New Approaches in the Use of Buck Effect
4. Teke Etkisini Etkileyen Faktörler ve Yeni Yaklaşımlar
5.2.1 Pós-Constituição Cidadã
A juventude não foi contemplada na Constituição de 1988, como também não houve nenhuma referência a outros termos que designassem sujeitos pela faixa etária. Como informa Abramo (1997), demorou até 1995 para que se criasse uma Assessoria Especial para
150 Assuntos da Juventude, vinculada ao gabinete do ministro da Educação. Esse cenário, contudo, foi alterado no final da década 1990 e no início da seguinte. Iniciativas públicas foram observadas, algumas envolvendo parcerias com instituições da sociedade civil, e as várias instâncias do Poder Executivo (federal, estadual e municipal) foram mobilizadas (SPOSITO; CARRANO; 2003, p. 181).
Todos os programas existentes de 1988 a 200245 têm a peculiaridade de atingir o segmento jovem de modo não orgânico, sistemático. Não têm nenhuma congruência nem consonância em termos de objetivos (SPOSITO; CARRANO, 2003).
O ano de 2001 representou um marco na Política de Juventude, ainda que por fora do Governo Federal e mais localizado no âmbito da sociedade civil, impulsionada pela ação das juventudes organizadas em partidos políticos de esquerda e centro-esquerda que influenciaram a construção de programas de governo em capitais e em pequenos e médios municípios.
No elenco desse novo desenho institucional estão localizados também os Conselhos de Juventude, tanto municipais como estaduais, com formatos e funções diversos. Verifica-se que nas percepções há, também, um conjunto de referências ligadas às novas desigualdades e processos de exclusão decorrentes das conjunturas neoliberais que atingem sobretudo o segmento juvenil, e que, por essas razões, são demandadas ações específicas para esses segmentos (SPOSITO; CARRANO, 2003, p. 28).
Os conselhos e orçamentos participativos surgem como espaços por excelência da atuação anteriormente mencionada. Os autores assinalam que:
45 Segue levantamento, feito por Sposito e Carrano (2006), dos programas de juventude de 1988 a 2002. Antes de 1995: Programa Saúde do Adolescente e do Jovem (Ministério da Saúde), Programa Especial de Treinamento (PET – Ministério da Educação) e Prêmio Jovem Cientista (Ministério da Ciência e Tecnologia). De 1995 a 1998: Jogos da Juventude e Esporte Solidário (ambos do Ministério do Esporte e Turismo), PRONERA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), PLANFOR (Ministério do Trabalho e Emprego), Capacitação Solidária e Alfabetização Solidária (Presidência da República/Conselho Comunidade Solidária). De 1998 a 2002: Projeto Escola Jovem, Financiamento Estudantil e Programa Recomeço (Ministério da Educação); Olimpíadas Colegiais, Projeto Navegar e Esporte na Escola (Ministério do Esporte e Turismo); Serviço Civil Voluntário, Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual, Programa de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e Programa Paz nas Escolas (Ministério da Justiça); Jovem Empreendedor (Ministério do Trabalho e Emprego); Centros da Juventude e Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano (Brasil Jovem/Ministério da Previdência e Assistência Social); Prêmio Jovem Cientista do Futuro (Ministério da Ciência e Tecnologia); Piaps e Cenafoco (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República); Brasil em Ação (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão); Projeto Alvorada (Presidência da República). Cinco programas não ofereceram informações sobre a data do início de suas atividades: Programa de Apoio ao Aluno Estrangeiro (Ministério da Educação), Reinserção Social do Adolescente em Conflito com a Lei (Ministério da Justiça), Combate ao Abuso e Exploração Sexual (Ministério do Esporte e Turismo), Projeto Sentinela
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Os desenhos institucionais novos no âmbito da máquina estatal lutam por espaços de reconhecimento, de interferência e de poder diante de estruturas pesadas, burocráticas e já enraizadas na Administração Pública. Por essas razões, é preciso tornar efetiva a capacidade de articular ações e parcerias e evitar que aos organismos reste apenas uma função decorativa e, de certa forma, apaziguadora de uma certa pressão de jovens e demais setores da sociedade civil, quando essa incipiente institucionalidade de forma geral é marcada pela ausência de poder nas relações de governabilidade no interior do Poder Executivo municipal (SPOSITO; CARRANO, 2003, p. 28).
