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4.1. Türkiye’de Kadın Yöneticilerin Durumuna Bakış

4.1.1. Siyasal Kurumlara Katılım

O Estado de São Paulo, após amargar a derrota provocada pela Revolução Constitucionalista de 1932, busca destaque no campo intelectual. O governador Armando de Salles Oliveira (1887-1945), com o apoio de outros intelectuais

52 Segundo Romanelli (2003, p. 213), os acordos firmados atingiram todo o sistema educacional: a) Níveis:

primário, médio e superior; b) Ramos: acadêmico e profissional (com ênfase no primeiro); c) Funcionamento: 1. reestruturação administrativa; 2. planejamento; 3. treinamento de pessoal docente e técnico; d) Controle do conteúdo geral do ensino através do controle de publicação e distribuição de livros técnicos e didáticos.

53 A educação fundamental e média passou a ter a seguinte estruturação: Ensino de 1º grau, com 8 anos de

duração e destinado à formação da criança e do pré adolescente e Ensino de 2º grau, com 3 ou 4 anos de duração destinado à formação do adolescente. Algumas das principais inovações propostas nesta lei, são resumidas por Romanelli: a extensão da obrigatoriedade escolar; a eliminação do dualismo educacional (ensino secundário x ensino profissional); a profissionalização em nível médio; a cooperação das empresas na educação; a integração geral do sistema educacional desde o 1º grau ao superior (ROMANELLI, 2003, p. 253).

54 As mudanças na estrutura universitária observam as seguintes características: integração de cursos, áreas

e disciplinas; centralização da coordenação administrativa, didática e de pesquisa; cursos de vários níveis e de duração diferente; incentivo formal à pesquisa; extinção da cátedra; ampliação da representação nos órgãos de direção às várias categorias docentes, etc. (ROMANELLI, 2003, p. 229).

paulistas como Júlio de Mesquita Filho, Fernando de Azevedo, entre outros, fizeram brotar a idéia da criação da Universidade de São Paulo. Fernando de Azevedo, referindo-se à fundação dessa universidade, escreveu em suas “Histórias da minha vida” (1971, p. 119):

Com Armando Sales, no poder, e Júlio de Mesquita Filho, na direção d’O Estado de S. Paulo, pareceu-nos ter chegado, afinal, oportunidade de criar a Universidade de S. Paulo e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras que seria integrada no sistema. Júlio de Mesquita e eu lutávamos por isso desde 1923 (apud VIDAL, 2000).

Em “Figuras do meu convívio” (1960, p. 98-99), ainda sobre a criação da USP, lê-se:

Ali é que Júlio de Mesquita Filho e eu, tantas e tantíssimas vezes, em cerca de 17 anos, sonhamos juntos a criação e, afinal juntos, projetamos o plano da Universidade de São Paulo, que o seu eminente fundador pôde, em três anos, pela força de seu espírito construtivo, transformar na mais fecunda realidade, inaugurando uma época de pesquisas e rasgando novas perspectivas à educação nacional. (AZEVEDO, apud VIDAL, 2000).

A Universidade de São Paulo foi concretizada pelo Decreto nº 6.283 de 25 de janeiro de 1934 que, ao mesmo tempo, instituiu a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLUSP), sendo idealizada para ser um centro catalisador das demais unidades da universidade, na medida em que esta se apresentaria apta a formar professores e pesquisadores capazes de satisfazer às exigências da vida moderna.

As tradicionais escolas de Direito, Medicina, Engenharia55 e Agricultura eram insuficientes para suprir as necessidades de formação de cientistas e professores, pois eram direcionadas para a formação de profissionais liberais. Urgia, pois, a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras que satisfizesse esses requisitos. Já existiam algumas faculdades de filosofia, como a

55 A Faculdade de Direito foi criada em 1827, a Escola Politécnica em 1893 e a Faculdade de Medicina em

Faculdade de Filosofia de São Bento56, que, entretanto, mantinham-se limitadas ao campo da Filosofia.

Discorrendo sobre a importância da Faculdade de Filosofia, André Dreyfus, em aula inaugural de 1942, justificou que, a ela estava reservado o papel de centro de formação de pesquisadores, dedicados às investigações científicas desinteressadas, aquelas provenientes da ciência pura, responsável, segundo ele, pela invenção de aparelhos voltados ao bem estar da sociedade moderna:

... o cinema falado e os soros terapêuticos, o automóvel e as vacinas, o arranha-céu e a quimioterapia, o avião e as regras dietéticas, o rádio e os animais e plantas selecionados, a geladeira automática, a vitrola e os transatlânticos, tudo, tudo isso foi obra da ciência.

É particularmente notável que, na base de quase todas essas e tantas outras descobertas úteis, estejam pesquisas científicas desinteressadas, feitas sem nenhuma preocupação de ordem prática. Pode-se mesmo afirmar: nenhuma grande descoberta existe que não tenha tido suas raízes em pesquisas de ciência pura (1939-1949, p. 97).

