• Sonuç bulunamadı

assistência das pessoas com úlcera venosa crônica nos serviços de saúde; e (3) conhecimento das pessoas com úlcera venosa crônica referente aos seus direitos à saúde.

5.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA, DE SAÚDE, CLÍNICA E DA ASSISTÊNCIA DAS PESSOAS COM ÚLCERA VENOSA CRÔNICA

Conforme podemos observar na Tabela 1, a maioria dos pacientes deste estudo é do sexo feminino (76,7%), com predomínio da faixa etária a partir de 60 anos, com 66,7%. Quanto à caracterização do estado civil, a maioria dos pesquisados eram casados/união estável (60,0%).

Nas pesquisas de diversos autores, os dados obtidos corroboram em relação à predominância do sexo feminino para desenvolver UV, como relatado nos trabalhos de Luz et al. (2009), Nóbrega (2009), Deodato e Torres (2008), Nóbrega et al. (2008), Deodato (2007), Abbade e Lastória (2006) e Nunes (2006).

A relação de 3:1 entre mulheres e homens encontrada neste estudo concorda com as relações encontradas na maior parte dos estudos (DEODATO; TORRES, 2008; DEODATO, 2007; ABBADE; LASTÓRIA, 2006; RODRÍGUEZ-PIÑERO, 2003).

Quanto à faixa etária, constatamos que a mesma situou-se a partir de 60 anos. Grande parte dos autores relata que a maioria dos casos de UV acontece na faixa etária acima de 60 anos. (ARAUJO et al., 2003; BERGONSE; RIVITTI, 2006; FRADE et al., 2005; LUZ et al., 2009; NUNES et al., 2008).

Outro estudo reforça tal fato, quando afirma que a primeira UV surge por volta dos 60 anos de idade, tornando-se mais comum com o envelhecimento da população. Ocorre em virtude de que, com o passar dos anos, os processos metabólicos diminuem, a pele torna-se menos elástica devido à redução de colágeno e à vascularização mais conturbada, fazendo com que a cicatrização seja mais lenta nos idosos. (BORGES, 2005; BORGES; SAAR; LIMA, 2001; PIEPER; CALIRI; CARDOSO, 2002).

Tabela 1. Características sociodemográficas e de saúde das pessoas com UV, segundo o tempo de UV atual. Natal/RN, 2011

CARACTERIZAÇÃO

SOCIODEMOGRÁFICA E

DE SAÚDE

TEMPO DA UV ATUAL

TOTAL

≥ a 6 meses Até 6 meses

n % n % n %

Etilismo e Tabagismo

Ausente 23 76,7 5 16,7 28 93,3

Presente 1 3,3 1 3,3 2 6,7

Escolaridade

Não alfabetizado/ alfabetizado /

Ens. Fundamental 20 66,7 5 16,7 25 83,3

Ensino médio/ Ensino superior 4 13,3 1 3,3 5 16,7 Procedência Capital 17 56,7 6 20,0 23 76,7 Interior 7 23,3 0 0,0 7 23,3 Sexo Feminino 19 63,3 4 13,8 22 76,7 Masculino 5 17,2 2 6,9 7 24,1 Profissão/ocupação Não 19 63,3 4 13,3 23 76,7 Sim 5 16,7 2 6,7 7 23,3 Sono

Maior ou igual a 6 horas 21 70,0 2 6,7 23 76,7

Menor que 6 horas 3 10,0 4 13,3 7 23,3

Renda per capita

Menor que 01 SM 17 56,7 5 16,7 22 73,3 Maior ou igual a 01 SM 7 23,3 1 3,3 8 26,7 Faixa etária A partir de 60 anos 16 53,3 4 13,3 20 66,7 Até 59 anos 8 26,7 2 6,7 10 33,3 Estado civil Casado/união estável 15 50,0 3 10,0 18 60,0 Solteiro/viúvo/divorciado 9 30,0 3 10,0 12 40,0 Doenças crônicas associadas

Presente 14 46,7 2 6,7 16 53,3

Ausente 10 33,3 4 13,3 14 46,7

TOTAL 24 4,0 6 20,0 30 100,0

Fonte: Própria pesquisa

Quanto ao estado civil dos pesquisados, 60% deles se declararam casados ou vivendo uma união estável. Em relação à escolaridade, identificamos que 83,3% eram não

alfabetizados/alfabetizados/Ens. Fundamental e apenas 16,7% tinham Ensino Médio/Ensino Superior.

