8 DIŞA AKTARMA DOĞRULAMA PLANLARI
8.3 Dışa Aktarmanın Dose Review için Hazırlanması
A) Acolhimento
O acolhimento no primeiro encontro/formação foi marcado por muitas expectativas, tanto por parte do pesquisador como por parte de todos os dezoito participantes.
Na observação de todos os membros da pesquisa, sentados à espera do início do curso experimental, foi percebido que eles estavam bastante expectantes, o que era representado pela inquietação manifestada pelos sujeitos do estudo. O pesquisador, naturalmente, partilhava de sentimento similar.
O pesquisador se apresentou como doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (Faced/UFC). Falou da dupla função da formação, informando que seria uma formação continuada para os professores de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Educação (SME) e também lugar de aquisição de dados para uma pesquisa, a qual objetivava responder duas perguntas: 1. Como os professores da rede pública do Ensino Fundamental de Fortaleza lidam com experimentos artísticos e estéticos em Artes Visuais em sala de aula e quais suas concepções de ensino? 2. Como os professores articulam essas formas de ensinar e avaliar com vistas a redimensionar suas práticas pedagógicas?
O investigador esclareceu que essas perguntas conduziam à tentativa de defender uma tese pautada no seguinte pressuposto: um ensino baseado em experimentos artísticos e estéticos, com suporte na poética artística (pessoal) do aluno, pode redimensionar as práticas docentes de Artes Visuais, estabelecendo importante significação e envolvimento do estudante e do educador com relação à disciplina curricular.
Foi informado que a formação estava composta de uma fundamentação teórica sobre o ensino de Artes Visuais, laboratórios de experimentos artísticos e estéticos, apreciação estética em exposições de Artes Visuais em museus e galerias de Artes, planejamento e supervisão, vivências de estratégias metodológicas em suas próprias salas de aula e sessões de avaliações reflexivas.
Após a apresentação do pesquisador, procedeu-se à apresentação individual de cada um dos participantes (nome e como se sentiam sendo professores de Artes no ensino público da SME). Em seguida, realizou-se a entrega do programa do curso com as unidades, ementas, objetivos, conteúdos e cronograma de atividades, assim como o esclarecimento das metodologias dos encontros/formação.
B) Pergunta norteadora do encontro
O que vocês se lembram das experiências como alunos das aulas de Artes Visuais na escola no Ensino Fundamental?
C) Apresentação e desdobramentos do conteúdo
A apresentação do conteúdo a respeito das preconcepções do ensino de Artes Visuais se pautou na elaboração, por cada um dos sujeitos pesquisados, de um memorial das experiências artísticas e estéticas, focando suas percepções sobre o ensino de Artes Visuais (relatos escritos), preconcepções sobre o ensino da referida disciplina na condição de discente do Ensino Fundamental e da percepção do ensino hoje, na condição de professor de Artes Visuais.
Informada a ação a ser realizada como atividade extra e depois de ouvidas as expectativas dos participantes sobre o curso experimental que ora se iniciava, estabeleceu-se um diálogo sobre o ensino de Artes Visuais vinculado à Educação escolar do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Em seguida, os componentes do curso foram convidados para o primeiro experimento estético mediado pelo pesquisador.
D) Experimento estético: fantasia
Os participantes foram convidados a continuar sentados, com as cadeiras dispostas em círculo, de olhos fechados e numa postura corporal o mais confortável possível. Nesse momento, o pesquisador tomou a palavra.
– Agora vou convidar todos vocês, de olhos fechados, a fazer uma viagem imaginária no túnel do tempo em direção à sua vida escolar, mais precisamente às aulas de Artes. Imagine que você está numa aula de Artes no Ensino Fundamental. Tente se dar conta da cena que está vivendo agora: a escola, a sala de aula, os colegas, a professora e, principalmente, o que ela estava propondo naquela aula, ou seja, o que ela estava ensinando? Como ela ensinava? O que caracterizava esses momentos destinados às aulas de Artes? Qual o material utilizado? O que você mais gostava ou não gostava nessas aulas? O que mais lhe marcou nessas aulas? Você se lembra dos comentários feitos pelos professores sobre os seus trabalhos e os de seus colegas? Podem começar.
– Agora vocês são convidados a sair da condição de alunos para avançar no tempo até os dias hoje, na condição de professor de Artes em suas salas de aula. O que você ensina em Artes Visuais? Para que você ensina isso? Que materiais você utiliza em sala com seus educandos? Como você ensina? Como você encaminha suas propostas aos estudantes, ou seja, que metodologia utiliza? Como os alunos reagem diante de suas propostas? O que comentam? Como você percebe o processo da elaboração de seus discentes? Qual o rumo dado aos trabalhos feitos pelos aprendizes? Podem começar.
