6. GELENEKSEL AFYONKARAHİSAR KONUT CEPHELERİNİN GÖRSEL
6.2. Görsel Analiz Çalışması
6.2.2. Tacı Ahmet Caddesi Görsel Analiz Şemaları
Iniciaremos a abordagem do tema exclusão escolar, a partir do ato que legitima a transformação da condição de não aprendiz para deficiente mental leve, ou seja, o parecer psicológico que fundamentou o envio oficial de Marina para a classe especial. Alguns dados desse parecer foram apontados anteriormente, envolvendo não
aprendizagem, falta de atenção e afobação, tendo a queixa principal um caráter escolar. O encaminhamento é para classe especial e a ressalva da profissional quanto à indicação informa que, desde a segunda repetência de Marina na 1ª série (1977), vem sendo indicada esta modalidade de ensino. Na época estava na 2ª série, sem conseguir acompanhar o conteúdo, mesmo sendo uma sala de repetentes. Portanto nos deteremos nos procedimentos utilizados e nos resultados obtidos, os quais são problematizados com Marina durante as entrevistas.
O parecer psicológico está anexado a uma carta de encaminhamento para a classe especial, de 08 de dezembro de 1981, e contém os seguintes dados:
O material utilizado foi: Entrevista com a mãe, WISC, Bender, Desenho livre e desenho da família.
Os resultados foram QI Verbal 62, QI de Execução 51 e QI Total 53 – faixa dos deficientes mentais educáveis.
Demonstrou pouco interesse e falta de perseverança. Todo o
desempenho foi insuficiente, dificuldade de memória, de capacidade de julgamento prático na vida diária, na capacidade de abstração verbal e não verbal, na atenção concentrada e automática.
Organização perceptiva é deficiente, ou seja, a percepção de detalhes importantes, bem como a orientação temporal, o processo de pensamento lógico-seqüencial, a coordenação viso-motora e a capacidade de fazer associações específicas mostram-se prejudicadas.
No Bender obteve resultado bem abaixo de QI para sua idade, apresentando nível de organização grafo-perceptiva esperada para crianças de 6anos de idade.
Mostra ser uma criança emocionalmente imatura e insatisfeita com a posição que ocupa na família.
Gostaria de ser filha única, tendo dificuldade de lidar com a rivalidade fraterna.
Sente a mãe como uma figura boa com a qual se identifica e o pai como uma figura mais distante e ruim.
Revela agressividade primitiva e dificuldade de contato. Marina necessita de Classe Especial e Psicomotricidade.
É um parecer estático e inflexível que assinala claramente as faltas e inadequações de Marina, não havendo nenhum dado que revele sua potencialidade ou alguma positividade em seu desenvolvimento cognitivo, afetivo ou comportamental. Efetivamente, está muito distante do que é esperado para uma menina com 12 anos e do que foi encontrado 22 anos depois, nas entrevistas.
Durante a nossa última entrevista, apresentei os documentos encontrados no seu prontuário e problematizei algumas informações que ali estavam colocadas. Com relação à queixa escolar admite que é afobada e agitada até hoje, embora com menor intensidade; é uma pessoa que gosta de fazer as coisas rapidamente. Lembra que, quando trabalhava na fábrica, suas colegas sempre a orientavam a ir mais devagar; o problema é que às vezes ficava tão lenta e desatenta que não conseguia fazer tudo o que era necessário. Em casa também é assim, gosta de fazer tudo rapidinho, para chegar na hora do almoço com poucas obrigações domésticas, porém não gosta que a fiquem pressionando durante a execução.
Acha que tem problema na memória, pois, apesar de se esforçar muito, não conseguia guardar as coisas da escola, fato que aparece enredado à complexidade envolta à sua condição de aprendizagem, e pode ser percebido na colocação abaixo:
“Eu me esforçava bastante, e tinha problema na vista, e eu sentava na frente, e eu usava óculos, e eu tinha dificuldade pra escrever. Então eu era lenta e quando não entendia aquilo ficava com dor de cabeça, porque não entrava na minha cabeça. Ficava agitada, fica nervosa, daí tinha hora que (...) olhava pra mim, eu largava o material ficava assim, parada, sentada, olhando pra cara dele (professor)”.
