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O nível de análise da pesquisa foi organizacional e para delimitar a unidade de análise seguiram-se duas etapas. A primeira consistiu na realização de um estudo, de caráter exploratório, com vistas a mapear e identificar as organizações que houvessem implementado o Balanced Scorecard na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), localizada no Estado de Minas Gerais. Essa etapa mostrou-se necessária, em virtude da não-existência de uma base de dados ou de um relatório oficial que contivesse tais informações.

A escolha do Estado de Minas Gerais deveu-se à sua posição de suma importância no cenário nacional. Com uma participação de 9,32% do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao PIB brasileiro e de 16,53% em relação ao PIB da região sudeste, esse Estado representa a terceira economia do país. A sua população abrange 17,89 milhões de habitantes, (IBGE, Censo 2000), dispersa em 586.528,29 km², representando 10,5% da população do Brasil. Do total de quase 18 milhões, 82% (14,7 milhões) de habitantes do Estado residem na região urbana.11 Já a capital do Estado - Belo Horizonte - tem cerca de 2,3 milhões de habitantes, apresentando 1,38% de participação do PIB em relação ao PIB brasileiro, o que representa o 5º lugar entre os municípios do país. Em relação ao PIB do Estado a sua participação é de 14,85%.

A capital Belo Horizonte, junto com outros 33 municípios de grande importância econômica, como Betim e Contagem, forma a região mais importante do Estado – a Região Metropolitana

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Fonte: http://www.ibge.gov.br . Acesso em: 03/05/2005. Os dados do PIB são da diretoria de pesquisas, coordenação de contas nacionais, ano 2002. Já os dados da população são do censo demográfico do IBGE, 2000.

de Belo Horizonte (RMBH)12, com 4,3 milhões de habitantes (que representa 24% da população do Estado), concentrados principalmente na região urbana (97%). Essa região representa 34,44% em relação ao PIB do Estado; 5,69% em relação ao PIB da região sudeste e; 3,21% em relação ao PIB brasileiro, o que indica a sua relevância no contexto do Estado de Minas Gerais, justificando a escolha da mesma para a realização da pesquisa.13 Além disso, outro fator considerado para a escolha da RMBH, foi a questão da acessibilidade, em função do tempo disponível para realização da pesquisa e dos recursos financeiros disponíveis.

Para a obtenção de tais informações, buscou-se identificar empresas certificadas e reconhecidas pelo BSCOL14, pela excelência na prestação de serviços de consultoria voltados para a aplicação do sistema de gestão BSC. Duas empresas foram, então, selecionadas. A primeira empresa (Consult1) contactada é certificada pelo BSCOL para a utilização do FLEXSI (software de aplicação do BSC). Assim como a consult1, a segunda empresa (Consult2) contactada, apresenta a certificação do BSCOL. Nesse caso, entretanto, lhe foi concedida a autorização para a divulgação e aplicação do BSC na América Latina.

Vale destacar que, ainda nessa etapa, informações adicionais foram obtidas mediante indicações de pessoas que conheciam empresas que estavam adotando o BSC além de, terem sido realizadas pesquisas bibliográficas e na internet.

O estudo exploratório propiciou, assim, a identificação de cinco empresas que teriam adotado o Balanced Scorecard na RMBH, este considerado como o universo da pesquisa. Tais empresas são apresentadas no QUADRO 1. Cabe relembrar, entretanto, que a realização do estudo exploratório e a delimitação de um universo (ou população) da pesquisa foram, tão somente considerados, como critérios para a obtenção do conhecimento das empresas que houvessem adotado o BSC na RMBH, e a posterior seleção daquelas a serem pesquisadas, uma vez que, conforme já salientado, não havia um relatório oficial ou qualquer outra forma de obter tais dados e que apresentasse TODAS as empresas incluídas nesse critério.

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Fonte: http://www.pbh.gov.br e http://www.ibge.gov.br. Acesso em:02/05/2005. A RMBH inclui 34 municípios: Baldim, Belo Horizonte, Betim, Brumadinho, Caeté, Capim Branco, Confins, Contagem, Esmeraldas, Florestal, Ibirité, Igarapé, Itaguara, Itatiaiuçu, Jabuticatubas, Juatuba, Lagoa Santa, Mário Campos, Mateus Leme, Matozinhos, Nova Lima, Nova União, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Rio Manso, Sabará, Santa Luzia, São Joaquim de Bicas, São José da Lapa, Sarzedo, Taquaraçu de Minas e Vespasiano. O censo demográfico 2000 do IBGE, não inclui o município de Itatiaiuçu.

