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TEK PENCERE SĠSTEMĠ ĠLE SUNULAN HĠZMETLER

Como relatei na seção 4.2 sobre as interações em sala de aula, os PFs investigados não se percebem como professores em formação, agindo como aprendizes de língua estrangeira durante as interações em sala de aula. Entretanto, devido ao caráter dinâmico e múltiplo das identidades TELLES, 2004; (HALL, 2011a; WOODWARD, 2011), pude verificar através dos dados que, fora da sala de aula, os PFs procuram se engajar em atividades típicas da comunidade de professores em formação. Esse fato pode ser possivelmente explicado como consequência de suas crenças, pois, como adverte Murphey (1995) as crenças têm o poder de afetar as identidades dos indivíduos.

À época da pesquisa, dos PFs estudados como participantes primários, A1, A3, A7, A11 e A14 se envolviam com atividades formais fora da sala de aula. Dentre esses, A1, A11 e A14 participavam do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), A3 dava aulas em uma escola como professora substituta de Português e A7 era voluntário como professor de língua inglesa em um cursinho pré- vestibular popular de uma cidade próxima a da universidade onde estuda. A6, A10 e A16 fizeram parte do preparatório para o curso de extensão em língua inglesa da universidade, sendo que A10 ainda deu aulas de espanhol como voluntária durante a greve. A2 e A17 davam aulas particulares, o primeiro de língua portuguesa e a segunda de língua inglesa. A5, por trabalhar em período integral, era o único que não estava envolvido com atividades extracurriculares na área docente.

Ao serem interpelados se se sentiam como professores em formação ou como aprendizes de idioma, somente dois PFs disseram que se sentiam como professores em formação, uma diz estar na “corda bamba”, os outros disseram que se sentem como aprendizes de língua. Esse fato pode ser reforçado pelas aulas na universidade, pela crença de que eles não possuem uma boa proficiência no idioma, e também porque eles relacionam o “ser professor em formação” com experiência letiva ou participação em projetos que incentivam a docência, conforme excertos abaixo:

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Não só nas aulas de língua inglesa, mas em todas as aulas, nós somos apenas aprendizes. Professora em formação, a gente só vai/ Que eu acho, a gente só vai ter, se a gente correr atrás e procurar algo para fazer, tipo bolsa ou qualquer coisa. Mas, em todas as aulas que a gente tem, eu acho que é só aprendiz. (...) eu ainda estou no meio entre aprendiz e professor, porque eu de aula, eu gostei, vi o resultado, e, graças a Deus foi bom, e, então, estou em cima da corda bamba. (A10 – Grupo focal, 20/10/2012)

Eu ainda me sinto um aprendiz bem cru ainda (...) vejo que tem muita coisa a se aprender (...) tenho medo de, às vezes, passar algo de forma errada. (A5 – Grupo focal, 20/10/2012)

Eu, por eu não participar de nada dessas coisas, como o PIBID, ainda, eu não me vejo como professor assim, no caso, eu me considero mais aluno. (A2 – Grupo focal, 25/10/2012)

Eu me sinto como professora em formação, tanto é que, quando eu estou na aula de didática, que eu fico admirando o que a professora fala, porque ela fala umas coisas que dão vontade de a gente ir e mudar o mundo/ Eu tento levar alguma coisa que eu aprendo para a aula do PIBID, logo, eu me sinto como uma professora em formação. (A11 – Grupo focal, 25/10/2012)

No primeiro trecho, A10 aponta que devido à experiência que ela teve de dar aulas de espanhol, ela se sente um pouco professora, mas aponta que as aulas na universidade não colaboram para essa visão de si enquanto professor. A5, se sente ainda muito despreparado para lecionar, têm medo de “passar” algo errado para outros. Em outras palavras, A5 parece se sentir inseguro em relação às suas habilidades linguísticas e isso acaba afetando a visão de si enquanto professor, mostrando também que ele relaciona o ser professor em formação com ter experiência docente. A2 menciona que é nos projetos destinados à docência que os alunos do curso de Letras se sentem como professores em formação. Dessa forma, ele não se vê como tal, por não ter tido essa experiência. Entretanto, no último excerto ao falar das aulas de didática, A11 afirma que se sente professora em formação, pois, nessa disciplina, ela teve a oportunidade de refletir sobre como a profissão de professor é importante, e procura estabelecer relações entre o que aprende em sala de aula e o seu trabalho no PIBID.

Esses comentários parecem sugerir que para a construção de uma identidade de professor seja importante manter ou criar projetos em que esses alunos se vejam como futuros professores. Além disso, também acredito ser importante a criação de espaços dentro das disciplinas em que essa reflexão seja promovida, visto que, pelo depoimento de A11, na aula de didática há espaços para reflexão sobre o saber docente, o que permite que ela vislumbre uma comunidade imaginada de professores e invista nessa profissão. Paiva (2005), alertou que os professores devem proporcionar comunidades

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imaginadas com as quais os alunos se identifiquem para que eles invistam mais na sua aprendizagem.

