KAYSERĐ’DE KURULAN YABANCI OKULLAR
4. TALAS AMERĐKAN OKULLAR
4.2. TALAS AMERĐKAN ERKEK OKULU (1889–1967)
Uma outra dimensão proposta por Carvalho (2001, p. 59), como significativa para os trabalhos educativos, voltados para a temática ambiental é a dimensão política. Esse autor destaca a importância da incorporação dessa abordagem no processo educativo,
[...] são vários os autores que consideram o envolvimento e a participação coletiva dos indivíduos na busca de soluções para os diversos problemas ambientais com os quais deparamos como um dos objetivos fundamentais para os trabalhos educativos relacionados com essa questão. Esse nível de envolvimento é visto, assim, como uma grande oportunidade para o desenvolvimento de atitudes relativas à participação política e ao processo de construção da cidadania. (grifo nosso)
Carvalho, I.C.M. (1992, p. 40) quando comenta sobre a dimensão política do processo educativo argumenta que,
A ecologia e lutas sociais como esta vêm reafirmar que a gestão do meio ambiente é um problema público e um campo de luta política onde se enfrentam interesses divergentes. Não basta amar a natureza, é preciso entender e influir sobre como o direito à vida, dos homens e da natureza é ou não garantido pelas decisões políticas. [...] A educação pode ter um papel fundamental na construção dessas práticas sociais cidadãs, desde que assuma sua inalterável dimensão política. Educar é fazer política e todo educador está referido à esfera pública. (grifo meu)
“A educação para a cidadania” segundo Jacobi (1998, p. 11) “representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para que transformem as diversas formas de participação em defesa da qualidade de vida”.
Para Sorrentino (2000, p. 101) só haverá participação, se as pessoas se sentirem comprometidas, envolvidas com a situação em questão. Para o autor as pessoas podem ter “condições objetivas de participar, podem ter disponibilização de informações, espaços de locução, possibilidades de tomada de decisão, mas se a pessoa não estiver comprometida de corpo e alma com o assunto”, não participará das decisões que devem ser tomadas, tanto individualmente quanto coletivamente.
No entanto, é interessante observar que, em suas práticas pedagógicas, nenhuma das professoras apresentou propostas relativas aos compromissos políticos do técnico no que diz respeito a práticas relacionadas com a questão ambiental. No caso da Professora
Marília, é interessante observar, por um lado, que em seu projeto de curso essa dimensão é explicitada, quando se faz referência à competência a ser alcançada pelos alunos:
Desenvolver nos alunos uma postura crítica, investigativa e propositiva diante da crise ambiental na perspectiva da construção de uma cidadania participativa e ativa.
Por outro lado, as observações em sala de aula das atividades desenvolvidas pela Professora Marília na disciplina Tecnologia e Meio Ambiente para os diferentes cursos técnicos com os quais trabalhava, não nos permitiram identificar passagens que pudessem concretizar a proposta apresentada em seu plano. O desenvolvimento de atividades que permitissem aos alunos considerar a relação mais profunda entre a temática ambiental e a dimensão política de nossas ações, não foram registradas.
No entanto, merecem destaque os vários questionamentos apresentados pela professora aos alunos, principalmente aos relacionados com a participação deles na vida política, ressaltando não apenas ações locais, mas também, em alguns momentos, a possível interferência em políticas mundiais. Essa professora destacou, em várias oportunidades, a importância de se ter conhecimento da vida da comunidade, o que poderia possibilitar uma escolha adequada dos políticos que nos representam. Destacamos a seguir algumas abordagens da professora a esse respeito:
antes os alunos dos cursos técnicos eram apertadores de parafuso, antes eles não tinham as disciplinas de “Ética e Cidadania”, “TMA” e “Intervenções Ambientais”. Agora com essas disciplinas os alunos tornaram-se questionadores. Devem conhecer os candidatos a cargos públicos para saber em quem votar (grifo nosso).
