A aplicação da GIZC exige um engajamento de diversos setores da sociedade. O Cumbuco se trata de uma localidade de crescimento acelerado e, com isso, a quantidade de grupos e de atores interessados e atuantes nessa região é bem significativo.
Nesse tópico será apresentado um conjunto de medidas que podem amenizar ou, até mesmo, solucionar boa parte dos problemas de cunho socioambiental, discutidos no capítulo anterior, que atingem o Cumbuco e que, por conseguinte, reduzem a qualidade de vida da população local. Também serão apresentadas alternativas para que haja um melhor equilíbrio socioambiental na área, propondo medidas para uma gestão sustentável do território.
Para uma melhor visualização dos impactos identificados vs. medidas de gestão, o quadro 13 foi elaborado. Nele, como referido anteriormente, podemos identificar o impacto observado, o local onde esse impacto ocorre, os riscos que esse impacto traz consigo, bem como as suas vulnerabilidades e, por fim, as medidas de gestão indicadas para cada dano de forma individual.
Impactos Socioambientais
Impactos Observados Riscos Vulnerabilidades Medidas de Gestão
Faixa de praia
1. Ocupação dos setores de
berma e estirâncio por residências e empreendimentos (Hotéis, Pousadas, Barracas de praia)
2. Obstrução do acesso à praia; 3. Tráfego de veículos sobre a
faixa de estirâncio.
4. Utilização de terrenos públicos
por casas de veraneio.
Incremento da erosão por supressão de áreas de domínio das energias das ondas e marés; interferência no aporte de areia destinado à deriva litorânea.
Elevada vulnerabilidade à ocupação dos setores de berma e estirâncio.
1. Demarcação dos Terrenos públicos (de
marinha);
2. Desocupação de áreas relacionadas com a
dinâmica das ondas e das marés;
3. Requalificação paisagística da faixa de praia.
Campo de dunas
Tráfego de veículos para passeios turísticos, quadriciclos e motos (Motocross).
Danos à fauna e flora local; compactação das dunas; extinção das dunas.
Elevada vulnerabilidade à expansão urbana e ao tráfego de veículos;
1. Fiscalização e monitoramento de modo a
preservar os resquícios de dunas;
2. Delimitar trilhas-eixo para os passeios
turísticos de buggy;
3. Delimitar área para a prática do motocross e
da utilização dos quadriciclos.
Lagoa do Banana
Ocupação das margens por casas de segunda residência e barracas de “praia”; lançamento de esgotos e desmatamento da mata ciliar.
Danos à biodiversidade, qualidade da água e zonas de recarga do aquífero. Fragmentação das lagoas devido à ocupação urbana. Danos à fauna e flora local.
Elevada vulnerabilidade ao uso e ocupação de suas margens e leitos. .
1. Saneamento básico;
2. Recuperação do leito das lagoas com projetos
reflorestamento e de requalificação paisagística;
3. Retiradas de edificações nas áreas de
preservação permanente (APP).
Vila do Cumbuco
Lixo Urbano; fezes de animais na faixa de praia; aglomeração
de entulhos da construção civil. Danos à saúde da população; aglomeração de animais no Elevada aglomeração de lixos, entulhos de vulnerabilidade na
1. Coleta seletiva mais eficaz, através da
contratação de profissionais treinados;
2. Desenvolvimento de programas de educação
entorno dos entulhos; odores
fétidos. construção civil e fezes de animais na faixa praial. 3. Conscientização dos proprietários de animais de tração para que recolham os dejetos de seus animais ao longo da faixa de praia;
4. Notificação às construtoras para que
recolham os seus entulhos.
Vila do
Cumbuco Perca da identidade litorânea das comunidades tradicionais (pescadores).
Inserir a população em uma lógica capitalista a qual não pertence, gerando problemas sociais, tais como prostituição e tráfico de entorpecentes.
Elevada vulnerabilidade no tocante à segurança e à saúde pública.
