• Sonuç bulunamadı

2. TCP/IP UYGULAMA KATMANI

2.2. UYGULAMA KATMANI PROTOKOLLERİ

2.2.6. Telnet

Alguns autores conceituam a sentença sob vários ângulos: como ato estatal, como ato processual e como ato do juiz.

Como ato estatal a sentença é a “manifestação da vontade estatal

emitida no exercício da função jurisdicional”.52 Como ato processual, a

48NORONHA, Carlos Silveira. op. cit.. 49Id. Ibid.

50“Dispunham as ordenações filipinas que a sentença interlocutória seria qualquer sentença ou mandado que o juiz dava ou mandava em algum feito, antes da sentença definitiva. A sentença interlocutória podia ser revogada a qualquer tempo, a não ser quando a mesma impusesse a extinção do processo. Já a sentença definitiva era a que efetivamente apreciava o direito levado ao julgador, que deveria ficar circunscrito às provas e alegações deduzidas em juízo, a não ser quando a sentença definitiva era proferida pelo príncipe, que poderia julgar de acordo com a sua consciência”. JORGE, Flávio Cheim. op. cit., p. 113.

51Id. Ibid.

52Continua o autor: “Como ato estatal, deve nela ser enfatizado o caráter de ato de poder, de decisão, de manifestação da autoridade do Estado visando à resolução do conflito de interesses. Ao resolver a lide, litígio ou mérito, impondo a vontade do Poder Público constitui a sentença a lei individualizada que vai reger as condutas das pessoas que estão em litígio”. SLAIBI FILHO, Nagib. op. cit., p. 205.

sentença é o ápice do processo, o momento em que aquela instância judicial encerra a prestação jurisdicional com a decisão sobre o caso concreto. Como ato do juiz é a definição dada pelo Código de Processo Civil.

A sentença, segundo o art. 162, § 1º, do Código de Processo Civil é

“o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa”. Trata-se, assim, do ato estatal que põe fim à pretensão resistida das partes. A doutrina, todavia, assegura que a palavra “ato” do dispositivo legal trata na verdade dos pronunciamentos judiciais.53

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 3.253/04, que altera inúmeros artigos do Código de Processo Civil, entre eles, o parágrafo único do artigo 162, que passaria a ter a seguinte redação: “Sentença é o ato do

juiz proferido conforme os arts. 267 e 269.”

A sentença judicial é aquele pronunciamento do juiz que tem força o suficiente para pôr fim ao processo. Muitos doutrinadores, todavia, criticaram essa definição. Nelson Luiz Pinto, por exemplo, sustenta que o que qualifica o pronunciamento judicial como sentença é o seu conteúdo e não o fato de pôr fim ao processo.54 Teresa Arruda Alvim Wambier também entende ser o conteúdo o traço marcante das sentenças. A autora sustenta que é ele que distingue as sentenças dos demais pronunciamentos do juiz.55.

53Nesse sentido, Arruda Alvim: “Na verdade, embora o art. 162 aluda à categoria genérica de atos do juiz, refere- se em verdade a seus pronunciamentos, que se constituem em sentenças, decisões interlocutórias e despachos, desprovidos estes últimos normalmente de caráter decisório. (...). Os atos do juiz são categoria mais ampla que pronunciamentos, que abrangem, v.g, a inquirição de testemunhas, a inspeção judicial, etc”. ALVIM, Arruda.

Manual de direito processual civil, cit., p. 628.

54“São os artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil que estabelecem quais os conteúdos que podem ter as sentenças. O artigo 267 estabelece as hipóteses de sentenças de extinção do processo sem julgamento do mérito, enquanto que o artigo 269, as hipóteses de extinção do processo com julgamento de mérito.(...) Portanto, o que qualifica o pronunciamento judicial como sentença é o seu conteúdo e não a circunstância de por fim ao processo, que nada mais é do que a conseqüência desse pronunciamento, e os fenômenos jurídicos não devem ser definidos pelas suas conseqüências ou pelos seus efeitos, como pretende o § 1º do artigo 162 do CPC”. PINTO, Nelson Luiz. Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. São Paulo: Malheiros Ed., 1992.

55WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4. ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1998. p. 26.