No que se refere à escolaridade, dados semelhantes foram encontrados por Nóbrega (2009), Heinen et al. (2007), Deodato (2007), Dias e Silva (2006), Abbade et al. (2005), Yamada (2003) e Longo Junior et al. (2002), nos quais predominou entre os pesquisados um baixo grau de instrução. Este é um dado preocupante, pois a baixa escolaridade pode interferir diretamente na compreensão e assimilação dos cuidados relevantes à saúde das pessoas, em especial no tratamento de lesões, que requer cuidados específicos. O não entendimento acerca desses cuidados pode resultar na não adesão ao tratamento indicado.

Quanto à profissão/ocupação dos pesquisados, observamos que 76,7% dos participantes do estudo encontravam-se desempregados.

Nóbrega (2009), Heinen et al. (2007), Nunes (2006) e Abadde et al. (2005) também detectaram uma pequena quantidade de pessoas com UV em atividade ocupacional, denotando que a presença e, principalmente, a cronicidade dessas lesões compromete significativamente a capacidade do indivíduo para o trabalho, gerando muitas vezes aposentadorias precoces, desemprego e licenças médicas frequentes.

Além disso, os indivíduos acometidos pela UV necessitam se afastar do trabalho inúmeras vezes e com frequência são aposentados precocemente, pelo fato dessas lesões exigirem terapêuticas prolongadas, causando um importante ônus aos sistemas de saúde e previdenciário; além dos incalculáveis custos humanos associados à necessidade de ajustar as atividades no trabalho, perda dos dias de trabalho ou do emprego, aumento da demanda por recursos de saúde e diminuição do prazer nas atividades da vida cotidiana. (ABBADE; LASTÓRIA, 2006; HEINEN et al., 2007; ROSA, 2006).

Com relação à renda per capita, observamos o destaque de menos um salário mínimo (73,3%), seguido dos pacientes que relataram renda familiar maior ou igual a um salário mínimo (26,7%).

Neste estudo detectamos um predomínio de pacientes com baixa renda. Em consonância com esses dados, Nóbrega (2009), Deodato (2007), Nunes (2006) e Frade et al. (2005) apontam para a baixa condição socioeconômica das pessoas com UV.

Para Farias e Zeitoune (2004) e Yamada (2001), há evidências de que o baixo nível socioeconômico influencia negativamente o comportamento saudável no ambiente domiciliar, o acesso aos serviços de saúde, os cuidados com a saúde e o acesso aos recursos materiais. Outros estudiosos destacam, ainda, que os indivíduos com menor nível socioeconômico apresentam baixa adesão aos tratamentos e têm pouco acesso aos medicamentos, refletindo

nas condições gerais de saúde do indivíduo (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000; SEILD; ZANNON, 2004).

Mandelbaum, Di Santis e Maldebaum (2003) relatam que a importância do diagnóstico financeiro e educacional do paciente com UV focaliza-se no fato de que, quando o profissional de saúde planeja uma proposta de intervenção, não deve considerar apenas a lesão a ser tratada, mas o indivíduo com suas características e necessidades. Logo, identificar as condições econômicas e educacionais do sujeito com UV é essencial na adesão e continuidade do tratamento proposto.

Quanto às doenças crônicas associadas, em 53,3% dos pesquisados elas se encontravam presentes e em 46,7% ausentes. Em relação a sono, 76,7% dos pacientes tinham tempo de sono maior ou igual a 6 horas e 23,3% tinham tempo de sono menor que 6 horas.

Com relação à presença de tabagismo e/ou etilismo atuais, identificamos que quase a totalidade dos participantes (93,3%) não apresentava tais hábitos e apenas 6,7% dos pesquisados os apresentavam.

Vários estudos concordam que hábitos de vida saudáveis, como não fumar, dormir no mínimo 6 horas, ter uma alimentação balanceada, não ingerir bebidas alcoólicas e ter o controle das doenças de base contribui positivamente no processo de cura das úlceras venosas. (BORGES; SAAR; LIMA, 2001; DEODATO, 2007; MAFFEI, 2002; NUNES, 2006; YAMADA, 2003).

Gamba e Yamada (2003) chamam a atenção para a questão do envelhecimento populacional e, consequentemente, a predominância das doenças crônicas, além da estreita relação da IVC com a hipertensão arterial e diabetes.

