3.2. Buhâri’nin Tarihçiliği
3.2.6. Tarihe/Akla Aykırı Görülen Rivayetler
De acordo com Lemos , p. , a internet cria, hoje, uma revolução sem precedentes na história da humanidade. Pela primeira vez o homem pode trocar informações, sob as mais diversas formas, de maneira instantânea e planetária . Sob essa perspectiva, as novas tecnologias tornam-se vetores de novas formas de agregação social (Ibid., p. 16).
77Segundo Santos , p. , a fluidez é a condição, mas a ação hegemônica se baseia na
competitividade .
78O termo virtu-real foi proposto por Casalegno , p. para nomear o contexto atual,
que permite aos atores sociais interpretar as memórias sociais, de exteriorizar e de interiorizar as memórias, ao mesmo tempo individuais e coletivas, vivas e sedimentadas . Segundo o autor, esse tecido conectivo está instalado na cidade pós-moderna, onde à imagem de cada um de nós, quando adorna sua casa com objetos e lembrancinhas, os membros de uma comunidade em rede podem nutrir seus espaços sociais de interação ao participar da constituição de sua memória coletiva loc. cit.).
O ciberespaço, local onde se manifestam as relações em rede, tem sido objeto de análise para muitos estudiosos, o que contribui para uma diversidade de conceitos acerca do tema. Para Lemos , p. , conectar-se ao ciberespaço significa ainda, mesmo que simbolicamente, a passagem da modernidade (onde o espaço é esculpido pelo tempo) à pós-modernidade (onde o tempo comprime o espaço .
Lévi , p. compreende ciberespaço como não apenas a infra- estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo . Sob essa perspectiva, o ciberespaço é, também, um suporte comunicacional que possibilita a interconexão e a integração das máquinas e dos homens, assim como a consolidação de sistemas informacionais. Nele, segundo o autor, cada indivíduo é potencialmente emissor e receptor, interagindo de acordo com seus interesses: aqui, não é principalmente por seu nome, sua posição geográfica ou social que as pessoas se encontram, mas segundo centros de interesses, numa paisagem comum do sentido ou do saber Ibid., p. 113).
Casalegno , p. , por outro lado, concebe o ciberespaço como uma alegoria das relações complexas, recíprocas e interdependentes, entre lugares reais e espaços virtuais, deslocamentos físicos e viagens eletrônicas, presenças corporais e suas representações no universo em rede .
Para Lemos (Ibid., p. 129) o ciberespaço é a encarnação tecnológica do velho sonho de criação de um mundo paralelo, de uma memória coletiva, do imaginário, dos mitos e símbolos que perseguem o homem desde os tempos ancestrais . O autor considera o ciberespaço enquanto um espaço imaginal onde as novas tecnologias mostram seu potencial permitindo, ao mesmo tempo, a relação e funcionando como vetor de agregação social. Desse modo, atua como as narrações míticas e ritos nos tempos imemoriais, que veiculavam o imaginário e atuavam como mediadores entre os homens e seus universos simbólicos. O Quadro 8 apresenta as características identificadas por ele:
Característica Definição
Dimensionalidade - É um espaço sem dimensões, um universo de informações navegável de forma instantânea e reversível.
Ubiquidade79
- Esse espaço mágico tem como características a ubiqüidade, o tempo real e o espaço não-físico.
Mobilidade - Espaço de encruzilhadas, representado pelo permanente fluxo de movimentações, de conhecimentos e de informações. Complexidade - É construído a partir da disseminação das informações, do fluxo de dados e relações sociais em um ecossistema
complexo onde prevalece a interdependência entre o macro- sistema tecnológico – a rede de máquinas interligadas - e o micro-sistema social – a dinâmica dos usuários.
Quadro 8 - Características do Ciberespaço
Fonte: Quadro elaborado pela pesquisadora com base em Lemos (2008, p. 128-137).
O autor propõe, ainda, a compreensão de ciberespaço sob duas perspectivas. A primeira delas, como o lugar onde estamos quando entramos num ambiente simulado realidade virtual Ibid., p.128). Em segundo lugar, como o conjunto de redes de computadores, interligadas ou não, em todo o planeta, a internet loc. cit.). Para ele, essas duas concepções estão em rota de confluência, já que as redes vão se interligar entre si e, ao mesmo tempo, permitir a interação por mundos virtuais em três dimensões loc. cit.).
O ciberespaço desponta como um lugar de relação, onde os indivíduos são agregados por meio de afinidades intelectuais ou espirituais, formando coletivos de interesses comuns )bid., p. . Outrossim, consiste em um espaço (relacional) de comunhão, colocando em contato, através do uso de técnicas de comutação eletrônica, pessoas do mundo todo )bid., p. . Nessas territorialidades simbólicas, as pessoas podem formar coletivos mesmo vivendo em cidades e culturas bem diferentes Ibid., p. 139). O que evidencia que:
As comunidades formadas a partir das redes telemáticas mostram como as novas tecnologias podem atuar não apenas como vetores de alienação e de desagregação, mas também como máquinas de comunhão, de compartilhamento de ideias e sentimentos, de formação e sentimentos, de formação comunitária (loc. cit.).
79Ubiquidade consiste, de acordo com Martino ,p . , na presença, em todos os lugares, de
Ainda de acordo com Lemos (2008, p. , a influência dos meios de comunicação e a dinâmica da sociedade de consumo são as principais razões da crise da noção de história e da crise das meta-narrativas modernas .
Lipovetsky e Serroy (2011, p. 14) refletem sobre as implicações das mídias e do ciberespaço sobre as percepções individuais e as novas formas de relacionamento. Para eles:
As mídias e o ciberespaço se tornam instrumentos primordiais da relação com o mundo, e através deles, afirmam-se novas formas de vida transnacional, novas percepções do mundo marcadas pelas interdependências e pelas crescentes interconexões (loc. cit).
Os autores identificam algumas características que constituem o horizonte cultural das sociedades contemporâneas na era da globalização, ao afirmar que:
As grandes utopias, os contramodelos de sociedade evaporaram, perderam o essencial de sua credibilidade. Assim, a supervalorização do futuro cedeu passagem ao superinvestimento no presente e a curto prazo. Ao mesmo tempo, a erradicação do passado não está mais na ordem do dia: a época é de reabilitação do passado, do culto do autêntico, da remobilização das memórias religiosas e identitárias, das reinvidicações particularistas (Ibid., p. 13).
Segundo Lipovetsky e Serroy (Ibid., p. 31, grifo do autor), a desorientação contemporânea resulta da desintegração dos pontos de referência sociais mais comuns, mais básicos, provocada pela nova organização do mundo . A atomização do social provocou, conforme os autores, uma nova forma de insegurança identitária, baseada na perda das ancoragens comunitárias, situação que se reflete no indivíduo:
Quando os valores superiores perderam o direito de dirigir a existência, o homem ficou sozinho com a vida. Enquanto o sentimento de vazio aumenta, multiplicam-se comportamentos inebriantes para escapar à noite de um mundo sem valor, ao abismo da falta de objetividade e de sentido (loc. cit.).
O ciberespaço se apresenta assim, como um lugar que pode suprir a necessidade de recriar um sentimento de inclusão coletiva. Para Lipovetsky e Serroy (2011, p. , na era digital, os indivíduos levam uma vida abstrata e digitalizada em vez de partilhar experiências juntos , o que reforça o potencial da rede em possibilitar a criação de laços comunitários virtuais.