Percebe-se que a leitura desse período converge para dar visibilidade à ideia de juventude disseminada por entre alguns agentes estatais, embora não tenha encontrado ressonância de modo estruturante nas políticas públicas; ela está presente em diversos programas ou projetos, mas não foi possível conectá-los entre si. Não existe um programa que se pretenda universal ou, ainda, algum programa que seja voltado a determinado segmento juvenil, mas que tenha alcance nacional e procure atacar um problema relevante, como o dos homicídios da juventude.
5.2.2 A institucionalização das Políticas de Juventude
Em 2003, a gestão do Governo Federal mudou. Em 2005, foi elaborado um documento pelo Conselho Nacional de Juventude, sob chefia de Regina Novaes, que descreveu com detalhes os dois primeiros anos no que se refere à temática da juventude; além de ser a a primeira presidenta do Conselho Nacional de Juventude, é estudiosa do tema e produziu diversos documentos orientadores nos anos seguintes.
Concomitantemente, no Poder Legislativo, em 2003, constitui-se uma inédita Comissão Especial de Políticas Públicas de Juventude [...] [e] elaborou-se uma proposta de emenda constitucional, um Plano Nacional de Juventude e uma proposta de Estatuto da Juventude.
[...] No ano de 2004, por solicitação do presidente Lula, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, criou o Grupo Interministerial para examinar as políticas dirigidas à juventude [...], que reuniu 19 ministérios e, com significativa participação de técnicos do IPEA, produziu um diagnóstico e fez recomendações para maior integração e complementaridade entre programas e ações governamentais voltadas para a juventude (NOVAES, 2007, p. 57).
Este processo propiciou a constituição de marcos legais que trouxeram maior institucionalização para as Políticas de Juventude, através da sanção da Lei no 11.129/2003. São eles a Secretaria Nacional de Juventude, órgão ligado à Secretaria-Geral da Presidência da República; o Conselho Nacional de Juventude, gerido por aquela secretaria; o Programa Nacional de Inclusão de Jovens, voltado para o mercado de trabalho e a escolarização.
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Todos os jovens brasileiros, de 15 a 29 anos, são potencialmente beneficiários da Política Nacional de Juventude. A Lei no 11.129, vigente desde 30.6.2005, cria: a) a Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República (SNJUV), cuja tarefa principal é articular e supervisionar os programas e ações voltadas para os/as jovens; b) o Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), com caráter consultivo, cuja tarefa principal é fomentar estudos e propor diretrizes para a referida política; c) o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (o ProJovem), um amplo programa de caráter emergencial voltado para jovens de 18 a 24 anos, excluídos da escola e do mercado de trabalho. (NOVAES, 2007: 73_
Há, nesse período, um esforço de apresentar ligações que unifiquem as ações em torno de um propósito. Assim foi com a criação do ProJovem e com a elaboração do Guia de Políticas Públicas de Juventude. No elenco de políticas públicas previstas neste guia, como parte desta pesquisa, tentou-se mapear a dimensão racial em cada uma das políticas listadas.
Como demonstrado no guia, o surgimento de marcos legais para as políticas públicas de juventude gerou a criação de outras iniciativas em alguns ministérios, como demonstrado nos Apêndices B, C e D. Com base nas categorias elaboradas por Novaes (2011), o mesmo processo de problematização sobre as Políticas de Igualdade Racial para a questão da juventude, citado na seção anterior, é utilizado a fim de estabelecer a relação entre as Políticas de Juventude voltadas para a questão racial.