Diante das caracterizações sociodemográficas e de saúde apresentadas, identificamos uma clientela de pessoas com UV predominantemente feminina, com faixa etária a partir de 60 anos, casadas/união estável, com baixo nível de escolaridade e de renda familiar, a maioria desempregada, portadoras de doenças crônicas associadas, com tempo de sono maior ou igual a 6 horas, e não etilistas ou tabagistas.

Conhecer essas características constitui um passo fundamental para o planejamento da assistência ao sujeito acometido por UV, uma vez que a lesão não pode ser avaliada separadamente do indivíduo que a possui e do contexto no qual ele está inserido.

Após descritas as características sociodemográficas dos pesquisados, passaremos a apresentar a Tabela 2, que nos mostra as características clínicas dos participantes deste estudo. Quanto à recidiva de lesão, a maior parte dos pacientes (73,3%) apresentou uma ou mais recidivas, sendo que 53,3% destes apresentavam lesão com tempo superior a seis meses,

sendo que 26,7% dos pesquisados não apresentaram recidivas. Em relação à situação atual do leito da UV, 60,0% apresentavam granulação/epitelização, e 40,0% fibrina/necrose.

Tabela 2. Características clínicas das pessoas com UV, segundo o tempo de UV atual. Natal/RN, 2011

CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA

TEMPO DA UV ATUAL

TOTAL

≥ a 6 meses Até 6 meses

n % n % n %

Perda tecidual da UV

Grau III / Grau IV 24 80,0 6 20,0 30 100,0

Recidivas da UV

Maior ou igual a 1 recidiva 16 53,3 6 20,0 22 73,3

Nenhuma recidiva 8 26,7 0 0,0 8 26,7

Presença de sinais de Infecção

Ausente 16 53,3 6 20,0 22 73,3

Presente 8 26,7 0 0,0 8 26,7

Área da UV atual

Pequena 13 43,3 6 20,0 19 63,3

Média a grande 11 36,7 0 0,0 11 36,7

Condições do leito da UV atual

Granulação / Epitelização 17 56,7 1 3,3 18 60,0 Fibrina / Necrose 7 23,3 5 16,7 12 40,0 Quantidade de exudato da UV atual Média a grande (3 a 10 gazes) 17 56,7 1 3,3 18 60,0

Pequena (até 3 gazes) 5 16,7 5 16,7 10 33,3

Sem exudato 2 6,7 0 0,0 2 6,7 Presença de odor na UV Presente 13 43,3 2 6,7 15 50,0 Ausente 11 36,7 4 13,3 15 50,0 Tipo de exudato da UV atual Serossanguinolento 11 36,7 2 6,7 13 43,3 Seroso 5 16,7 4 13,3 9 30,0 Purulento 3 10,0 0 0,0 3 10,0 Sem exsudato 2 6,7 0 0,0 2 6,7 Purussanguinolento 2 6,7 0 0,0 2 6,7 Sanguinolento 1 3,3 0 0,0 1 3,3 TOTAL 24 80,0 6 20,0 30 100,0

Diversos autores corroboram com o presente estudo no que se refere ao número elevado de pacientes com lesões recidivantes, sendo este um dos problemas mais importantes na assistência ao indivíduo com UV (TORRES et al., 2009; NÓBREGA, 2009; DEODATO, 2007; BONGIOVANNI; HUGHES; BOMENGEN, 2006; NUNES, 2006; PIEPER; CALIRI; CARDOSO, 2002).

Carmo et al. (2007) relatam que um dos principais motivos das recidivas é a não colaboração do paciente em relação às medidas preventivas, tal como o uso de meias de compressão e o repouso, sendo essencial o processo de educação em saúde para esses pacientes, com reforço das orientações sempre que necessário.

Pesquisadores destacam que o elevado número de recidivas retarda a cura completa da ferida, resultando em cronicidade, e afeta a qualidade de vida e a produtividade no trabalho das pessoas atingidas. Além disso, em virtude do tratamento prolongado, acarreta elevados custos para o Estado, pacientes e familiares, fazendo da UV um importante problema de saúde nos países desenvolvidos e em desenvolvimento (LOPEZ; ARAVITES; LOPES, 2005; ARAÚJO et al., 2003; FRANÇA; TAVARES, 2003).

Abbade e Lastória (2006) e Furtado (2006) também fazem referência ao grande desafio que é evitar a recidiva, e Aguiar et al. (2005) recomendam o tratamento cirúrgico associado à terapia compressiva para se diminuir a taxa de recorrência da UV.

