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Tanıma ve Tenfiz Şartları Bakımından Düzenleme Önerisi

3.2. YABANCI ÜLKEDE VERİLEN GEÇİCİ HUKUKİ KORUMA

3.2.4. Tanıma ve Tenfiz Şartları Bakımından Düzenleme Önerisi

Conforme discutimos anteriormente, as transformações que estão em curso em João Pessoa, desde os fins da década de 1960, estão promovendo a formação de uma cidade cada vez mais plural. Contudo, é preciso deixar claro que, a despeito das mudanças, esse movimento também é caracterizado por algumas permanências. No que se refere ao Litoral Sul enquanto área de expansão urbana recente, a presença de granjas, chácaras, pequenas áreas de cultivo, estábulos e vacarias são configurações espaciais típicas desse fenômeno (Fig. 4.10).

Figura 4.10 – Presença de unidades rurais no vale dos rios Timbó (A) e Cuiá (B). Fonte: Adauto Gomes, 2004.

É importante ressaltar que o IBGE considera o município de João Pessoa como sendo totalmente urbano, desde a realização do censo de 1991. No entanto, a porção sul do município e até mesmo as áreas constituídas pelos vales fluviais que entrecortam a cidade, a exemplo dos rios Timbó, Cabelo, Cuiá e Jacarapé, que atingem a área de estudo desta pesquisa, ainda que em declínio apresentam a persistência de atividades rurais.

Portanto, esse fato e a ocorrência de uma baixa densidade urbana permitem- nos dizer que o Litoral Sul de João Pessoa configura uma típica área periurbana ou de expansão urbana. É preciso ter em conta que o processo de modernização que se impõe

na esteira do crescimento urbano gera uma tendência à construção de chácaras e granjas nas áreas periurbanas, que passam a representar espaços de importantes amenidades para serem desfrutadas por seus proprietários. Embora haja uma crescente dissolução da vida rural, ela também se coloca como permanência. Ou seja,

[...] ao mesmo tempo em que o campo foi em grande parte engolido pela cidade, este de alguma forma permanece em João Pessoa, mesmo que encoberto pela indumentária urbana. Estes pedaços do campo tanto são vestígios das antigas áreas de sítios e fazendas, como são espaços criados ou aproveitados com atividades agropecuárias ou aproveitados com atividades agropecuárias para subsistência (MAIA, 1994, p. 30, grifos da autora).

Ante esse fato, a autora acima citada adverte-nos para o processo heterogêneo em que se desenrola a produção do espaço urbano pessoense. Dessa forma, o uso de terminologias como campo versus cidade ou ainda rural versus urbano apresentam um caráter cada vez mais confuso, em função da presença de configurações espaciais que até certo denotam o modo de vida rural, mas que também não se desvinculam da vida urbana. Nesse caso, o par dialético ruralidade - urbanidade se impõe em toda sua expressão.

Essa é uma característica comum das áreas localizadas nas franjas da cidade, às quais são denominadas de periurbanas ou ainda de rurbanas. Essas áreas estão situadas na intersecção do rural com o urbano, apresentando, dessa forma características de ambos, embora cada vez mais a modernização desencadeada a partir da cidade leve a uma crescente dissolução do rural. Nesse processo dialético, o urbano impõe-se como transformações e o rural ou o que dele resta configura as permanências. A discussão que fizemos no início deste capítulo propõe que esses subespaços rurais que se inserem na paisagem do Litoral Sul pessoense sejam tratados como típicas áreas periurbanas.

Para levarmos a efeito esta parte da pesquisa, recorremos a alguns órgãos públicos na tentativa de obtermos dados quantitativos sobre os imóveis rurais e as atividades econômicas que lá são praticadas. Porém, os órgãos só dispõem de dados de todo o município e não de forma setorizada por bairros. Além disso, não é possível identificarmos cada imóvel por seus respectivos nomes, porque o acesso aos dados dos mesmos no cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) se dá mediante o número de registro, que é de conhecimento apenas dos proprietários.

Ademais, só a partir do final da década de 1990 é que o georreferenciamento das propriedades rurais se tornou exigência legal para o seu cadastramento ou

recadastramento junto ao INCRA, de modo que a quase totalidade dos dados cadastrais desse órgão ainda se baseia em dados declaratórios fornecidos pelos proprietários, o que não oferece uma grande margem de confiabilidade.

