B- Elmalılı M Hamdi Yazır’ın Hayatı
2- Eserleri
2.1. İMANIN TEMELLENDİRİLMESİ
2.1.1. Objektif Temellendirme
2.1.1.3. Nizam ve Düzen Delili
2.1.1.3.1. Tekâmül ve Olgunlaşma Delili
A construção da Usina Hidrelétrica de ITAIPU deve ser entendida inserida no processo de desenvolvimento do capitalismo brasileiro e da necessidade de ampliar a produção de energia para atender o crescimento industrial do país.
A ITAIPU foi idealizada durante os anos do “milagre econômico” que caracterizou o Brasil pós-64, período no qual foi imposto um Estado que colocou em prática grandes projetos de investimento econômico. Segundo Souza (2005, p.29), a construção da ITAIPU:
Comparando à outras alternativas, inclusive a nuclear, e incorporando a transmissão, “foi demonstrado” que os seus custos eram mais baixos, além de ser uma solução para os problemas de fronteira. (SOUZA, 2005, p. 9).
O projeto, implantado no oeste do Paraná, foi definido com a assinatura da Ata do Iguaçu entre Brasil e Paraguai em 22 de julho de 1966. Após uma série de estudos na região, em 26 de abril de 1973, foi assinado o Tratado de ITAIPU. Nesse documento, a empresa trazia como missão institucional o aproveitamento hidráulico dos recursos hídricos do rio Paraná, pertencentes em condomínio aos dois países, desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas, ou Salto de Guaíra, até a foz do rio Iguaçu.
A missão institucional da Itaipu Binacional é alterada em 2003, devido a mudanças políticas no cenário nacional, que acabou refletindo numa nova administração da ITAIPU. A nova equipe realizou um processo de planejamento da empresa, que foi assim definido por Friedrich (2011)
...houve um marco que foi a decisão em maio, junho de 2003 em fazer uma imersão muito forte internamente, com todas as Diretorias, brasileiras e paraguaias, olhando Itaipu 40 anos a frente. E incorporando uma metodologia de planejamento estratégico muito progressista, chamado PES – Planejamento Estratégico Situacional, que tem como característica exatamente não diagnostical, é muito mais uma proposta muito dinâmica, participativa visto que o corpo operacional da empresa participou e que tem, acima de tudo, esse
propósito de pensar uma projeção do futuro e trazê-lo para o hoje (FRIEDRICH, 2011) 51
Esse planejamento levou a consolidação de uma nova missão institucional que passou a ser, a partir de 2003, para “geração de energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico sustentável, no Brasil e no Paraguai” (ITAIPU, 2007, p. 11).
Essa missão trouxe para a empresa uma nova forma de pensar as ações internas, assim como a relação com o espaço do entorno à ITAIPU. Para atender parte dessa demanda, foi criado o Programa Cultivando Água Boa (CAB), visando estabelecer critérios e condições para orientar as ações socioambientais relacionadas com a conservação dos recursos naturais e centradas na qualidade e quantidade das águas e na qualidade de vida das pessoas.
...um movimento de participação permanente, que estimula a sociedade regional a mudar valores no modo de ser, pensar, produzir e consumir, para a busca de um mundo melhor, em especial para o cultivar da água, dos solos, da diversidade da vida e das pessoas. (ITAIPU, 2008, p. 18).
Além da nova missão que transcende a produção de energia, ITAIPU articulou-se com as novas políticas públicas federais, que atuam em forma de Gestão de Bacias Hidrográficas, adotando a bacia hidrográfica como espaço para a gestão ambiental, através do Programa Cultivando Água Boa, reconhecendo que os cursos d’água são as linhas limítrofes mais eficientes para a atuação na área de recursos hídricos. Nesse sentido cabe destacar o interesse da empresa na questão da produção de energia, pois a garantia de maior quantidade de água para a geração da energia exige que seja realizado um trabalho em todo o percurso do rio, em especial nas nascentes, e não apenas em partes do curso do rio. Nesse sentido, entende-se o interesse da empresa em ampliar a área de atuação, visto que na perspectiva do trabalho por bacias hidrográficas é possível atuar desde a nascente até a foz dos principais rios da região e de seus afluentes, passando a atuar nos 28
51 Nelton Miguel Friedrich é Diretor de Coordenação da Itaipu Binacional e concedeu a
entrevista. O Programa Cultivando Água Boa e a atuação nos municípios da Bacia Paraná 3 no dia 29 de julho de 2011.
municípios paranaenses e não somente nos 15 como vinha atuando até essa data.
Nesse sentido, parte dos municípios da região oeste do Paraná foi envolvida por essas mudanças, seguindo também as mudanças que aconteciam na esfera estadual. Essa mudança levou a uma alteração na identidade regional: se até 2003 os municípios tinham como identidade a questão Lindeira ao Lago de Itaipu, englobando 15 municípios, a partir da atuação da ITAIPU, passa-se a conviver com a nova configuração territorial, que é a Bacia Paraná 3, envolvendo 28 municípios do Estado do Paraná.