O que se verifica nos excertos acima é que a identidade de ser professor ainda não está latente nos discursos de A2 e A5, visto que eles não tiveram a experiência de dar aulas, e, por consequência não possuem a crença de que podem dar aulas. Por outro lado, A10, que vivenciou a prática de lecionar, acredita que os PFs só se sentirão professores em formação se procurarem algo que lhes ofereçam prática de sala de aula. A experiência de A10 mostra a relação entre crenças, ações e identidades, visto que, ela acredita que ter experiência de dar aulas é importante para se sentir uma professora em formação, logo, ela procurou ter essa experiência, consequentemente, ela já se sente um pouco professora em formação. A11, por já ter experiência de sala de aula com o PIBID, consegue estabelecer relações entre a teoria aprendida na universidade e sua prática no programa, desvelando a identidade de uma professora em formação. Se as crenças tem uma relação complexa com as ações (BARCELOS, KALAJA, 2011), e se os indivíduos fazem o que acreditam, logo, como diz Clark (2008, p.179) ao citar Danielewicz (2001), o que constrói as identidades são as maneiras que falamos sobre ou representamos a experiência. A11, ao relatar a sua experiência de sala de aula e como ela procura relacionar o que foi aprendido com o PIBID, constrói a sua identidade de professora em formação.

De acordo com os PFs essas atividades estavam os ajudando a serem mais reflexivos, a incrementar o currículo, a entender melhor o que é ser professor e ter um contato com a profissão. Nos trechos abaixo, fica clara essa posição dos alunos:

Ah, ajuda, assim/ Porque eu não sei se isso acontece com muitas pessoas, mas, às vezes, eu tenho a impressão de que eu estou aqui, mas não sei nada, sabe? Mas, ao mesmo tempo, vem uma pessoa e pergunta algo a você e você consegue responder, e ajuda: “Eu realmente sei alguma coisa.”, algo que a gente só consegue ver quando alguém te pergunta alguma coisa. (A2 – Grupo focal, 25/10/2012)

(...) eu estou no PIBID, e lá a gente trabalha com o professor dentro da sala. E, além de conhecer a realidade da escola, porque antes do PIBID eu tinha uma visão totalmente diferente do que era a sala de aula/ Assim, eu aprendo/ Às vezes eu aprendo muita coisa também com a professora na hora lá. (A14 – Grupo focal, 20/10/2012)

(...) o curso de extensão, o treinamento do curso de extensão, ele é ótimo. Acho que esse tipo de coisa tinha que ter aqui (...) depois que eu entrei lá, eu comecei a ser mais crítica e analisar, se aquelas ferramentas que estão sendo usadas lá, estão sendo empregadas aqui, e eu vejo que muitas delas não estão. (A16 – Grupo focal, 20/10/2012)

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Pelo relato de A2, percebe-se que a prática de corrigir redações o fez se enxergar como alguém que tem conhecimento e que é capaz de ensiná-lo a alguém, possivelmente dando a ele maior segurança para continuar a lecionar. Percebe-se aqui o quanto a identidade é marcada pela diferença (WOODWARD, 2011), visto que o PF precisou de um outro que o posicionasse enquanto professor para ele perceber que tinha a capacidade de ensinar para alguém. Para A14, o PIBID, além de ajudá-la a ter contato com a sala de aula em uma escola pública e com a complexidade que envolve ser professor, lhe dá a possibilidade de aprender a língua inglesa durante as aulas com a professora a qual está ajudando. A16 relatou que o treinamento para o curso de extensão está oferecendo a ela a oportunidade de refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem de línguas, tornando-a uma profissional mais reflexiva.

Percebe-se que a visão de si enquanto professor em formação está relacionada à experiência docente e de poder compartilhar o conhecimento, conhecer o ambiente de trabalho do professor e ser instigado a refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem, o que a maioria não encontrou ainda durante as aulas da universidade, mas sim em projetos de extensão e de ensino no departamento. Observa-se aqui novamente como é forte a relação entre crenças, experiências, ações e identidades, pois, os PFs, por ainda não terem a experiência de refletir sobre o saber docente nas aulas da universidade, procuraram outros meios de se inserirem nas práticas da comunidade de professores em formação, mostrando seu investimento para pertencerem a essa comunidade (NORTON, 2001). Essa experiência que eles tiveram os fizeram ter um senso de pertencimento a essa comunidade, levando-os a se perceberem enquanto professores em formação.

Nessa seção discuti como a crença sobre a experiência docente como importante na formação de professores dos PFs investigados. Tais crenças os levaram a se engajar em práticas da comunidade de professores em formação, como participação em programas da universidade, voluntariado em escolas e cursinhos entre outros. Discuti também como as crenças, experiências, ações e identidades estão relacionadas, de forma que as identidades estão fortemente ligadas às crenças (MURPHEY, 1995; BARCELOS, 2003; BARCELOS, 2009). Na próxima seção discutirei como as crenças sobre a habilidade oral faz com que os alunos projetem práticas diferentes das de seus

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antigos professores para quando forem participantes oficiais da comunidade de professores de língua inglesa.

4.4.2. Aproximações e distanciamentos: o ensino que tive e o ensino que quero