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obrigações dos cidadãos e das instituições e, sobretudo, garantindo a soberania do governo central perante os governos locais, independente do nível de autonomia das comunidades. Por

Estado

Autônomo

Soberania: Única Lei Básica: Constituição Tipo de Direito: Interno Secessão: Não Permite Competência: Centralizada com Autonomia por Etnia

conseguinte, nenhuma outra lei no país pode afrontar qualquer aspecto exposto no texto constitucional.

Deste modo Greertz (1998, p. 349) menciona que o Direito é:

Uma forma de ver o mundo, semelhante [...] à ciência, ou à religião, ou à ideologia, ou à arte – mas que, no caso específico do direito, vem acompanhado de um conjunto de atitudes práticas sobre o gerenciamento de disputas que essa própria forma de ver o mundo impõe aos que a ela se apegam.

Em busca de discutir identidade e autonomia como forma de preservar a integridade territorial e a conformidade nacional, o Estado Autônomo procura conciliar a diversidade étnica com as especificidades administrativas, em face de superar sistemáticas violações de direitos, geradas tanto pela administração central quanto pelas gestões regionais.

Como modelo efetivo do Estado Autônomo, a Espanha congregou na Constituição de 1978 a possibilidade de suas províncias estabelecerem regiões por meio da laboração de estatutos de autonomia que deveriam ser submetidos ao julgamento do Parlamento Espanhol (Cortes Gerais) que, quando deferidos, gerariam legalmente a criação de regiões autonômicas. O estatuto de autonomia se transformaria em uma lei especial, estando a cada cinco anos, plausível de revisão.

Como decorrência desse pressuposto a Espanha acabou por estabelecer uma divisão interna provida de dezessete comunidades autônomas (Andaluzia, Aragão, Astúrias, Baleares, País Basco, Ilhas Canárias, Cantábria, Catalunha, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Estremadura, Galiza, La Rioja, Comunidade de Madrid, Região de Múrcia, Comunidade Foral de Navarra, e Comunidade Valenciana) e duas cidades autônomas (Ceuta e Melilla), usufruindo estas de estatuto intermediário entre o município e a comunidade.

Na prática, a Espanha é um país com legalidade unitária, mas com a legitimidade de uma federação descentralizada de comunidades autônomas, tendo cada uma destas, níveis distintos de autonomia. As altercações dentro desse sistema se fazem pela diferença no processo de cessão de responsabilidades do governo central para cada região.

Nas comunidades onde prevalece uma maior homogeneidade étnica interna e com exasperada dintição externa (comparada ao resto do país) são normalmente àquelas que buscam um tipo de relação mais federalista com o Estado, consequentemente, prevalecendo maior grau de autonomia. São denominadas Comunidades Autônomas de Regime Especial e correspondem a cinco regiões (Andaluzia, Catalunha, Galiza, Navarra e País Basco).

As outras comunidades também são autônomas, no entanto, comparadas as anteriores apresentam níveis de liberdade política e administrativa menor. São chamadas de

Comunidades Autônomas de Regime Comum. Ressalta-se que a Constituição espanhola preve que ao longo do tempo, estas comunidades possam adquirir gradativamente maior autonomia.

Figura 7 – Comunidades e cidades autônomas espanholas

Fonte: Mundi Imagem (2012).

No cenário europeu, a Espanha é considerada o país mais descentralizado, pois todos os seus distintos territórios gerenciam de forma local seus sistemas de saúde e educação. Além disso, alguns deles, como o País Basco (também denominado de Euskadi) e Navarra, administram suas receitas e despesas sem intervenções do governo central espanhol, que apenas superviona. Catalunha, Navarra e o País Basco também possuem suas próprias polícias inteiramente operativas e totalmente autônomas do governo central. Com exceção de Navarra (que a polícia é nomeada Polícia Foral de Navarra), tanto a polícia da Catalunha (Mossos d'Esquadra) como a polícia do País Basco (Ertzaintza) suprem as atribuições da Polícia Nacional da Espanha em suas referentes jurisdições.

