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4.2. Kadınların Yöneticilerin Kariyer Gelişiminde Karşılaştığı Engeller

4.2.6. Cam Tavan Sendromu

Inicialmente, a FFCLUSP compreendia as seguintes seções: Ciências Matemáticas, Ciências Físicas, Ciências Químicas, Ciências Naturais, Geografia e História, Ciências Sociais e Políticas, Letras Clássicas e Português e Línguas Estrangeiras, tendo como finalidades:

a) preparar trabalhadores intelectuais para o exercício de altas atividades culturais de ordem desinteressada ou técnica;

b) preparar candidatos ao magistério do ensino secundário, normal e superior;

c) realizar pesquisas nos vários domínios da cultura que constituem o objeto do seu ensino (ANUÁRIO DA FFCLUSP, 1939-1949, p. 11).

O artigo 10 do Decreto n. 6283 de 25 de janeiro de 1934, que criou a Universidade de São Paulo rezava que os cursos de licenciatura seriam seriados

57 Luigi Fantappié, a convite de Theodoro Ramos, veio para o Brasil implantar o Departamento de

Matemática da FFCLUSP, permanecendo durante o período compreendido entre 1934 e 1939 (DIAS, 2001, p. 40).

e com duração de três anos, sendo que as matérias da Seção de Ciências Matemáticas encontravam-se distribuídas da seguinte forma:

1º ano – Geometria (projetiva e analítica), Análise matemática; 2º ano – Análise matemática, Cálculo Vetorial e Elementos de Geometria Infinitesimal, Física Geral e Experimental;

3º ano – Mecânica Racional e Elementos de Mecânica Celeste, Física Geral e Experimental, História das Matemáticas (ANUÁRIO USP, 1936, p. 43).

Apesar de ser concebida com a finalidade de formar cientistas e aperfeiçoamento de professores do Ensino Secundário e Superior, a formação do professor ficava a cargo do Instituto de Educação – que a partir de 1938 foi transformado em Seção de Educação da FFCLUSP – e, somente após os alunos terem concluído o bacharelado, dedicavam-se às disciplinas pedagógicas (SILVA, 2000). Essa prática continuou até pelo menos meados da década de 50, pois conforme depoimento de D’Ambrosio (2005), bacharel e licenciado pela FFCLUSP em 1954, para os alunos do Curso de Matemática, os três primeiros anos eram dedicados ao bacharelado, sendo que somente no último ano, os alunos dedicavam-se às disciplinas pedagógicas.

No início, a FFCLUSP teve suas secções espalhadas pela cidade de São Paulo. Nos dizeres de Eurípedes Simões de Paula:

... fomos expulsos pelos estudantes da Faculdade de Medicina, fato que revelou ser o espírito universitário pura fantasia. Da Politécnica, precisamos retirar-nos também. Isso que, naquela ocasião recebemos tão mal, foi um bem: tivemos de procurar casa própria. Aí começou uma verdadeira via crucis para a Faculdade. Mudamos as Letras para a Alameda Glete (depois de passarmos por um casarão situado no local onde está hoje a Biblioteca Municipal) e de lá saímos, para dar lugar aos laboratórios de Ciências Naturais, rumando, em seguida, para o 3º andar do Instituto de Educação Caetano de Campos, onde permanecemos por mais de 10 anos. Os cursos de Física e Matemática espalharam-se também: cada um foi instalado em casas completamente inadequadas para o ensino. A Faculdade desagregara-se, mas continuava coesa e unida, pelo espírito comum de luta de professores e alunos [grifos do autor] (ANUÁRIO DA FFCLUSP, 1951, p. 53).

Especificamente às secções de Matemática e Física, a princípio, até setembro de 1938, dividiam seus espaços com a Escola Politécnica58, quando o curso de Física acabou por ser instalado em prédio alugado na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio e o de Matemática no terceiro andar da Escola Normal “Caetano de Campos”, na Praça da República, juntamente com outros cursos. Saindo do prédio da Praça da República, o curso de Matemática foi instalado no bairro do Paraíso, à rua Alfredo Élis, em 1942. A etapa seguinte, foi a transferência para a famosa sede da Faculdade, na rua Maria Antônia, em agosto de 1949 (DIAS, 1994).

