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O Estado é a organização mais relevante perante a coordenação e controle social criada ao longo da história humana, podendo ser deliberado como sendo uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normatizado por uma lei máxima escrita, normalmente expressa como a Constituição Nacional, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto no contexto interno como no cenário internacional.

Para o jurista, economista e sociólogo alemão Weber (1994) o Estado seria uma instituição política que, conduzida por um governo soberano, arresta a licitude do monopólio da força física, em determinado território, subjugando o coletivo que neste se estabelece. Por conseguinte, a existência plena de um Estado está atrelada a atuação efetiva de sua independência organizacional e de uma privativa soberania dentro de seu território, detendo inclusive o direito de aplicação dos meios de acometimento para alcançar tais objetivos.

Hodiernamente, o Estado soberano é sintetizado pela coordenação harmônica entre um governo, um povo e um território. Como governo deve ser compreendido o grupo transitório de pessoas responsável pela execução do contrato social ou simplesmente, o grupo político que rege um Estado por um determinado momento. O termo governo é comumente empregado para designar a instância máxima de administração executiva, ordinariamente reconhecida como a liderança de um Estado ou uma nação. Por possuírem tamanhos variados os Estados podem ter vários níveis de governo conforme sua organização política determinando diretamente sua fragmentação de poder. A mais habitual inclui a existência de governos regionais e locais subordinados a um governo nacional.

Já o território configura-se como a jurisdição sob a posse do Estado, consolidando no estudo da ciência política o termo Estado-nação e imbuindo ao mesmo a definição do espaço sobre a qual se exerce a soberania. Pode ser demarcado como o ambiente físico sobre o qual o Estado desempenha seu poder. Nos termos das relações diplomáticas internacionais é o âmbito de legitimidade da ordem jurídica estatal e uma das condições para a existência e o reconhecimento de um país (sendo as outras duas a nação e o próprio Estado).

A população deve ser compreendida como o conjunto de pessoas que estejam e permaneçam no território em tutela do Estado, em um exato momento, incluindo residentes, estrangeiros e apátridas. Sob esse aspecto a população é um dado basicamente estatístico, que independe de qualquer laço jurídico de sujeição ao poder estatal. Já o povo deve ser apreciado pelo vínculo do indivíduo ao Estado através da nacionalidade ou cidadania. Logo, a população

torna-se nação quando os indivíduos que habitam esse território possuem elementos de concordância e harmonia, formando vínculos de coesão. A população por si é um conceito puramente quantitativo (demográfico). Já o povo é um conceito qualitativo (político-social).

Por fim, a soberania deve ser percebida como o exercício do poder social do Estado por meio da qual as normas e disposições ordenadas pelo mesmo se sobrepõem sobre as normas e decisões derivadas de outros grupos, tais como a igreja, a família, a escola. Neste sentido, no âmbito interno, a soberania estatal explana a superioridade e autodeterminação do Estado. No domínio externo, a soberania ilustra a igualdade da nação diante das demais, bem como a exclusividade do Estado em expressar os interesses nacionais no cenário internacional. Já a autonomia é o atributo dado a um território ou a uma organização, pelo Estado, de constituir com liberdade suas próprias leis ou normas. Em outras palavras, o termo autonomia é usado para indicar a concessão de poder por parte de um governo central em favor de governos regionais ou locais, segundo o princípio da subsidiariedade.

A subsidiariedade é um conceito aplicado nos estudos econômicos, sociais e políticos, propendendo exaltar o desenvolvimento das disposições individuais de autodeterminação e responsabilidade pessoal. Destarte, as tarefas, as atividades ou as dissoluções de problemas devem ser concretizados de modo autodeterminado e auto-responsável pelo indivíduo ou organização que recebeu junto às atribuições relativa à independência.

Avulso a acepção dada ao Estado, pessoa jurídica de direito público, a este modernamente são atribuídas cinco estruturas fundamentais: a estrutura pública, como representação dos interesses da coletividade (bem-estar social); a estrutura política, como expressão dos poderes a si inerentes; a estrutura social, exprimindo classes e categorias, a serem utilizadas como auxiliares para a equitativa repartição da renda corrente e da riqueza acumulada; a estrutura militar, com vistas à segurança nacional e à ordem interna; e a estrutura econômica, a significar a organização e a composição das unidades e dos agregados de produção, distribuição e consumo, bem como, seus antagonismos.

Assim, como forma de melhor compreender o sentido do Estado e de seu papel na organização social considerando em conjunto a composição e a estrutura administrativa pública, a relação entre soberania e autonomia governamental e a integração e distribuição geográfica nacional, este capítulo busca discorrer sobre os tipos contemporâneos de Estados, definidos com ênfase na configuração e na intensidade do rateio do poder entre as distintas esferas intergovernamentais. Merecendo proeminência o Estado Federativo e a sua evolução na conjuntura brasileira com evidência para o momento atual circunscrito inicialmente a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988.

2.1 Os gêneros e as formas dos Estados modernos

Uma demarcação de Estado moderno abrange inúmeras dificuldades, dimanadas especialmente do problema de avaliar com profundidade as múltiplas relações que se instituíram entre o Estado e o complexo social, e a de captar, posteriormente, as suas consequências sobre a racionalidade interna do sistema político. Para o estudo que se segue a abordagem pertinente acena particularmente para a investigação da divisão político- geográfico entre o governo central e os governos regionais. Em outras palavras, o estudo em curso delimita-se a analisar as formas de Estado vigorantes a partir do modo de rateio do poder político e administrativo entre as diferentes esferas de governos existentes.

Dentro dessa conotação balizadora, para Conti (1994) temos dois gêneros de Estado