• Sonuç bulunamadı

1.RÜŞDĐYELER:

3. ĐDADĐLER

Como já explicitado no capítulo 2, acompanhamos o trabalho das Professoras Marília e Ana em cinco cursos técnicos da referida escola, a saber: Eletrotécnica, Mecânica, Enfermagem, Informática e Laboratório de Prótese Dentária.

Registramos neste capítulo o desenvolvimento do trabalho realizado no curso técnico de Eletrotécnica, pela Professora Marília, e no de Prótese Dentária, pela Professora Ana, ambos no 1º semestre de 2004.

Cabe ressaltar que a Professora Marília foi responsável pelos cursos técnicos de Eletrotécnica e Mecânica no 1º semestre de 2004, e a Professora Ana, pelo curso de Laboratório de Prótese Dentária, também no 1º semestre de 2004, e pelos cursos de Enfermagem, Laboratório de Prótese Dentária e de Informática, durante o 2º semestre do mesmo ano letivo.

3.1. OBSERVAÇÃO DAS AULAS DO 2º MÓDULO DO CURSO TÉCNICO DE ELETROTÉCNICA

1ª AULA

A disciplina Tecnologia e Meio Ambiente era ministrada para o 2º módulo do Curso Técnico em Eletrotécnica, na quinta-feira, das 19:00 às 20:30 horas, para uma turma com 37 alunos. Na primeira aula, no dia 05 de fevereiro de 2004, a Professora Marília leu o texto “Modelo para Jesus”, do livro “Bebendo nas fontes do povo” (Anexo 1M – VIAN, 1997, p. 31), sobre como Leonardo da Vinci escolheu os modelos para pintar a “Santa Ceia”. Ela utilizou este texto para explicar como seria ministrada a disciplina, disse que abordaria “temas ligados à cidadania, pois os alunos não apenas serão técnicos eficientes, mas antes de tudo cidadãos”. A professora solicitou um trabalho que seria utilizado como avaliação da disciplina e que consistia na organização, resumo e comentário de 20 a 25 artigos de jornais, revistas ou textos da internet que abordassem os temas tecnologia e meio ambiente. A Professora Marília esclareceu que sua nota final seria o resultado deste

trabalho, o número de faltas e a participação do aluno na aula. Depois de apresentar aos alunos a proposta de avaliação, a professora apresentou-me à sala. Esclareci aos alunos o trabalho que faria na escola, dizendo que estava cursando a Pós-Graduação em Educação Escolar na UNESP de Araraquara e, que como minha linha de pesquisa é Educação Ambiental, gostaria de conhecer como o meio ambiente é abordado em um curso técnico. Retornando à aula, a professora explicou aos alunos que o trabalho deveria abordar os vários níveis de relação entre a tecnologia e o meio ambiente, exemplificando tal relação da seguinte forma:

No nível local, em Rio Preto, temos a Usina Guarani que está comprando todas as fazendas entre Guapiaçú e Rio Preto. Como conseqüências temos o excesso de plantações de canaviais, muitas queimadas que aumentam a temperatura na região. A matança de urubus em uma cidade da região por um cidadão foi denunciada e ele está preso até setembro de 2004. O motivo da matança, 14 urubus no total, foi a concentração dos animais na área do curtume de sua propriedade. As propagandas nas esquinas, vocês peguem as propagandas, guardem em sacos plásticos dentro do carro e no fim de semana joguem no lixo. Na região a alteração da qualidade e da temperatura do ar em decorrência dos canaviais. No Estado, no país e planeta as guerras e testes nucleares que prejudicam o meio ambiente.

Nessa aula o aluno José Luís4 questionou a Professora Marília, argumentando que, ao invés de tratarem desse assunto com uma visão tão global, citando transgênicos, guerras, testes nucleares, queimadas, se não deveriam preocupar-se apenas com o desempenho das atividades do Técnico em Eletrotécnica. Para esclarecer as atividades do técnico, ele apresentou os seguintes exemplos:

A construção de usinas hidrelétricas que provocam impactos ambientais, tais como perda da mata ciliar, alagamento das represas, mortes dos operários; as usinas termoelétricas, com o impacto ocasionado com o aumento da temperatura na região e as linhas de transmissão.

