BÖLÜM II. TARİFİN ŞARTLARI VE ÇEŞİTLERİ
2.1. Tarifin Şartları
2.1.2. Tarifte Kaçınılması Gerekenler
O crescimento das cidades, a consequente ocupação de áreas vegetadas e o aumento do conhecimento a respeito dos benefícios ecossistêmicos promovidos pela vegetação para o meio ambiente urbano têm tornado cada vez mais evidente a necessidade de políticas públicas para incentivo à criação e preservação de áreas vegetadas urbanas.
O índice de área vegetada que sempre foi utilizado pelas cidades brasileiras como parâmetro de políticas públicas é a quantidade expressa em área de projeção no solo, podendo ser também medida em percentual em relação a uma área total. Na maioria das vezes, a regulamentação se refere apenas a áreas permeáveis e não necessariamente vegetadas. Dessa forma, ainda que houvesse a necessidade de garantir a vegetação dentro do mínimo requerido permeável dentro do lote, o índice em formato bidimensional (m² ou em percentual de área) apresenta-se como insuficiente para a análise das características da vegetação responsáveis pelos seus benefícios para a qualidade ambiental urbana.
Na discussão sobre esses benefícios, Boon Lay Ong (2002) referencia a categorização desenvolvida por Whitford, que define quatro indicadores de performance relacionados às áreas vegetadas: clima, hidrologia, sequestro de carbono e biodiversidade. A estes aspectos ambientais, Ong ainda agrega valores mais subjetivos, como estética, emoção e recreação, como sendo fundamentais para uma análise integrada dos benefícios da vegetação.
4.1.1 Contribuição ao microclima e à qualidade do ar
Uma das características não avaliadas, quando a vegetação é mensurada bidimensionalmente, é área de superfície das suas folhas. Quanto maior é a área foliar de uma árvore, cientificamente definida como Leaf Area Index (LAI), maior será a intensidade do seu processo de fotossíntese, responsável pela captura de CO² do ambiente e pela evapotranspiração, tendo H²O como produto gerado. A fotossíntese,
a evapotranspiração e a captura de minerais do ar e dos solos são resultados dos processos metabólicos das plantas, que são diretamente proporcionais à sua quantidade de biomassa, presente em maior escala nas folhas das plantas.
A umidificação do ambiente, resultante destes processos, sobretudo em climas secos, representa uma diminuição de temperatura do seu entorno imediato, já que as moléculas de água retiram calor do ambiente para mudar de estado líquido para vapor.
Segundo Shinzato (2009, p. 6), na área do Parque Trianon, em São Paulo: [...] a diferença média entre as temperaturas do ar nas áreas verdes arborizadas e as ruas adjacentes é de 1,5ºC. Já o sombreamento pelas árvores de copa densa (LAI=10) mostrou diferenças médias de 23ºC nas temperaturas superficiais do solo, embaixo da copa.
A pesquisa de Shinzato aponta, portanto, outro benefício ao microclima, diretamente relacionado com a superfície foliar da vegetação: quanto maior o LAI de uma árvore, maior será a sua sombra produzida, seja sobre as áreas externas, seja sobre as edificações.
Como pode ser visto no gráfico 1, o clima quente e úmido, característico do Riode Janeiro, é diretamente impactado pela incidência de radiação solar. Assim, a proteção contra a radiação solar direta caracteriza-se por uma das estratégias passivas mais eficazes para a melhoria do conforto térmico na maior parte do ano.
Gráfico 1 – Incidência de radiação e temperaturas ao longo do ano para o Rio de Janeiro. Fonte: Software Climate Consultant a partir da análise do arquivo climático do Rio de Janeiro.5
Mesmo se tratando de áreas vegetadas compostas apenas por forrações, ou seja, sem o sombreamento gerado por árvores ou arbustos, o microclima urbano também é beneficiado, já que áreas vegetadas absorvem menos calor do que superfícies pavimentadas. A certificação LEED de sustentabilidade possui um crédito que tem o objetivo de reduzir o efeito Ilha de Calor das cidades e, para seu atendimento, exige uma área menor de coberturas vegetadas (50%) em relação ao que é exigido no caso da especificação de revestimentos de alta refletância (75%). Além de promover áreas externas mais confortáveis para os pedestres, vegetação com maior superfície foliar representa também maior sombreamento das edificações, promovendo, portanto, espaços internos de maior conforto e eficiência energética, através do resfriamento passivo, que não requer o uso de ventilação ou condicionamento mecânico.