1. Programa de retomada da cultura local,
através de festas que valorizem as práticas pesqueiras;
2. Inclusão de atividades na escola que contem a
história do Cumbuco, exaltando a cultura local;
3. Retomada das festas de comemoração da
construção da Vila (paradas desde 2011);
4. Criação de um pequeno museu no interior da
colônia de pescadores, o qual deixe à mostra para os visitantes os costumes tradicionais;
5. Criação de um programa em parceria com a
escola de Ensino Infantil e Fundamental Helena de Aguiar Dias para a conscientização acerca dos malefícios do uso de entorpecentes;
6. Criação de cursos de capacitação para os
jovens na área de turismo e meio ambiente. Fonte: Mesquita, 2013.
Impactos socioambientais
Além dessa série de medidas de atenuação ou, até mesmo, de solução dos impactos socioambientais, uma série de propostas de gestão sustentável do território foi cuidadosamente estudada. Essas propostas foram pensadas tendo por base todos os anseios da população, bem como a sua viabilidade ambiental e socioeconômica. As indicações vão desde a criação de programas de conscientização e educação ambiental e culminam com a proposta de se criar um calendário de atividades socioambientais que almejam fazer com que o Cumbuco não perca a sua sustentabilidade e sua cultura tão frágil. As propostas são:
• Criação do Conselho local de Turismo e Meio Ambiente;
• Elaboração de Plano de Gerenciamento de Resíduos, partindo da educação ambiental, passando pela coleta seletiva e disposição final correta dos resíduos;
• Criação do Programa Local de Educação Ambiental, através dos órgãos gestores da Prefeitura Municipal de Caucaia, onde seria realizada uma forte campanha exaltando a necessidade de preservação ambiental e pontuando as benesses dessas ações;
• Implantação de um Centro Cultural com auditório para a realização de eventos, fortalecendo a cultura dos povos do mar;
• Incentivo a compras no comércio local;
• Criação de um Programa de Incentivo ao artesanato local, no qual o município cederia um espaço para que houvesse a venda e a confecção do material;
• Inclusão de programas que tenham como tema a relação Meio Ambiente e Turismo na escola local;
• Inserir os indivíduos das comunidades tradicionais em seminários, oficinas, fóruns e audiências públicas acerca das técnicas de instalação de equipamentos turísticos e discutir sobre as áreas a serem impactadas, os geossistemas, os habitats e os ecossistemas envolvidos;
• Fortalecer as políticas de fiscalização para o combate e a prevenção dos crimes contra a biodiversidade, de extinção de ecossistemas da zona costeira e de habitats vinculados diretamente às atividades de subsistência das comunidades tradicionais;
• Implantação de programas e projetos de recuperação ambiental, de previsão e de recomposição das paisagens degradadas;
• Demarcação das Terras da União com sua vinculação a uma ação integrada com os Órgãos Federais, estaduais e municipais de meio ambiente;
• Ampliar a participação das entidades representativas das comunidades tradicionais nas tomadas de decisões e nas formulações de políticas públicas;
• Criação de selos de desenvolvimento sustentável para reconhecimento de empresas e organizações que produzem e comercializam de acordo com a legislação ambiental e trabalhista;
• Evitar ocupações antrópicas na zona fornecedora de sedimentos eólicos para a linha de praia, o que evitaria a origem de um progressivo processo erosivo;
• Parceria com ONGs ambientais, bem como com a população e todos os empreendimentos turísticos locais, para realizar grandes projetos de limpeza da faixa de praia;
• Conscientização dos funcionários de Hotéis, Pousadas e empreendimentos comerciais para que não utilizem o recurso água para a limpeza dos arredores de seus locais de trabalho;
• Criação de uma série de eventos ambientais ao longo de todo o ano, um calendário ambiental, no qual ocorreriam ações mensalmente e com forte apelo de participação de toda a comunidade.