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2.3. TÜKETİCİ DAVRANIŞ MODELLERİ

2.3.2. Tanımlayıcı (Çağdaş) Tüketici Davranış Modeli

A Declaração de Bolonha assinada, inicialmente, em 1999, por 29 países europeus, baseava-se em 06 objetivos13:

 Adoção de um sistema de graus compatível entre os países europeus;  Ensino superior dividido em 03 ciclos (3+2+3);

 Estabelecimento de um sistema de créditos, que facilite a mobilidade internacional de

estudantes (ECTS - European Credit Transfer System);

 Promoção da mobilidade de estudantes, docentes, técnicos-administrativos e

pesquisadores;

 Promoção de cooperação europeia para os sistemas de avaliação da qualidade e  Criação do Espaço Comum Europeu de Ensino Superior.

O Processo de Bolonha nasce da perspectiva de consolidação de uma economia baseada no conhecimento, buscando tornar a Europa mais competitiva e dinâmica, capaz de sustentar o crescimento econômico com mais oportunidade de trabalho e coesão social (CACHAPUZ, 2010). O Processo de Bolonha questiona o modelo humboltiano de universidade, que se baseia na relação entre autonomia e articulação com os Estados nacionais. Para Cachapuz, o Processo de Bolonha coloca em xeque a autonomia das instituições universitárias, uma vez que delas retira a capacidade para autorregulação, definição e aplicação de estratégias próprias de desenvolvimento e responsabilização. Essa perda da autonomia das instituições universitárias

ocorre em paralelo a um processo de configuração de um Estado menos operacional e mais avaliativo e regulador, conforme propõe o modelo neoliberal. Nesse contexto, alunos assumem o papel de fregueses/clientes do ensino superior, em uma Nova Gestão Pública ditada pelas políticas neoliberais (CACHAPUZ, 2010):

Ao invés de (re) aproximar a universidade de sua função humanística e de seu caráter de instituição que permita o contraditório, o pensamento plural e a proposição de possíveis novos caminhos para os desafios sociais de nossa época, o Processo de Bolonha parece tender a aproximar a educação superior, conforme se pode ler em vários analistas, da imitação da regras e regulações do livre mercado, entendido como paradigma da eficiência, desenvolvimento e combate ao suposto inchaço da presença do Estado na sociedade. (CATANI, A. M; GILIOLI, R. S. P, 2010).

Rossato se apropria do termo Neocolonialismo na Educação Superior para descrever a influência do Processo de Bolonha na configuração das universidades brasileiras.14 Essa influência teria se tornado notória na implementação do REUNI, inspirada pela noção de Universidade Nova15, flexibilização curricular, modernização das estruturas, intercâmbio institucional e avaliação sistêmica. Para o autor, semelhantemente ao Protocolo de Bolonha, o REUNI estimulou e viabilizou as propostas de reformas universitárias brasileiras (ROSSATO, 2010).

A partir da breve contextualização acima exposta, definiremos o REUNI, por meio da análise de documentos oficiais, contextualizando-o com as políticas públicas de educação superior em vigor nesse início de milênio. Defendemos aqui que, embora seja notória a influência do Protocolo de Bolonha na proposição de reforma universitária, por meio do REUNI, essa influência não ocorreu de forma determinista. Ao lado da proposição de reformas curriculares, novos itinerários formativos e práticas pedagógicas inovadoras, condizentes com as necessidades de formação em um mundo globalizado, como estabelece o Protocolo de Bolonha, o REUNI apresenta uma preocupação com a democratização do ensino superior, contrariando assim a vertente europeia de educação como comércio, negócio. Com o REUNI, por fim, teríamos uma tentativa de reafirmação da educação superior como bem público.

O REUNI, criado por meio do Decreto nº 6.096 de 24 de abril de 2007, objetivou a expansão e reestruturação das universidades federais como forma de ampliar o acesso a esse

14 O termo Neocolonialismo na Educação Superior remete à consolidação de um modelo econômico baseado em conhecimento, esse entendido como subsidio para ganho comercial.

15 O Termo Universidade Nova foi uma proposta de reestruturação universitária, discutida entre diversos segmentos da sociedade acadêmica e coordenada pelo Prof. Naomar Monteiro de Almeida Filho da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Esta proposta balizou as discussões no Ministério da Educação (MEC) para a proposição do REUNI.

nível de ensino, prioritariamente através da criação de cursos noturnos e interiorização dos campi universitários. Proposto pelo governo federal, teve como fundamento o princípio de adesão, respeito à autonomia das universidades e garantia da qualidade acadêmica.

O REUNI parte do pressuposto de que as universidades públicas federais compõem um círculo virtuoso, tendo como público majoritário estudantes de classes favorecidas, cuja trajetória escolar baseia-se na frequência, durante a educação básica, a escolas particulares, o que permite acesso às universidades federais, reconhecidamente de melhor qualidade16.

Desse círculo, depreende-se a necessidade de melhoria e integração da educação superior e educação básica, já que somente poderá se falar em democratização de acesso ao ensino superior quando a formação básica for quantitativa e qualitativamente acessível a todos, de forma equânime (PINTO, 2004; SOBRINHO, 2010). A expansão de vagas e cursos das universidades, e seus respectivos planos de reestruturação acadêmica, pensados sob a égide da qualidade acadêmica e relevância social é, assim, apenas um dos instrumentos para a democratização da educação, já que pertence a um processo formativo que deve ser construído a partir da educação básica.