Nelson Nery, todavia, entende que o legislador levou em conta, para conceituar processo, a finalidade do ato e não seu conteúdo.56

Flávio Cheim Jorge sustenta que o conceito de sentença do código, a rigor, está incorreto porque a sentença não extingue nem o processo e nem o procedimento.57 Para ele, a sentença apenas extingue o processo quando, em face dela, não exista recurso e opera-se o trânsito em julgado. Havendo recurso, o processo continua a existir, porém em outro grau de jurisdição. Também discorda do entendimento de que o conteúdo do ato do juiz seja importante para conceituar o que seja sentença. Isto porque “a extinção com fundamento no

artigo 267 ou no artigo 269, já se trata de conseqüência da própria sentença, no que tange ao término do processo com ou sem julgamento de mérito. Ademais disso, é possível a existência de pronunciamentos judiciais com o conteúdo do art. 267 ou do artigo 269, que não podem ser classificados como sentença”.58

Ficamos com a definição de sentença dada pelo legislador, que levou em consideração, como afirma Nelson Nery, a finalidade do ato jurisdicional. Se o juiz quis pôr fim ao processo, estaremos diante de uma sentença. Esse é, no nosso entender, o espírito do que seja a sentença. De qualquer forma, pode-se dizer que se trata de ato essencial ao exercício da

56“Sentença é ato do juiz que, no primeiro grau de jurisdição, extingue o processo com ou sem julgamento de mérito (CPC 267 e 269). No primeiro grau, pois, se houver apelação, o processo continua no segundo grau de jurisdição. O CPC levou em conta a finalidade do ato para classificá-lo e não seu conteúdo: se o objetivo for extinguir o processo, trata-se de sentença. O termo processo deve ser entendido como significando o conjunto de todas as relações processuais deduzidas cumulativamente e/ou processadas em simultaneus processus. O parâmetro para a classificação do ato judicial é o processo e não a ação. É irrelevante para classificar-se o ato judicial como sentença, indagar se extinguiu ou não a ação. O ato que extingue a ação pode ser sentença ou decisão interlocutória, caso, respectivamente, extinga ou não o processo”. NERY JÚNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. op. cit., p. 515.

57“De fato, num rigor extremo, não se pode dizer efetivamente que é a sentença que extingue o processo. Nem a relação processual nem o procedimento se encerram com a sentença. É que, como ressalta Frederico Marques, a relação processual, na realidade, somente se encerra e se finda quando ocorrer a coisa julgada formal, isto é, quando o pronunciamento torna-se irrecorrível. Num sentido ainda mais técnico do que este, poderíamos dizer que o processo somente é extinto com o trânsito em julgado, que se dá, como leciona Machado Guimarães, com a passagem da sentença da condição de mutável para imutável”. JORGE, Flávio Cheim. Sentença cível.

Revista de Processo, São Paulo, v. 26, n. 104, p. 114, out./dez. 2001. 58Id. Ibid.

jurisdição. Pode-se afirmar, com segurança, que de todos os atos do juiz, a sentença é o mais importante.

Sobre a natureza jurídica da sentença, Arruda Alvim assim manifestou seu entendimento: “A sentença é ato intelectual de índole, ou com

estrutura, predominantemente lógica (formal e material), que pressupõe apuração dos fatos e identificação da norma, através da qual o Estado-juiz se manifesta, concretizando imperativamente a vontade do legislador, traduzida ou expressada pela lei”. 59

O artigo 463 do CPC dispõe, in verbis: “Ao publicar a sentença de

mérito, o juiz cumpre e acaba o ofício jurisdicional, só podendo alterá-la: I) para lhe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou lhe retirar erros de cálculo; por meio de embargos de declaração”.

Muito embora o dispositivo legal se refira à sentença de mérito, igualmente a sentença terminativa é imutável pelo juiz que a proferiu após a publicação, somente podendo ser alteradas na hipótese do artigo supra.

Não se há de confundir publicação com intimação. A sentença civil é publicada quando o juiz a entrega por escrito ao escrivão para que proceda a juntada aos autos ou então quando é ditada para o escrevente em audiência.60 A intimação é feita ou em audiência, quando os advogados tomam ciência de seu teor ou pelo Diário Oficial. É a partir da intimação, e não da publicação, que começa fluir o prazo para a interposição ou de embargos de declaração (nas hipóteses do artigo 535, isto é, quando a sentença contiver obscuridade, contradição ou omissão) ou do recurso de apelação.

59ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, cit., v. 2, p. 636.

60O Código de Processo Penal, em seu artigo 389, trata da matéria nos seguintes termos: “A sentença será

publicada em mão do escrivão, que lavrará nos autos o respectivo termo, registrando-a em livro especialmente destinado a este fim.”