Diante da não obtenção dos dados sobre os imóveis rurais junto ao INCRA, recorremos também à Receita Federal e ao Instituto de Terras e Planejamento Agrícola do Estado da Paraíba (INTERPA). Contudo, em ambos os órgãos, também não obtivemos êxito. A Receita Federal só dispõe de dados relativos ao imposto territorial rural do município como um todo e, por questão de sigilo, não fornece dados sobre os nomes dos imóveis rurais. Quanto ao INTERPA, não há qualquer tipo de controle interno relativo aos imóveis rurais no conjunto do município e menos ainda por cada bairro.

Ante a toda essa dificuldade, tornou-se necessário, portanto, fazer o levantamento direto no campo dos imóveis rurais que compõem a área de estudo. Devido à exigüidade territorial, nos bairros de Ponta do Seixas e da Penha não ocorrem atividades rurais, salvo o caso da pesca artesanal neste último bairro citado.

Explicitados os obstáculos para a obtenção dos dados, adotamos a terminologia unidades rurais para designar as chácaras, granjas, vacarias, currais e outros estabelecimentos similares que existem na área de estudo. Essas configurações espaciais estão localizadas nas franjas da área mais urbanizada, sendo que umas são utilizadas para fins de moradia permanente e outras para fins de lazer e descanso, sobretudo durante os finais de semana. Na maior parte dos casos, nas unidades rurais não se evidencia a produção com finalidade econômica. Nos parágrafos seguintes, analisaremos tais configurações espaciais.

Ante a tentativa frustrada de obtenção de dados documentais junto aos órgãos públicos, os dados que colhemos no campo são meramente declaratórios e foram coletados junto aos moradores e funcionários das unidades rurais visitadas. Desse modo, identificamos um total de trinta e quatro unidades rurais, das quais nove (26,5 %) estão localizadas no Altiplano Cabo Branco, onze no Portal do Sol (32,4 %) e quatorze (41,2 %) no Costa do Sol.

Em geral, elas possuem pequena extensão, sendo que e a sua área total corresponde a 216,3 hectares, o que resulta numa média de 6,36 hectares por unidade rural. Porém, constatamos que há unidades com menos de um hectare, ao passo que outras têm mais de uma dezena de hectares. A unidade rural mais extensa possui 55 hectares. Também verificamos que do total de trinta e quatro unidades rurais, quatorze

(41,2 %) constituem residência permanente dos seus proprietários, ao passo que 17 (48,6 %) só são utilizadas para fins de descanso e lazer. Nas outras três unidades rurais há o funcionamento de um haras, uma escola de equitação e uma área de extração de areia para construção civil.

Uma parte dessas unidades rurais é habitada por famílias de baixo poder aquisitivo, muitas delas foram expulsas do campo e migraram nas últimas décadas para João Pessoa, sendo provenientes das áreas interioranas do Estado da Paraíba. Há também as granjas e chácaras de alto padrão que são residência permanente de seus proprietários ou ainda um terceiro caso em que os proprietários moram na área urbana propriamente, mas que procuram desfrutar das amenidades desses espaços para fins de descanso e lazer. Neste último caso, trata-se de famílias com poder aquisitivo bem mais elevado. É interessante notar que as clivagens de classe também se mostram nitidamente nessas unidades rurais do Litoral Sul de João Pessoa (Fig. 4.11).

Figura 4.11 – Duas situações bem distintas das unidades rurais no vale do rio Cabelo: uma evidencia o alto padrão construtivo (A) e a outra é um típico sítio (B) pertencente a um lavrador, de baixo poder aquisitivo. Fonte: Adauto Gomes, 2004.

Muitos dos moradores destacam ao aspecto tranqüilidade como um importante fator para viver nessas áreas periurbanas. Alguns deles apontam as amenidades naturais, conforme as seguintes palavras:

É um lugar de muita paz, de muita tranqüilidade. O verde aqui predomina, né. Além do mais, [a área] tem muito pássaro nativo. Tem animais como camaleão, tejuaçu, cotia [...] que aparecem bastante aqui e que agente faz questão de preservar. É um aspecto bastante positivo (Senhor Rômulo Fonseca Vieira, pequeno proprietário de uma unidade rural, vale do Timbó, no Altiplano Cabo Branco, em 2004).