A FFCLUSP iniciou suas atividades em 11 de março de 1934, sob a direção do professor Theodoro Augusto Ramos (1895-1935), o qual fora incumbido pelo Governo do Estado de contratar professores estrangeiros e nacionais de modo a levar adiante a missão de fazer funcionar a recém-criada Faculdade, empenhando-se em romper com o regime de improvisações docentes, buscando renovar e atualizar as práticas educacionais vigentes.

Concebida para ser a célula mater da Universidade, a Faculdade de Filosofia sofreu severas críticas por parte de educadores positivistas, que defendiam uma universidade constituída por organismos isolados, prevalecendo as ciências aplicadas, em conformidade com as escolas politécnicas, faculdades de medicina, de Direito, etc., já instituídas no país (BASSALO, 2005).

56 Criada em 1908, sob a denominação de Faculdade Livre de Philosophia e Lettras de São Paulo, e em

1940, Faculdade de São Bento. A partir de 1936 sofre ampla remodelação a fim de adequar-se às exigências das leis que regulamentam o ensino superior. Somente por meio do Decreto nº 6.526, de 12 de novembro de 1940, seus cursos são reconhecidos e passa a denominar-se "Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento", organizando-se em quatro seções: Seção de Filosofia (compreendendo o curso de Filosofia); Seção de Ciências (compreendendo os cursos de Matemática, Física, Geografia e História, Ciências Sociais); Seção de Letras (compreendendo os cursos de Letras Clássicas, Neo-latinas, Anglo-germânicas); Seção de Pedagogia (compreendendo os cursos de Pedagogia e Didática) (MUCHAIL, 1992).

Segundo o professor Eurípedes Simões de Paula, a escolha pela contratação de professores estrangeiros deveu-se a uma carência de “especialistas à altura de uma faculdade de nível superior”, o que provocou um movimento de oposição à Faculdade promovida por autodidatas, ou aqueles dispostos a lecionar quatro, cinco ou seis disciplinas diferentes, denominados ironicamente por Simões de Paula de “especialistas polididáticos” que se sentiam prejudicados, por terem ficado à margem do processo seletivo para escolha de professores especialistas (1951, p. 57).

Outros setores da sociedade, também não viam com bons olhos a Faculdade de Filosofia. A igreja, por exemplo, julgava que essa faculdade era um antro de ateísmo. Adhemar de Barros, pertencente ao Partido Republicano Paulista (PRP) e nomeado interventor em 1937, também criticava a criação dessa faculdade, obra efetivada pela facção rival, o Partido Constitucionalista, ao qual pertencia Armando de Salles Oliveira.

Em discurso proferido quando paraninfo da turma de 1951 da FFCLUSP, Eurípedes Simões de Paula desabafou: “Essa luta foi longa. Estivemos ameaçados de fechamento, por governantes que nada entendiam da necessidade de pesquisa, nem da formação de um professorado de curso médio de nível universitário” (ANUÁRIO DA FFCLUSP, 1951, p. 53).

Em depoimento para a Revista Estudos Avançados (1994) Erasmo Garcia Mendes registra uma provável participação de um matemático italiano em defesa da manutenção da FFCLUSP:

Assim, a campanha movida por interesses religiosos, políticos ou subalternos chegou a tal vulto que houve a intenção, por parte do governo, de extinguir a FFCL. Essa intenção quase chegou a ser concretizada quando, em uma manhã, do ano de 1938 se não me engano, o Conselho Universitário da USP reuniu-se na Faculdade de Direito para discutir a questão. Para essa reunião foram convidados os Profs. Marcus e Luigi Fantappié. A proposta de se destruir a FFCL só não teve êxito porque, segundo me contou o Prof. Marcus, Fantappié emudeceu os conselheiros com uma brilhante defesa dos objetivos da Faculdade, mostrando que sua extinção seria um inconcebível retrocesso em termos culturais e científicos. Assim, o grande matemático italiano salvou a FFCL.

Não temos dados que nos permitam afirmar se realmente ocorreu essa passagem. Entretanto, o que podemos refletir a esse respeito? Além da forte personalidade de Fantappiè, seu poder de sedução e autoridade que possuía perante o Conselho Universitário, nesse provável debate, exemplifica a dinâmica operada no Conselho Universitário, revelando a crença partilhada e coletiva instaurada nessa instituição, de que a extinção da Faculdade de Filosofia seria um retrocesso, suplantando outros interesses. Definia-se uma posição entre os atores, imposta “segundo suas próprias experiências, seus encontros, suas práticas, e para muitos, segundo suas práticas escolares passadas” (CHARTIER, 2005, p. 26).

Ora, o matemático italiano Luigi Fantappié (1901-1956)57, foi um daqueles professores estrangeiros contratados por Theodoro Ramos, para reger a cadeira de Análise Matemática da FFCLUSP, permanecendo durante o período compreendido entre 1934 e 1939.

Benzer Belgeler