilidade das percepções, aqui a imaginação só atua de forma plausível quando a ela correspondem experimentos, ou seja, dados separáveis da experiência como inputs, em suma, átomos de percepção. Isto já é um vestígio de que ela não é tão livre assim já que, de fato, está sempre limitada a um estoque prévio de impressões armazenadas em nossa memória.

1). Na verdade, Hume diz que a formação do princípio associacionista da imaginação se realiza através de três princípios de associação de idéias que vão conferir regularidade e constância à ação da imaginação, a saber, “semelhança, contigüidade no tempo ou no espaço e causa e efeito” (T., I, I, 4: 35, 1). Essas são tidas como as qualidades44 que, segundo Hume, associam naturalmente nossas idéias simples a idéias complexas e que não se limitam a unir duas idéias imediatamente contíguas ou semelhantes, podendo se estender por uma longa cadeia de associações, embora “possa-se observar que, a cada interposição, a relação se enfraquece consideravelmente” (T., I, I, 4: 35 3), além do que, cabe insistir, já possuímos bons argumentos para asseverar não fazer o menor sentido no contexto do pensamento humeano, a utilização de um equipamento conceitual à maneira adotada pelo fisicalismo, como já foi mencionado por ocasião do tópico 1.1, ou termos como ação-à-distância, de grande apelo na modelagem de conhecidos esquemas utilizados no campo das ciências.

Para se ter uma melhor noção da importância atribuída por Hume à associação de idéias pela ação da faculdade da imaginação, temos que observar o contraste que ele faz dessa faculdade com as qualidades triviais da fantasia. E isso é feito apenas no Tratado, onde é exposta de forma mais detalhada uma espécie de doutrina das faculdades, atestada em T., I, IV, 7: 300, 7 quando ele parece erigir como sua opção “a resolução de rejeitar todas as triviais sugestões da fantasia e seguir o entendimento [, não agindo de forma isolada como alerta o próprio Hume na mesma passagem], isto é, as propriedades mais gerais e estabelecidas da imaginação”. É sintomático que Hume esteja aqui, ao que parece, revendo os poderes de ordenação da faculdade da imaginação possivelmente em vista daqueles praticados pelo autêntico entendimento45. Neste sentido, a faculdade da imaginação humeana estaria

44 Ao abordar as três propriedades do princípio associacionista da imaginação Hume confere maior importância

ao de causa e efeito: “Dentre as três relações acima mencionadas, a de causalidade é a de maior extensão” (T., I, I, 4: 36, 4), já que empiricamente problemática pois, ao contrário da semelhança e contigüidade, é dependente de inferência, como veremos. Por isso mesmo, a propriedade de causa e efeito é mais vivaz que aquelas evocadas pelas propriedades de semelhança e contigüidade, gerando em nós uma persuasão de existência do objeto, uma espécie de salto que o sujeito faz do observável ao inobservável, permitindo-lhe estabelecer modelos de explicação científica. Por exemplo, a impressão de fumaça pode evocar, por semelhança, a idéia de neblina, mas essa relação de semelhança não me diz que exista neblina. A mesma impressão pode remeter-me, por contigüidade espacial, à da proximidade de um casa com lareira, mais não me faz acreditar que essa casa com lareira exista. A relação de causalidade entre fogo e fumaça, ao contrário, me faz acreditar que onde há fumaça há fogo..., ou seja, adquiro essa propensão ou crença que me faz inferir que quando vejo fumaça, deve haver fogo em algum outro lugar que não vejo. Em T., Sinopse: 699, 35, Hume formula seu próprio exemplo acerca desta questão: “Esses princípios de associação se reduzem a três: a semelhança (por exemplo, um retrato naturalmente nos faz pensar no homem que serviu de modelo), a contigüidade (quando se menciona St. Denis, a idéia de Paris nos ocorre naturalmente) e a causalidade (quando pensamos no filho, tendemos a dirigir nossa atenção ao pai)”.