Apesar de esta postura conservacionista não se constatar em todas as unidades rurais, notamos que o aspecto tranqüilidade é muito recorrente no discurso dos moradores entrevistados. Alguns moradores, no entanto, ressaltam que buscaram essas áreas periurbanas para fixarem residência em função de suas origens rurais. Esse fato é apontado por Maia (2000), que investiga como se mantêm os costumes rurais nesses subespaços da cidade de João Pessoa.

Não foi possível obter dados sobre a condição jurídica da ocupação do terreno das unidades rurais, pelo fato de muitos caseiros não disporem dessa informação53. De qualquer forma, sobretudo nos vales dos rios Cabelo e Cuiá, no Costa do Sol, encontramos pequenos sítios que foram ocupados irregularmente, nos quais os posseiros criam gado e fazem pequenos cultivos.

Nessa situação, estão algumas das unidades rurais que ocupam terras públicas da Estação Agrícola Experimental da EMEPA – PB, do Núcleo de Produção e Processamento de Alimentos (NUPPA) da UFPB, de parte da área destinada à instalação do Pólo Turístico Cabo Branco e da Secretaria de Justiça e Cidadania do Governo do Estado.

Identificamos tipos de criação que, em geral, estão voltados para a subsistência. Mas, em alguns poucos casos, há a prática de criação ou produção voltada para o mercado. Nessa situação, o principal destaque foi para uma unidade rural que atua na produção de cocos, alcançando, anualmente, um milhão e novecentos mil frutos, trezentas mil sementes e duzentas mil mudas de coqueiro, de acordo com informação fornecida por seu proprietário.

Os trabalhadores empregados nessas unidades rurais são em número pouco expressivo por cada unidade (em geral, um, representado pela figura do caseiro), e, sob o aspecto do rendimento mensal, percebiam em média R$ 265,28, no mês de agosto de 2004, ou seja, um salário mínimo54. A relação de trabalho assalariada é predominante

nessas unidades, sendo que do total de cinqüenta e nove trabalhadores, trinta e cinco deles (59,3 %) eram registrados regularmente, ao passo que dezesseis (27,1 %) não tinham registro em carteira. Em relação aos oito restantes (13,6 %), não obtivemos informação precisa. Em muitos casos, os trabalhadores complementam sua renda plantando ou fazendo pequenos cultivos na propriedade.

53 Nas unidades rurais em que o proprietário não reside, só conseguimos ter acesso ao caseiro, que é o

trabalhador que efetivamente cuida da unidade rural no dia-a-dia.

Observamos também que a produção leiteira constitui uma atividade em franco declínio nas unidades rurais pesquisadas. O principal argumento apontado pelos antigos criadores é que, com a chegada do leite pasteurizado no mercado e o aumento da fiscalização das condições sanitárias do rebanho e ainda a proibição legal de comercialização do leite in natura, praticamente ficou inviável criar o gado para vender o leite. As palavras que se seguem são bastante ilustrativa dessa realidade:

Eu deixei [de criar gado] porque a situação foi ficando mais difícil, né, entende? Chegava a saúde pública e exigia muita coisa. O gado aqui tinha que ser vacinado [...]. Por outro lado, caiu o comércio. O pessoal [...] só queria o leite de supermercado, entende? (Senhor Francisco Neto, proprietário de uma unidade rural no vale do Timbó, no Altiplano Cabo Branco, em 2004).

Situação semelhante é constatada pelas palavras de outro proprietário de uma unidade rural pesquisada, quando perguntado sobre quantos litros de leite obtinha por dia:

Cento e vinte a cento e cinqüenta. Eu tinha dezessete vacas, não todas ativas, mas eu tirava nessa média aí. Eu fazia queijo e vendia leite aqui no próprio conjunto [Altiplano]. Todo leite produzido a gente vendia [...] de casa em casa [...]. Eu há onze anos tô morando aqui, [...] quando eu comprei a granja, já tinham algumas vacas, eu comprei outras vacas, substituí algumas e continuei durante seis anos [...]. E hoje eu crio só peixes ornamentais e esses ovinos e caprinos [refere-se a algumas poucas reses] (Senhor Rômulo Vieira, pequeno proprietário, no vale do Timbó, no Altiplano Cabo Branco, em 2004). O pouco do gado bovino que ainda é criado, na área de estudo desta pesquisa, está voltado para a produção leiteira familiar ou para o corte. Desse modo, observamos que a modernização que cada vez mais atinge distintos fragmentos da cidade de João Pessoa e do Litoral Sul, em particular, impõe mudanças que implicam em dissolução dos resíduos da vida tipicamente rural.