Devemos saber o que acontece no mundo para saber julgar os fatos. Por exemplo, porque os EUA não invadiram a Iugoslávia para depor o ditador sanguinário que também existia lá? A guerra do Iraque não tem fim, porque existe interesse econômico. É o mesmo que dizer: “olhar para minha casa e dizer eu sou feliz, tenho casa, emprego, que se dane o outro”. Não é isto o que deve acontecer, enquanto as multinacionais pensarem egoisticamente, vai sempre existir injustiça social. Isto acontece porque eles pensam egoisticamente (grifo nosso).
É interessante observar que a Professora Marília, em diversas ocasiões, estimulou seus alunos a acompanharem as sessões da Câmara Municipal, questionando inclusive quem conhecia o prédio da Câmara de Vereadores.
No curso técnico de Eletrotécnica, o aluno José Luís foi muito atuante em diferentes momentos do curso, porém suas reflexões mais polêmicas referiam-se à política. Uma discussão mais acalorada aconteceu na aula do dia 01 de julho, quando a professora realizou a leitura do texto “O Palhaço e o Circo”, enfatizando que havia escolhido o assunto com o propósito de discutirem o início do horário eleitoral para as eleições que ocorreram em 2004. Apresentamos a seguir alguns argumentos do referido aluno que estimularam debates na sala de aula, com a participação ativa da professora e demais alunos:
Não seria político, pois para isso necessitaria ser desonesto.
Essa observação é uma resposta de José Luís aos colegas que pediam para ele se candidatar a vereador. Outra discussão apresentada por ele foi com relação à diminuição do número de vereadores municipais, aprovado pelo Senado Federal:
Com o novo número de vereadores vai começar entrar pessoas mais sérias na política.
Com relação a esse argumento do aluno, a professora alertou para o fato de que todos devem se preocupar em acompanhar a receita da Câmara Municipal, pois o valor recebido será o mesmo, apesar da diminuição no número de vereadores. Para a professora, os alunos deveriam acompanhar com maior cuidado como essa receita será gasta. O aluno José Luís finalizou o comentário, ressaltando o aumento do número de mulheres na vida política:
Com a exigência da lei eleitoral de que 30% dos candidatos sejam mulheres é ótimo, porque elas são mais difíceis de corromper. Enquanto não existir o voto distrital, política é um circo.
Em alguns momentos, a discussão permanecia entre os alunos, mostrando como os mesmos se interessam pelo assunto. Em uma dessas ocasiões, um aluno questionou sobre como escolher os candidatos, se todos possuem argumentos e propostas de trabalho. Não foi nem a professora nem o aluno José Luís que responderam. Um terceiro aluno contou que, na cidade de São Paulo, os candidatos a cargos públicos participam de cursos de Arte Dramática, para obterem sucesso nas expressões que querem transmitir aos eleitores.
Durante a aula em que foi comentada a diminuição do número de vereadores, a Professora Marília, a partir de um comentário sobre as pessoas que decidem seu voto pegando um “santinho” do chão, quando chegam ao local de votação, apresentou o seguinte argumento:
Para ser entendedor de política, não precisa ter diploma, um doutor pode ser um analfabeto político, mas um senhor que acompanha a sua comunidade, que é observador de seu espaço, tem mais capacidade de votar. O pior analfabeto é o político. Bertold Bretch disse “eu odeio política” e esqueça o preço do arroz, do feijão. A Bolsa de Valores tem a ver com a política. O Risco Brasil, que indica como o Brasil é visto lá fora, tem a ver com a política. As eleições estão aí, observem o político que dorme em um partido e acorda em outro, observem conchavos. Na eleição passada um candidato estava de um lado e a outra candidata de outro, hoje estão juntos. Política tem que entrar em casa, nós estamos em uma polis, é uma cidade, como Mirandópolis, Fernandópolis, Altinópolis, etc. Nós moramos numa polis, fazemos parte de uma polis. Observar que eu tenho emprego, tenho casa para morar, não posso votar por mim, pra mim hoje tanto faz em quem eu voto, meu salário e aposentadoria, meu carro e minha casa estão pagos. Tenho que pensar não na pessoa que está sentada no banco da escola, mas sim na D. Maria que está em um tanque ou que está na lavoura. Dos 21 vereadores, tem cinco que trabalham regularmente.
