9. Diğer Ticari Ve Hukuki Konular 43
9.16 Çeşitli Hükümler
Os modelos adotados pela filosofia moderna e contemporânea apresentam limitações, e, ao longo do tempo, muitos pensadores se insurgiram contra eles. Neste contexto, a hermenêutica filosófica fortalece a sua identidade e o seu sentido. A hermenêutica tem avançado nas suas ideias, ao longo de sua história, apesar de certo descrédito, que ainda acompanha a visão de muitos estudiosos, considerando que as interpretações são ilimitadas. Há críticas que procedem, mas existe, ainda, um largo desconhecimento de seus avanços e possibilidades, estando, muitas vezes, permeados de preconceitos descabidos.
Sobre a história da hermenêutica, ainda, persistem aspectos que precisam ser trabalhados, e, preconceitos que devem ser extirpados do cenário. A hermenêutica, em si,
tem sofrido críticas que merecem revisão. São muitos os desafios enfrentados a partir de suas limitações, de seus percalços, além dos mencionados preconceitos, que estão presentes nas entrelinhas de discursos, e que carecem de fundamento.
Trata-se de um preconceito que se deixa retratar em afirmações como: ela é um instrumento; uma arte sem a dignidade da epistéme; uma espécie de apêndice da filosofia; uma retórica ou seja, um palavreado sofístico, que serviria para argumentar tanto a favor quanto contra algo; enfim, um arcabouço conceitual romântico, isto é, um discurso conservador, seja da tradição, seja da história, seja da linguagem; ela é uma atividade harmonizadora, conciliadora e que, por isso, erradicaria o espírito crítico agônico e próprio do filosofar; é relativista, não se constitui como ciência porque não é universal e sem o reconhecimento e a validade espácio-temporal sem estrutura e método definidos, é arbitrária e acientífica, ou seja, é fruto da subjetividade. (ROHDEN, 2003, p. 18).
Em um mundo dividido, reduzido e fragmentado, Gadamer defendia valores humanos. Ele acreditava no homem, e considerava a possibilidade de reverter esse quadro especializado e burocrático. O pensamento de Gadamer é do tipo pós-modernismo, “é um tipo de ceticismo construído a partir de uma série de dúvidas e preocupações a respeito do pensamento iluminista.” (LAWN, 2011, p. 158).
Sobre a verdade objetiva, há um ceticismo profundo e Gadamer procura negar a possibilidade dessa verdade, por ser um relativista sobre esta, que é histórica. No que tange às críticas desconstrutivas, Gadamer afirma que o seu posicionamento está próximo da desconstrução:
Se o termo “significado” para a desconstrução é sempre o resultado de rupturas, disrupções e disseminações, ele não está tão longe assim das asserções de Gadamer de que o “entendimento é sempre entendendo diferentemente”. Aqui também não existe significado fixo e final – ele está sempre em movimento, constantemente se modificando no processo de interpretação. (LAWN, 2011, p. 180).
A hermenêutica filosófica, a partir da obra de Gadamer, enfrenta os seus percalços, mas tem avançado bastante em suas potencialidades latentes, que precisam ser recuperadas e explicitadas, para evitar malentendidos, que se sobrepõem à crítica pela crítica. A partir de Gadamer, a hermenêutica filosófica:
[...] assenta seus pés no conjunto da filosofia moderna, retomando a tradição aristotélica e a tradição fenomenológico-hermenêutica contemporânea. A hermenêutica filosófica não se legitima pela mera oposição quixotesca ao reducionismo da filosofia moderna, mas ela nasceu e desenvolveu-se justamente também pela limitação desta. Além do mais, ela é um rico veio filosófico, ignorado por boa parte da filosofia ocidental. (ROHDEN, 2003, p. 18).
A hermenêutica filosófica de Gadamer se justifica a partir dos estudos que o autor empreendeu da linguagem e da experiência, da linguagem da experiência e da
experiência da linguagem. O motor e fundamento do filosofar passam pela experiência e a hermenêutica se efetiva e acontece porque tem avançado numa metodologia diferente do método das ciências naturais.
A hermenêutica se entendida, enquanto atividade de compreensão e interpretação, permanece presente na vida dos indivíduos, uma vez que, constantemente, busca-se compreender as relações homem/mundo. Nesse novo modo epistemológico, percebe-se que esta se encontra num estádio inicial, com grandes potencialidades para avanços e exploração. Os estudos de Gadamer são os que estão mais adiantados, no entanto, há muitos outros campos que precisam ser explorados, pelo significado que poderiam ter para a epistemologia hermenêutica.
Os estudos sobre hermenêutica fornecem bases para as ciências humanas, na medida em que estas trabalham com a problemática humana. Ao resgatar a questão da historicidade e da pertença, contrapõe-se aos cientistas (humanísticos), que defendem a neutralidade científica, isto é, o distanciamento sujeito/objeto. Referidos cientistas defendem que o homem constitui-se sujeito/objeto da história, e, portanto, torna-se componente fundamental de transformação social.
A questão do método vincula-se ao que Gadamer (2012) denomina de distanciamento alienante, que é a pressuposição ontológica, ao assegurar a conduta objetiva das ciências humanas. A metodologia dessas ciências implica certo distanciamento. Este método destrói a relação de pertença, que é a relação com o histórico. Desta forma, Gadamer prossegue com o debate entre distanciamento alienante e experiência de pertença.
