7 TEDAVİ PLANLARINI KAYDETME VE DIŞA AKTARMA
7.3 Tedavi Uygulaması
A abordagem do problema seguirá a perspectiva de Heidegger. Como consequência, todas as exigências e indicações de sua abordagem foram respeitadas (HEIDEGGER, 2009). De posse dos dados, parte-se para o problema de sua interpretação. Interpreta-se aquilo que se compreende. Há, pois, um nexo causal entre os dois processos (interpretação e compreensão), o que gera a noção de sentido. Portanto, “toda interpretação funda-se no compreender. O sentido é o que se articula como tal na interpretação e que, no compreender, já se prelineou como possibilidade de articulação.” (HEIDEGGER, 2009, p. 215).
Com essa perspectiva, o sentido foi empregado para a criação das categorias analíticas com as falas dos participantes da pesquisa. Configurou-se, assim, a importância do emprego da entrevista, pois “A fala é articulação da compreensibilidade. Por isso, a fala se acha na base de toda interpretação e enunciado.” (HEIDEGGER, 2009, p. 223).
4.3.1 Análise dos achados
A natureza particular do mundo humano consolidada pelas Ciências do Espírito já ofereceu resposta a essa questão. Em decorrência, foram desenvolvidos métodos específicos de análise dos fenômenos no campo humano. Merleau-Ponty (1999) definiu um método com o qual se é possível chegar ao conhecimento dos fenômenos nesse campo.
Para tanto, o referido autor parte do pressuposto de que inexiste conhecimento ou verdade acabada, definitiva, em qualquer momento, na medida em que sempre haverá o contraponto ao que é visível, isto é, o invisível, que pode ser intuído, acreditado, mas, nem sempre, de todo revelado. O conhecimento verdadeiro está sempre na dependência das condições de perceber – ser percebido. Ele rejeita a clivagem percebedor – percebido, rejeitando, destarte, os métodos das ciências tradicionais, baseados na definição e medição de variáveis. Neste estudo, serão postas lado a lado noções pontyanas capazes de analisar os achados sob a óptica desse filósofo.
4.3.2 A fenomenologia da percepção
A percepção, meio básico de análise dos achados, foi empregada segundo as duas acepções descritas a seguir.
A percepção é justamente este gênero de ato em que não se poderia tratar à parte o próprio ato e o termo sobre o qual ele versa. A percepção e o percebido têm necessariamente a mesma modalidade existencial, já que não se poderia separar da percepção a consciência que ela tem, ou, antes, que ela é, de atingir a mesma coisa. (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 500).
Essa acepção do termo “percepção” mostra o imbricamento existente entre aquele que percebe e aquilo que é percebido, o que torna o ato de perceber capaz de atingir as coisas mesmas. Porém, a realidade das coisas é feita de aparências que devem ser percebidas em momentos e ângulos diferentes para se revelarem. Para apreender essa situação mutante, lançou-se mão da seguinte dinâmica:
A percepção abre as asas sobre as coisas. Isto quer dizer que ela se orienta como para seu fim para uma verdade em si onde se encontra a razão de todas as aparências. A tese muda de percepção, que a experiência em cada momento pode ser coordenada com a do instante precedente e com a do instante seguinte, minha perspectiva com as das outras consciências – que todas as contradições possam ser levantadas [...] que o que, agora, para mim, é indeterminado tornar-se-á determinado para um conhecimento mais completo que é como realizado de antemão na coisa ou mais certamente que é a própria coisa [...]. (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 85-86, grifo do autor).
Na busca da verdade originária que se encontra em todas as coisas, todo o cuidado deve ser tomado para se evitar o engano e a ilusão de que sensações iniciais sobre o que a coisa observada possa sugerir. Aqui se aplica bem o dito popular segundo o qual se afirma que “nem tudo o que reluz é ouro”. Sendo assim, a percepção não deve assumir posição dogmática, haja vista que, com esse conceito, trabalha-se sempre num campo mutante. Tudo se entrelaça e se amplia a cada passo do processo perceptivo.
É comum que os dados iniciais gerem a percepção no pesquisador de variadas sensações a respeito de um fenômeno que começa a se constituir. Para se precaver contra esse problema, é necessário ter bem clara a diferença entre as noções de ver e sentir, definidas por Merleau-Ponty (1999, p. 28) ao asseverar que “O visível é o que se percebe com os olhos, o sensível é o que se percebe pelos sentidos”. Ou seja, nem toda sensação significa necessariamente percepção, porque, na primeira, não houve ainda o crivo de um julgamento rigoroso.
4.3.3 Julgamento
O pesquisador deve estar atento para separar o visível do sensível. Para tanto, será empregado o conceito de julgamento, tomado como “[...] o que falta para a sensação para tornar possível uma percepção.” (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 60).
