BÖLÜM II. TARIMIN FİNANSMAN İHTİYACI VE TÜRKİYE’DE TARIMA
2.4 Tarım kartları
O PTB, em relação às reformas de base, se comportou inicialmente seguindo três caminhos: uma via conciliadora, por meio de João Goulart, uma posição radical liderada por Brizola e um viés partidário composto de outras forças políticas – os sindicatos e as ligas camponesas. A partir de março de 1964, a via predominante foi a radical. O programa de reformas pretendia uma mudança estrutural educacional, bancária, eleitoral, tributária e agrária, compatível e prevista no programa do PTB.354 A reforma educacional visava à modificação dos "dispositivos constitucionais disciplinadores da educação nacional, a fim de ampliar as garantias de liberdade do docente e redefinir o instituto da cátedra".355 Também a UNE, nos primeiros anos de 1960, estava empenhada na luta pela reforma universitária. A bandeira das reformas marcou o movimento estudantil no início dos anos 1960. Era um movimento, além de outras características, reformista, tendo como objetivo as alterações na estrutura das universidades.356
A reforma bancária pretendia a implantação de um órgão autêntico e centralizado, com autonomia de decisões, para direção da política monetária e bancária, dispondo de maior força no controle da inflação. A intenção do governo era obter condições que lhe permitissem selecionar o crédito para o impulso das forças de produção. Solicitava, ainda, que os princípios básicos do projeto de reforma bancária fossem mantidos "em suas linhas mestras".357
353 ABREU, 2001, p.4941. 354 Programa do PTB, anexo, p.170. 355 ABREU, 2001, p.4941. 356
MARTINS FILHO, João Roberto. O movimento estudantil na conjuntura do golpe In: TOLEDO, Caio Navarro de. 1964, visões críticas do golpe: democracia e reformas no populismo. Campinas: Ed. UNICAMP, 1997. p. 79-80.
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O processo eleitoral também precisava ser revisto. O objetivo era democratizá-lo para que o poder político se tornasse a verdadeira expressão dos interesses da população, e não dos de uma pequena elite. Em 1963, a população votante era de 21% dos 80 milhões de habitantes. Assim, deveria haver ainda uma mudança na Constituição de 1946, que limitava numericamente os quadros eleitorais, impedindo o voto dos praças, sargentos e analfabetos.358 A mensagem do Presidente era: "todo alistável deve ser também elegível", permitindo a todos os brasileiros maiores de 18 anos votarem e serem votados.359
Ainda no período parlamentarista de Goulart, o Executivo havia apresentado a proposta de reforma tributária, inserida no Projeto n.º.612, de 1961. Esse parecer incluía o imposto de renda, o imposto de consumo, o imposto do selo, o imposto único sobre lubrificantes líquidos e gasosos, o imposto único sobre energia elétrica, contribuições de melhoria, disposições sobre conselhos de contribuinte, conselho superior de tarifas e processo fiscal e disposições diversas. O projeto objetivava aumentar a taxa de poupança, melhorar a composição dos investimentos e a distribuição da renda nacional, bem como eliminar o déficit de caixa do Tesouro. Em março de 1964, a mensagem do governo solicitava ao Congresso o exame das diretrizes para as modificações do texto constitucional, objetivando a execução das reformas de base. A reforma da Constituição de 1946 era um pré-requisito para a implantação de outras reformas, como por exemplo, a agrária. Nos dias posteriores ao Comício das Reformas e ao envio da mensagem presidencial ao Congresso, a oposição civil e militar aumentou, consolidando a conspiração militar.360 A oposição desconfiava de uma reforma constitucional, temendo um objetivo continuísta do presidente da República, embora Goulart alegasse que a reforma constitucional era necessária porque a Constituição, em muitos pontos, já não atendia mais aos
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ABREU, 2001, p. 4941.
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Discurso de João Goulart no Comício das Reformas do dia 13 de março de 1964, apud SILVA, 1945, p. 464.