Vitorassi (2011) destaca a importância dessa ação de ITAIPU na formação de uma identidade regional.
Por mais que existisse e a Itaipu estivesse presente nesses municípios, e especial nos dezesseis, não existia essa identidade regional nas pessoas e hoje a gente percebe que existe (VITORASSI, 2011)52
Segundo Itaipu (2008) os objetivos do programa CAB são: a) Recuperação de cada microbacia da Bacia Paraná 3
b) Gestão participativa - total envolvimento dos atores sociais c) Conexão global e ação local
d) Apoio a segmentos socialmente vulneráveis e promoção da justiça social e) Construção da Cultura da Paz
f) Construção da Cultura da Água g) Implantação da Ética do Cuidado h) Construção da Sustentabilidade
i) Busca do Novo Jeito de Ser/Sentir, Viver, Produzir e Consumir
j) Construção da Solidariedade entre as pessoas, e das mesmas com a natureza
52 Silvana Vitorassi é gerente da Divisão de Educação Ambiental da Itaipu Binacional e
concedeu a entrevista A Educação Ambiental: conceitos e o enraizamento na Bacia Paraná 3 no dia 13 de julho de 2011.
Para fazer frente a esses objetivos, a empresa desenvolveu o programa CAB com 19 programas estratégicos, que contam com 65 ações. Segundo Itaipu (2010) os programas são:
1. Gestão por Bacias Hidrográficas 2. Biodiversidade, Nosso Patrimônio 3. Produção de Peixes em Nossas Águas 4. Educação Ambiental
5. Monitoramento e Avaliação Ambiental 6. Educação Corporativa
7. Gestão de Processos e Conhecimentos Empresariais 8. Turismo Nota 10
9. Infra-estrutura Eficiente - Ações de Investimento 10. Desenvolvimento Rural Sustentável
11. Gestão Organizacional da Diretoria da Coordenação 12. Infra-estrutura Eficiente
13. Recursos Humanos da Itaipu 14. Gestão da Informação Territorial 15. Saneamento da Região
16. Saúde na Fronteira
17. Sustentabilidade de Segmentos Vulneráveis 18. Valorização Patrimônio Institucional e Regional
19. Melhoria da infra-estrutura e equipamentos de serviços empresariais
A representação das principais ações do CAB, bem como as referências conceituais do Programa, ficam evidenciadas na logomarca conforme pode ser visto na figura 9. Outro ponto importante a ser destacado é a visão integrada que ela apresenta, pois observa-se que nenhum projeto ou programa está isolado em si ou tem superioridade.
Figura 9: Logomarca do programa Cultivando Água Boa da ITAIPU Binacional
Fonte: ITAIPU Binacional, 2010.
Segundo Viezzer
O programa Água Boa atua no estabelecimento de critérios e condições para orientar as ações socioambientais relacionadas com a conservação dos recursos naturais, centradas na qualidade e na quantidade das águas, bem como na qualidade de vida das pessoas. (VIEZZER, 2007, p.56)
Outro ponto importante do Programa CAB é a fundamentação em documentos planetários como a Carta da Terra, Agenda 21, Metas do Milênio, Pacto Global, Conferência Rio 92, Protocolo de Quioto, Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e Água para a Paz, o que demonstra uma presença forte dos princípios da Educação Ambiental.
Os princípios metodológicos do CAB, segundo o Caderno do Participante do Encontro CAB (2008, p.17) são:
a) A construção do programa, apesar de sua estrutura dorsal estar definida, é feita coletivamente com os atores participantes, que passam a se caracterizar como parceiros, já que não são remunerados por sua participação;
b) A construção coletiva se dá pela formação de um comitê gestor de cada programa nos municípios.
c) A execução deve priorizar e estabelecer a necessária participação dos atores sociais regionais formalmente instituídos, como ONGs, associações, cooperativas, governos locais, etc. caso seja necessário buscar expertise externa, o processo deve prever a absorção desse know-how pelos atores sociais locais.
d) A construção de programas e ações deve ter uma articulação sistêmica e uma visão de futuro. Deve, portanto, oportunizar o surgimento de novas ações, fruto da iniciativa dos atores sociais envolvidos;
e) A avaliação do programa deve, do mesmo modo, ser coletiva. Em um primeiro momento, isso ocorre no comitê, em segundo momento nos municípios e, em terceiro, no nível da bacia hidrográfica (mos encontros anuais Cultivando Água Boa)
f) O programa deve oportunizar a participação de todos os atores sociais organizados, independentemente de seu porte, natureza, valores, crenças ou orientação político-partidária.
Como esse trabalho tem como foco a Educação Ambiental para Gestão de Bacias Hidrográficas, serão explicitados os programas que atuam diretamente nesse assunto, que são a Gestão por Bacias Hidrográficas e a Educação Ambiental para a Sustentabilidade.