Uma opção dá ao seu titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um determinado ativo a um preço acordado contratualmente - o preço de exercício da ação - dentro de um determinado período de tempo. Uma opção de compra (dita no jargão do mercado financeiro, call), dá ao titular o direito de comprar o ativo ao preço de exercício. Já uma opção de venda - ou put, confere ao titular o direito de vender o ativo ao preço de exercício. Em ambas situações, o detentor da opção pode desistir se não for de seu interesse comprar ou vender.
Há dois tipos de contratos de opções dependendo de quando eles podem ser exercidos: a Opção Europeia dá ao detentor o direito de exercer a opção unicamente na data do vencimento. Em oposição, a Opção Americana permite que o detentor exerça a opção a qualquer tempo, até a data do vencimento. A seguir, tece-se considerações mais detalhadas a respeito de cada uma das modalidadades de opções financeiras supracitadas.
4.2.1 Opções de Compra
Como já atestado anteriormente, uma opção de compra (call) dá ao seu titular o direito de comprar um ativo a um preço prefixado. Esse direito é permitido ao titular até a data de vencimento (opção americana) ou somente na data de vencimento (opção europeia).
Seguindo Brasil (1997), uma opção de compra dá ao seu detentor o direito de comprar determinado ativo-objeto (undelying asset) em certa data (ou até certa data), por preço preestabelecido. Essa aquisição ocorre por meio do pagamento de um prêmio ao
lançador da opção, que deve vender o ativo ao titular pelo preço de exercício se este último quiser exercer seu direito. Portanto, o lançador vende o direito de comprar um ativo ao titular pelo preço de exercício, recebendo por isso um determinado prêmio pelo lançamento da opção.
O critério de decisão usado pelo titular é baseado no preço do ativo na data de vencimento (ou antes dela, caso seja opção americana) e no preço de exercício contratado. Se o preço do ativo no mercado for maior que o preço de exercício, o titular exercerá o direito de comprar o ativo. Entretanto, se, em partida contrária, o preço do ativo for menor que o preço de exercício, o titular não exercerá seu direito de compra.
Observa-se ainda que, em ambos os casos, exercendo ou não o direito de compra, o titular realizou o pagamento do prêmio ao lançador, não tendo mais direito a ressarcimento, caso o titular não exerça seu direito, o lançador obteve ganho no momento da contratação da opção, não sendo mais demandado para vender o ativo subjacente ao titular pelo preço de exercício, obtendo, destarte, um ganho real.
4.2.1.1 Valoração da Opção de Compra
Analiticamente, Titman & Martin (2008) definem o resultado de uma opção de compra como Max[P(T) - K; 0], que é lido como "o máximo do P(T) - K ou zero", para:
P(T): preço da ação no momento "T" K: preço de exercício contratado
Quando o resultado da opção é positivo, diz-se que a opção está "no dinheiro", ou mesmo "in the money". No mesmo raciocínio, para P(T) = K, a opção está "dinheiro" ("the money") e conclusivamente quando P(T) < K, a opção está "fora do dinheiro" ("out
of the money"). Com efeito, existem duas condições fundamentais no vecimento para uma
opção de compra: ou o preço da ação é maior do que o preço de exercício, ou não é: Assim, segue a equação abaixo:
Valor da opção de compra na data de vencimento (T) = Max[P(T) - K; 0] = P(T) - K, se P(T) > K 0, se P(T) < K
Se P(T) > K, a opção de compra tem um valor igual ao P(T) - K. Caso contrário, a opção de compra expira sem ter valor algum.
4.2.2 Opções de Venda
Uma opção de venda, usualmente denominada put confere ao seu comprador o direito de vender o ativo a um preço prefixado em uma data futura até ela. É o oposto de uma oopção de compra, pois enquanto esta beneficia o titular no caso do aumento do preço do ativo subjacente, uma opção de venda beneficia seu titular em um declínio do preço do ativo subjacente.
O agente vendedor da opção ao titular é o lançador. Ele recebe o prêmio por conceder esse direito ao titular e deve comprar o ativo subjacente na hipótese de o titular desejar exercer sua opção.
Depreende-se então, seguindo-se ainda Brasil (1997), que os parâmetros de decisão são opostos aos critérios da opção de compra. Se o preço do ativo subjacente estiver menor que o preço do exercício na data do vencimento, o titular exercerá o direito de vender o ativo subjacente ao lançador. Caso contrário, o titular não exercerá seu direito.
4.2.2.1 Valoração da Opção de Venda
Uma opção de venda dá ao seu proprietário o direito, mas não a obrigação, de vender um ativo a um determinado preço de exercício e dentro de um determinado período de tempo. Assim, queremos ter opções de venda quando esperamos que os preços do ativo subjacente diminuam. A razão disso deve-se ao fato de que a opção de venda tem valor quando o preço do ativo subjacente declina abaixo do preço declarado.
Seguindo-se ainda à análise de Titman & Martin (2008), pode-se representar o resultado para o detentor de uma opção de venda (uma posição comprada) como Max[K - P(T); 0]. Isto é, a opção de venda tem um valor positivo equivalente a [K - P(T); 0]. Ou seja, a opção de venda tem um valor positivo apenas quando o preço da ação cai abaixo do preço de exercício, K. Destarte, tem-se:
Valor da opção de venda
na data de = vencimento (T) Max[K - P(T); 0] K - P(T), se P(T) < K 0, se P(T) > K
Novamente, o retorno para o vendedor da opção de venda é a imagem inversa do resultado para quem a compra - qual seja o detentor.
4.2.3 O Tratamento dos Riscos nas Opções Financeiras e Reais
Uma característica importante presente tanto nos contratos de opção financeira quanto na análise de projetos de investimento por opções reais é que seu valor é maior quando o ativo subjacente - ou o projeto - se torna mais volátil ou arriscado. A intuição por trás dessa declaração é nítida. Na maioria dos investimentos, a volatilidade é vista negativamente porque a crescente possibilidade de alcançar retornos muito altos é compensada pela maior probabilidade de que serão realizados retornos muito negativos.
Entretanto, o retorno esperado de uma opção geralmente cresce quando a volatilidade do ativo subjacente - ou o número de opções do projeto - também cresce. Isso ocorre a partir da alta volatilidade a qual aumenta a possibilidade de que o resultado da opção seja muito alto. Como a perda máxima em uma análise de opções é tão somente o não exercício daquela - ou seja, zero - os aumentos potenciais no lucro não são compensados em igual partida pelos aumentos nos riscos de perda financeira.
4.3 Comparação entre a TOR e as abordagens tradicionais de análise de