O tempo prolongado da lesão também foi identificado em estudos realizados por Deodato (2007), Nunes (2006), Frade et al. (2005), Yamada (2001) e Borges (2005), nos quais se afirma que o tratamento inadequado da UV faz com que ela permaneça meses ou anos sem cicatrizar, trazendo, dentre outras coisas, sofrimento para o paciente e perda laboral, traduzindo-se em um importante problema socioeconômico para a sociedade e um grande desafio para os profissionais da saúde.

Em decorrência da cronicidade das lesões, a presença de pessoas com UV nos corredores e salas de curativos faz parte da rotina dos serviços de saúde. São anos e anos de trocas diárias de curativos, sem resolutividade e com repercussão negativa na qualidade de vida dessas pessoas.

Considerando as características da UV, no leito da lesão predominavam os tecidos de granulação e/ou epitelização (60,0%), enquanto que 40,0% apresentavam fibrina. Martins e Souza (2007) encontraram resultados semelhantes aos do presente estudo, nos quais as lesões dos pesquisados apresentavam predomínio de tecido de granulação, embora as mesmas tivessem dificuldade de cicatrizar. Deodato (2007) verificou que 100% dos pesquisados

possuíam tecido de granulação, 35% possuíam tecido de epitelização, e 95% apresentavam fibrina e necrose liquefativa em suas lesões.

Em relação à quantidade de exsudato, a maior parte dos pacientes (60,0%) apresentava uma quantidade de média a grande de exsudato, 33,3%, pequena quantidade, e apenas 6,7% não apresentavam exsudato.

No tocante ao tipo de exsudato, constatamos que 43,3% dos participantes do estudo apresentavam exsudato serosanguinolento, enquanto que 30,0% apresentavam exsudato seroso, 6,7% apresentavam exsudato purussanguinolento ou não apresentavam exsudato, e apenas 3,3% apresentavam sanguinolento.

Quanto ao tipo e quantidade de exsudato, a maioria dos pacientes pesquisados apresentava exsudato serosanguinolento de média a grande quantidade. Já no estudo de Deodato (2007), a maioria dos pacientes apresentou exsudato seroso, enquanto que, no estudo de Nunes (2006), grande parte dos pesquisados apresentou exsudação em pequena quantidade. O exsudato da ferida é um termo genérico utilizado para descrever o líquido produzido a partir de feridas crônicas, fístulas ou feridas agudas, uma vez que a hemostasia tenha sido alcançada. É normalmente um exsudato amarelo-pálido, mas pode apresentar outras colorações pela presença de infecção (THOMAS; FRAM; PHILLIPS, 2007). Conforme relata Abbade e Lastória (2006), o excesso de exsudato deve ser combatido, pois, além de favorecer infecções, traz desconforto para o paciente.

Quanto à presença de odor na UV, houve um equilíbrio da variável, uma vez que 50% dos pesquisados referiram presença de odor na UV e os outros 50% referiram ausência do mesmo.

Com relação à perda tecidual, a totalidade dos pesquisados (100%) apresentava úlceras em Grau III/Grau IV. No tocante à área da UV atual, 63,3% dos pesquisados tinham área pequena e 36,7% apresentavam área da UV de média a grande. Quanto à presença de sinais de infecção, em 73,3% dos pesquisados tais sinais se encontravam ausentes e em 26,7% esses sinais encontravam-se presentes.

No tocante à presença de sinais de infecção, na nossa pesquisa, em 73,3% das pessoas com UV tais sinais encontravam-se ausentes, e em 26,7% presentes. Nóbrega (2009), Nunes (2006) e Deodato (2007) confirmam os resultados em questão, evidenciando que a maioria das lesões acompanhadas não apresentava sinais infecção.

Sabemos que praticamente todas as feridas abertas são colonizadas, ou seja, existe a presença de bactérias. A colonização ocorre quando o crescimento e morte de micróbios são mantidos em equilíbrio por defesas do hospedeiro. Em alguns casos, a colonização pode

realmente acelerar a cicatrização, aumentando a perfusão do leito da ferida. (FONDER et al., 2008; TAKAHASHI; KIEMELE; JONES et al., 2006).

