KISIM IV: YARGISAL DENETİM
Madde 1 Tanımlar
Na ótica da Linguística Textual, o texto é uma proposta de sentidos múltiplos, uma manifestação plurilinear na sua construção, que propicia uma infinidade de interpretações (BEAUGRANDE apud MARCUSCHI, 2007). Desse modo, é o leitor que constrói a própria leitura e direciona os limites para a atribuição de sentidos, recorrendo a possibilidades e meios disponíveis, como notas, dicionários, enciclopédias, optando por diferentes percursos de leitura, já que essa está sempre aberta e contínua para novos significados.
Na leitura de um livro impresso, podemos, por exemplo, realizar a leitura da esquerda para a direita, de cima para baixo, de modo não-linear, assim como no hipertexto. Diante disso, Marcuschi (2007) julga possível dizer que a não- linearidade do hipertexto tem sua contraparte no texto impresso, pois, embora sejam manifestações comunicativas diferentes, apresentam funções similares no que diz respeito aos múltiplos sentidos.
Assim, entendemos que, no caso da leitura, uma palavra pode nos remeter a conceitos e representações previamente construídos ao longo da vida. Na Internet, fica mais evidente o que cognitivamente ocorre na leitura. Ao lermos um texto digital, uma palavra pode ser link para outro texto e, assim, a navegação não obedece a uma ordem. Cada leitor pode determinar o caminho a seguir, as leituras a fazer, criando seu próprio texto, que também pode ser redefinido a todo instante.
Verificamos, pois, que o resultado de uma pesquisa na rede pode depender da habilidade do hiperleitor para lidar com os recursos tecnológicos, para garantir a manutenção temática e para produzir inferências em sistemas hipertextuais, de acordo com seus objetivos de leitura. Caso ele não tenha delineado previamente um percurso de leitura, pode não estabelecer a coerência necessária no emaranhado de links apresentados na superfície do hipertexto em uma cadeia aparentemente infinita. Desse modo, assim como podemos obter um mundo de informações em um simples clique no mouse, também é possível nos perdermos nele.
No entanto, o hipertexto deve possibilitar a construção do texto de cada nó, bem como a interligação desses nós pelos hiperlinks, os quais funcionam como elos entre os textos disponíveis na rede e cuja organização fica a cargo do próprio leitor. Sobre a leitura hipertextual, Perfetti (apud KOCH, 2009, p. 67) afirma:
A questão central não está em discutir a relação ente textos e hipertextos, mas em admitir que se trata sempre de textos. O que se deve buscar entender é ‘como os leitores usam diferentes tipos de informação e a ordem em que as informações são usadas’, inclusive como os leitores integram aos seus conhecimentos as informações que vão acessando.
Como não há caminhos fixos a seguir, os sentidos passam da esfera do fixo para a do fluxo contínuo. Dessa maneira, os percursos podem ser diversos e estão sempre à deriva, produzindo novos olhares acerca da produção de conhecimento. Ressaltamos, então, que a navegação entre sites diferentes ou dentro de um mesmo site também produz sentidos para o leitor e interfere na construção do sentido final. Esse percurso é determinado pelo próprio leitor, que estabelece objetivos prévios de leitura. São esses objetivos que o nortearão tanto na leitura do texto impresso quanto na leitura de hipertextos.
Lévy (1993) retoma que o contexto também auxilia o leitor na atualização do hipertexto, servindo para determinar o sentido de uma palavra. Em contrapartida, cada palavra auxilia na compreensão do contexto em que se insere, produzindo uma configuração semântica reticular, composta de imagens, modelos, lembranças, sensações, conceitos etc. Assim, quando lemos ou ouvimos um hipertexto, hierarquizamos e selecionamos áreas de sentido, tecendo ligações entre elas, conectando textos a outros textos e a toda uma reserva de signos que nos constitui, ativando, então, a memória, que forma um fundo sobre o qual os textos se salientam e ao qual remetem.
