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1. BÖLÜM

2.3. TARIM SEKTÖRÜNÜN YAPISAL ÖZELLİKLERİ

2.3.3. Tarım Alanları

“A política pública transcende os instrumentos normativos do plano ou do programa. Há, no entanto, um paralelo evidente entre o processo de formulação da política e a atividade de planejamento.”

(Maria Paula Dallari Bucci)223

Segundo Maria Paula Dallari Bucci224,

Políticas públicas são programas de ação governamental visando a coordenar os meios à disposição do Estado e as atividades privadas, para a realização de objetivos socialmente relevantes e politicamente determinados. Políticas públicas são “metas coletivas conscientes” e, como tais, um problema de direito público, em sentido lato.

Referimo-nos aqui não à política partidária, mas à política num sentido mais amplo, como atividade de desenvolvimento e conhecimento frente à organização de poder. Como podemos separar teoricamente as duas noções, na prática elas estão entrelaçadas.

Decisões políticas são, muitas vezes, tomadas sem nexo algum, sem ao menos visualizar a relação que o Estado deveria ter perante a sociedade. “A incapacidade do Estado brasileiro de formular políticas públicas, devido à privatização por grupos sociais determinados e ao sistema de representação congressual que transforma os legisladores em agenciadores de verbas públicas.”225.

Isso faz com que muitas vezes não tenhamos políticas públicas realizadas satisfatoriamente.

Ainda para Maria Paula Dallari Bucci226,

...o paradigma do direito liberal do século XIX, baseado na norma geral e abstrata, na separação de poderes, na distinção entre direito público e direito privado, típicos do Estado moderno, na denominação de Charles-Albert Morand, dá lugar a uma sucessão de modelos de Estado que se caracterizam por diferentes graus e modos de intervenção sobre

224 Id. Ibid., p. 241.

225 LOPES, José Reinaldo de Lima. Direito subjetivo e direitos sociais: o dilema do Judiciário no Estado social de direito. In: FARIA, José Eduardo (Org.) Direitos humanos, direitos sociais e justiça. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 117.

as esferas privadas. Morand refere-se a: um direito do Estado- providência, baseado na ideia de prestações do Estado (serviços públicos); um direito do Estado propulsivo, centrado nos programas finalísticos; um direito do Estado reflexivo, cuja expressão são programas relacionais; e finalmente um direito do Estado incitador, fundado em atos incitadores, que combinam norma e persuasão. Evidentemente, não há um corte temporal separando nitidamente essas fases; o que há são técnicas de intervenção jurídica que vão sendo criadas e modificadas, a ponto de caracterizar novos padrões qualitativos da relação entre o Estado e a sociedade.

Ressalta a autora em relação às políticas públicas:

Quanto mais conhece o objeto da política pública, maior é a possibilidade de efetividade de um programa de ação governamental; a eficácia de políticas públicas consistentes depende diretamente do grau de articulação entre os poderes e agentes públicos envolvidos. Isto é verdadeiro especialmente no campo dos direitos sociais, como saúde, educação e previdência, em que as prestações do Estado resultam da operação de um sistema extremamente complexo de estruturas organizacionais, recursos financeiros, figuras jurídicas, cuja apreensão é a chave de uma política pública efetiva e bem-sucedida.

Embora louvável a iniciativa dos legisladores constituintes em relação a algumas políticas públicas educacionais, ainda estamos longe do patamar almejado constitucionalmente.

Mas, a lógica racional das políticas públicas, como vetores de programas para a realização de direitos, como prevê Habermas227:

[...] particularidades concretas e orientações para objetivos sempre migram à lei pelo caminho dos programas políticos dos legisladores. Até mesmo a legalidade formal burguesa teve de estar aberta aos objetivos coletivos, tais como aqueles encontrados nas políticas relacionadas a questões militares ou tributação. Nesses casos, contudo, a perseguição de objetivos coletivos teve de estar subordinada à função principal do direito (a normatização das expectativas de conduta) de um modo que fosse possível interpretar políticas em geral como a realização de direitos. Porque a lei tem uma estrutura própria e não é

arbitrariamente maleável, essa exigência é mantida também para as decisões coletivas ligadas a um Estado ativo, que usa a lei para influenciar os processos sociais. As condições constitutivas do direito e do poder político seriam violadas se a formação da política fizesse uso da forma da lei para não importa que propósito, com isso destruindo a função interna da lei. Mesmo no Estado social, o direito não deve ser completamente reduzido a política se não se quiser extinguir a tensão interna entre facticidade e validade, e entre esta e a normatividade da lei: ‘A lei se torna um instrumento da política se a tensão interna, e ao mesmo tempo o próprio meio legal, estipula as condições procedimentais sob as quais a política pode ter a lei à sua disposição.

Maria Helena traz como Política Social228:

Sistema que, contendo medidas públicas, visa o exercício, pelo Estado, do poder de, dentro de uma ordem social, conciliar, reparar desigualdades sociais e solucionar certos problemas sociais, instaurando uma nova ordem social; complexo de programas que têm por objetivo a garantia do bem-estar populacional e do desenvolvimento do progresso social.

Ora políticas públicas necessitam estarem voltadas para o atendimento da sociedade como um todo, mas dando mais ênfase para a sociedade que sofre com os problemas de exclusão social, devido à origem mais humilde de nascimento e consequentemente carregar esse estigma por um bom período de vida,

A partir do momento que o Estado promove uma maior inclusão social, direcionando, como foco principal, a erradicação de todas as formas de discriminação das desigualdades sociais, ficará mais fácil de restaurar a ordem social dessa sociedade.

228 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. 3ª ed., rev., atual. e aum. São Paulo: Saraiva, 2008. Obra em 4 v. – Vol. J-P, p. 717.