Por intermédio de Theodoro Ramos, o engenheiro Omar Catunda foi convidado para exercer as funções de professor assistente de Fantappié, na cadeira de Análise Matemática.

Durante sua permanência na FFCLUSP, a partir de julho de 1934, Fantappiè dedicou-se a organizar a biblioteca do Departamento de Matemática, formada com obras doadas pelo governo italiano, bem como outras publicações com verbas diversas. Como seu assistente, Catunda participou ativamente desse trabalho. Também ficou incumbido de redigir as apostilas do curso, em número de nove aulas semanais, além da aplicação e correção das listas de exercícios. Relembrando Fantappiè, assim se expressou Catunda:

Sua exposição era claríssima e rigorosa, mas o ritmo acelerado prejudicou a maioria dos estudantes, que faziam o curso de engenharia. Para mim e para mais seis que se transferiram para o curso da Faculdade (entre os quais Mario Schemberg e Marcelo Dammy), ele expôs, no 2º ano, a teoria das funções analíticas e no 3º ano, a teoria que ele mesmo criara – dos funcionais analíticos – funcionais cujo argumento variável é uma função analítica (1985, p. 90).

Fantappiè instituiu o “Seminário Matemático e Físico”, criado em 1935. A intenção era organizar seminários onde fossem abordadas questões referentes à Matemática e à Física, que não puderam ser incluídos nos cursos normais. Além disso, estudantes e professores apresentavam e discutiam trabalhos, por vezes

58 Naquela época, a Escola Politécnica, criada em 1893, funcionava no Edifício Paula Souza, situado na

inéditos. Associado ao Seminário, encontrava-se o periódico “Jornal de Matemática Pura e Aplicada” (D’AMBROSIO, 1999).

Luigi Fantappiè foi o primeiro diretor do “Jornal de Matemática Pura e Aplicada” da Universidade de São Paulo, lançado em 1936 (primeiro e único número). Além de Fantappiè, a revista era redigida por Giacomo Albanese e por Gleb Wataghin. O primeiro fascículo, de junho de 1936, apresentou um resumo de todas as conferências pronunciadas no “Seminário Matemático e Físico” do ano de 1935. Luigi Fantappiè contribuiu com dois artigos: “Teoria matemática da luta pela vida” e “Origem e desenvolvimento da teoria dos funcionais”. Omar Catunda apresentou, igualmente, dois trabalhos: “Exposição de uma memória de Abel sobre funções simétricas e teoremas da adição” e “Demonstração do teorema de Jordan sobre curvas fechadas” (JORNAL DE MATEMÁTICA PURA E APLICADA, 1936).

Segundo Afonso D’Escragnole Taunay, os seminários matemático e físico, eram realizados em sessões públicas ou abertas, quando vinham à tela dos debates estudos realizados por pesquisadores nacionais e estrangeiros. “Por vezes viram-se estas sessões honradas com a presença de verdadeiras sumidades da ciência universal e de passagem por São Paulo" (ANUÁRIO,1939- 1949, p. 231).

O modo de apresentação e desenvolvimento de seminários já era adotado na Europa, em países como Itália e Alemanha59. Fantappiè visitou a Alemanha depois de ter recebido o prêmio Volta, concedido pela Real Academia da Itália, entre 1931 e 1932. Nessa ocasião, entrou em contato com outro meio científico e pode discutir os resultados originais alcançados em seus trabalhos sobre os Funcionais Analíticos (LIMA, 2006, p. 28). Havia, portanto, um intercâmbio cultural entre esses países os quais já tinham costume de realizar seminários, e não raro apresentavam resultados originais na área de matemática e física.

