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10. AVG Tarama

10.4. Tarama Programlama

Idéia desenvolvida a partir do programador Richard Stallman, fundador da Free

Software Foundation, o conceito de software livre surgiu como uma resposta ao software

proprietário, ou seja, aquele cujo controle sobre uso e distribuição pertence a um determinado indivíduo.

Diz-se que um software, ou seja, um programa de computador, é livre quando pode ser usado, estudado ou modificado sem restrições, podendo ser copiado e livremente distribuído tanto em sua forma original, como em sua forma modificada, havendo restrições nesse sentido apenas para garantir que os indivíduos que recebam o software também possam

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praticar tais atos. O software é distribuído com seu código-fonte aberto, permitindo que programadores possam manuseá-lo e alterar suas funcionalidades, possibilitando o surgimento de versões aprimoradas e com mais recursos.

O conceito de software livre difere do conceito de freewares, que são softwares disponibilizados de forma gratuita, mas que se encontram protegidos por direitos autorais, estando vedados, portanto, os diversos atos permitidos no software livre, tais como a alteração e a distribuição não-autorizadas.

O surgimento do software livre veio como uma necessidade perante o desenvolvimento da tecnologia da informação voltada à comunidade e perante o controle exacerbado de empresas sobre os recursos da informática, em resposta ao excesso de proteção que, na maioria das vezes, tais empresas impõem a seus produtos, fator que, em face do conceito do software livre, constitui-se em contraponto às inovações que podem ser trazidas pelos usuários.

Assim, o software livre tem sido encarado como um meio mais amplo de acesso ao conhecimento por aqueles que, em situações normais, estariam desprovidos de condições para tal, facilitando a inclusão digital e o desenvolvimento da informática através da maior eficiência na modificação e atualização dos softwares, num processo em que conhecimento gera conhecimento.

No âmbito da Internet, que se constitui em um espaço onde o acesso à cultura, aos recursos da informática e ao conhecimento tem se operado de forma cada vez maior, o software livre tem assegurado importância fundamental, pois propicia o acesso mais amplo à informática e a seus recursos, o maior desenvolvimento da engenharia de programação e o surgimento de novos recursos de forma mais rápida e efetiva, que geralmente levariam mais tempo para ocorrer caso o desenvolvimento dos softwares estivesse concentrado em empresas.

Certas ferramentas surgidas através do desenvolvimento do software livre na Internet têm facilitado sobremaneira a vida de muitos usuários. Certos recursos que, sob a forma de software proprietário, normalmente seriam caros demais, têm aparecido sob a forma de softwares livres, mantendo grande parte da funcionalidade dos softwares proprietários que inspiraram sua criação. É o caso dos sistemas operacionais de código aberto, como o Linux. Tal sistema operacional, lançado sob a licença GNU General Public License, que garante a qualquer usuário a liberdade para modificar sua estrutura e conteúdo, vem sendo constantemente aprimorado pelos seus usuários e sua funcionalidade assemelha-se bastante à do Windows, da Microsoft, o sistema operacional atualmente mais utilizado e comercializado.

Há ocasiões em que determinado software livre pode agregar funções adicionais que não existem no software proprietário que o inspirou. É o caso, por exemplo, da suíte de aplicativos OpenOffice, lançado sob a GNU Lesser General Public License70, e que surgiu em resposta ao Microsoft Office. Constantes aprimoramentos pelos usuários levaram os aplicativos do OpenOffice a agregar diversas funções que não existem no similar lançado pela Microsoft, citando como maior exemplo a possibilidade de salvar os arquivos no formato

PDF. No Microsoft Office, tal possibilidade é inexistente, devendo o usuário recorrer a um

outro software para que isso seja possível.

A Internet tem desempenhado papel fundamental no fomento ao desenvolvimento do software livre. Diversas versões de softwares livres circulam na rede mundial de computadores, o que possibilita aos programadores o acesso rápido a elas, o estudo e o aprimoramento em busca de versões mais leves e funcionais. Usuários da Internet podem ter acesso livre e gratuito a tais softwares, o que tem sido considerado um avanço contra eventuais monopólios de empresas desenvolvedoras de software proprietário, proporcionando novas alternativas no mercado de softwares, o que facilita a inclusão digital. “[...] O software e a tecnologia são hoje meios vitais da convivência humana e [...] não podem ser explorados na forma de monopólios.”71

Entretanto, há críticos que se insurgem contra o software livre, pautando suas opiniões principalmente no que tange à confiabilidade e à segurança. Alegam que os softwares livres são menos confiáveis e seguros do que os softwares proprietários, já que, dado o caráter de livre modificação, não seriam testados de acordo com critérios rígidos, e suas funções não seriam tão eficazes quando a dos softwares proprietários. Além do que, eventuais erros na programação e no desenvolvimento dos softwares livres poderiam gerar problemas de segurança, como o aparecimento de spywares72 e até mesmo de vírus na

máquina dos usuários.

A legislação brasileira entra em conflito, em alguns pontos, com certas licenças de software livre. Por exemplo, os softwares livres criados pelo regime da GNU General Public

License podem ser lançados sem qualquer garantia contra danos ou mal funcionamento, já que

70 Trata-se de uma variação da GNU General Public License que permite que o software livre seja associado

com outros softwares que não tenham sido lançados sob as licenças de copyleft da GNU, incluindo softwares proprietários.

71 QUERIDO, Regina dos Santos (Coord.). Software livre, software proprietário e inclusão digital. In: ABRÃO,

Eliane Yachouh (Org.) Propriedade imaterial: direitos autorais, propriedade industrial e bens de personalidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006. p.342.

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Spywares são programas de computador que geralmente se instalam na máquina de um usuário sem que o

mesmo perceba, e que servem para coletar informações sobre o usuário, seus hábitos e sua máquina sem autorização, sendo tais informações posteriormente enviadas à Internet.

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podem ser alterados por qualquer indivíduo, o que faz com que haja diversos autores, que não poderão individualmente garantir o software.73

No direito brasileiro,

o fato da "não garantia" é algo absurdo[...], pois o programador ou o detentor dos direitos do programa será (ão) sempre responsável (eis) pelo produto, mesmo que seja gratuito, o que mostra a fragilidade da Licença Pública Geral no Brasil e sua certa nulidade em eventual briga judicial.74

Benzer Belgeler