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5. ÖRNEK OLAY : MÜŞTERĐ TAKĐP SĐSTEMĐ

5.2. Teknik Çözüm

Logo de início do texto publicado em 1952, “A natureza e a função da fantasia”112, é anunciado que, com as contribuições kleinianas, o uso corrente do termo fantasia ampliara-se consideravelmente a partir dos escritos de Melanie Klein, se comparado às acepções originais do termo para a conceituação estabelecida por Freud. Isto era deixado implícito até a comunicação feita por Isaacs, sobre este assunto, em 1943, como ela própria então declara.

A maior parte da apresentação de Susan Isaacs se ocupou com “a definição do termo ‘fantasia’, isto é, com a descrição da série de fatos que o uso do termo ‘fantasia’ nos ajuda a identificar, a organizar e relacionar com outras séries significativas de fatos”113. Começando dos significados que o termo já possuía na época, declara-se pronta a acompanhar uma tendência na psicanálise em relação ao termo e ampliar a conotação do mesmo.

A acepção da palavra ‘fantasia’ no desenvolvimento do pensamento psicanalítico tem sido gradativamente ampliada. Quando o significado de um termo se amplia desta maneira, seja deliberadamente ou sem que se perceba, usualmente é por uma boa razão – porque os fatos e as formulações teóricas de que necessitam o exigem. São as relações entre os fatos que precisam ser mais intimamente observadas e

esclarecidas em nosso pensamento. 114

Uma análise de todos os tipos de fatos e teorias requer uma revisão nos usos do termo fantasia.

Por vezes, dentre os usos comuns do termo fantasia entre os autores psicanalíticos, aparece o uso eventual do termo de acordo com a linguagem corrente, significando fantasia consciente, da mesma natureza das divagações e devaneios. As descobertas de Freud logo o levaram ao reconhecimento de

112 ISAACS, Susan (1952). Op. cit.. 113 Id. (1943/1998). Op. cit., p. 279. 114 Ibid.

fantasias inconscientes, mas ele mesmo continuou com o uso eventual do termo fantasia para fantasia consciente. A referência da palavra inconsciente ao lado de fantasia é indispensável para que tenhamos o conceito psicanalítico de fantasia, já que este se refere precipuamente à fantasia inconsciente.

“O termo psicanalítico fantasia, ou phantasy 115, estabelece essencialmente uma conotação com o conteúdo mental inconsciente, que poderá ou não tornar-se consciente.”116 Este sentido da palavra foi impulsionado pela obra de Klein a respeito dos estágios iniciais do desenvolvimento.

E, se isto acontecera, fora porque fatos novos haviam sido observados (na observação rigorosa de comportamento em seus pormenores e situada em seu contexto em conjunto com as evidências clínicas de análise de crianças, sobretudo as muito pequenas) e as formulações teóricas que estes fatos acarretavam exigiam a ampliação do conceito. Assim se posiciona de saída no texto publicado:

Este capítulo preocupa-se com a definição de “fantasia”; isto é, com a descrição de séries de fatos que o uso do termo nos ajuda a identificar, organizar e relacionar com outras séries significativas de fatos. A maior parte do que se segue consistirá nesse mais cuidadoso estudo das relações entre os diferentes processos mentais [...]. Na medida em que [...] o nosso conhecimento do período mais remoto da vida mental se desenvolveu, as relações que passamos a discernir entre os primeiros processos mentais e os tipos posteriores, e mais especializados de funcionamento mental, correntemente chamado "fantasias”, levaram muitos de nós a ampliar a conotação do termo “fantasia” [...]. 117

115 Os tradutores de Freud na Inglaterra adotaram uma redação especial para fantasia inconsciente

de modo a diferenciar o significado psicanalítico do termo e a não ter de qualificá-la: phantasy (fantasy com ph). Phantasy se refere a fantasias inteiramente ou predominantemente inconscientes, que diferem integralmente da palavra popular fantasia que significa divagações conscientes, devaneios, ficções, etc. Mas este termo com ph entrou em desuso no português.

116 ISAACS, Susan (1952). Op. cit.,p. 94. 117 Ibid., p 80.

Na realidade a ampliação do conceito de fantasia era, concordando neste aspecto com os opositores (freudianos que se opuseram a ele no tempo das Controvérsias), uma alteração do próprio conceito. No meu entender, Melanie Klein e Susan Isaacs redefiniram o conceito psicanalítico, até então freudiano, de fantasia.

