formas (unitário, regional, autônomo, federativo e confederativo) institucionalizadas pelo grau de centralização ou descentralização do poder.
Figura 1 – Gêneros e formas do Estado moderno
Fonte: Autor (2012).
a) Estado Unitário: igualmente cognominado de Estado Único, concebe a forma tradicional do Estado, onde o poder central é desempenhado em todo o território nacional sem as restrições impostas por outra fonte do poder local. Como exemplo, destacam-se, na Europa o Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca, e Suécia; na América o Uruguai, Paraguai, Cuba, e Venezuela; na Ásia a Coréia do Norte e República Popular da China; na África o Egito, Senegal, e República Democrática do Congo;
b) Estado Regional: também chamado de Estado Geográfico, representa a descentralização das atividades administrativas estatais, implicando na concepção de regiões conferidas de personalidade jurídica. As regiões são
Estado Unitário
(Simples)
Estado Regional
(Simples)
Estado Autônomo
(Simples)
Confederação de Estados
(Composto)
Estado Federativo
(Composto)
territórios que somadas compõe o Estado, isto é, são unidades integrantes do território nacional; possuem autonomia legislativa, todavia estão subjugadas a autoridade direto de um poder central. Para muitos autores o Estado Regional é um Estado Unitário que acolhe aguda descentralização nas regiões. A França, Itália e Portugal são exemplos basais contemporâneos dessa forma de Estado; c) Estado Autônomo: igualmente denominado de Estado Autonômico, implica na
presença de comunidades autônomas, conferidas de governo, parlamento e estatuto próprio, em consonância com a Constituição do Estado do qual integra. Normalmente surgem por fatores culturais de minorias étnicas que procuram identificação exclusiva segregando-se da cultura prevalecente do país. A Espanha configura-se como o exemplo mais efetivo de Estado Autônomo em voga, com acentuada descentralização administrativa e legislativa para suas comunidades;
d) Confederação de Estados:é um conjunto de Estados Soberanos, unidos através de acordos formais de cooperação, atrelados as necessidades de segurança e vantagens econômicas, sobretudo, comerciais. Não exclui a agregação política, porém, preservam a possibilidade unilateral de segregação para cada um de seus membros formadores. É normalmente regido por um órgão político de caráter diplomático onde suas decisões apresentam caráter de recomendação e não de lei. Suas determinações são votadas institucionalmente, pois, é uma assembleia de governos e não uma associação entre povos. Como exemplo coevo de Confederação de Estados, temos a União Europeia (UE).
e) Estado Federativo: também designado de Federalismo, sugere um arranjo composto por uma repartição de competência entre o governo nacional e os governos estaduais e municipais, de modo que a União mantenha a exclusividade da supremacia perante os estados e municípios e estes sejam esferas auferidas de autonomia constitucional diante da mesma União. Os principais modelos de estado federativo do mundo são os Estados Unidos (país fundador do federalismo moderno), Canadá, México, Alemanha, Rússia, Austrália, Índia, Argentina e Brasil.
2.2 A centralização de poder e o Estado Unitário
Composto como a forma histórica doutrinaria do Estado moderno, o Estado Unitário é instituído por um poder central executado impositivamente e exclusivamente sobre todo o território nacional. É a unicidade do poder, tanto na estrutura quanto no exercício do mando, o que bem caracteriza o monopólio político do governo central.
Argumentando sobre esta conjunção, Azambuja (1993, p.323-324) assevera que:
O tipo puro do Estado Simples é aquele em que somente existe um Poder Legislativo, um Poder Executivo e um Poder Judiciário, todos centrais, com sede na Capital. Todas as autoridades executivas ou judiciárias que existem no território são delegações do Poder Central, tiram dele sua força; é ele que as nomeia e lhes fixa as atribuições. O Poder Legislativo de um Estado Simples é único, nenhum outro órgão existindo com atribuições de fazer leis nesta ou naquela parte do território.
Ressalta-se que mesmo formalizando um centralismo político, o Estado Unitário não atalha em sua plenitude a descentralização administrativa. Ordinariamente, o Estado Único pode ser decomposto em jurisdições e comunas que dispõe de atinente autonomia em relação aos serviços de seus interesses, tudo, porém subjugado aos ditames precedentes impostos pelo poder central e nunca como auto-organização ou poder próprio. Sobre isso, Lima (1957, p.178) afirma que:
O Estado Unitário é o Estado Padrão. A teoria clássica da soberania nacional foi concebida em referência a essa forma normal de Estado, e as características da soberania – unidade, indivisibilidade, imprescritibilidade e inalienabilidade – só ao Estado Unitário se aplicam integralmente.
O termo unidade no contexto soberano do Estado Unitário deve ser compreendido como uma forma de organização política única, individual e não plural. Reforçando a expressão adjacente a palavra indivisibilidade elimina da forma citada de Estado qualquer sentido plausível de segregação conduzida por esferas inferiores de poder. Já o princípio da imprescritibilidade deve ser entendido como o poder que não pode ser prescrito, ordenado, alterado ou simplesmente revogado. Finalmente, a terminologia inalienabilidade notifica a impossibilidade legal da transferência de poder do centro para subunidades governamentais.
Desse modo, o contorno unitário do Estado, por muitos autores, é considerado o mais simples, o mais coerente e o mais uniforme. O poder jurídico, o poder legislativo e o poder administrativo se constituem em uma homogênea ordem orgânica, aludida exclusivamente a um povo, singularmente a um território, e, sobretudo, soberana.
Figura 2 – Características do Estado Unitário
Fonte: Autor (2012).
Destaca-se que o centralismo exposto pode ser observado por vários aspectos. Na ordem política a unicidade e exclusividade se fazem acompanhada do domínio jurídico, com legitima exclusão de toda a normatividade plural de esferas inferiores de poder que se contraponham a Constituição Federal.
No contexto administrativo, segundo Burdeau (1957) materializa-se a execução empírica do centralismo. Aplicação que conduz normalmente a um apresto da lei ou a uma gestão dos serviços, por meio de agentes que estão no poder, geralmente avulsos ao ambiente que as leis imperam ou do grupo a quem interessam os serviços.
Para Dabin (1939) também merece ser destacado no Estado Único o centralismo territorial e material. Pelo primeiro, o poder do Estado é extensivo, ou seja, estendido em cada porção do território nacional. Pelo segundo, o poder do Estado é intensivo, ou seja, as competências do governo central são cada vez mais incisivas sobre as matérias ou objetos que antes se limitavam as ações dos governos estaduais ou municipais.
Porém, salienta-se, que mesmo o sistema jurídico do Estado Unitário apresentando um só direito, orientado pela Constituição Nacional, com legislação aceita em toda sua extensão territorial, pode vigorar a flexibilização do princípio da inalienabilidade, com oportuno repasse do poder político do governo central para planos inferiores de governo, tal fato é denominado de Estado Devolvido.