Além dos benefícios ao microclima, folhas vegetais maiores são capazes de receber a deposição de mais poluentes e material particulado do ambiente, contribuindo assim para a qualidade do ar nas cidades.
5 Retirado da base de dados nacionais disponível no endereço eletrônico (RORIZ, s.d.). Conjunto de arquivos climáticos para municípios brasileiros elaborado por Maurício Roriz, a partir de dados horários registrados em 411 estações climatológicas do INMET entre os anos de 2000 e 2010.
4.1.2 Contribuição à drenagem
O crescimento urbano desordenado e a alta taxa de impermeabilização do solo são fatores que marcam as grandes concentrações urbanas. Essas características levam ao aumento de volume e vazão de escoamento superficial de água pluvial e, consequentemente, a graves problemas ambientais nas cidades, como a ocorrência de enchentes, a proliferação de doenças, erosão do solo, assoreamento de corpos hídricos, escorregamento de casas, aumento de gastos públicos com infraestrutura etc.
É nesse contexto que a capacidade de reter água das chuvas passa a ser um fator de extrema relevância na avaliação de áreas vegetadas. Em territórios urbanizados, a partir do momento em que se aumenta o volume de água infiltrado aos lençóis freáticos, diminui-se a sobrecarga da infraestrutura de drenagem urbana. O LAI também está relacionado a esse aspecto, pois quanto maior a superfície foliar, maior a absorção de água pluvial pela folha. Entretanto, a contribuição mais significativa da vegetação para a drenagem urbana está relacionada às características de seu substrato ou, mais especificamente, à capacidade desse substrato de infiltrar a água da chuva. A medição bidimensional de áreas vegetadas também não permite a avaliação desse parâmetro.
Para que áreas vegetadas possam ser avaliadas sob o ponto de vista da sua contribuição para o escoamento superficial de águas, é necessária a inclusão do Coeficiente de Runoff das superfícies como parâmetro de análise, definido pela relação entre o volume d’água escoado superficialmente e o volume d’água infiltrado em determinada superfície.
4.1.3 Contribuição à biodiversidade
É fundamental considerar o fato de que a invasão biológica é historicamente a segunda maior causa de perda de biodiversidade em escala global, ficando somente atrás da destruição direta de habitats: “40% de todas as extinções desde o século
XVII, cujas causas são conhecidas, foram devidas à invasão de espécies exóticas (SECRETARIAT..., 2006).
Como essa destruição se dá muito lentamente, a sociedade não a percebe e, por isso, não lhe atribui devida importância. No Brasil, apenas nos últimos anos começaram a surgir pesquisas sobre o assunto, mas ainda são escassos dados referentes às espécies que atuam como invasoras no nosso ecossistema. Apenas o Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental e pesquisas realizadas pelo botânico Ricardo Cardim, divulgadas em seu site Árvores Brasileiras, apresentam listas de espécies invasoras por bioma do país (INSTITUTO HÓRUS, s.d.).
Além da ausência de espécies invasoras, é também necessário verificar a diversidade de espécies para a avaliação qualitativa das áreas vegetadas. Um plantio composto por monoculturas produz ecossistemas empobrecidos, enquanto que o aumento da diversidade contribui para a conectividade ecológica.
Existem ainda aspectos da vegetação relacionados à melhoria da qualidade do solo e também à redução da demanda hídrica por irrigação. Sobre esse segundo, vale lembrar que a especificação de espécies nativas contribui também para a redução da necessidade de irrigação, já que geralmente (exceto em exceções climáticas), essas espécies estão adaptadas ao regime de chuva local.
As áreas vegetadas podem ser também avaliadas do ponto de vista estético, contribuindo para o conforto psicológico e para o sentimento de segurança, bem como pela sua qualidade na promoção de atividades físicas e de interação social. Entretanto, para o propósito desse trabalho, esses temas não serão aprofundados.