Este aluno realizou uma explanação de aproximadamente 10 minutos. Sua facilidade em abordar o assunto deve-se ao fato de trabalhar como técnico junto a uma empresa de saneamento básico da região de São José do Rio Preto. Após este tempo, a Professora retomou a palavra, esclarecendo:

Ministro aulas de Geografia no Ensino Médio, de TMA nos cursos de Mecânica e Eletrotécnica, por isso não tenho conhecimento para realizar um levantamento destas duas áreas. O que vou transmitir é o cuidado que vocês devem ter com a sala de aula, com o consumo de água e energia elétrica. Caso vocês tenham materiais – artigos, textos – podem trazer para discutirmos em sala de aula.

O aluno José Luís ainda argumentou que a preocupação atualmente de todas as empresas é “correr atrás” dos programas ISO 9.000 e 14.000. Novamente a Professora respondeu que não tinha conhecimentos técnicos específicos na área das ISO para instrumentalizar os alunos. Como a argumentação do aluno empolgou os colegas, estes brincaram dizendo que ele poderia ser político, ao que o mesmo respondeu que “não seria político, pois para isso necessitaria ser desonesto”.

Outra questão levantada pelo aluno foi se a professora pertencia a alguma ONG. A resposta foi afirmativa, disse que trabalho em uma ONG de uma cidade vizinha.

Como ela havia citado “Mata Ciliar”, para explicar a degradação ambiental, o mesmo aluno solicitou exemplos de qual a distância para a construção de edificações próximas a cursos d’água, questionando o caso dos condomínios de alto padrão, localizados às margens da represa municipal. A preocupação do aluno deve-se ao fato de que, desta represa, é captada aproximadamente 30% da água do abastecimento público da cidade. Quando a professora começava a explicar as diferentes distâncias, o sinal tocou, anunciando o término da aula.

Quando descemos para o pátio, a Professora Marília pediu para sentarmos e conversarmos um pouco. Percebi que sua preocupação era a de ser avaliada, pois a sua primeira pergunta foi “Como me saí? Gostou da aula?”. Esclareci que não estava ali para saber se ministrava bem ou mal sua aula, e sim para investigar as dimensões da temática ambiental que se tornavam presentes naquela disciplina. Ficamos conversando até 21:30 h, sendo que ela detalhou o trabalho realizado pela ONG, pela escola técnica agrícola na Grota de Mirassol.

2ª AULA

A Professora Marília iniciou a aula do dia 12 de fevereiro, escrevendo na lousa o texto “Energia Elétrica” (Anexo 2E), que aborda alguns problemas ambientais. Discutindo em seguida com os alunos, explicou como ocorreu o início da Revolução Industrial e também da fabricação dos carros. Terminou o comentário comparando as diferentes revoluções: industrial, tecnológica e a do narcotráfico. Propôs, ao final da explanação, que os alunos deveriam entregar na aula seguinte, como trabalho, a resposta à questão do final do texto “Como atender à demanda por energia sem que ocorram impactos ambientais ainda mais significativos?”.

Após essa explicação, um aluno questionou “Com todo esse desenvolvimento, estão voltando as doenças já erradicadas, como tuberculose, varíola. Isto não é grave?”. A Professora respondeu: “Não é grave, pois são os vícios da sociedade, como fumo e bebida, que estão fazendo as doenças retornarem”.

Nesse momento, havia muita conversa paralela na sala.

Outro assunto abordado pela Professora Marília foi a diferença entre consumo e consumismo, explicando que “um bebê, ao nascer, já produziu 25 kg de lixo, com os presentes, as embalagens do carrinho, berço e as fraldas”.

Esta professora costuma exemplificar a matéria com situações vivenciadas por ela, sua família e/ou amigos. Ao comentar os tipos de poluição provocados pelas indústrias, tais como a poluição no ar, solo, água, sonora e visual, e para exemplificar a gravidade da poluição, ela contou a seguinte passagem ocorrida com ela:

Há algum tempo, passava com freqüência pela cidade de Utinga, onde estão as indústrias de tintas Coral e Suvinil. Nas primeiras vezes que passei pela cidade, achei lindos os telhados brancos, pensando que eram pintados, só mais tarde soube que era fuligem das fábricas, portanto poluição do ar.

Em resposta, os alunos lembraram que o rio Preto, quando passa pela cidade de Ipiguá, é preto de sujeira.

