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1. SERVĐS ODAKLI MĐMARĐ’YE GĐRĐŞ

1.1. Mimari Nedir ?

12 Digno de nota é que nestes trechos o próprio tradutor da edição da Imago deixa a palavra em

pude concluir que se a manifestação da Angst é apenas somática é porque ela está rejeitada do polo perceptivo enquanto vivência subjetiva, enquanto afeto consciente. Haveria então lugar para o afeto e para a angústia inconscientes na obra de Freud, sobretudo com a segunda tópica do aparelho psíquico de 192313, que já se insinuava em 192014. Até 1920, Freud realça que a angústia, como todo afeto, é sempre um estado consciente, sendo que não existe angústia inconsciente, pois até essa época apenas com a primeira tópica, para Freud está colocado o caráter perceptivo e, portanto, de pré-consciência/consciência, do afeto, e da angústia. Na primeira tópica, a angústia é vivência subjetiva, está relacionada com o polo perceptivo e está colocada junto à pré-consciência/consciência; o afeto e a angústia têm que ser percebidos para serem afeto e angústia, portanto, são conscientes. Posteriormente, com as obras da segunda tópica, pode-se dizer que Freud coloca a possibilidade do afeto e da angústia como inconscientes, por ação de um inconsciente primário, não o inconsciente recalcado do ego. A angústia

somática aí se insere dentro da metapsicologia freudiana.

Freud trabalha o polo perceptivo junto ao sistema pré-consciente/ consciente desde o início, mas penso que a partir da segunda tópica surge a possibilidade de se pensar, com Klein, uma percepção inconsciente do perigo por parte do ego que é tomado de angústia. Klein trabalha com esta ideia.

IV. O soma

O objeto de estudo de 2004 foi delimitado fora do dualismo mente-corpo, tratando do sofrimento somático como objeto da psicanálise, relacionando-o à angústia. O mesmo será feito neste trabalho. A meu ver, é característica do pensamento kleiniano romper completamente com qualquer dualismo através da teoria do fantasiar que percorre uma trajetória evolutiva do organismo ao simbólico.

13 FREUD, Sigmund (1923a). O ego e o id. In: ____. E. S. B.. Tradução por Jayme Salomão. Rio

de Janeiro: Imago, 1976. v. XIX.

14 Id. (1920). Além do princípio do prazer. In: ____. E. S. B.. Tradução por Jayme Salomão. Rio

O termo soma (do grego sôma) foi tomado em 2004 no sentido e numa de suas acepções, que significa:

O conjunto de tecido do corpo vivo, que mantém e transmite o germe, que é o elemento de perpetuação da espécie; o organismo tomado como expressão material, em oposição às funções psíquicas.15

Retomo esta acepção do conceito de soma para este trabalho, considero que, no início da vida, o soma é um corpo que ainda não é corpo, é ainda apenas uma

sucessão de órgãos correlacionados, correlação esta que se dá por um princípio de tensão e descarga, excitação e relaxamento16. São órgãos que, entretanto, buscam se reproduzir em separado. Freud traz o conceito de soma, em 1920, em

Além do princípio de prazer17 como a parte mortal do corpo, em oposição às células germinais, que seriam imortais. Mas, contraditoriamente, na carta de 1918, de Freud ao Pastor Pfister, ele dá a entender que o elemento de perpetuação da espécie está em qualquer parte do corpo, não só as células germinativas. Freud afirmava que a multiplicidade das pulsões parciais remontava à multiplicidade de órgãos, todos eles erógenos e com “anseio de se reproduzir no organismo vindouro”18, que todos os órgãos se reuniram numa única unidade viva, se influenciam mutuamente, e se apoiam ou freiam, e permanecem dependentes uns dos outros.

Há uma correlação dos órgãos, e a psicanálise se empenha em não perder de vista esta conexão, pois corresponde àquela da integração da vida pulsional sobre a separação das pulsões isoladas.

Entendi esta questão como um corpo que ainda não é o corpo erógeno em que as pulsões parciais estão integradas em um ego corporal. A partir daí, tomei o termo soma como o conjunto não integrado, mas correlacionado, do tecido do corpo biológico vivo, que mantém em seus órgãos o germe, que pode ser

15 ABRIL CULTURAL. Pequeno dicionário ilustrado brasileiro da língua portuguesa. Rio de

Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. v. III, p. 1.514, sublinhado nosso.

16 BERLINCK, Manoel Tosta. A dor. In: _____. Dor. São Paulo: Escuta, 1999. p. 7-22. 17 FREUD, Sigmund (1920). Op.cit., p. 65.

transmitido a partir de qualquer parte do corpo, em que as próprias partes, ou órgãos separados, podem se reproduzir confirmando a pesquisa genética atual. Este corpo-organismo é o que corresponde à palavra soma em psicanálise. Este corpo-organismo é um corpo ainda não integrado por Eros narcísico, é um corpo organismo, um corpo pulsional de pulsões parciais.