Reafirmando o interesse dos alunos pelo assunto, no momento deste comentário, a classe permaneceu em silêncio absoluto. Novamente a honestidade dos políticos veio à tona ao final da fala da professora, quando sugeriu que um aluno se candidatasse a vereador, pois na Câmara Municipal, atualmente, não existiam políticos honestos. O aluno respondeu que não poderia se candidatar, pois também não era honesto.
Além das discussões sobre situações locais, o aluno José Luís apresentou a situação de que na cidade de São Paulo ocorrem mais chacinas do que o Rio de Janeiro, pois, nessa última, existe mais inclusão social do que na primeira cidade, porém o que acontece é a divulgação maciça da Rede Globo de Televisão dos crimes e chacinas do Rio de Janeiro. Esse aluno relacionou o problema com o que ocorre na zona norte da cidade onde está localizada a escola, por tratar-se de uma região de baixa renda, onde os crimes são mais divulgados.
Outro comentário do mesmo aluno que provocou a Professora Marília, foi a questão de que os empregados devem “puxar o saco” dos chefes ou patrões. Segundo o aluno, no ano anterior, um professor da escola havia passado o seguinte conselho aos alunos: “O saco do chefe é o corrimão do sucesso”. A Professora Marília ficou indignada e
argumentou que esse tipo de pensamento contrariava o trabalho que vinha realizando no início da aula, com a leitura dos textos do livro “Bebendo nas fontes do povo” (VIAN, 1997) e, segundo ela, mais do que “puxar o saco”:
Quem tem competência tem luz, o chefe que aceita isto tem medo de perder o funcionário ou de ser superado. E se mudar o chefe e o novo não gostar de puxa-saquismo, ele [o funcionário] vai ser demitido. [...] Político é que precisa disso.Você é poderoso, importante na empresa, seja você, mostre para o chefe.
É interessante observar que o trabalho da Professora Marília estimulou os alunos a questionarem sua participação política na vida da comunidade, quando analisamos os debates que ocorreram nas aulas do curso técnico em Eletrotécnica. Ao contrário, no entanto, nas aulas da turma de Mecânica, não houve discussões sobre a dimensão política. Creio que essa diferença pode ser explicada, fundamentalmente, pela presença do aluno José Luís na sala de Eletrotécnica, pois mesmo nos dias em que estava ausente a aula era diferente, mais calma, sem tantas questões ou debates.
Na turma do curso técnico em Mecânica, apenas por duas vezes se abordou o termo política. Numa primeira ocasião, quando a Professora Marília comunicou que conseguiu junto a um vereador da cidade um abaixo-assinado de quase todos os outros vereadores, solicitando, por parte da empresa de transporte coletivo municipal, a liberação de passe estudantil aos sábados e no mês de julho, devido ao fato de que haveria reposição das aulas da greve. Ressaltou que não estava fazendo campanha política, porém na época da eleição todos deveriam se lembrar desse vereador que, mesmo doente, apoiou a greve da escola junto ao CEETEPS.
Em outra aula, a professora apresentou o seguinte parágrafo do livro “Tecnologia e
Ambiente” (MORANDI e GIL, 2001, p. 7):
A sociedade enfrenta hoje um dos mais importantes desafios. Não é mais possível ignorar a situação de ameaça à vida diante da tragédia ambiental e dos danos causados aos sistemas ambientais do planeta Terra. Isso exige educação, conhecimento da natureza e desenvolvimento de competências científicas, técnicas e políticas que tornem eficiente a ação humana, bem como valores vinculados aos poderes de construção e destruição. (grifo nosso)
Apesar da dimensão política ter sido mencionada no parágrafo acima, nenhuma observação ou comentário foi realizado sobre esse aspecto.
Algumas questões abordadas pela Professora Marília na discussão do filme “Rio
92”, são discutidas por Loureiro (2002, p. 27), como a mudança na postura do cidadão, que já “não é mais visto apenas como simples eleitor, mas também como um consumidor”. Segundo o autor, essa nova visão surgiu em decorrência de um “maior acesso às informações e aos bens de consumo disponíveis”. A nova postura exerceu uma pressão, segundo o autor, positiva sobre o mercado e os seus produtos. Porém logo em seguida, argumenta, que “as empresas mobilizam-se para alcançar padrões ambientalmente aceitos. Mas esse fenômeno parece mais associado às exigências do próprio mercado do que aos princípios éticos ou de defesa da natureza”.