Nesta aula, ela lançou outras questões para os alunos analisarem, como:

a) deveriam procurar soluções para muitos problemas ambientais que serão sendo citados durante o curso; b) como atender à demanda por energia elétrica; c) e a produção de energia solar? e d) o sal do mar impediria a produção de energia?

Esta última questão foi comentada na mesma aula, por dois ou três alunos, que apresentaram a seguinte sugestão, “os motores para a produção de energia elétrica a partir da água do mar deveriam ser fabricados com inox”. O aluno José Luís comentou:

A produção seria mais lenta e os vagalhões, que são ondas pequenas, que ocorrem no Brasil, não são suficientes para a produção de energia, como ocorre no Havaí, onde as ondas são imensas. Quanto à questão da produção de energia elétrica, não há interesse político no desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil, portanto, o Brasil não possui tecnologia nessa área, é tudo importando.

Após o comentário do aluno, a professora perguntou para a classe quanto tempo ainda havia de aula. Eles responderam que faltavam sete minutos e, como ela já havia feito a chamada no início da aula, quando terminou de colocar o texto “Energia Elétrica” na lousa, ocupou o tempo final da aula em conversas individuais com os alunos, com assuntos não ligados à disciplina. Havia 37 alunos presentes nesta aula.

As aulas do dia 19 de fevereiro não foram ministradas em virtude de falta da Professora Marília.

3ª AULA

A primeira aula do Curso Técnico de Eletrotécnica, após o período de greve, foi realizada no dia 06 de maio, portanto, após três meses da segunda aula da disciplina. A Professora iniciou a aula lendo a estória “Saber recomeçar” (Anexo 3E – VIAN, 1997, p. 29), do livro “Bebendo nas fontes do povo”, que relata a situação de uma dona de casa que consegue reaproveitar o bolo de aniversário de sua filha, após o mesmo ter caído no chão. Ela comentou que escolheu especificamente esta estória para animar os alunos, prometendo que não haveria queda na qualidade das aulas dos cursos e que todos deveriam erguer a cabeça e seguir em frente. Nesse momento, um aluno pediu licença e se despediu da classe, comentando que havia trancado a matrícula e que voltaria no 2° semestre, caso não passasse no Vestibulinho no meio do ano em outro curso. Ele completou, dizendo que havia tomado aquela atitude por considerar que o nível de qualidade do curso cairia com a greve, pois os professores teriam que “correr” com as disciplinas. A Professora demonstrou estar triste com a decisão do aluno, mas ele saiu rápido, não dando

oportunidade para conversarem. A seguir, ela fez um comentário, que repetiu em várias ocasiões, neste e no curso de Mecânica:

O professor lança uma semente e o aluno tem que procurar outros lugares para aprender. O aluno não aprenderá tudo que precisa e necessita na escola.

Ela deu como exemplo a Agroshow (Feira de Agricultura em Ribeirão Preto, que estava ocorrendo naquela ocasião):

[...] onde são mostrados equipamentos de última geração, que não é possível consegui-los para as escolas técnicas, mas nem por isso os alunos devem desanimar, devem procurar visitar essas feiras, ler revistas, livros, procurar sites na internet.

A professora disse que a escola recebia do Centro Paula Souza a quantia de R$ 1.500,00 a cada dois meses, e que o restante da verba necessária para manutenção era arrecadado por meio da venda de camisetas, do estacionamento dos professores, da inscrição no “Vestibulinho” (prova de seleção para ingresso nos cursos técnicos que ocorrem no início do 1° e do 2° semestre) e da verba que os professores recebiam para trabalhar como fiscais no “Vestibulinho”, que era doada, por eles, para a escola.

Para animar a classe, ela comentou o caso do time do Palmeiras que foi para a 2ª divisão, mas não desanimou, voltou para a 1ª divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol e, no fim de semana anterior “bateu” no Corinthians. A classe fez bagunça nesse momento, sendo que os palmeirenses caçoaram dos corintianos.

Complementando o pensamento, após outros exemplos, ela afirmou que:

Cada aluno deve buscar seu sucesso. Deve visitar fábricas, conheço a área de Mecânica e não de Eletrotécnica. A população pobre tem que buscar seu conhecimento que a escola não oferece.