Esta posição era importante para aquela pesquisa, já que as excitações dos órgãos internos do corpo são características das manifestações somáticas da angústia, as quais são desencadeadas por estímulos internos e externos e são governadas pelo sistema nervoso autônomo (neurovegetativo), o qual, por sua vez, rege o funcionamento dos órgãos. E permanecerá importante na atual pesquisa.

Mas quanto à ideia do soma perturbado como a angústia do sujeito, que só assim pode vivenciá-la, seria possível pensar isto em Klein? Em Melanie Klein esta questão deverá ser vista no presente trabalho segundo a ótica do fantasiar arcaico. Pretendo verificar se, olhando pela ótica do pensamento de Klein, é possível entender que, nestes momentos, a fantasia inconsciente primária se localiza no soma, sem poder ser capturada ainda pelo psíquico por qualquer figurabilidade visual ou auditiva, que possibilitaria sua posterior veiculação pela palavra e poder vir, assim, a tornar-se quer consciente, quer inconsciente, recalcada. Pesquisarei aqui nesta Tese se a imagem somática que está mergulhada na memória do organismo constitui o inconsciente primário kleiniano. Entendo que a imagem somática, por não possuir figurabilidade visual, é fugaz ao olhar da consciência. Pois para a consciência a fugacidade momentânea caracteriza a imagética pré-visual e esta última se perde se alcançar ser capturada pela linguagem.

Meu atual trabalho busca compreender o corpo somático como fantasia, fantasia somática: o sonho do soma. Pretendo colocar a angústia somática percorrendo o organismo, ou soma, e o transformando em campo das fantasias inconscientes primárias, em campo fantasiado.

O organismo, ou corpo biológico, não tem existido em si para a psicanálise, e para Melanie Klein existe desde sempre o corpo fantasiado. Para Klein existem fantasias dos órgãos do soma, um soma inconsciente primário, um estado de base do inconsciente primário, do real do Isso, prévio ao recalque

originário, o que se opera pela formação do superego arcaico, enquanto um eu19 corporal arcaico cindido que trabalha ejetando e incorporando. Não é simples corpo físico, mas é soma, um corpo vivo com um conjunto de imagens de sensações somáticas, que dão matéria-prima à imagética do fantasiar primário.

É preciso pensar se o soma se dá num vazio de fantasias inconscientes ou se a este funcionamento corresponde um “sonhar” do soma via fantasias com imagens sensoriais pré-visuais e pré-auditivas. Um “sonho” do soma, sem representações simbólicas, inconscientes ou conscientes, instituindo a égide de corpo fantasiado parcial às pulsões parciais de Freud. Ainda é necessário colocar a questão de se o conceito de equações simbólicas20, desenvolvido por Klein, daria conta desta questão e, portanto, da angústia somática. Na equação simbólica teríamos um “sonho” do soma, em que a imagem seria uma equação entre impressões da sensorialidade somática e a apresentação imagética psíquica de objetos, resultante de sensorialidade exteroceptiva (gustativa, olfativa), o que já seria o psíquico nas origens por ser relações entre imagens. Ou teríamos outra possibilidade de haver um “sonho” do soma anterior a qualquer equação simbólica, em que a sensorialidade tátil (sensações táteis), sinestésica (sensações de movimento muscular estriado) e interoceptiva (sensações de musculatura lisa dos órgãos), promoveria imagens arcaicas apenas táteis, ou musculares estriadas, ou musculares lisas.

Na presente pesquisa pretendo verificar a possibilidade de a angústia

somática ser um “sonhar” do soma, um “pensar” do soma, ou o organismo. Ferenczi já nos dizia que “nos momentos em que o psiquismo falha o organismo

19 O ego estará sendo usado como sinônimo de eu e ambos serão utilizados indiferenciadamente

neste trabalho.

20 Na equação simbólica não há distinção entre o símbolo e a coisa simbolizada: acredita-se que o

objeto “símbolo” seja a coisa original “simbolizada”.Diferencia-se da representação simbólica, em que o símbolo é colocado no lugar em que o original estivera, mas sem ser perdida a diferença do original e do símbolo. A equação simbólica resulta do uso da identificação projetiva, que será tratada no capítulo IV. (SEGALL, Hanna, 1957). Notas sobre a formação de símbolos. In:_____.

A obra da Hanna Segal. Rio de Janeiro: Imago, 1983; SPILLIUS, Elizabeth Bott et all. The new dictionary of kleinian thought. Londres e Nova York: Routledge, 2011; HINSHELWOOD, R.

D.. Dicionário do pensamento kleiniano. Tradução de José Octavio de Aguiar Abreu. Porto

Benzer Belgeler