De alguma forma, questões relacionadas com essas ponderações apresentadas por Loureiro estiveram presentes na sala de aula da Professora Marília. Em uma das discussões trazidas pela professora é feita referência aos procedimentos das empresas para se adaptarem ao novo mercado “verde”, destacando que algumas dessas empresas “vendem” uma imagem ecológica, porém seus produtos são embalados em várias caixas e sacolas, provocando um consumo e descarte excessivo de papel e outros materiais.
Nas aulas de Tecnologia e Meio Ambiente para os cursos técnicos de Eletrotécnica e Mecânica, a Professora Marília coloca em debate o significado da realização do Rali Paris-Dacar a partir da projeção de um vídeo. Chama a atenção para a cena na qual enquanto um menino africano, em um hospital, está sem medicamento para a perna queimada, o piloto ao seu lado recebia toda a assistência médica necessária. Ao mesmo tempo, em uma posição contraditória, a professora destacou que considerava incorreto o Rali fornecer recursos para os países africanos por onde ocorre a prova, pois o Rali não usa nenhuma infra-estrutura dos países envolvidos. Porém a professora ressalta a diferença social que representa para esses povos a realização da prova num continente tão pobre:
É uma riqueza aos olhos dos que vivem em extrema pobreza.
A projeção do filme “Rio 92” provocou vários comentários por parte da Professora Marília em sala de aula. Aspectos relacionados com propaganda e consumo, desigualdades sociais, o consumismo e o poder da propaganda que são apresentados no filme, foram reforçados pela professora:
O que chama mais a atenção são as propagandas de automóveis que vendem poder, glória, que você é o maior, que com um carro você
conquista uma mulher ou um homem. A propaganda leva ao consumo. As multinacionais ganham cada vez mais dinheiro, provocando diferenças sociais. O torneio Rali Paris - Dacar vende marcas de automóveis, óleo, de roupas. As pessoas que assistem ao Rali não têm o que comer. O mundo está passando por injustiça social. Atualmente existe o imperialismo de empresas e de países. (grifo nosso).
A indústria automobilística é um oásis de riqueza dentro do capitalismo e o carro, o seu bezerro de ouro, por isso todo lançamento de um novo modelo é feito com pompa e circunstância. A propaganda automobilística procura vender: juventude, saúde, força e poder. Em 1972 havia 250 milhões de carros no mundo, em 92 existem mais do que o dobro [repetindo dados do filme]. Não existe previsão para o fim desta situação. (grifo nosso)
Também com relação às propagandas apresentadas no filme “Rio 92”, a Professora Marília comentou:
As propagandas vendem liberdade, prazer, poder, ilusão. Todo mundo quer comprar roupas de marca, trocar de carro. A indústria investe em tecnologia, ganha muito dinheiro, portanto, não fica parada porque tem que aumentar o capital.
Após fazer referência a uma propaganda que destacava o nacionalismo norte- americano, a Professora Marília destacou que “toda propaganda vende força, poder, sexo e ilusão”. Para exemplificar essa visão sobre a propaganda, apresentou o caso do creme Dove que focaliza mulheres mais jovens e o carro da Fiat, o Marea, que associa o veículo aos sete pecados capitais. Concluiu, enfatizando que os alunos deveriam aprender a ler e observar a mensagem que as propagandas desejam transmitir.
Ao discutir questões relacionadas com o acesso à água potável, a professora questionou a utilização da área em frente à represa municipal de abastecimento público para a implantação de um parque temático no centro da cidade. O argumento “a priori” de que o aumento do número de empregos para a cidade justifica qualquer iniciativa, é criticado pela professora, que insiste na necessidade de analisar e avaliar os efeitos negativos da realização do empreendimento, tais como poluição da represa, congestionamento de veículos em região próxima ao centro da cidade e sobrecarga na rede de esgoto.