Assim, a despeito das crescentes e até intensas transformações derivadas, em boa medida, da atuação do capital imobiliário e da implantação de algumas benfeitorias por parte do Estado, os subespaços rurais compostos pelas unidades como vacarias, chácaras, granjas e pequenos sítios, significam claramente que as permanências de costumes rurais ainda são uma marca fundamental da produção do espaço do Litoral Sul. As áreas de pastagem do gado bovino vão ficando cada vez mais escassas. Este fato leva à prática do pastoreio nos logradouros públicos (Fig. 4.12).

Figura 4.12 – Gado pastando no loteamento Quadramares II. Fonte: Adauto Gomes, 2004.

Se de um lado, a expansão da cidade revela a decomposição das práticas tradicionais em proveito das práticas modernizadas, de outro, é preciso reiterar que esses subespaços rurais são típicas expressões do acontecer solidário marcado por tempos lentos. A despeito da presença cada vez mais imperativa do urbano, não há dúvidas de que o cotidiano dessas áreas é revelador de uma vida rural que ainda não está totalmente deteriorada pelos incrementos de modernização. Tal situação confirma que os usos do tempo ocorrem de maneira diferenciada e desigual num mesmo espaço urbano. Não é demais reafirmar que é no espaço onde se dá a empiricização do tempo.

Dessa forma, a expansão que ocorre nessa porção da cidade de João Pessoa, alimentada por uma crescente valorização do solo urbano, deverá provocar transformações substanciais na produção do espaço, em função dos interesses fundiários e imobiliários que, conforme assevera Sposito (2004), são os motores principais da expansão da cidade. Logo, a instalação de novos objetos e produtos imobiliários imprime profundas transformações socioespaciais e, como temos afirmado em outros momentos deste trabalho, tal fenômeno altera sobremaneira o conteúdo econômico e social da área que constitui nosso objeto de investigação.

Ante esse novo contexto da produção social do espaço urbano, é não apenas possível, mas sobretudo real e concreto que os subespaços rurais sejam dissolvidos à medida que se expande a mancha urbana. Por outro lado, é preciso termos em conta que a realidade não pode ser analisada apenas ao nível da morfologia da paisagem que, embora constitua um aspecto importante, não é suficiente para romper com outros elementos como valores, costumes e tradições que, mesmo residualmente persistem na produção socioespacial.

Portanto, é necessário ter em vista que o par dialético urbanidade – ruralidade é parte essencial do movimento contraditório alimentado pelas transformações e permanências no Litoral Sul da cidade de João Pessoa. As unidades rurais aqui analisadas são parte importante da produção social do espaço urbano (ou periurbano) e, em função disso, não devem ser negligenciadas.

CON SIDE RAÇÕE S FIN AIS

Conforme vimos ao longo deste trabalho, a produção do espaço urbano do Litoral Sul de João Pessoa revela as distintas estratégias e interesses dos vários segmentos sociais envolvidos nesse processo. Tanto como condição para a reprodução social ou enquanto condição de reprodução capitalista, o espaço urbano configura uma dimensão fundamental da realidade. As contradições que aí emergem são parte essencial da produção da cidade erguida sob os ditames do modo de produção capitalista.

A crescente valorização do solo nessa porção da cidade gera como efeito um dinamismo e uma complexidade também maiores no tocante ao processo de produção socioespacial. Assim, conforme afirmamos, grande parte dos processos que compõem a problemática urbana na atualidade são de natureza espacial. A luta pela moradia e muitos obstáculos que se verificam no plano da gestão urbana são exemplos de desafios de âmbito espacial. É mister ter clareza desse movimento sob pena de não reconhecermos a essência das transformações que ora se impõem na cidade de João Pessoa e no Litoral Sul em particular.