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Fonte: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 03/05/05. Os dados do PIB são de 2002 e são a preço de mercado. 14

QUADRO 1

Empresas que adotaram o Balanced Scorecard na Região Metropolitana de Belo Horizonte - RMBH

Empresa Sede da empresa Setor de atuação

1 Tim Maxitel (*) Belo Horizonte –

MG Telefonia móvel

2 Acesita (*) Belo Horizonte –

MG

Metalurgia e Mineração

3 TV Alterosa (*) Belo Horizonte –

MG Televisão

4 Gerdau Açominas S/A (*) Belo Horizonte –

MG

Metalurgia e Mineração 5 CEMIG – Cia. Energética de Minas Gerais S/A Belo Horizonte –

MG

Setor Público Energia Elétrica Fonte: Elaborado pela autora

(*) empresas excluídas

Ressalta-se, entretanto que, apesar da realização do estudo exploratório com o objetivo de identificar as empresas que haviam adotado o BSC na RMBH, tal definição da população é restrita, não correspondendo “ao conjunto de TODOS [grifo da autora] os casos que se amoldam a uma série característica de especificações” (SELLTIZ et al, 1965, p.591). A amostragem foi, pois, não-probabilística, uma vez que não havia um meio de avaliar a probabilidade que cada elemento teria nela ser incluído na amostra, nem a garantia de que todos os elementos tivessem alguma chance de serem incluídos. Por conseguinte, não foi feito o uso de formas aleatórias de seleção (SELLTIZ et al, 1965; LAVILLE e DIONNE, 1999). Dentre os diversos tipos de amostragem não-probabilística, foi utilizado, no presente estudo, a “amostra intencional”, tal qual definido por Selltiz et al (1965) e Laville e Dionne (1999), e cuja suposição básica está baseada no bom discernimento e no uso de uma estratégia adequada para a escolha dos casos a serem incluídos, tendo em vista os objetivos da pesquisa. Uma estratégia comum da amostra intencional, segundo Selltiz et al (1965, p.604) “consiste em escolher casos que são considerados típicos da população em que se está interessado, supondo-se que os erros de critério na seleção tendem a se contrabalançar mutuamente”. Assim, para a seleção dos casos, buscou-se, a partir dos objetivos da pesquisa e das escolhas explícitas da pesquisadora, conforme sugerem Laville e Dionne (1999), estabelecer critérios, definidos da seguinte forma: (a) local de atuação da sede/matriz: Região Metropolitana de Belo Horizonte e (b) acessibilidade, dada às restrições de tempo e de recursos para a realização da pesquisa. A partir da definição de tais critérios, as cinco empresas previamente mencionadas foram selecionadas, sendo estas consideradas como as unidades de análise nas quais seriam realizados os estudos de casos múltiplos.

Antes, entretanto, de realizar a pesquisa, julgou-se necessário, já na segunda etapa da delimitação da unidade de análise, realizar uma entrevista preliminar com as cinco empresas selecionadas, com vistas a obter, dentre outras informações relacionadas ao BSC: (a) a confirmação ou não da sua efetiva adoção e uso; (b) o seu nível de abrangência (toda a empresa, ou apenas algumas áreas).

Tais entrevistas foram realizadas por telefone em junho de 2004 e, seguiram um roteiro previamente definido, conforme APÊNDICE A. Os entrevistados foram indicados por alunos do mestrado em administração da UFMG, do CEPEAD. Assim, das cinco empresas iniciais, três foram excluídas nessa fase – TIM Maxitel, TV Alterosa e Acesita. As duas primeiras por terem interrompido o processo de implementação do BSC e a última por afirmar que a abrangência do BSC se restringia a apenas uma das áreas.

Seguindo, portanto os critérios previamente definidos e devido à exclusão de três empresas, apenas duas empresas das cinco selecionadas inicialmente foram definidas como unidade de análise do presente estudo: (1) Gerdau Açominas e (2) CEMIG. A intenção inicial era, dessa forma, realizar estudo de casos múltiplos, cujas provas segundo Yin (2001) são mais convincentes, sendo o estudo visto como mais robusto. O objetivo era obter uma “replicação literal” (a partir de resultados semelhantes), ou uma “replicação teórica (que produzisse resultados contrastantes), conforme destaca Yin (2001, p.69). Entretanto, apesar da realização de uma entrevista na Gerdau Açominas, não foi possível dar continuidade à coleta de dados na empresa, devido às restrições colocadas por ela quanto ao fornecimento de informações e disponibilização dos funcionários para a realização das entrevistas. Devido, portanto, à inacessibilidade tal empresa foi excluída do estudo.

Em face de tais constatações, o estudo de caso definido inicialmente como sendo múltiplo ficou restrito a um estudo de caso único na empresa CEMIG, esta consistindo na unidade de análise. Destaca-se todavia que, conforme salienta Yin (2001, p.62), este foi considerado um “caso decisivo”, utilizado pra “confirmar, contestar ou estender a teoria”, representando uma importante contribuição à base de conhecimento e à construção da teoria. Além disso, vale mencionar que o estudo de caso único, conquanto perca em abrangência, permite uma análise mais detalhada e fecunda, ganhando-se em profundidade.

A empresa selecionada como unidade de análise para a realização do estudo de caso único – a CEMIG – representa um modelo do setor elétrico, sendo considerada uma das maiores

empresas integradas do Brasil, a quarta maior do mundo e, apresentando uma das maiores redes distribuidoras da América Latina (CEMIG, 2004). Além disso, destaca-se o seu caráter de importância e representatividade no cenário nacional. Os aspectos relacionados à empresa CEMIG que constitui à unidade de análise são apresentados em um tópico específico no capítulo cinco.

Benzer Belgeler