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anseios da população. De fato, a propriedade da terra não era acessível e apenas uma pequena minoria da população podia votar e ser votada.361
O projeto de reforma agrária do governo enfatizava a redistribuição da propriedade rural. O objetivo era aumentar tanto o acesso a terra, quanto o número de unidades familiares. Visava, ademais, corrigir os entraves da estrutura agrária, e aumentar os incentivos para o desenvolvimento de empresas agrícolas, para assim expandir e diversificar o abastecimento de produtos. Além dessas propostas, previa ainda regulamentar a desapropriação de terras por interesse social e estabelecer condições para a execução da reforma agrária por meio de um órgão do Executivo.362
Esse projeto do governo não podia, contudo, ser encaminhado à apreciação do Congresso, sem antes ser precedido por uma emenda constitucional. Por esse motivo, permaneceu apenas entre a liderança dos partidos. Muitos pontos da emenda foram aceitos, com exceção “do arrendamento compulsório e a indenização com títulos da dívida pública sujeitos apenas a 10% de correção para compensar a inflação".363
Bocaiúva Cunha, líder do PTB na Câmara, enviou ao Congresso em abril de 1963 a emenda constitucional necessária para a implementação do plano de reforma agrária. O projeto ressaltava os dois pontos polêmicos contidos no plano do Executivo. Incluía também uma sugestão de desapropriações, baseadas em interesse social, abrangendo tanto propriedades rurais como urbanas, nestes termos:
Art. 141, § 16. Garantindo o direito de propriedade, salvo o caso de desapropriação por necessidade ou utilidade pública mediante prévia indenização ou por interesse social, na forma do art. 147.
Art. 147. O uso da propriedade será condicionado ao bem estar social e para isso a lei poderá, inclusive:
I. Dispor sobre a justa distribuição da propriedade, com igual oportunidade para todos e, para esse único feito, regular a desapropriação dos bens indispensáveis, assegurando ao proprietário indenização justa, mediante títulos da dívida pública, resgatáveis em
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Discurso de João Goulart no Comício das Reformas do dia 13 de março de 1964, apud SILVA, 1975, p. 459.
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FIGUEIREDO, 1993, p. 114.
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prestações sujeitas a correção monetária com limite não excedente a dez por cento ao ano;
II. Disciplinar o uso da terra e estabelecer o arrendamento compulsório de propriedades rurais;
III. O arrendamento compulsório será uma etapa inicial com prazo determinado para a desapropriação definitiva;
IV. São isentos de quaisquer tributos federais, estaduais, municipais, por prazo e forma que a lei determinar, as terras, os bens e os atos que se relacionam com a execução das reformas agrária e territorial urbana; V. A cada família será assegurada uma propriedade rural ou urbana que satisfaça o mínimo vital que a lei estabelecer.364
Segundo Ferreira365 , o projeto era inovador, já que antes de Goulart nenhum outro governo havia proposto uma mudança de tal proporção na legislação agrária. O projeto enviado ao Legislativo foi acompanhado de campanhas com o objetivo de pressionar o Congresso para votar as reformas. Tendo à frente Leonel Brizola, essa campanha incluía comícios, demonstrações públicas e ameaças de greve geral. A campanha assumiu uma face radical e perigosa devido à ameaça de Brizola em recorrer a medidas extra-parlamentares. A direita não tardou a reagir, usando a ameaça do líder da esquerda petebista para apregoar a necessidade urgente de "salvar e garantir o funcionamento do Congresso".
O político de sucesso é aquele que consegue visualizar o campo de ações que lhe são possíveis, e a partir daí tomar posições “convenientes e convencionadas evitando as comprometedoras”. Essa fase do jogo político é a da previsão. Por saberem quais as tomadas de posição mais vantajosas, eles podem prever as ações dos outros políticos e, pelo mesmo princípio, tornam-se previsíveis para os concorrentes. É justamente o agir segundo essa previsão que os faz competentes, confiáveis e responsáveis. A previsibilidade os credencia como atores políticos capazes de desempenhar no jogo justamente o papel que lhes cabe, sem fugir ao roteiro.366
Embora houvesse sido rejeitada na comissão, em 13 de maio, a emenda ainda estava programada para ser votada em plenário. A fim de encontrar uma solução para o impasse, Goulart buscou apoio no PSD. Essas propostas foram longamente discutidas, surgindo soluções conflitantes para a emenda constitucional que previa o
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FIGUEIREDO, 1993, p. 116.
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FERREIRA.In: FERREIRA; DELGADO, 2003, p. 367.
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pagamento das terras desapropriadas em títulos da dívida pública. Os membros da ala esquerda do PTB, entretanto, não estavam convencidos da necessidade de uma "solução negociada" e, por isso, não cediam às concessões do PSD.367 De acordo com Jorge Ferreira, a coalizão da esquerda radical não admitia conciliação e, portanto, qualquer projeto prevendo indenização seria rejeitado.368 Nesse contexto, houve uma polarização das forças, obrigando o presidente a oscilar entre a esquerda e o centro. Esse embate de forças o induziu a paralisar as medidas de reforma agrária, consideradas politicamente inviáveis.369