1. BÖLÜM
2.2. CUMHURİYET DÖNEMİ’NDE TARIM SEKTÖRÜNÜN TARİHSEL
2.2.1. Cumhuriyet’in Kuruluşu ve Tek Partili Dönem
Bolsa Permanência é outra forma de ação governamental para auxiliar o alunado de baixa renda que, também, convive com situações de vulnerabilidade socioeconômica.
Em linhas gerais, o Programa de Bolsa Permanência – PBP é uma ação do Governo Federal de concessão de auxílio financeiro a estudantes matriculados em instituições federais de ensino superior em situação de vulnerabilidade socioeconômica e para estudantes indígenas e quilombolas. O recurso é pago diretamente ao estudante de graduação por meio de um cartão de benefício.
A Bolsa Permanência é um auxílio financeiro que tem por finalidade minimizar as desigualdades sociais e contribuir para a permanência e a diplomação dos estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Seu valor, estabelecido pelo Ministério da Educação, é equivalente ao praticado na política federal de concessão de bolsas de iniciação científica, atualmente de R$ 400,00 (quatrocentos reais). Para os estudantes indígenas e quilombolas, será garantido um valor diferenciado, igual a pelo menos o dobro da bolsa paga aos demais estudantes, em razão de suas especificidades com relação à organização social de suas comunidades, condição geográfica, costumes, línguas, crenças e tradições, amparadas pela Constituição Federal. Ademais, os estudantes indígenas e quilombolas matriculados em cursos de licenciaturas interculturais para a formação de professores também farão jus a bolsa de permanência durante os períodos de atividades pedagógicas formativas na Instituição Federal de Ensino Superior -IFES, a bolsa de permanência até o limite máximo de seis meses.
Uma grande vantagem da Bolsa Permanência concedida pelo Ministério da Educação é ser acumulável com outras modalidades de bolsas acadêmicas, a exemplo da bolsa do Programa de Educação Tutorial – PET, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação.
Essa é uma das grandes alternativas do governo federal, no entanto, não deve ser a única. E quando analisamos que o estudante terá apenas por seis (06) meses a bolsa no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), ficamos nos indagando o que ele fará ao termino desse período? Parece-nos clara a evidência de que este aluno trancará o seu curso superior, pois precisa receber uma bolsa que dure o curso inteiro e não apenas um semestre.
Neste diapasão de uma distribuição de direitos e liberdades para as pessoas humanas, não podemos deixar os excluídos pelo sistema no caso de um modelo de justiça distributiva, o Estado é obrigado a proporcionar a seus cidadãos um mínimo de bem-estar material.
A justiça distributiva é mencionada, possivelmente pela primeira vez, no livro V da obra Ética a Nicômaco, de Aristóteles218. Esse livro V é dedicado à
justiça, que é considerada por Aristóteles a forma mais elevada de excelência moral, ou melhor, ainda, “a excelência moral inteira”.
Ora a justiça distributiva, para Aristóteles, é uma espécie de justiça em sentido estrito.
Segundo Aristóteles219, a justiça distributiva:
(...) é a que se manifesta na distribuição de funções elevadas de governo, ou de dinheiro, ou das outras coisas que devem ser divididas entre os cidadãos que compartilham dos benefícios outorgados pela constituição da cidade, pois em tais coisas uma pessoa pode ter uma participação desigual ou igual à outra pessoa.
218 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 3 ed. Trad. Mário da Gama Kury. Brasília: Universidade de Brasília, 2001. 93. 219 Ib. ibid.
Notamos que, para Aristóteles, a justiça distributiva estava relacionada à ideia de mérito, e não havia caráter de obrigatoriedade na distribuição dos bens e oportunidades. Isso fica nítido e explicitado na seguinte citação220:
(...) todas as pessoas concordam em que o que é justo em termos de distribuição deve sê-lo de acordo com o mérito em certo sentido, embora nem todos indiquem a mesma espécie de mérito; os democratas identificam a circunstância de que a distribuição deve ser de acordo com a condição de homem livre, os adeptos da oligarquia com a riqueza (ou nobreza de nascimento), e os adeptos da aristocracia com a excelência.
Ao percebermos que a justiça distributiva, na visão de Aristóteles, demonstra, “sempre que a proporção entre as valias dos sujeitos para o todo social forem exatamente reproduzidas nas quantidades de coisas, direitos ou encargos outorgados a cada qual” 221.
Flávia Piovesan222 vem demonstrar que as ações afirmativas traria um
patamar maior de igualdade para a pessoa humana que já sofre uma discriminação e consequentemente uma exclusão social.
É necessário ainda reconhecer que a complexa realidade brasileira traduz um alarmante quadro de exclusão social e discriminação como termos interligados a compor um ciclo vicioso em que a exclusão implica discriminação e a discriminação implica exclusão.
Nesse cenário, as ações afirmativas surgem como medida urgente e necessária. Tais ações encontram amplo respaldo jurídico, seja na Constituição (ao assegurar a igualdade material, prevendo ações afirmativas para os grupos socialmente vulneráveis), seja nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil.
A experiência no Direito Comparado (em particular a do Direito norte- americano) comprova que as ações afirmativas proporcionam maior
220 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 3 ed. Trad. Mário da Gama Kury. Brasília: Universidade de Brasília, 2001. 96. 221 CASTILHO, Ricardo. Justiça social e distributiva: desafios para concretizar direitos sociais. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 22.
222 PIOVESAN, Flávia. Ações afirmativas da perspectiva dos direitos humanos, p. 52 http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n124/a0435124.pdf <Acesso em 13 de nov. de 2014.>
igualdade, na medida em que asseguram maior possibilidade de participação de grupos vulneráveis nas instituições públicas e privadas.
Cabe ao Estado neste contexto proporcionar o acesso universitário ao maior número possível de pessoas que tenham interesse em frequentar o ambiente universitário. Somente assim, sejam eles negros, pardos, índios ou brancos, mas, trazendo um patamar de igualdade independentemente de sua raça, etnia ou cor. Levando em conta apenas as circunstâncias sociais nas quais esses grupos de pessoas estarão inseridos.
Ainda vamos mais além, não pode o Estado vislumbrar a mente do estudante com bolsas que duraram um período muito curto, que não conseguiram terminar o nível universitário. Bolsas com o intuito de ter uma duração de seis (06) meses apenas enche de esperanças e ilusões, não chegando realmente a dar a efetividade do direito e da igualdade de oportunidades.
Como notamos em Aristóteles a ideia de mérito para a aprovação de determinadas ações.