É necessário explicitar melhor o que a partir deste texto se dá como definição de fantasia em Klein; ela abarca o sentido de fantasia primária, matéria- prima de um inconsciente primário, além do sentido freudiano de fantasia inconsciente como matéria-prima do inconsciente recalcado. Entendo, na leitura do texto, que o conceito e o uso do termo abarcam a descrição de série de fatos observáveis identificáveis (atitudes frente à alimentação, a excreção, aos cuidados maternos, a comportamentos e jogos, à expressão de emoções), organizados entre si e relacionados com outras séries já significativas de fatos (a presença e a ausência concreta da mãe, bem como a presença de estranhos), de modo a apontar na direção do fato psíquico inconsciente (inconsciente primário de segunda tópica freudiana).

Quando todos os fatos observáveis do comportamento são considerados à luz do conhecimento analítico obtido dos adultos e das crianças de mais de dois anos de idade, e são postos em relação com os princípios analíticos, chegamos a muitas hipóteses que contêm um elevado grau de probabilidade e a muitas certezas respeitantes aos processos mentais primordiais.118

Assim as afirmações a respeito da existência de fantasias primitivas nos primeiros anos de vida foram baseadas na inferência, “mas, afinal, essa base é válida para qualquer idade. As fantasias inconscientes são sempre inferidas, não observadas como tal”119, mesmo em adultos e crianças em todas as idades posteriores. Isaacs considera que o método da psicanálise se baseia no conhecimento inferido, pois também o paciente adulto não nos conta suas

118 Ibid., p. 81. 119 Ibid. p. 81.

fantasias inconscientes diretamente, nem nos confia suas resistências pré- conscientes a elas. O que o psicanalista observa, de modo muito direto, são as emoções e atitudes, o que torna possível a inferência de que fantasias estão atuando e de quais são elas. Nestas diversas emoções e atitudes encontra o afeto angústia, que lhe indica a fantasia, realidade psíquica que era assim inferida.

O estudo do período inicial da vida denominado de primeira infância, sobretudo os primeiros dois, três anos de vida, comprovavam, para Isaacs, representando o grupo kleiniano, a existência de fantasias nesta tenra idade, mesmo no primeiro ano de vida. As fantasias, correspondentes ao período que antecede o entendimento e posterior uso da palavra, foram denominadas de fantasias primitivas. Irá ainda demonstrar que estas fantasias primitivas, sobretudo antes da palavra, são de fato fantasias primárias, em continuidade genética com as fantasias mais evoluídas que contêm palavras e que em grande parte são posteriores ao recalque.

O texto de Isaacs deixa indicado que a ampliação do uso do termo e da definição do mesmo era para que este pudesse dar conta destas fantasias primárias ou primitivas, mas não explicita claramente que se trata de uma mudança do conceito de fantasia, apenas insiste na ampliação do conceito e do uso do termo. Fora sendo esticado o conceito a outros fatos dos primeiros anos de vida, mas de tal modo que, no meu entender, o próprio conceito precisou ser modificado e o foi. Esta alteração foi além do inconsciente recalcado de primeira tópica freudiana, na direção do inconsciente primário freudiano de segunda tópica, ao Isso. A fantasia inconsciente não mais era relativa ao inconsciente recalcado, mas ela agora era relativa ao próprio Isso. E acrescentando Klein ainda mais uma mudança aí, que incluiu sentido no Isso. Portanto, os freudianos das Controvérsias tinham razão, quanto ao afastamento da metapsicologia freudiana. Entretanto, parafraseando Jones nas Controvérsias, considero também que a ampliação do conceito dá a este “um mais completo conteúdo” e o torna “mais compreensivo”120. Mas entendo aqui, por ampliação do conceito, o desenvolvimento dos significados envolvidos no mesmo e não apenas uma ampliação de sua aplicabilidade. Neste sentido, penso que este novo conceito

psicanalítico de fantasia trouxe uma nova forma de ver o inconsciente primário, não como mero Isso de quantidades energéticas, mas como também um potencial de sentidos, o que é capturado pelas fantasias primárias kleinianas e estas são olhadas enquanto portadoras de sentido ao Isso.

Isaacs procura mostrar que fenômenos mentais, tais como os processos e os mecanismos psíquicos, descritos por diversos autores sem a designação do termo fantasia, na verdade implicam na atividade de fantasias inconscientes. Tudo o que a psicanálise descreve como processo psíquico, como mecanismo psíquico, na mente em questão onde ocorrem são sob a forma de fantasia. Aqui, melhor dizendo, eles têm a natureza e a função das fantasias, são fantasias. Diz que estabelecendo a correlação entre estes fenômenos e as fantasias inconscientes a eles vinculadas torna-se possível estabelecer melhor a importância das fantasias na vida mental, sua natureza e função.

Benzer Belgeler