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TALAS AMERĐKAN KIZ OKULU (1871–1915)

KAYSERĐ’DE KURULAN YABANCI OKULLAR

4. TALAS AMERĐKAN OKULLAR

4.1. TALAS AMERĐKAN KIZ OKULU (1871–1915)

Em relação à dimensão de valores, a proposta inclui a análise dos valores éticos e estéticos. Segundo Carvalho (2001, p.59), existe um reconhecimento sobre a necessidade se de construir “novos padrões de relação com o meio natural”. Além dos valores éticos, a discussão da temática ambiental atualmente propõe a incorporação dos valores estéticos no processo educativo, possibilitando, segundo o autor, as “possibilidades de experimentar a

beleza da natureza” (grifo do autor).

São vários os autores que enfatizam essa dimensão como sendo de grande significado para a educação ambiental. Para Jacobi (1998, p. 13):

a EA, como formação da cidadania e como exercício de cidadania, tem a ver com uma nova forma de encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma forma diferente de ver o mundo e os homens. A EA deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem, que valoriza as diversas formas de conhecimentos e formar cidadãos com consciência local e planetária. (grifo nosso)

Nos projetos apresentados para os cursos técnicos de Eletrotécnica e Mecânica sob a responsabilidade da Professora Marília foi apresentada por ela a seguinte proposta:

Nesse trabalho levaremos como base o crescimento espiritual do aluno, valorizando seu próximo, a si mesmo buscando sua auto-estima e valores que não tem preço (p. 6).

Com relação aos temas ligados à religiosidade apresentados pela Professora Marília, no início de cada aula por meio da leitura de textos em geral e, mais freqüentemente do livro “Bebendo nas Fontes do Povo” (VIAN, 1997), Loureiro (2002, p. 22) argumenta que:

Cabe, por outro lado, um esclarecimento quanto ao papel do espiritualismo no contexto do ambientalismo e dos novos movimentos sociais em geral. Julgamos pertinente chamar a atenção para o uso problemático do naturalismo e do espiritualismo na abordagem de questões que se inscrevem nas relações sociais. Todavia, é fundamental destacar a inegável contribuição e a presença ativa desses elementos na militância, especialmente no que concerne às questões situadas no plano moral e ético, quando se busca obter o reconhecimento da vida em todas

as suas formas de manifestação e repensar a individualidade, tendo como ponto de apoio uma nova relação mais “harmoniosa” na natureza.

Acreditamos que a preocupação da Professora Marília em abordar a dimensão valorativa explica-se muito mais por motivos particulares e por uma tentativa de criar um clima agradável para o início dos trabalhos, e não, propriamente, por considerar essa abordagem adequada para tratar a temática ambiental em sala de aula ou por preocupações suas em estabelecer relações dessa dimensão com questões de desenvolvimento de tecnologias específicas para cada curso técnico. Além dos motivos particulares a professora comentou, logo no início da observação, que utiliza as leituras com fundo religioso, para acalmar a si e aos alunos e iniciarem a aula tranqüila. A seguir apresento alguns comentários da Professora Marília expostos aos seus alunos quando do desenvolvimento de trabalhos em sala de aula:

Iremos trabalhar muito com o tema “Água”, pois é o tema da Campanha da Fraternidade, deste ano, da Igreja Católica.

A vida continua depois da morte, pois seria injusto Deus terminar com a vida só aqui da Terra.

Precisamos ter tolerância com todos, todas as religiões. Tolerância com os judeus e Testemunhas de Jeová. Parar com preconceito. A lei deve ser igual para os homens e as mulheres, TODOS brancos, negros, etc. A maior lição do Meio Ambiente é a Tolerância.

[...] porque as pessoas têm vergonha de enviar mensagens que falem de Deus. Parece que é vergonha falar em Deus. As pessoas com depressão ou não têm religião ou são egoístas. Temos que ver o que existe dentro de cada um e não na sua aparência.

“Deus/Jesus”, só que pode tirar a vida de alguém.

O meu trabalho é esse daqui. Eu tenho que ser independente, de ser particular, do Estado, da favela, se eu ganho 6 ou 20, tenho que ser honesta, se eu entrasse como vereadora, poderia estar andando de Mercedes e do lado de lá teria que prestar contas com Deus. Como teve gente do tempo da LBA que está andando com carro importado, com casa em Miami, torneira de ouro, quero ver quando chegar no lado de lá, o infernão que vai pegar.