Paralelo ao processo de expansão das vagas, que visa, entre outros, ao atendimento da meta prevista no PNE 2001-2010 -, de pelo menos 30% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos no ensino superior17, a reestruturação parte do princípio de que a formação acadêmica brasileira é marcada pela especialização precoce, currículos rígidos, de natureza disciplinar e distante das novas demandas colocadas pelo mundo do trabalho e da própria produção científica. Formação, portanto, que não coincide com os imperativos colocados pelo contexto da globalização econômica. A partir desse diagnóstico e baseado no modelo de Universidade Nova, propõe-se a configuração de cursos de graduação de natureza interdisciplinar, com a presença de formação

básica, com direito a diplomas/certificados “parciais” conforme a conclusão de cada ciclo.18

O modelo de Universidade Nova propõe a existência de três ciclos, a saber:

1. Bacharelado Interdisciplinar (BI);

16Pinto, ao analisar o acesso à educação superior no Brasil nos últimos 40 anos, afirma que “em todos os cursos

considerados, as IES públicas são menos elitizadas que suas congêneres privadas. Assim é que o percentual de participantes negros ou pardos no ENC –Exame Nacional de Cursos – de medicina é de 20,6%, contra 10,5% nas privadas. Esta grande diferença está presente em todos os cursos analisados” (PINTO, 2004, p. 742). O autor reafirma, nesse sentido, o papel das universidades públicas como espaço para inclusão social. Piotto também apresenta conclusões semelhantes (Ver Nota 1).

17 Em 2012, o número de estudantes matriculados no ensino superior, com idade entre 18 e 24 anos era de 17,8%. Portanto, a meta não foi alcançada, mesmo após o período do REUNI.

18 Cabe destacar que, embora a discussão sobre a Universidade Nova tenha sido importante na idealização do Plano, o REUNI não propõe um modelo único para os cursos de graduação, o que contrariaria a prerrogativa da autonomia universitária.

2. Formação Profissional; 3. Pós-graduação.

A proposta atualmente denominada de Universidade Nova implica uma transformação radical da arquitetura acadêmica da universidade pública brasileira, visando a superar os desafios e corrigir [uma série de] defeitos. Pretende-se, desse modo, construir um modelo compatível tanto com o Modelo Norte-Americano (de origem flexneriana) quanto com o Modelo Unificado Europeu (processo de Bolonha) sem, no entanto, significar submissão a qualquer um desses modelos de educação universitária. A principal alteração proposta na estrutura curricular da universidade é a implantação de um regime de três ciclos de educação superior:

- Primeiro Ciclo: Bacharelado Interdisciplinar (BI), propiciando formação universitária geral, como pré-requisito para progressão aos ciclos seguintes;

- Segundo Ciclo: Formação profissional em licenciaturas ou carreiras específicas;

- Terceiro Ciclo: Formação acadêmica científica, artística e profissional da pós- graduação.

A introdução do regime de ciclos implicará ajuste da estrutura curricular tanto dos cursos de formação profissional quanto da pós-graduação. Além disso, propõe-se a incorporação de novas modalidades de processo seletivo, para o próprio Bacharelado Interdisciplinar e para as opções de prosseguimento da formação universitária posterior (UFBA, 2007, p. 9 apud LIMA, AZEVEDO, CATANI, 2008).

Assim, para além de atendimento a uma demanda nacional, o REUNI relaciona-se ao processo mais amplo, em nível internacional, de reestruturação das universidades como instrumento para aumento de competitividade, nacional e internacionalmente:

O REUNI é um programa de reforma das Instituições Federais de Ensino Superior - IFES acoplado a um plus de financiamento para aquelas universidades que a ele aderirem. Esse conjunto de condições é uma forma de estimular a concorrência entre as universidades federais. Talvez mais correto seria dizer que se trata de uma competição de regularidade e de busca de identidade ao modelo sugerido pelo MEC. (LIMA, AZEVEDO, CATANI, p.17, 2008)

Lembram-nos também os autores Lima, Azevedo e Catani que “na história recente das políticas públicas no Brasil nota-se que as reformas, entre outras motivações, são bastante influenciadas pelo fundamento de política externa, isto é, modelos estrangeiros, relatórios teóricos e think tanks transnacionais” (LIMA; AZEVEDO; CATANI, p.21, 2008).Sendo assim, podemos inserir o REUNI na lógica da globalização em que a competitividade econômica perpassa pela produção cientifica e tecnológica e pela circulação global do conhecimento; perpassa também pela necessária elevação dos níveis de escolarização da sociedade, definidos por organismos internacionais como indicador de desenvolvimento, ainda que o prolongamento da vida escolar não signifique necessariamente a possibilidade de ascensão social (MERLE,

2011). Perpassa, por fim, pelo anseio de projeção internacional, por meio da reestruturação acadêmica, conforme vem ocorrendo com o Processo de Bolonha. Entretanto, contraditoriamente, também defende a necessidade de democratização do ensino superior ao enfatizar a necessidade de criação de cursos noturnos, para a facilitação do ingresso de estudante-trabalhador e realça a responsabilidade social das Ifes.