A professora comentou que 100% dos funcionários de uma concessionária de televisão da cidade são ex-alunos da escola e colocou a seguinte anotação no quadro:

1º ano = 46 alunos 2º ano = 35 alunos 5 c/ MUITO SUCESSO

10 serão proprietários de empresas 10 serão funcionários

10 sem nada, não sabem como se formaram

Depois, ela comentou que:

Os cinco alunos com muito sucesso e os dez proprietários conseguiram este sucesso porque foram atrás de aprender mais do que a escola oferecia.

Então ela mudou de assunto, comentando que os homens são seres aquáticos, pois possuem no seu corpo cerca de 70% de água, assim como a Terra. E continuou dizendo que:

A depressão origina-se quando a pessoa fica parada, sem atividade, pois água parada apodrece. Todo mundo deve andar todo dia e tomar sol ao menos oito minutos por dia. Esse ensinamento sobre a depressão é de Mao Tse Tung.

A Professora Marília comentou que:

[...] desde criança conheço a “Água de Caxambu”, engarrafada, e há pouco tempo li um artigo dizendo que o solo de Caxambu está afundando em algumas regiões em decorrência da ausência de água no solo.

Contou também que o Rio Tietê, que já está morto em São Paulo, está correndo risco no interior, com o assoreamento provocado pelas praias, o lançamento de lixo e esgoto no rio.

Novamente o aluno José Luís questionou:

Como os alunos irão ter mais conhecimento se estão diminuindo o número de aulas de Geografia e História? Como entender que a questão palestina e do Oriente Médio são as nascentes dos rios Eufrates e Tigre?

A Professora esclareceu que o Rio Jordão (ela considerou que os nomes dos rios citados pelo aluno estavam incorretos) “é importante para a humanidade há 2.000 anos, quando Jesus Cristo foi batizado nele”. Ela fez um mapa na lousa e explicou a situação do

Oriente Médio, comentando, brevemente, sobre as guerras do futuro “que serão motivadas pela falta de água”.

4ª AULA

No dia 13 de maio, a Professora leu um texto que recebeu por e-mail, intitulado o

“Arroz na lápide” (Anexo 4E), concluindo que “devemos respeitar as crenças e religiões de outras pessoas. Ter tolerância”.

Ela explicou que existe uma grande miscigenação no Brasil, primeiro devido às três raças (branco, negro e índio), depois, com a vinda dos imigrantes, que se iniciou com os italianos e chegou até os coreanos na década de 80. Naquele momento, estavam na sala 15 alunos.

A seguir, ela apresentou o texto “Mais de 100 razões para amar o Brasil” (Anexo 10M), questionando os alunos sobre “O que adianta falar do meio ambiente, e não respeitar o próximo?”.

A professora explanou sobre as roupas importadas ou com legendas em inglês – que quase ninguém sabe ler ou entende – e a auto-estima baixa do brasileiro. Para completar, ouvimos a música “Balança Brasil” (Anexo 11M), que relaciona as capitais brasileiras com belezas naturais. Após a música, ela destacou a beleza do Rio de Janeiro.

Foi observado, pelo José Luís, que existe mais inclusão no Rio de Janeiro do que em São Paulo e, portanto, mais chacina nesta última, porém a mídia, principalmente a TV Globo, só divulga as chacinas ocorridas no Rio de Janeiro, relacionando com o que ocorre com a zona norte da cidade, núcleo da população de baixa renda, com inúmeras favelas e alto índice de criminalidade.

O comentário da Professora Marília ressaltou que a cidade:

É uma cidade para inglês ver, com sua entrada suntuosa pela avenida principal. A população pobre está confinada na zona norte da cidade.

Completando o pensamento do aluno que iniciou a discussão, houve a interferência de outro, Matheus, em tom sarcástico, de que:

A Rede Globo faz a integração nacional, mas na verdade desinforma. Ninguém sabe nada.

Neste momento, a professora solicitou uma redação individual sobre “O que eu posso fazer para melhorar o meu espaço, a minha comunidade, o meu país?”.

A Professora permitiu que os alunos ficassem, a partir desse momento até o final da aula, elaborando o texto. Mesmo com a solicitação do trabalho, ela continuou a tratar de outros assuntos, tais como “a impropriedade de se usar camisetas com dizeres em inglês” e “como pensar mais nos problemas locais do que nos globais, tendo em vista o processo de globalização”. Durante essa conversa informal, um aluno, por sinal proprietário de área rural, comentou que “Todos os participantes do MST deveriam ser mortos”.