45 Neste sentido, a “fantasia”, a partir a da filosofia moderna, começa por se distinguir do termo “imaginação”. E

o próprio Hume vai transigir com a afirmação de que a fantasia faz lembrar uma imaginação desregrada e desenfreada, significado que se mantém em nossa contemporaneidade. O que Hume traz de original é que ao invés de simplesmente opor o entendimento à imaginação [ou fantasia], como tradicionalmente se fazia, a

habilitada a operar associando conceitos em juízos produzindo uma tendência de outorgar- lhes estatuto de necessidade e universalidade comparativas e, neste caso, parece que se comportaria com legitimidade que se aproximaria à do entendimento no sentido apontado pelo racionalismo moderno. Em suma, o princípio associacionista da faculdade da imaginação teria uma função claramente cognitiva que se manifestaria de forma diferenciada nas qualidades associativas da mente: a semelhança, a contigüidade e a causalidade. Por outro lado, as qualidades triviais da imaginação constitutivas da fantasia [que para nós seria a imaginação propriamente dita], levam-nos a emitir juízos que não possuem sua contrapartida na experiência, procedendo no mais das vezes ao acaso, como os que ocorrem na credulidade, no preconceito e na superstição, ou seja, sem qualquer afinidade com as qualidades associativas de nossa mente.

É curioso notar que nos parágrafos 2 a 5 da seção IV - “Da conexão ou associação das idéias”, Hume oscila no emprego dos termos fantasia e imaginação. Sua intenção parece ser antecipar que entre as qualidades associativas presentes na imaginação, a de causalidade é que opera com vínculo mais forte, ou melhor, ela representa não apenas uma associação de idéias, mas uma conexão46 [mental] de idéias, como vai expor em pormenor a sua doutrina das relações de causa e efeito. Neste sentido, ele nos apresenta as qualidades de associação de idéias lançando mão de uma terminologia um tanto análoga à que o fisicalismo newtoniano47

imaginação como faculdade vai assumir funções de ordem cognitiva [e também ontológica] que a filosofia de então só distinguira com autenticidade na faculdade do entendimento. Em seu ensaio Kant leitor de Hume, Monteiro nos relata as funções exercidas pela faculdade da imaginação na filosofia humeana, que passa a “designar a capacidade humana de conhecimento de realidades, a capacidade humana de pensar o mundo (...), reservando o termo razão, ou às vezes razão abstrata, para a capacidade humana de estabelecer relações do tipo lógico-matemático [e isto] corresponde à sua célebre e mais fundamental divisão, na Investigação sobre o

Entendimento, entre questões de fato e relações de idéias, que são, respectivamente, os objetos das duas formas

da capacidade humana de pensar designadas como imaginação e como razão abstrata” (Monteiro, 1984, p.100). Como já observamos, as qualidades da imaginação e o segundo princípio da natureza humana são termos análogos em Hume, e ambos abordam a diretriz filosófica e psicológica que assume a associação de idéias, cujo pressuposto vimos serem os fugazes itens da experiência subjetiva objeto do primeiro princípio da natureza humana, isto é, a resolução de cada conteúdo mental em elementos simples que são as impressões ou, genericamente, as idéias. Embora do ponto de vista conceitual hajam enormes contrastes entre as concepções cognitivas de Hume e Kant, não obstante, é sempre possível captar afinidades entre elas: as funções exercidas pela memória e pela imaginação na concepção de Hume, se mostram equivalentes aquelas que Kant nomina respectivamente de imaginação reprodutiva e imaginação produtiva que ele tematiza na Dedução Transcendental das Categorias, versões A e B (vide C.R.P., B152, p.152 para a segunda versão).

46 Podemos encontrar ao longo do Tratado, bem como da primeira Investigação, e isto será uma constante ao

longo de nossa exposição de “A gênese do problema de Hume”, uma distinção entre os termos “conjunção” e “conexão”. Veremos que enquanto a conjunção, de uma forma geral, se refira a uma mera proximidade espacial ou temporal, portanto metodologicamente a algo confinado ao princípio da cópia, a conexão pressupõe um trabalho da imaginação, isto é, do segundo princípio da natureza humana. Dos três princípios ou qualidades da associação de idéias, apenas a causalidade produz conexão [indutiva]; a semelhança e a contigüidade produzem meras conjunções [analógicas], ainda que Hume as inclua no rol das qualidades associativas da mente.

