1. SERVĐS ODAKLI MĐMARĐ’YE GĐRĐŞ
1.2. Servis Nedir ?
1.2.3. Servis bileşenleri tanımları
Fantasia ou Fantasma12, em português, corresponde ao alemão Phantasie, ao francês fantasme, ao inglês fantasy ou Phantasy.
O termo alemão Phantasie designa a imaginação. Não tanto a faculdade de
imaginar no sentido filosófico do termo (Einbildungskraft), como, sobretudo, o
mundo imaginário, de um lado, os seus conteúdos, e de outro, a atividade
criadora que o anima (das Phantasieren), Freud retomou, com bastante liberdade, essas diferentes acepções da língua alemã.
O uso do termo Phantasie foi trabalhado pela teoria psicanalítica no sentido mais deste mundo imaginário, ao mesmo tempo os conteúdos deste, os
fantasmas ou fantasias, como, concomitantemente, a atividade imaginativa ou de
criação de fantasias que o anima, ou o fantasiar.
Se focarmos apenas o sentido estrito do termo Phantasie, este significará uma determinada formação imaginária, e temos então fantasia (Phantasie) enquanto sinônimo de fantasma3 em psicanálise:
A encenação imaginária em que o indivíduo está presente e que figura, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. [...]Apresenta-se sob as mais diversas modalidades: fantasias conscientes ou sonhos diurnos; fantasias inconscientes tais
1 LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução por
Pedro Tamen. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
2 CHEMAMA, Roland (Org.). Dicionário de psicanálise (Larousse). Tradução por Francisco
Franke Settineri. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. p. 70-71.
3 O termo francês fantasme (fantasma) foi posto em uso pela psicanálise francesa, e este, em
francês, passou a ter conotação mais carregada de ressonâncias psicanalíticas do que Phantasie, o termo francês homólogo ao alemão Phantasie. Porém, fantasme não corresponde exatamente ao termo alemão, visto ter conotação mais restrita do que Phantasie. A extensão conotativa de fantasme é menor que o Phantasie alemão, aquela designa apenas uma determinada formação imaginária e não inclui o sentido de um mundo das fantasias, nem a atividade imaginativa em geral. (LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Op. cit., 1983, p. 228).
como a análise as revela como estruturas subjacentes a um conteúdo manifesto; protofantasias (protofantasmas).4
Este é o sentido estrito do termo, comumente aceito no pensamento psicanalítico, que será assim adotado neste trabalho. Assim, a fantasia é uma formação imaginária, um roteiro e uma encenação dramática figurativa imaginária, num palco imagético em que diversos personagens encenam angústias, defesas e relações objetais, relativos a aspectos e partes do sujeito que fantasia e dos objetos5. Estes personagens se apresentam e seu valor na fantasia é muito mais por certos elementos tomados isoladamente do todo do personagem, que podem ser palavras, fonemas, imagens de objetos ou seres, partes do corpo, traços de comportamento, ou qualquer outro pormenor.
Frequentemente se considera que apenas as fantasias inconscientes estão implicadas numa definição estrita do conceito metapsicológico de fantasia. No referencial freudiano de primeira tópica (inconsciente recalcado), porque as fantasias são representações ao mesmo tempo verbais e visuais recalcadas, que põem em cena um desejo arcaico inconsciente, de modo mais ou menos disfarçado, e a cena se compõe como matriz para desejos atuais conscientes, pré- conscientes e inconscientes. Seguindo a ideia kleiniana, porque “a concepção de que fantasia é operante desde o início, nos estágios mais primitivos do desenvolvimento, implica que a fantasia é primeiramente física”6, ou seja, que as fantasias inconscientes mais arcaicas encenam-se no soma (inconsciente primário, anterior ao recalque), havendo quase uma equivalência fantasia e soma, que será tratada nesta tese.
Em sentido amplo do termo, que também tomaremos neste trabalho, fantasia inclui também a atividade criadora imaginativa entendendo-se fantasia enquanto o fantasiar, a criação de fantasias, enfim, como entendo neste trabalho,
4 Ibid., p. 228.
5 Objeto aqui está sendo usado de modo extensivo, tanto no sentido que cabe em Freud, de objeto
externo, como no sentido kleiniano de objeto interno construído pelo fantasiar. Esta definição de fantasia cabe nas duas possibilidades de concepção de objeto. Retomarei o objeto interno nos capítulos III e IV.
6SEGALL, Hanna. Fantasia. In: BARROS, Elias Mallet da Rocha (Org.) Sonho, fantasia e arte.
junto com o pensamento kleiniano, de a capacidade do eu de fantasiar, de formar ou encenar imaginariamente fantasias ou fantasmas. Acrescenta-se, ainda a este sentido, a designação de um mundo fantasmático, um mundo interno em que habitam estas fantasias ou fantasmas, este lugar tópico, que está presente apenas em Melanie Klein e não em Freud, pois nele o mundo interno fantasmático aparece apenas como metáfora (“reino mental da fantasia”7), e não como um
topos. Para Freud as fantasias estão, nas duas tópicas de organização do aparelho psíquico, na primeira (no CS/PCS e no ICS), e na segunda (no Ego e no Superego). Em Klein compõem todo o mundo interno, incluindo neste o aparelho psíquico freudiano, mas nela nada no mundo interno deixa de se dar sem ser ou ter na base uma fantasia inconsciente.
Em inglês são utilizados os termos fantasy e Phantasy, sendo que foi Melanie Klein quem propôs que fosse usado o termo com ph, Phantasy, para referir à fantasia inconsciente, contrapondo-o ao termo fantasy, que o diferenciaria da fantasia consciente ou pré-consciente. A teoria kleiniana da fantasia é sobremaneira uma teoria da fantasia inconsciente, em vários níveis, anteriores e posteriores ao recalque. Ambos os termos, fantasy e Phantasy, na tradição kleiniana são usados no duplo sentido já apontado para o termo. Primeiro no mesmo sentido que tem do fantasma (fantasme) em francês, que é de uma formação imaginária específica. Num segundo sentido, fantasia é utilizada como sinônimo da capacidade inata e inconsciente do ego em fantasiar, entendida a atividade criadora imaginativa em geral como função do ego, quer consciente, pré-consciente ou inconsciente.
Neste trabalho o termo fantasia será utilizado tanto para fantasia consciente, pré-consciente como para fantasia inconsciente, só que neste último caso não será aqui utilizado Phantasia, conforme escolhido por Klein, indicado por Isaacs8 e adotado pelo tradutor do artigo desta.
7 FREUD, Sigmund (1917 b [1916-1917]). Conferência XXIII. Os caminhos da formação de
sintomas. In: _____. E. S. B.. Tradução por Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v. XVI, p. 435.
8 ISAACS, Susan (1952). A natureza e função da fantasia. In: KLEIN, Melanie et. al. Os
Será usado nesta Tese apenas o termo fantasia se o teor fantasia inconsciente for evidente no texto ou, caso contrário, o termo fantasia virá acompanhado do termo designativo inconsciente. Devaneios, ou fantasias conscientes, serão assim designados. Também será utilizado o termo fantasia em alternância a fantasma, como sinônimo de fantasma no que se referir a uma formação imaginária específica. E fantasiar, no sentido de capacidade de fantasiar, ou atividade imaginativa.
Mas a teoria kleiniana da fantasia inconsciente tem, ainda, seus derivativos como uma teoria do fantasiar mais ampla, que, além de abarcar o devaneio e o sonho, abarcarão os primórdios do pensar9.