Quando as defesas do hospedeiro são suprimidas, ocorre a infecção devido ao aumento das bactérias, sendo clinicamente caracterizada por eritema, edema, calor, dor e exsudato com odor fétido. A proliferação bacteriana é um achado frequente, prejudicando a evolução cicatricial e, consequentemente, elevando o custo do tratamento e exigindo maior disponibilidade de tempo dos profissionais e do próprio cliente. (FONDER et al., 2008).

No tocante à escala de dor, 50,0% dos pesquisados consideraram a dor que sentiam intensa (8 a 10), 36,7% referiram não sentir dor, 6,7% a consideraram moderada (5 a 7), e outros 6,7% leve (1 a 4).

Estudos realizados por Nóbrega (2009), Deodato (2007) e Nunes (2006) corroboram com os dados desta pesquisa no que se refere à dor, ao relatarem que a maior parte dos pacientes referiu dor intensa relacionada à UV.

A dor referida por esses pacientes difere da dor aguda por não ter a função biológica de alerta, sendo descrita como dor crônica, geradora de estresse físico, emocional, econômico e social. (XAVIER; TORRES; ROCHA, 2006; KAZANOWKI; LACETTI, 2005).

Outros autores, ao estudarem a dor em pessoas com UV, apontaram-na como causadora de alterações no sono, fator de imobilidade, desconforto físico e emocional, além de proporcionar incertezas, sofrimento e interrupção na estrutura social (SUZUKI, et al., 2001).

Valência et al. (2001) destacam que a dor é um parâmetro que deve ser descrito, registrado e avaliado sempre que o paciente procurar os serviços de saúde, uma vez que três quartos (75%) dos indivíduos com UV reportam dor, e esse fator afeta profundamente a qualidade de vida e melhora do estado de saúde dos pacientes.

Vieira et al. (2009) enfatizam que a dor nas UVs tem sido um importante recurso no diagnóstico clínico, além de interferir significativamente na recuperação e qualidade de vida dos pacientes.

Dessa forma, devem-se buscar estratégias para a melhora da dor e, consequentemente, do estado de saúde e qualidade de vida desses pacientes. Estudos alertam sobre o uso contínuo de analgésicos e recomendam a elevação do membro afetado durante o repouso, o uso de terapia compressiva e o desenvolvimento de medidas fisioterápicas para o tratamento da dor. (AGUIAR et al., 2005; BORGES, 2005).

Em relação às condições clínicas, foi evidenciada presença de uma ou mais recidivas, predomínio de granulação/epitelização no leito da UV, exsudato serossanguinolento em

quantidade média/grande, sem predomínio de presença ou ausência de odor, totalidade dos pacientes com perda tecidual em grau III/grau IV, ausência de sinais de infecção, e referiam sentir dor intensa.

O Quadro 5 nos mostra os profissionais ou pessoas que realizavam o curativo fora do ambulatório.

Quadro 5. Profissional ou pessoa que realizava o curativo das úlceras venosas fora do ambulatório. Natal/RN, 2011

Quem realiza o curativo fora do ambulatório

Tempo em meses da UV atual Maior ou igual a 6 meses Até 6 meses

Enfermeiro(a) do PSF 1 3,3% 0 0,0%

Filho(a) 0 0,0% 1 3,3%

Paciente 4 13,3% 0 0,0%

Profissionais da saúde ou esposa 1 3,3% 0 0,0%

Técnico de enfermagem 3 10,0% 0 0,0%

Técnico de enfermagem ou

paciente 2 6,7% 1 3,3%

Em se tratando de quem realizava o curativo fora do ambulatório, 13,3% dos pesquisados relataram serem eles mesmos que faziam os curativos; em 10,0% eram feitos por técnicos de enfermagem e também em 10,0% por técnicos de enfermagem ou o próprio paciente; 3,3% dos pacientes tinham seus curativos realizados pelo enfermeiro do PSF; 3,3% pelos filhos; e 3,3% por profissionais de saúde ou esposa.

Chama a atenção o fato de que o profissional enfermeiro tem pouca ou nenhuma participação na troca dos curativos das pessoas com UVs, sendo detectado também no estudo desenvolvido por Nunes (2006).

O enfermeiro, em especial, não deveria ausentar-se desse procedimento, pois ele é de fundamental importância em todo o processo de cicatrização. Cabe a esse profissional fazer a anamnese e as avaliações iniciais e subsequentes da lesão, escolher os produtos e coberturas a serem utilizados e capacitar os técnicos de enfermagem, sendo para isso essencial sua participação durante as trocas de curativos. (MACÊDO, 2009).

