A presente pesquisa objetivou, através do conhecimento aliado da evolução histórica do uso e da ocupação da região do Cumbuco, com o conhecimento do ambiente natural em questão, fornecer subsídios para que haja uma gestão sustentável da paisagem em foco.
No decorrer do trabalho foram abordados os aspectos específicos acerca do ambiente litorâneo do Cumbuco e de todos os seus condicionantes ambientais, culturais, econômicos e sociais, transpondo-se de forma fidedigna para o escopo do trabalho a realidade observada in loco em campo.
Os estudos acerca do uso e da ocupação humana do litoral a oeste de Fortaleza são restritos e atestam um crescente processo de desenvolvimento da área, intensificado na década de 1970 devido, principalmente, às atividades turísticas e à sua localização próxima a Fortaleza.
Essa referida forma de crescimento vem modificando a paisagem do ambiente litorâneo, bem como vem, concomitantemente, inserindo novas culturas às culturas tradicionais dos “povos do mar”, gerando, com isso, um desordenamento do espaço, a perda da identidade cultural dos povos nativos, além de uma ausência de políticas públicas as quais visem uma gestão sustentável do território.
Nesse sentido, as transformações espaciais manifestadas fisicamente no Cumbuco evidenciam-se, basicamente, através da implantação das infraestruturas necessárias e da intensificação da circulação em sentido amplo.
A espacialização das ações do Estado obedece a uma racionalidade hegemônica inserindo-se, primordialmente, em interesses privados e se traduz, também, na produção e no consumo do espaço. Produção e consumo são intrinsecamente relacionados, pois o espaço é produzido para, em outro momento, ser consumido. O ato de produzir é, também, o ato de consumir. É dessa forma, portanto, que o espaço local do Cumbuco, assim como diversos outros espaços ao longo do território nacional e mundial, vem sendo produzido ao longo das últimas décadas: uma produção no sentido da urbanização para o turismo, com o efetivo papel do poder público no aprofundamento do uso do território, através da criação de programas (e.g.: PRODETUR) e de normas que, muitas vezes, traduzem-se na imposição de verticalidades, reduzindo o espaço à mera condição de mercadoria.
Essa nova lógica da criação dos espaços para o consumo turístico vem ocasionando ao longo da localidade do Cumbuco uma série de impactos ambientais (e.g.: compactação do campo de dunas, supressão da vegetação ciliar das lagoas), além de serem observados impactos causados devido à má gestão do território (e.g.: acúmulo de lixo, privatização de terrenos públicos). Através do conhecimento desses impasses, a pesquisa apontou uma série de medidas para a atenuação dos mesmos, configurando-se como uma importante ferramenta para a gestão sustentável local.
A dinamicidade e a rapidez ganham corpo no Cumbuco e, à medida que o capital circula livremente na região, ele é seletivo do ponto de vista espacial, deixando à margem do novo cenário local desenhado elevada parcela da população. Como reflexo das determinações impostas pelas novas formas de uso e de ocupação da região e da conservação da lucratividade (marcas da atividade turística), o Cumbuco apresenta-se, apenas, como mais um espaço escolhido.
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