Os problemas da área de estudo que aqui analisamos deixam evidente que o espaço apresenta-se como uma importante arena onde se desenrolam as estratégias e conflitos dos distintos agentes que o produzem. Como dissemos, a luta de classes, quer na Vila São Domingos, quer no Cidade Recreio, também possui dimensão espacial.

As transformações que estão em processo em João Pessoa expressam as mudanças que atingem profundamente as cidades brasileiras, sobretudo as cidades médias (a exemplo da capital paraibana) e as metrópoles. Tal processo está em grande parte vinculado ao novo contexto da revolução tecnocienífica e informacional em curso, caracterizado por um apelo cada vez maior ao consumo na condição de arena preponderante da economia.

Tudo parece se tornar mercadoria. Novos signos e simbolismos de status e qualidade de vida invadem o nosso dia-a-dia, influenciando os prazeres e necessidades e por vezes criando novos embates entre os pares dialéticos constituídos pelas necessidades individuais e necessidades coletivas ou ainda entre os espaço públicos e os espaços privados. Portanto, a cidade de João Pessoa e o seu espaço urbano derivam do conflito estabelecido por esses pares dialéticos. O processo de produção do espaço urbano é, portanto, a síntese desse conflito.

Constatamos que os processos de segregação e inclusão precária, em grande parte, tornam o espaço urbano sul-litorâneo cada vez mais fragmentado. Os fragmentos compõem distintas realidades sociais e econômicas, representadas pelos condomínios fechados horizontais, pelas ocupações irregulares e pelos subespaços rurais. Tais subespaços compõem realidades em grande medida desarticuladas entre si. As virtualidades que são criadas para os moradores das ocupações irregulares não são as mesmas que se voltam para os condomínios fechados horizontais. Nesse processo, os subespaços rurais se decompõem em meio ao avanço da expansão urbana. Portanto, a fragmentação que ocorre no Litoral Sul é essencialmente contraditória.

Os condomínios fechados horizontais representam o vetor principal das transformações que estão em curso na produção socioespacial do Litoral Sul de João Pessoa. Isto poderá sofrer algumas alterações na proporção em que a ação do Estado promover a instalação do Parque do Cabo Branco e do Pólo Turístico Cabo Branco.

No que toca aos condomínios fechados horizontais, é fundamental que o município de João Pessoa procure se munir de um marco jurídico para estabelecer as condições exigidas para a sua instalação.

Propomos que para efeito de liberação de empreendimento como condomínio fechado horizontal, o poder público municipal passe a exigir a realização de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), em conformidade com os artigos 36, 37 e 38 da Lei Federal nº 10.257, de 10 de julho de 2001(Estatuto da Cidade). Além disso, seria bastante salutar, do ponto de vista dos interesses da coletividade urbana local, que o amuralhamento gerado por esses produtos imobiliários implicasse numa tributação diferenciada voltada para a melhoria de equipamentos públicos de lazer, abertos a livre acesso de todos os citadinos.

Tendo em vista a importância do Litoral Sul de João Pessoa sob o aspecto do patrimônio ambiental e paisagístico, é imprescindível que, além do EIV, o poder público municipal passe a exigir a execução de todos os projetos de infra-estrutura hidro-sanitária, drenagem, conservação de áreas verdes, dentre outros elementos, como forma de vislumbrar um crescimento urbano ordenado e, ao mesmo tempo, equilibrado social e ambientalmente.

Quanto à questionável legalidade dos condomínios fechados horizontais em João Pessoa (para não dizermos sua ilegalidade), entendemos que é bastante oportuna a realização de um debate propositivo sobre este assunto. No entanto, tal debate só levará a bom termo se, de forma democrática, os distintos segmentos da sociedade civil

organizada e, sobretudo os diretamente envolvidos com essa questão, participarem ativamente das discussões e encaminharem propostas no sentido de dotarmos o município de um marco jurídico com vistas a disciplinar a instalação desses condomínios. Dessa maneira, a instalação desse tipo de produto imobiliário traria algum tipo de compensação para a coletividade urbana. O debate é complexo, bastante polêmico e fundamental.

É importante ressaltar que as recentes transformações que estão se processando na área de estudo apontam para a tendência de contigüidade territorial das