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KUKLAYI KONU ALAN LISANSÜSTÜ TEZLERIN ANALIZI

TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERILER

Passo a relatar agora algumas cenas da observação diagnóstica, nas quais ocorreram práticas musicais no cotidiano da Escola X, na busca de conhecer as que foram realizadas pelas professoras da educação infantil, assim como os momentos em que aconteciam.

A partir da primeira semana do estudo exploratório até o fim do período da intervenção, pude observar a rotina da Escola X e entender seu funcionamento, disposto sobre a seguinte sequência de atividades e horários:

Atividade Horário

Boa tarde 13:30 às 14:00

1º horário 14:00 às 15:40

Intervalo 15:40 às 16:20

2º horário 16:20 às 17:30

Havia uma prática musical constante no cotidiano escolar, que acontecia regularmente em todo o período do estudo exploratório e da minha intervenção: a atividade do “boa

69 Às vezes, uma das crianças do turno matutino ficava em horário integral e se integrava ao grupo. 70 Ainda não diagnosticado.

tarde”71! Era a primeira atividade da tarde, que se iniciava às 13:30 e finalizava às 14hs. Era o

eixo principal do trabalho com música, e consistia em reunir as crianças no salão e propor uma atividade interativa, que geralmente envolvia música. A cada semana, uma dupla de professoras era responsável por planejar e conduzir a atividade. Como exemplo, apresento algumas cenas dessa atividade:

╔ CENA 1 ╗ À medida que iam chegando, as professoras reuniam todas as crianças da educação infantil no “salão do espelho” a fim de realizar o "boa tarde". Após perguntar sucintamente sobre as férias, a professora C fala às crianças sobre o ato de cumprimentar. Ela inicia então um canto à capela:

"Olá, como vai? Olá, como vai? Eu vou bem, eu vou bem, e você? Vai bem também? Legal, legal, legal, legal, legal, legal legal! (E repete)".

As professoras dão o comando para que cada criança escolha um colega e, demonstrando a coreografia, pedem que elas as imitem. Após dançarem livremente pelo espaço, as docentes indicam às crianças que realizem a coreografia em roda (Diário de campo, 04/02/14).

╚ ╝ ╔ CENA 2 ╗ A canção de hoje foi "Tem bicho que dorme em pé". As professoras da educação infantil colocam um CD, em equipamento de som ruidoso e de pouca definição sonora. Assim que a música se inicia, elas apresentam uma coreografia a ser imitada pelas crianças, que consiste em representar com posturas físicas as ações da canção: “Tem bicho que dorme em pé, tem bicho que dorme deitado, tem bicho que dorme até, dorme até sentado” (Diário de campo, 18/02/14).

╚ ╝ Após o “boa tarde”, cada professora convidava sua turma para irem para suas respectivas salas. Outras cenas musicais aconteceram a partir deste momento até o final do turno diário. No dia 11 de fevereiro, fui convidado pela professora C para acompanhá-la ao Jardim II no primeiro horário. Sua proposta de trabalho girava em torno da pré-alfabetização e, em uma atividade, solicitou-me acompanhar ao violão a canção “Gente tem sobrenome”

71 Apesar da concordância ser “a boa tarde”, as professoras se referem à atividade como “o boa tarde”, no sentido

(Toquinho). Todas as professoras trabalhariam esta canção, no contexto da identidade. Na sala ao lado, a professora B ligou a mesma canção do CD no modo repeat, tocando-a umas dez vezes em sequência.

No encontro seguinte com eles, em 13 de fevereiro, a professora C trabalhou a ideia de que as pessoas têm um sobrenome na primeira atividade após o “bom tarde”. Sentados em roda, no chão, as crianças escutavam os comandos da professora sobre o que dizer, onde sentar. Ela pedia que cada uma dissesse seu sobrenome. Após este momento, houve o convite para interagir musicalmente com o grupo:

╔ CENA 3 ╗ Após todos dizerem seus sobrenomes, a professora informou que trabalharia a canção. Leria a letra para as crianças e depois colocaria o CD. Como o som não estava na sala, sugeri a ela que trabalhássemos diretamente com o violão. Ela aprovou e, antes que as crianças pudessem perceber através de seus próprios olhos e ouvidos, foi logo dizendo, sem atiçar a curiosidade delas: “O tio Daniel trouxe uma surpresa – um violão!”.

Quando cheguei à sala, tive o ímpeto de passar o violão para as crianças tocarem. Mas antes que eu pudesse me pronunciar, a professora comandou que todos ficassem quietos, sentados e prestassem atenção, pois já ia começar a canção. Cantei a canção em um andamento mais lento que o normal, duas vezes e com a voz bem articulada. Cantei a primeira estrofe devagar, perguntando o que eles estavam entendendo, concentrando mais na primeira e segunda estrofe. Ao tocar, viam-se olhares atentos e curiosos. Uma foto foi feita pela professora, para mostrar a espontaneidade e participação das crianças.

A professora indicou a segunda parte desta atividade, em que as crianças deveriam escrever com giz seu nome e sobrenome no chão. Nenhuma delas conseguiu escrever o nome e sobrenome naquele momento. Ao mesmo tempo, eu tocava no violão calmamente uma música instrumental.

Após o lanche e o recreio, a turma retornou para uma segunda atividade, onde escreviam no caderno pautado seu nome e sobrenome em letra bastão (Diário de campo, 13/02/14).

╚ ╝ As vivências relatadas nas cenas acima puderam situar-me quanto ao cotidiano da comunidade escolar, e também à prática pedagógica das professoras da educação infantil da Escola X. Desta forma, procurei observar os elementos que me ajudassem a desenvolver os critérios iniciais para planejar a intervenção, assim como a maneira mais orgânica de inserir-

me no grupo e relacionar-me com as professoras e as crianças, conforme apresento no próximo capítulo.