– Nesse momento, vocês são convidados, lentamente, a voltarem para esta sala de aula, aqui e agora. Vamos chegando e aos poucos vamos abrindo os olhos.
Após essa experiência, solicitou-se que os indivíduos relatassem aquilo que sentiram durante essa viagem imaginária (fantasia). Cada um discorreu a respeito de sua experiência, oportunidade em que todos ouviram e foram ouvidos.
E) Avaliação dialógica e reflexiva dos alunos
O momento da avaliação dialógica e reflexiva foi marcado pela sistematização de todas as falas e discussões ocorridas durante o encontro. O pesquisador iniciou indagando sobre quais os pontos que mais chamaram a atenção e que gostariam de comentar. As falas se pautaram em algumas das dificuldades enfrentadas pelos professores de Artes atualmente na sala de aula.
[...] há uma grande falta de materiais para se trabalhar com Artes; [...] Dificuldade de cada professor manifestar sua autonomia ou de se impor para conseguir benefícios para o ensino de Artes nas escolas; [...] Toda a instituição de ensino tem uma visão muito estereotipada do ensino de Artes. [...] Os professores manifestam desinteresse em ensinar Artes, não por falta de prazer, mas por insegurança e falta de formação na área. [...] O ensino de Artes dispõe de pouco tempo em sala de aula; pelo o código de identificação do aluno [...] Não existe ambiente estético para as aulas de Artes; [...] A aula de Artes deve ser um encontro prazeroso, livre de classificações e julgamentos através de notas. (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8).
As percepções dos alunos possibilitaram a criação do primeiro horizonte33 de significados que eles tinham sobre o ensino de Artes Visuais, de acordo com o método de Gadamer (apud SCHMIDT, 2012), mostrado na figura a seguir.
Figura 1 – Horizonte 1
Fonte: Elaborada pelo pesquisador (2015).
33
A sequência de imagens denominadas de horizontes são representações com imagens de nuvens e de um horizonte, criadas pelo autor inspirado na fusão de horizontes da hermenêutica gadameriana.
Como se observa, as percepções são muito negativas, confirmando a preconcepção do pesquisador desta tese ao experimentar seus primeiros anos de estudo e de docência. Apenas um dos alunos mostra uma visão coerente: “Ensino de Arte deve ser prazer.” (P1). Como se esperar que, nesse clima, discentes e professores se interessem pelo ensino das Artes?
Ao constatar a negatividade do verdadeiro sentido do ensino de Artes Visuais, foi realizada uma reflexão coletiva sobre o impacto positivo que a Arte pode causar na vida dos alunos, tendo por base a única visão positiva. A discussão mostrou que, ao se realizar uma atividade artística, o sujeito (educando) pode desenvolver sua autoestima e autonomia, sentimento de empatia, capacidade de simbolizar, analisar, avaliar e fazer julgamentos, como também ter uma postura mais flexível e aberta para o seu interior, no sentido de identificar o que há de sensível que possa se desvelar. Assim, ele desenvolve o seu senso estético, as habilidades específicas inatas do seu lado artístico e torna-se capaz de expressar melhor suas ideias estéticas. Mas a realidade é que ainda hoje existem situações em que o ensino de Artes obriga o aprendiz a ter um comportamento imitativo, inibindo a própria expressão criadora.
O grupo chegou ao consenso de que toda experiência artística é uma experiência estética, mas que nem toda experiência estética é uma experiência artística. Como exemplo disso, tem-se esta situação: quando se sente o cheiro da chuva ou do café quente, vive-se uma experiência estética, embora esta não seja uma experiência artística. A estética aqui está no sentir produzido por um elemento externo, enquanto a experiência artística é revelada de dentro para fora. Dufrenne (2012, p. 60), ao tratar desses dois momentos sobre a experiência estética da natureza, leciona que “[...] a reflexão sobre o objeto estético sempre privilegia a arte. É sobre a arte que ela melhor se pode exercer porque é a arte que melhor exercita o gosto e provoca a percepção estética mais pura”.
Ao final do primeiro encontro, foi entregue um roteiro para sugestão do memorial das experiências artísticas e estéticas (Apêndice F). Foi solicitado aos participantes da pesquisa (como parte da carga horária das atividades extras) a elaboração do memorial em narrativas escritas, as quais deveriam ser trazidas para o encontro seguinte.