Apesar do acentuado grau de autonomia, no País Basco prevalece historicamente fortes tendências de independência, explicitado em sua própria definição, que apesar do termo país constitui-se em um território de vinte mil quilômetros quadrados entre a Espanha e a França (com noventa por cento de sua área localizado em terras espanholas), com acentuada atuação de organizações terroristas separatistas como destaque para o Euskadi Ta Askatasua (ETA), que significa "Pátria Basca e Liberdade".

2.5 União descentralizada de Estados soberanos

No contexto das relações internacionais, a Confederação de Estados é uma união de Estados soberanos, formalizada através de pactos, com objetivo precípuo de favorecimento mútuo entre os pares formadores, envolvendo, notadamente, aspectos militares, tributários, monetários, trabalhistas, e comerciais. Para Jellinek (apud AZAMBUJA, 2001, p. 35) a Confederação de Estados é uma afluência:

Contradual de Estados indepencdentes que se unem com o objetivo de defender o território da Confederação e assegurar paz interior, além de outras finalidades que podem ser pactuadas. Essa união, para atingir seus objetivos, necessita de uma organização permanente, mas não fere a soberania dos Estados confederados, que apenas se obrigam em comum certas funções ou exercê-las em casos determinados.

Desse modo, como intuito político contemponâneo, as Confederações são especialmente formas restritas de associações estáveis de Estados avulsos que se unem para seguir ações internas homogêneas e atuarem externamente de modo agregado (diante de outros Estados não membros). Como a competência administrativa é decentralizada, a administração é indireta, ou seja, os Estados soberanos transferem, por contrato ou ato unilateral, o desempenho de algumas de suas funções para a Confederação, que como ente delegado desempenhará estas imputações em seu próprio nome e por sua conta e risco, sob a fiscalização dos Estados-membros soberanos. Contrário ao Federalismo, a delegação das Confederações é efetivada normalmente por prazo indeterminado, porém, passível de supressão a qualquer momento por qualquer Estado-membro formador.

Como exacerba Jellinek, mencionado na obra de Lima (1957, p. 16):

A confederação é uma forma instável da união política; a união só pode existir enquanto aos Estados componentes convier; os Estados guardam como corolário natural de sua soberania política a possibilidade de, a todo tempo, se desligarem da união, segundo a fórmula os Estados não foram feitos para o acordo, mas o acordo para os Estados.

Assim, os Estados confederados não padecem de qualquer limitação à sua soberania, nem perdem a personalidade jurídica de direito público internacional. Contudo, paralelo aos Estados soberanos, vinculados por acordos formais, surge a Confederação, como ente supra- estatal, com atribuições e autoridades instituídas.

De modo majoritário, as Confederações de Estados são geridas por uma assembleia constituída por representantes de todos os Estados-membros, que escolhem através de votação seus lideres que regularão os direitos e deveres de todos os confederados que serão aplicados

de modo idêntico. Como intuito, se busca que as deliberações desta assembleia sejam adotadas por unicidade, porém, sempre que não for possível, que as decisões sejam ratificadas com unanimidade, admiti-se a todos os Estados-membros o direito de nulificação pelo qual o país confederado pode se contrapor às disposições aceitas pelo órgão central.

Figura 8 – Características da Confederação de Estados

Fonte: Autor (2012).

Observando pelo aspecto histórico, Prélot (1961) e Le Fur (1896) afirmam que a Confederação se constitui como prerrogativa natural para a gênese das Federações. Abona essa afirmação o histórico formativo de vários países federativos, como por exemplo, os Estados Unidos e a Alemanha. Os Estados Unidos fundou-se em 1778 como uma Confederação, formalizada pelos escritos de 1777 dos Artigos da Confederação que atrelava “As Treze Colônias” para manutenção da soberania, mas, com capacidade de autogoverno, prevalecendo até 1787 quando uma convenção constitucional foi formada para a elaboração de um governo nacional com plenos poderes. Já a Confederação Germânica foi uma associação política e econômica estabelecido pelo Congresso de Viena em 1815, constituída por trinta e nove Estados regidos pela Áustria, perdurando até 1866 quando foi sucedido pela Confederação da Alemanha do Norte, com estrutura isomorfa a anterior, mas, sob domínio prussiano, que persistiu até 1871 quando finalmente foi estabelecido o Império Alemão, regido por um Estado Federativo.

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