A Professora Marília assume em várias passagens do seu trabalho a perspectiva de que os cuidados com a natureza – “coisas de Deus, coisas do Criador” - estão relacionados com o pensamento voltado para Deus, inclusive, havendo certa indistinção entre atitudes religiosas e atitudes individuais voltadas para a resolução de problemas ambientais, como podemos verificar na citação a seguir:

Sujeito sem cultura, não pensa nas coisas de Deus, que é a natureza, nas coisas do Criador, nem no ser humano. Quero passar para vocês que respeitem o 5S, o que posso descartar, mas que não agride a terra, a água. Se vocês saírem sabendo isso, já estou satisfeita, já valeu o diploma. O mais importante é a consciência, vai lendo, descobrindo. (grifo nosso)

Esse comentário foi realizado no dia do encerramento da disciplina para o curso técnico de Eletrotécnica, sendo que o conceito 5S, que a professora mencionou para os alunos nessa exposição, não havia sido discutido adequadamente durante o curso. Apenas na oitava aula da disciplina, a Professora questionou se os alunos conheciam o conceito. A partir da resposta de que apenas três alunos conheciam o assunto, a professora comentou brevemente sobre esse conceito, porém com a sala já aguardando o final da aula, ou seja, com vários deles conversando, não tendo sido observado, portanto, interesse pelo assunto.

Em outras ocasiões a Professora Marília relacionou o bem-estar e a religiosidade com o trabalho, ressaltando que se a pessoa está bem espiritualmente, também consegue trabalhar melhor e ser mais aceita pelo grupo social.

Essa busca pela espiritualidade, segundo Siqueira (2005, p. 6), tem-se tornado crescente a partir da década de 1960, nas sociedades ocidentais. Para essa autora existe uma mudança da compreensão de religiosidade, que segundo ela:

[...] parece estar sendo considerada, fundamentalmente, como a procura por valores, por conexões, por vivências, que transcendam à materialidade. Uma postura de vida que busca sentido, significado para o estar no mundo (família, trabalho) e equilíbrio entre as diversas esferas da vida (racional, afetiva, social).

Essa autora também argumenta que se trata de uma recuperação dos valores do “feminino” (amor, respeito ao próximo, fraternidade), que “se transmutam, ou se revestem, sobretudo, na Administração, em parceria, cooperação, rede, ancorados em significados da

espiritualidade (ou religiosidade/humanidade) no contexto do trabalho: fraternidade, solidariedade, cooperação, conectividade”.

Estes temas, solidariedade, cooperação, fraternidade foram muito enfatizados pela Professora Marília em vários momentos de sua aula, porém principalmente no início de cada aula, quando realizava a leitura dos textos do livro “Bebendo nas Fontes do Povo”, como por exemplo:

Todos devem ter duas asas, uma material (mostrando a diferença entre ter e ser escravo do dinheiro) e uma asa espiritual, do ser. Ser um ser humano. Todos devem procurar sempre a reforma íntima, interior, procurar crescer. O escritor Valdez escreveu numa época de valores. A pessoa tem sucesso numa empresa quando tem valor.

O homem está preocupado em ter e não ser. Existem valores que não têm preço. Quais os valores que não têm preço? Justiça, honestidade, lealdade, solidariedade.

Quanto à professora Ana, apenas em uma ocasião, no curso técnico de Enfermagem, preocupou-se em tratar as dimensões valorativas. Ao entrar na sala de aula comentou a respeito de um artigo do jornal local, do dia anterior, com o seguinte título

“Perdão que cura”. Segundo a Professora Ana:

Não devemos ter mágoa, rancor, ódio ou qualquer tipo de sentimento negativo de outras pessoas, pois isto só nos causa tristeza, depressão e problemas de saúde. Devemos perdoar que nos faz mal.

Algum motivo provocou o comentário da professora, pois foi breve, sem outros comentários ou questionamentos para os alunos e logo a seguir colocou o texto “Climas do

Brasil” na lousa. Não houve qualquer tentativa de relacionar essas considerações com aspectos da temática ambiental ou das atividades profissionais dos futuros técnicos.

Benzer Belgeler