A Professora respondeu:

Deus/Jesus5, só quem pode tirar a vida de alguém. E que para tratar

desse assunto deve-se estudar a Questão Agrária.

Para exemplificar como a questão é complexa, ela contou uma situação:

Um homem de 70 anos que recebe a terra, mas não tem dinheiro para investir nem força física para trabalhar, acaba vendendo-a e depois é criticado por isto.

Após esse comentário, a aula terminou.

5ª AULA

No dia vinte de maio, a Professora, antes de iniciar a aula, conversou comigo sobre a extinção da disciplina TMA e a inclusão do seu conteúdo na disciplina “Ética e Cidadania”. Também comentou que a disciplina “Intervenções Ambientais”, ministrada para o Ensino Médio, tinha o mesmo programa de “Tecnologia e Meio Ambiente” (TMA), porém não seria extinta.

Às 19:15 horas, ela leu a estória “Os três amigos” (Anexo 14M – VIAN, 1997, p. 23), sobre os três amigos (o dinheiro, a família e nossas boas ações) que podem acompanhar-nos após a morte. Ela contou sobre uma amiga em São Paulo, chamada Maria José, que não tinha amigos. Em uma conversa entre as duas, a Professora Marília disse à amiga que:

5 Apontando para o céu, sem dizer nada.

Todo mundo precisa de cinco amigos, quatro para levar o caixão na hora do enterro e o quinto, para substituir quem cansar. A amiga ficou preocupada, pois, como não tinha amigos, não teria ninguém nem para velá-la.

Depois da leitura, o aluno José Luís comentou que:

As crianças até quatro ou cinco anos, são todas iguais, brincam juntas sem problema, depois desta idade existe a influência do dinheiro, que faz com que as crianças se separem, escolham amigos iguais entre si.

A professora respondeu que:

Jesus disse “Vinde a mim as criancinhas”, pois apenas elas são puras. Quando estamos em uma festa olhamos para os carros e as roupas das pessoas.

Após esse comentário, ela distribuiu 17 exemplares do livro Tecnologia e Meio

Ambiente (MORANDI e GIL, 2001), adotado pelo CEETEPS para esta disciplina, os quais conseguirá emprestado da escola agrícola do Centro Paula Souza. Como eram poucos livros, ela pediu aos alunos para que se sentassem em duplas, porém, à medida que outros iam chegando, estes não eram avisados, nem pela professora nem pelos alunos que já estavam na sala. Portanto os alunos acabam utilizando os livros sozinhos. No início dos trabalhos, ela fez a leitura em voz alta do poema “Eu sou o homem lobo”, de Homero Aridjis, que inicia a Introdução (p. 7) do referido livro.

Eu sou o homem lobo Eu sou o homem lobo devoro-me a mim mesmo Ao amanhecer corto a floresta

onde pousou a Lua Ao meio dia queimo as pastagens

onde corre o veado

Ao anoitecer vou à praia esquartejar tartarugas Subo a montanha

para caçar águias O que Deus fez em seis dias

desfaço em um Eu sou o homem lobo devoro-me a mim mesmo

Após a leitura, ao serem questionados sobre o que haviam entendido da mensagem do poema, os alunos responderam que “O homem é mau”.

Diante do que a Professora Marília frisou:

O homem do poema somos nós. Se não jogarmos papel no chão, não gastarmos água, não usarmos muito detergente, não fazermos monoculturas, como por exemplo, a cana de açúcar, cuidar das florestas, devemos cuidar da empresa em que trabalhamos e da nossa casa.

O aluno José Luís chamou a atenção da professora e da classe para a situação do SEMAE (Serviço Municipal de Água e Esgoto) da cidade, que estava sendo investigado, por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), sobre suas licitações. Em resposta à questão abordada pelo aluno, isto é, a situação da CPI do SEMAE, a Professora apresentou outros casos, como um condomínio de luxo, cuja construção fora autorizada em região de nascente de rio e, posteriormente, embargada, já há cinco anos; e a solicitação de instalação de um parque de diversões na região central da cidade, em frente à represa municipal. Neste último caso, ela destacou que:

Benzer Belgeler