• Sonuç bulunamadı

A pesquisa foi do tipo descritiva, tendo em vista o objetivo nela enunciado, que envolve fundamentalmente a descrição e análise das contribuições da adoção do Balanced Scorecard para a gestão estratégica da empresa. Esse tipo de pesquisa, segundo Selltiz et al (1965), busca descrever um fenômeno ou situação em detalhe, especialmente, o que está ocorrendo, permitindo abranger com exatidão as características de um indivíduo, uma situação, ou um grupo, bem como desvendar a relação entre os eventos. O seu propósito foi tão somente “verificar a presença ou ausência de um determinado fenômeno” (RUDIO, 1980, p.11), para melhor compreendê-lo, sem, no entanto, assumir o compromisso de explicá-lo, conhecendo e interpretando, dessa forma a realidade, sem nela interferir (VERGARA, 2000). O mais importante foi a clara formulação do que e quem seria avaliado e a eficácia e boa fundamentação das técnicas para a avaliação (SELLTIZ et al, 1965).

Quanto à estratégia, utilizou-se neste estudo, uma conjugação da abordagem qualitativa e quantitativa. A abordagem qualitativa caracteriza-se por ser de “natureza não-estruturada, exploratória, baseada em pequenas amostras, que proporciona insights e compreensão do contexto do problema” (MALHOTRA, 2001, p.155). O uso dessa abordagem propiciou o aprofundamento da investigação das questões relacionadas ao fenômeno em estudo e das suas relações, mediante a máxima valorização do contato direto com a situação estudada, buscando-se o que era comum, mas permanecendo-se, entretanto, aberta para perceber a individualidade e os significados múltiplos, conforme propõe Gil (1994). O objetivo foi obter uma melhor visão e compreensão do contexto do problema, mediante a caracterização e interpretação da realidade organizacional, a partir, principalmente, da percepção e compreensão dos entrevistados (MOREIRA, 2002; CHIZZOTTI, 1991; MALHOTRA, 2001). De acordo com Triviños (1987), na abordagem qualitativa, os dados não se constituem em coisas isoladas, parceladas, estanques, não sendo reconhecidos como acontecimentos fixos, captados em um determinado instante de observação. Admite-se, ao contrário, que estes se dão em um contexto fluente de relações, permitindo ao pesquisador, buscar a essência dos fenômenos em estudo. (GIL, 1994; CHIZZOTTI, 1991)

Por sua vez, a abordagem quantitativa foi guiada pelo uso do método de survey, baseado em um “questionário estruturado dado a uma amostra de uma população e destinado a provocar informações específicas dos entrevistados” (MALHOTRA, 2001, p.179). Nesse sentido, cabe destacar que, dentro das ciências sociais e, por influência da perspectiva positivista, “a tradição quantitativa condenava a pesquisa qualitativa como sendo impressionista, não objetiva e não científica [...] já que não permite mensurações, supostamente objetivas [...]” (MOREIRA, 2002, p.43-46). A perspectiva positivista “aprecia números [...] pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica”, na busca da objetividade e da validade dos saberes construídos (LAVILLE e DIONNE, 1999, p.43). De acordo com Demo (2002, p.7), “a ciência prefere o tratamento quantitativo porque ele é mais apto aos aperfeiçoamentos formais: a quantidade pode ser testada, verificada, experimentada, mensurada[...]”.

Já os adversários da perspectiva positivista e quantitativa “propõem respeitar mais o real” (LAVILLE e DIONNE, 1999, p.43) e abrem caminho para a pesquisa qualitativa em que se busca abdicar total ou quase totalmente das abordagens matemáticas no tratamento dos dados, trabalhando preferencialmente com a compreensão das motivações, percepções, valores e

interpretações das pessoas, além de procurar extrair novos conhecimentos. Para Moreira (2002), a diferença entre a pesquisa quantitativa e qualitativa vai além da simples escolha de estratégias de pesquisa e procedimentos de coleta de dados, representando, na verdade, posições epistemológicas antagônicas.

Entretanto, “[...] esse debate [...] parece freqüentemente inútil e até falso [...] Inútil, porque os pesquisadores aprenderam, há muito tempo, a conjugar suas abordagens conforme as necessidades” (LAVILLE e DIONNE, 1999, p.43). Assim, para o pesquisador “[...] não faz nenhum sentido desprezar o lado da quantidade, desde que bem feito”. Ao invés disso, “[...] só tem a ganhar a avaliação qualitativa que souber se cercar inteligentemente de base empírica, mesmo porque qualidade não é a contradição lógica da quantidade, mas a face contrária da mesma moeda” (DEMO, 2002, p.35), sendo essencial que escolha da abordagem esteja a serviço do objeto da pesquisa, e não o contrário, com o propósito de daí tirar, o melhor possível, os saberes desejados. Parece haver um consenso, pois, quanto à idéia de que as abordagens qualitativas e quantitativas devem ser encaradas como complementares, ao invés de mutuamente concorrentes (MALHOTRA, 2001; LAVILLE e DIONNE, 1999).

Quanto ao método, optou-se pelo estudo de caso, uma vez que este permitiu realizar uma investigação profunda e exaustiva de um fenômeno contemporâneo - a análise da contribuição do BSC para a gestão estratégica - tendo como pano de fundo, o contexto de uma corporação de grande porte do setor elétrico do país. O uso desse método propiciou, também, testar a validade dos objetivos, das hipóteses e das questões de pesquisa, guiando-se pelo “desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados” (YIN, 2001, P.33).

O ponto forte dos estudos de casos, segundo Hartley (1994)10 citado por Roesch (1999, p.197), “reside em sua capacidade de explorar processos sociais à medida que eles se desenrolam nas organizações”, permitindo uma análise processual, contextual e longitudinal das várias ações e significados que se manifestam e são construídas dentro delas. Segundo Yin (2001), o estudo de caso contribui de forma significativa, para a compreensão de fenômenos complexos, nos níveis individuais, organizacionais, sociais e políticos, permitindo a preservação das características dos eventos da vida real.

10

HARTLEY, J.F. Case studies in organizational research. In: CASSELL, C.; SYMON, G. (eds.). Qualitative

Conquanto haja críticas ao estudo de caso no que tange à dificuldade da “generalização estatística” dos seus resultados, Yin (2001, p.54) assinala que se pode recorrer à “generalização analítica” para verificar hipóteses gerais ou teorias.

Vale ainda ressaltar que o estudo de caso poderá ser circunscrito a uma ou a várias unidades, caracterizando se este será único ou múltiplo. Tais unidades poderão ser definidas como indivíduos, organizações, processos, programas, bairros, instituições, comunidades, bairros, países e, mesmo eventos (YIN, 2001; VERGARA, 2000). Dessa forma, apresenta-se a seguir o caminho percorrido para delimitar o tipo de estudo de caso e a unidade de análise da presente dissertação.

Benzer Belgeler