47 A analogia é exemplificada em variadas passagens dos escritos humeanos. Apresentamos uma delas, expressa

em E., I, XV: 30: “Os astrônomos por muito tempo se contentaram em deduzir dos fenômenos visíveis os verdadeiros movimentos, ordem e magnitude dos corpos celestes, até surgir finalmente um filósofo que, pelos

empregara para formular suas leis gravitacionais. Como a força gravitacional, a semelhança, a contigüidade e a causalidade geram uma espécie de atração entre conteúdos mentais, tornando a sucessão das idéias na maior parte das vezes regular e coerente. Essa atração entre os conteúdos unidos pela imaginação está ligada à idéia de transição fácil de uma percepção a outra. A passagem a seguir, explicita toda essa questão:

Tais são, portanto, os princípios de união ou coesão entre nossas idéias simples, ocupando na imaginação o lugar daquela conexão inseparável que as une em nossa memória. Eis aqui uma espécie de ATRAÇÃO, cujos efeitos no mundo mental se revelarão tão extraordinários quanto os que produz no mundo natural, assumindo formas igualmente numerosas e variadas. Seus efeitos são manifestos em toda parte; quanto a suas causas, porém, estas são em sua maioria desconhecidas, devendo ser reduzidas a qualidades originais de natureza humana, as quais não tenho a pretensão de explicar (T., I, I, 4: 36-37, 6).

Já vimos que a inspiração de Hume pela ciência newtoniana é notória em toda a sua obra, e reaparece várias vezes tanto nas páginas do Tratado quanto na primeira Investigação. Na introdução ao primeiro, ele já reconhecia o atraso da filosofia moral frente à natural que se deu entre os gregos, fato que se repetiu no período moderno ante o tempo transcorrido “entre Lord Bacon e alguns filósofos recentes da Inglaterra” (T., Int.: 22, 7) aos quais ele cita, entre outros, o Sr. Locke, Lord Shafstesbury, Dr. Mandeville, etc. E concorda da mesma forma com Newton, que ao tratar das leis da gravitação, ficava admirado com seu efeitos mas minimizava a importância de pesquisar as suas causas, como está bastante claro na passagem citada acima. Isto parece ser ponto pacífico na doutrina empirista em geral: se queremos alcançar os princípios da natureza, devemos rejeitar a especulação afeita aos filósofos abstrusos, e essa recusa é compartilhada por Hume que a manifesta em várias passagens como alguém que “fala das hipóteses com desprezo” (T. Sinopse: 684, 2), confirmando o posicionamento de Newton no final do Scholium generale48 dos Princípios Matemáticos da Filosofia Natural.

mais afortunados raciocínios, parece ter determinado também as leis e forças que governam e dirigem as revoluções dos planetas. Resultados semelhantes têm sido alcançados em outros domínios da natureza, e não há razão para não esperarmos um igual sucesso em nossas investigações acerca dos poderes e organização da mente, se levadas a cabo com a mesma competência e precaução”.

48 Hipotheses non fingo”: assim entendia Newton por hipóteses quando dizia que não inventava hipóteses: “Mas

até aqui não fui capaz de descobrir a causa dessas propriedades da gravidade a partir dos fenômenos, e não construo nenhuma hipótese; pois tudo que não é deduzido dos fenômenos deve ser chamado uma hipótese; e as hipóteses, quer metafísicas ou físicas, quer de qualidades ocultas ou mecânicas, não têm lugar na filosofia experimental (...) onde proposições são inferidas de fenômenos, e depois tornadas gerais pela indução” (Newton, 1962, p.547). Vê-se que para Newton, tudo o que não é dedutível de fenômeno, é hipótese: a gravidade existe de fato, pois explica a atração e a queda dos corpos e isso é o que basta para o cientista da natureza. No que toca a causa da gravidade, trata-se de uma questão cuja pesquisa não interessa a Newton, assim como sua impressão mental não interessara a Hume, dado que ela certamente extrapola o âmbito da experiência e da observação. Com efeito, Newton dá provas de seu desinteresse por conjecturas metafísicas impossíveis de verificação, ou seja, hipotheses non fingo. Note-se na passagem citada do Scholium generale que Newton emprega o termo