Xavier (2004,p.171) pondera que, ao percorrer os links, o hiperleitor realiza tentativas de compreensão, “efetivando gestos de interpretação ou de uso, porque, em última análise, é ele mesmo quem define a versão cabal do que será lido e compreendido”. Como já foi apontado anteriormente, é o produtor do hipertexto que deve facilitar a organização da leitura.
Por outro lado, Koch (2007, p. 29) assinala que cabe ao produtor de qualquer tipo de texto formular os links de tal forma que os usuários possam reconhecer a conexão entre os seus constituintes e construir um modelo mental coerente do texto em questão. Para ela,
é importante que as palavras ‘linkadas’ pelo produtor do texto constituam realmente palavras-chave, cuidadosamente selecionadas no seu léxico mental e relacionadas de forma a permitir ao leitor estabelecer, ao navegar pelo hipertexto, encadeamentos com informações topicamente relevantes, para que seja capaz de construir uma progressão textual dotada de sentido. Em outras palavras, ao hiperleitor caberá, ao passar, por intermédio de tais links, de um texto a outro, detectar, por meio da teia formada pelas palavras-chave, quais as informações topicamente relevantes para manter a continuidade temática e, portanto, uma progressão textual coerente.
Em outros termos, para ocorrer a progressão do sentido na leitura, saber o que é relevante é fundamental para o leitor. As ligações hipertextuais são marcadas por um item lexical ou por uma expressão e seguem normas e princípios semânticos, cognitivos, culturais, sociais, históricos, pragmáticos, temáticos, científicos, teóricos, entre outros. Tais itens não devem ser subjetivos e precisam, de fato, sugerir a relevância dos assuntos abordados.
No entento, a percepção do que é relevante depende, como ressaltamos, da habilidade do hiperleitor para seguir as pistas que lhe são oferecidas. Quanto maior sua proficiência leitora, mais facilidade possuirá de estabelecer objetivos, de utilizar estratégias e compreender o texto. No hipertexto, o hiperleitor deve ter sempre em mente o tópico, o objetivo da leitura e o problema a ser resolvido; deve buscar na leitura as informações, as opiniões, os argumentos relevantes para a sua mais adequada solução.
Se o leitor vai de um link a outro sem pensar, ele poderá quebrar a unidade temática e não conseguir mais formular o que realmente quer conhecer. Para Koch (2007), o leitor de um texto constrói a sua coerência ao ser capaz de, por meio das intrincadas teias que nele se tecem durante a progressão textual, estabelecer mentalmente uma continuidade de sentidos. O hipertexto, por articular textos diversos, não apresenta relações semânticas ou cognitivas inseparáveis e sempre é possível que se estabeleçam relações incoerentes na sequenciação de unidades textuais, o que pode afetar a compreensão. É claro que isso também pode acontecer no texto impresso, mas no hipertexto acreditamos que esse registro parece ser mais evidente.
Foltz (apud KOCH, 2007) considera a coerência como o processo de incorporação de proposições ao texto-base. Entretanto, para que isso ocorra de forma satisfatória, é necessária a integração conceitual e temática, que resulta da proposta de organização do produtor e da proposta de construção do sentido do leitor. É incumbência do leitor produzir inferências não só para o preenchimento de lacunas, mas também para a resolução de problemas, cabendo ao produtor facilitar a um grande número de leitores um acesso rápido e seguro às informações desejadas. Obviamente, o produtor não pode prever os caminhos do leitor, contudo pode estruturar o hipertexto de modo a facilitar a organização do percurso do hiperleitor enquanto está lendo.
Em síntese, acreditamos que, com base na estrutura hipertextual organizada pelo produtor, o leitor proficiente conseguirá, por meio dos hiperlinks, seguir, de forma coerente com o projeto e os objetivos da leitura, o percurso indiciado no hipertexto. Para tanto, deverá não apenas mobilizar seus conhecimentos linguísticos, textuais, enciclopédicos, interacionais, mas também utilizar outras estratégias para estabelecer conexões coerentes entre os segmentos do hipertexto. Algumas delas são explicitadas na sequência.