A apresentação do poema “Eu sou o homem lobo”, de Homero Aridjis, pela Professora Marília, seguidas de algumas considerações suas sobre essa obra, traz para a sala de aula algumas perspectivas que merecem ser destacadas. Ao serem questionados
sobre a mensagem implícita no poema, a resposta dos alunos foi a de que “O homem é mau”.
Parece-nos pertinente atentarmos, em situações como essas, para o alerta de Loureiro (2002, p. 21) quando se refere à tendência de generalização de certas categorias e valores:
Cabe acrescentar que a generalização da categoria humanidade como perversa possibilita uso ideológico da questão ambiental, tirando o foco de análise da estrutura da sociedade e colocando a responsabilidade exclusivamente no indivíduo e numa tendência humana instintiva de destruição (naturalmente mau). É por isso que, por exemplo, os programas ambientais com componentes educativos e de ação comunitária, governamentais ou não-governamentais, tendem a trabalhar exclusivamente o aspecto comportamental e moral. Não se pode negar que essa dimensão ideocultural é também um aspecto importante; porém, não é o único nem o determinante, devendo vir associado às mudanças estruturais, assegurando uma sociedade sustentável nas múltiplas dimensões que compõem a vida.
As considerações de Loureiro passam a ter um sentido maior, quando analisamos as ponderações da Professora Marília a partir da resposta dos alunos:
O homem do poema somos nós. Se não jogarmos papel no chão, não gastarmos água, não usarmos muito detergente, não fazermos monoculturas, como por exemplo, a cana de açúcar, cuidar das florestas, devemos cuidar da empresa em que trabalhamos e da nossa casa. (grifo nosso)
Parece-nos plausível considerar que, ao posicionar-se dessa forma, a professora reforça a idéia de que se cada um resolver um problema na sua casa, no seu trabalho, na sua escola, teremos uma melhoria na qualidade ambiental e de vida de toda a população. Porém Carvalho, I.C.M. (1992, p. 32) argumenta que esta individualização pode não alterar o atual quadro ambiental:
Restringir a educação ao campo da mudança de comportamentos é um primeiro problema que parece longe de ser resolvido na educação de modo geral, e especialmente na educação ambiental. A educação quer transformar a realidade, mas, se estende a realidade como a soma de comportamentos individuais, fica limitada ao campo da aprendizagem, no sentido comportamental do termo, isto é, restringe-se ao campo do condicionamento, do adestramento, do treinamento. Não que essa dimensão não exista, mas a questão que se coloca para o educador é: até que ponto ela dá conta da complexidade da ação humana?
Ainda, discutindo as atitudes individuais, a autora acima mencionada destaca a diferença entre atitudes individuais na vida doméstica e no espaço comum, argumentando que as primeiras apesar de terem impacto sobre o meio ambiente são diferentes das ações coletivas. Afirma que essa diferença deve ser levada em consideração, “sob pena de reduzir as questões sócio-ambientais à soma dos comportamentos individuais, e perder de vista o que há de mais transformador na dimensão política da luta ambiental”.
Com relação à Professora Ana, em nenhum curso técnico sob a sua responsabilidade foram discutidos temas relacionados com a dimensão política da temática ambiental. No filme “Riqueza do Lixo” que a professora apresentou em alguns dos cursos técnicos, um gerente de empresa norte-americana afirma que “por causa da legislação ambiental, somos ecologicamente responsáveis”. Porém nem a professora nem os alunos comentam nada a esse respeito, ou seja, para eles é natural que a responsabilidade com o meio ambiente esteja vinculada a uma pressão da legislação e não a uma postura de consciência com a degradação ambiental provocada pela industrialização.
Neste momento procuramos reunir algumas reflexões numa síntese que contemple tanto a questão proposta inicialmente, sob a ótica do referencial teórico proposto, bem como algumas questões que emergiram durante o desenvolvimento do trabalho.
O que nos parece bastante significativa é a forte coincidência entre alguns pressupostos relativos aos fins e objetivos da educação ambiental, propostos pelos autores que têm refletido sobre essa questão tanto no Brasil como em outros países. Além disso,