Assim, na esteira do análogo imagético atomista newtoniano da mente humana, Hume vai abandonar decisivamente o raciocínio hipotético e optar pela experiência e observação, alertando na abertura do Tratado que “qualquer hipótese que pretenda revelar as qualidades originais e últimas da natureza humana deve imediatamente ser rejeitada como presunçosa e quimérica” (T., Int.: 23, 8). O ponto é que a necessidade de buscar as causas primeiras pode muito bem ser substituída por uma doutrina que simplesmente priorize “um número suficiente de experimentos, se perceber que um exame mais prolongado o levaria a especulações obscuras e incertas” (T., I, I, 4: 37, 6) e, como sempre, a “investigação seria muito mais bem empregada no exame dos efeitos do que no das causas de seu princípio” (Ibid), pois as causas da associação de idéias devem ser consideradas, repetimos, “qualidades originais da natureza humana” (Ibid), cuja pretensão de verdadeiro conhecimento é conjectural ou hipotética49.

Sendo assim, podemos divisar que a causalidade, a contigüidade e a semelhança, ao indicar qual a transição mais fácil de uma idéia a outra, parece que produzem uma tendência. Não obstante, esta tendência deve ser muito bem analisada, já que ela é efeito de uma mera associação de idéias produzida pela faculdade da imaginação que tem uma concepção um tanto cética de conhecimento, concepção probabilista e, como já nos reportamos, amálgama da tensão entre os princípios da cópia e da associação. É neste sentido que a analogia entre o atomismo mental de Hume e o atomismo corpuscular de Newton não pode ser exacerbada50, pois isso poderia falsear ou mesmo desfigurar a intenção explícita do primeiro ao apresentar sua concepção de organização do conhecimento não como algo necessariamente [ou

“deduzido” como sinônimo de “induzido”. O fato é que, para Newton e Hume, o método empírico é que viabiliza os avanços científicos. Neste caso, devemos alcançar princípios ou causas e formular leis gerais a partir da experiência e por meio da indução. Aqui está mais uma vez exposta a sincronia afeta aos princípios da natureza humana: o primeiro momento [no tempo] é certamente representado pela experiência e observação (princípio da cópia), a partir da qual induzimos as leis de descrição dos fenômenos (princípio associacionista), e sempre “que experimentos dessa espécie forem criteriosamente reunidos e comparados, podemos esperar estabelecer, com base neles, uma ciência, que não será inferior em certeza, e será muito superior em utilidade, a qualquer outra que esteja ao alcance da compreensão humana” (T., I, Int: 24, 10).

49 Hipotético diz respeito a hipótese, um conjunto de enunciados colocado à prova, atestado e controlado através

de suas conseqüências. Em contraposição: uma premissa evidente não é uma hipótese, mas um axioma; um enunciado verificável é uma lei ou uma proposição empírica, não uma hipótese. Nos albores da filosofia moderna, racionalistas e principalmente os empiristas combatiam a função da hipótese, só empregando-a com certo sentido pejorativo como equivalente à especulação metafísica ou abstrusa e não como ferramenta útil ao raciocínio científico e experimental. Uma exceção de peso parece que foi Kant, que fez um uso intenso e bastante profícuo dos raciocínios hipotéticos, como veremos na terceira parte. De resto, somos testemunhas que tanto a Metodologia quanto a Epistemologia da Ciência contemporânea fazem uso profícuo dos conceitos de “hipótese” e “premissa”.

50 Hume, pela sua vertente cética, jamais vai desconsiderar o papel exercido pela liberdade da faculdade da

imaginação como princípio da natureza humana e suas qualidades devem ser descritas “como uma força suave,

Benzer Belgeler