Verificamos que a maior parte dos curativos eram realizados por auxiliares ou técnicos de enfermagem, mas que, quando os curativos não eram feitos por eles, na maioria das vezes

ficavam a cargo do próprio paciente, tendo o familiar pouca participação no cuidado a essas lesões.

Segundo relata Nunes (2006), quando o procedimento é efetuado pelo próprio paciente é preciso identificar se este tem condições de autocuidar-se, porque muitas vezes problemas de visão, da coluna vertebral e localização da UV dificultam a realização do procedimento.

Além disso, o cuidador ou paciente deve receber orientação em relação à técnica limpa correta e aos produtos utilizados. É imprescindível o estabelecimento de vínculos entre a equipe e o portador de feridas, e também a responsabilização da família e do próprio portador pela recuperação de sua saúde. (KJAER et al., 2005; POLETTI, 2000).

Do total de pesquisados, 60,0% utilizavam a bota de Unna como principal terapia compressiva, dos quais 84,2% tinham tempo de lesão maior ou igual a 6 meses; e apenas 3,3% usavam a meia elástica. Como pode ser visualizado no Quadro 6.

Quadro 6. Tipo de terapia compressiva utilizada pelas pessoas com UV. Natal/RN, 2011 Qual terapia compressiva está

sendo utilizada (n=19)

Tempo em meses da UV atual

≥ a 6 meses Até 6 meses

Bota de Unna 16 84,2% 2 10,5%

Meia elástica 1 5,3% 0 0,0%

Total 17 89,5% 2 10,5%

Diversos autores relatam que a bota de Unna promove significativa redução das lesões e que, com o decorrer do tratamento, resulta na cicatrização tecidual da maioria dos casos (LUZ et al., 2009; FIGUEIREDO, 2009; SANTOS FILHO, 1996).

Em concordância com esses autores, vários ensaios clínicos e revisões sistemáticas atestam a efetividade das terapêuticas compressivas no tratamento de UV, denotando um consenso entre os estudiosos de que a compressão aumenta as taxas de cicatrização dessas lesões (FIGUEIREDO, 2009; BORGES; CALIRI; HAAS, 2007; BONGIOVANNI; HUGHES; BOMENGEN, 2006; AGUIAR et al., 2005).

A Tabela 3 nos mostra o local de tratamento dos participantes desta pesquisa nos últimos 30 dias.

Tabela 3. Local de tratamento nos últimos 30 dias. Natal/RN, 2011 LOCAL DE REALIZAÇÃO DO CURATIVO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS TEMPO DA UV ATUAL TOTAL

≥ a 6 meses Até 6 meses

n % n % n % HUOL 24 80,0 6 20,0 30 100,0 Domicílio 9 30,0 2 6,7 11 36,7 UBS 4 13,3 0 0,0 4 13,3 USF 1 3,3 1 3,3 2 6,7 Hospital municipal 1 3,3 0 0,0 1 3,3

Fonte: Própria pesquisa

Quanto ao local de tratamento nos últimos 30 dias, 100,0% dos pacientes realizavam curativo no HUOL, 36,7% em domicílio, 13,3% em UBS, 6,7% em USF e 3,3% em hospital municipal.

Tabela 4. Medidas tomadas quando não há possibilidade de trocar os curativos na unidade em que procura assistência. Natal/RN, 2011

MEDIDAS TOMADAS QUANDO O CURATIVO NÃO É REALIZADO NA

UNIDADE PROCURADA

TEMPO DA UV ATUAL

≥ a 6 meses Até 6 meses

n % n %

Não realiza o curativo 1 3,3 2 6,7

Realiza a troca em domicílio 10 33,3 2 6,7

Sempre consegue 11 36,7 2 6,7

Procura outros serviços 2 6,6 0 0,0

TOTAL 24 79,9 6 20,1

Fonte: Própria pesquisa.

Dentre as medidas tomadas quando não havia possibilidade de trocar os curativos na unidade em que procuravam assistência, 43,4% referiram sempre conseguir trocar os curativos, 40,0% realizavam a troca em domicílio, 10,0% não realizavam o curativo e 6,6% procuravam outros serviços, conforme visualizado na Tabela 4.

5.2 CARACTERIZAÇÃO DA QUALIDADE DA ASSISTÊNCIA DAS PESSOAS COM

Benzer Belgeler