Gadamer (2012) critica o distanciamento alienante, pois, antes do leitor poder se distanciar de um texto, para avaliá-lo, ele pertence e se constitui, nesta relação histórica. Proporá, então, que, antes de qualquer distanciamento, deve haver a proximidade com a história, que se antecipa a qualquer reflexão. Citado filósofo aduz, ainda, que, a história participou da produção e constituição do historiador, mesmo que Dilthey não tenha percebido isso, haja vista que se ateve à objetividade das ciências.
A pertença, segundo Gadamer (2012), leva à recuperação do preconceito, da autoridade e da tradição. Estes elementos são indispensáveis ao processo de constituição do sujeito, embora entre eles possa ser estabelecida uma relação dialética. Antes de criticar a autoridade, o sujeito já a reconheceu, em decorrência de que essa prerrogativa se tornou imprescindível para o fortalecimento e confronto com aquela.
Cumpre lembrar que Gadamer foca em uma dialética de aproximação e distanciamento, constatando que onde há distância, desentendimento e desavença,
pressupõe-se que antes havia acordo, compreensão e pertinência. E, nessa dialética, há o estabelecimento de um diálogo entre o leitor e o autor. Explorar, portanto, as potencialidades do método fenomenológico e hermenêutico, dentro de um ponto de vista epistemológico, é ressaltar a apreensão da própria essência do fenômeno, enfatizando a capacidade de interpretação e reflexão do pesquisador, frente ao seu objeto de estudo.
Atingir o nível de compreensão, que é circular, e denominado círculo hermenêutico, é o objetivo que precisa ser perseguido pelos estudiosos da educação e da avaliação educacional. Por oportuno, há muito que se construir dentro dos círculos hermenêuticos dialéticos, ao redor das pessoas envolvidas. O educador ou o avaliador é um negociador constante, e essa conjetura está inserida numa avaliação construtivista, debatida pelos teóricos da quarta geração da avaliação.
O avanço dos estudos hermenêuticos evidenciou-se a partir dos estudos de Schleiermacher, na construção de uma hermenêutica geral como arte de compreensão, em que o autor adivinhava o que o texto pretendia dizer e não disse. Na sequência, tem-se Dilthey, que alargou o sentido da hermenêutica, assentando a historicidade, no contexto da interpretação dos estudos humanísticos, posto que a base desses estudos reside na hermenêutica.
Posteriormente, acompanham-se os avanços da hermenêutica em Heidegger. Trata-se de uma hermenêutica fenomenológica, em que se repensa a própria fenomenologia. O filósofo avança os estudos hermenêuticos, na medida em que trabalha a compreensão, num sentido ontológico, em que o significado desvenda o que não estava, explicitamente, presente. Por fim, a partir de uma compreensão dos autores antecedentes, facilita-se a compreensão da hermenêutica filosófica de Gadamer, em que a experiência transcende o fenômeno da compreensão como um processo ontológico, destacando-se o encontro com o horizonte do texto, que não foi transmitido há bastante tempo. O autor cunha o termo “fusão de horizontes”, onde o encontro se transforma num momento de revelação ontológica, que ocorre através da linguagem.
Em Gadamer (2012), observa-se a presença da questão da dialogicidade, da construção, da conversação e da negociação, através de sucessivas interpretações. O homem, então, é visto como um ser histórico, dialético e linguístico, que precisa ser compreendido nessas dimensões. Ademais, a educação, bem como a avaliação, precisa enfrentar esse momento existencial para auxiliar nas tensões existentes, em termos de fusão de horizontes, fazendo com que avançem, não apenas os horizontes contextuais do texto, mas, também, os horizontes de contexto em que o avaliador é inserido, e suas relações com o avaliado.
Acredita-se que a avaliação precisa se aprofundar na epistemologia hermenêutica para se chegar a novas interpretações da essência mesma das coisas, e, nesse campo de estudo, há um mundo a ser explorado, o da experiência, da linguagem dos diversos jogos voltados à avaliação educacional para se chegar a um nível ótimo de compreensão e interpretação, alcançando uma revelação ontológica. Constata-se que, dessa forma, a avaliação deparará com momentos completos da experiência humana, dentro de uma abordagem eminentemente existencial e humanística.
Os modelos de avaliação atravessam épocas da história e percebe-se que há muitas limitações nos debates, com a presença de reducionismos, sem uma criticidade bem fundamentada. São muitas as críticas que se tecem, especialmente, aquelas voltadas ao objetivismo e positivismo da avaliação. Estas se formulam quanto à natureza do conhecimento e nas formas de sua aquisição.
Nesses aspectos, percebe-se a ausência do estudo de outras teorias, motivo pelo qual, necessita-se de um aprofundamento epistemológico que permita avanços significativos no seu campo de atuação. O trabalho apresenta as potencialidades existentes nas duas últimas gerações da avaliação educacional com os estudos da fenomenologia e da epistemologia hermenêutica que precisam ser aprofundados. O avaliador necessita saber trabalhar numa equipe interdisciplinar, para se assegurar da complexidade que é o ser humano e as suas interações, em virtude de que há muita improvisação na área da pesquisa em avaliação educacional.