4.3.4 Fé perceptiva
As Ciências do Espírito têm seu foco principal nas pessoas que habitam o mundo. Nessa região, as regularidades não ocorrem como no mundo natural. Neste último, é possível utilizar teorias, modelos e instrumentos de medição que são tomados como verdadeiros por causa do tipo de evidências postas pela natureza. Porém, há que se entender que esses arcabouços teóricos não são originários, mas criados a posteriori. Com efeito:
O decisivo para sua elaboração não reside no alto apreço pelas observações dos ‘fatos’, nem na aplicação da matemática para se determinar os processos naturais. O decisivo reside no projeto matemático da natureza ela mesma. Este projeto descobre, antecipadamente, um ser simplesmente dado que é constante (matéria), e abre o horizonte para uma perspectiva orientadora, relativa a seus momentos constitutivos e passíveis de determinação quantitativa (movimento, força, lugar e tempo). (HEIDEGGER, 2009, p. 451, grifo do autor).
Deduz-se, assim, que o essencial está na natureza, que é o dado originário, e não apenas nos instrumentos que os cientistas manipulam. De todo modo, pode-se dizer que há uma crença nos instrumentos utilizados nas Ciências Naturais. A questão que se põe é: Por que não pode haver outro tipo de fé, baseada em referentes diferentes de instrumentos de medição, mas que ofereçam respostas adequadas ao seu objeto de estudo? Merleau-Ponty (2009) defende a ideia de que há, sim, um tipo de fé com a qual é possível se chegar ao conhecimento dos fenômenos.
Para Merleau-Ponty (2009), não existe conhecimento ou verdade acabada, determinante, uma vez que sempre haverá o contraponto ao que é visível, isto é, o invisível, que pode ser intuído, confiado, mas, nem sempre, de todo revelado. O conhecimento verdadeiro está na dependência das condições do binômio perceber – ser percebido. Então, que método empregar para atingir o conhecimento possível nas Ciências do Espírito? Merleau-Ponty (2009, p. 37) rejeita os métodos das ciências tradicionais, baseados na definição e medição de variáveis, e introduz a noção de fé perceptiva, definida como “[...] uma adesão que se sabe além das provas, não necessária, tecida de incredulidade, a cada instante ameaçada pela não-fé”. A adesão pontyana não supõe uma atitude irracional, pelo contrário, há referenciais objetivantes que a tornam instrumento de investigação confiável, como se discutirá à frente.
4.3.5 A fé perceptiva é reflexiva
A definição de fé perceptiva dada já revela a ausência do dogmatismo, da regularidade recorrente e do conhecimento acabado e definitivo. Ela mostra uma relação
dialética entre o que pode ser e o seu contrário, por isso não torna necessária a presença de uma prova irrefutável dos conhecimentos obtidos. Tudo está aberto a novas descobertas. A percepção possível é o fio condutor de todo o processo de descoberta viável. O que não foi visto num primeiro olhar, pode se revelar nos futuros. O que foi tomado como verdadeiro, pode sofrer mudança num outro momento. A inserção no mundo não assegura, per si, a percepção de suas realidades, mas é necessário acreditar que a percepção e a reflexão constantes terminam por chegar, em suas últimas consequências, às próprias coisas.
Segundo Merleau-Ponty (2009, p. 53), refletir:
[...] não é coincidir com o fluxo desde sua fonte até suas ramificações; é desembaraçar das coisas, das percepções, do mundo e da percepção do mundo, submetendo-os a uma variação sistemática, núcleos de inteligíveis que lhe resistem, caminhando de um a outro lado de tal maneira que a experiência não desminta, mas nos dê apenas seus contornos universais, de sorte que deixa intacto, por princípio, o duplo problema da gênese do mundo existente e a gênese da idealização reflexionante; enfim, evoca e exige uma sobre-reflexão onde os problemas últimos seriam levados a sério.
Merleau-Ponty (2009) chega a essa definição após análise crítica do processo de reflexão tradicional. De acordo com esse autor, não se trata de reexaminar os passos e as informações obtidas, mas de tentar se distanciar das suas percepções retiradas do texto e tentar descobrir aspectos, ângulos e horizontes novos que possam revelar o que há de universal no fenômeno observado. Somente a reflexão pessoal aprimorada por esses cuidados pode levar o leitor a elaborar sua própria síntese sobre o objeto estudado. Para tanto, é necessário alcançar esse estágio, é preciso empregar:
A filosofia reflexionante (que) parte do princípio de que, se uma percepção deve poder ser minha, é preciso que, de agora em diante, seja uma de minhas ‘representações’, em outras palavras, que eu seja como ‘pensamento’, aquele que efetua a ligação dos aspectos sob os quais o objeto se apresenta, e sua síntese num objeto. (MERLEAU-PONTY, 2009, p. 51).
A síntese do objeto observado é a que foi possível ser feita em dado momento. Ela sempre estará passível de questionamentos e novas descobertas. Os dados desta pesquisa serão analisados nessa perspectiva, na medida em que o que se desvelou foram resultados que emergiram da amostra estudada. Porém, a aplicação correta do método empregado assegura o aparecimento de ângulos e horizontes semelhantes, como mostram os resultados de Gonçalves (2014) e Leite (2004) ao estudarem características e visões que magistrados cearenses têm e sobre a vivência diária nas comarcas.
5 POÉTICA DO ENCONTRO: A BUSCA DO MODO PESSOAL DE DESABROCHAR