Em “Souvernirs d’Apprentissage”, Weil lembra que se encontrou diversas vezes com Fantappiè em Roma, no ano de 1925, e já naquela época portava distintivo de fascista. Entretanto, apesar de anti-semita, na Itália, Fantappiè, foi

59 Segundo Belhoste (1998), os seminários incorporavam as atividades de diferentes escolas de pesquisa na

aluno favorito do matemático judeu Vito Volterra, e no Brasil, Omar Catunda, seu assistente e admirador, era militante comunista (PIRES, 2006, p. 218).

O Curso de Análise de Fantappiè, dado para os alunos da Politécnica e da Matemática, seguiam o seguinte currículo:

As aulas começaram com um curso de Análise até derivações e integração de uma variável, equações diferenciais ordinárias e funções de mais de uma variável (1º ano) mais números reais (Dedekind, determinantes, matrizes e equações lineares (em exames – palpite). No 2º ano, integrais múltiplas, séries de funções e de potências, funções analíticas e estruturas algébricas pelo livro de Van der Waerden além de seminários. Exames de + ou – 3 horas individuais. No 3º ano, curso nemográfico (eq. Dif.) (monográfico). Aulas eram em italiano e as piadas si por quem entendia (CASTRUCCI, apud PIRES, 2006, p. 218).

Por intermédio de Fantappiè, o professor Omar Catunda obteve bolsa de estudos do governo italiano, por quatro meses (de novembro de 1938 a março de 1939) na Universidade de Roma, quando acompanhou os cursos de Francesco Severi e outros mestres.

Em 1939, com o retorno de Fantappiè à Itália, Omar Catunda tornou-se professor interino de Análise Matemática e diretor do Departamento de Matemática da FFCLUSP.

O Departamento de Matemática da FFCLUSP, nas primeiras décadas de sua criação, mostrava-se preocupado, com as teorias matemáticas destinadas aos alunos, de tal modo que concorressem para a formação de pesquisadores. As questões pedagógicas eram reservadas para o último ano letivo do curso, ainda assim facultativamente àqueles que manifestassem tivessem interesse. Dessa forma, a cultura acadêmica voltava-se para os conteúdos matemáticos, não apenas pelo que a matemática representava enquanto ciência, mas também por representar contribuição eficiente à modernidade, cujos ares impregnavam a comunidade acadêmica e a própria sociedade.

C

APÍTULO 7

OMAR CATUNDA, O ENSINO SECUNDÁRIO E O MOVIMENTO DA

MATEMÁTICA MODERNA

A luz, o sol, o ar livre envolvem o sonho do engenheiro. O engenheiro sonha coisas claras: superfícies, tênis, um copo de água. O lápis, o esquadro, o papel; o desenho, o projeto, o número: o engenheiro pensa o mundo justo, mundo que nenhum véu encobre. João Cabral de Melo Neto

Clifford Geertz, em obra intitulada “A interpretação das culturas” (1989), defende o conceito de cultura como essencialmente semiótico60, acreditando que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu. A cultura é o estudo dessas teias, uma ciência interpretativa à procura do significado. Dessa forma, a antropologia interpretativa é um estudo que pretende entender “quem as pessoas de uma determinada formação cultural acham que são, o que elas fazem e por que razões elas crêem que fazem o que fazem” (GEERTZ, 2001).

Procurando, como solicita Geertz, fazer uma interpretação de um acontecimento, perscrutando seu significado, tencionamos identificar como o professor Omar Catunda (1906-1986) concebia as relações entre matemática e seu ensino, apresentando sua trajetória profissional, tomando como base fontes

60 Semiótica: estudo dos fenômenos culturais considerados como sistemas de significados, incluindo as

práticas sociais, comportamentos, etc., além dos sistemas de comunicação (HOUAISS; VILLAR, 2001, p. 2543).

primárias (anuários, revistas) e secundárias, especialmente e suas produções didáticas.

Benzer Belgeler