O “não entrar na cabeça” era um fator negativo que Marina assinalou com regularidade nas entrevistas, assim como a ineficiência de sua capacidade de abstração, que mais se assemelha à dificuldade de concentração. Exemplifica da seguinte forma: começa a pensar numa coisa e depois foge da cabeça. Essa situação era recorrente em relação aos conteúdos escolares. No entanto, quando questionada sobre o acompanhamento das novelas, relata que sempre pensa no enredo e, às vezes, em “coisas que não tem nada a ver”, porém derivadas das informações recebidas. O comentário final de Marina sobre o parecer psicológico é que houve orientação das pessoas, professores e pais, mas “não era tudo aquilo que falavam e que tinha capacidade de aprender mais”.
Recorda-se que freqüentou o consultório de diferentes profissionais médicos e psicólogos, levada por sua mãe, a pedido da escola que queria saber qual era o problema que Marina tinha. Nessa peregrinação pela área da saúde, lembra vagamente dos atendimentos com profissionais da Psicologia, sendo que a atuação é resumida como conversa, análise e comunicação à mãe de seu parecer acerca dos motivos que a levavam
a repetir tanto a 1ª e 2ª séries. Destas lembranças, duas situações merecem destaque: a primeira é que havia um outro psicólogo que a mandava “escrever e fazer um monte de rabisco”, observava sua produção e seu comportamento, analisava-os e depois chamava sua mãe. Não se lembra de ter recebido algum tipo de explicação sobre as impressões do profissional em questão, todavia acha que ele falava para sua mãe que não havia nenhum problema, precisava apenas ter mais atenção nas coisas, o que não diferia das anotações da professora em seu caderno, pois em sala de aula entendia o que precisava fazer, mas não prestava atenção. Em relação à segunda situação, não se lembra de nada do que foi falado, apenas que tinha um monte de boneca para brincar, enquanto a psicóloga conversava com Marina e ficava anotando o que ela fazia.
Apesar de ter passado por diferentes profissionais, não era satisfatória sua situação de aprendizagem. E explica então que Dona Regina a tirou da 2ª série na classe comum e colocou-a na classe especial da seguinte forma: “a minha mãe não sabia mais o que fazer comigo (...) que eu só repeti a 2ª série, tinha dificuldade. Eu já não estava agüentando mais não, aí minha mãe pegou e me colocou lá...” Apesar da insatisfação na classe comum, ao entrar na classe especial a pergunta que se fazia era: “O que é que tô fazendo nessa sala de louco?” Relata que a professora respondia: “Mas você também tem dificuldade, se você não tivesse dificuldade você não estaria aqui”.
Para Marina a classe especial era uma sala de pessoas “com problemas de dificuldade na lição”, o que é diferente de ter problema mental. Acrescenta que “a pessoa não sabia seguir a lição (...) porque não sabia lê e nem escrever direito. Era uma coisa que os professores resolveram fazer isso com os alunos que precisavam de ajuda”, sendo que eram alunos que tinham passado por muitas escolas e a única que tinha esse tipo de ajuda era a escola “Feitosa”.
Uma vez na classe especial, Marina permaneceu durante três anos na 2ª série, dois no período da tarde e um no período da manhã, quando foi “convidada” a sair. Os documentos dos prontuários desse período são bastante sintéticos, oferecendo como informações somente os conceitos finais da aluna, que serão expostos a seguir:
Matérias 1º Bimestre 2º Bimestre 3º Bimestre 4º Bimestre Conceito Final Língua Portuguesa C C D D D Matemática D C D D D Educação Artística C C C C C Educação Física C C C C C Estudos Sociais C C D C C Ciências C C D C C
1984 – Reprovada na 2ª série da classe especial
Matérias 1º Bimestre 2º Bimestre 3º Bimestre 4º Bimestre Conceito Final
Língua Portuguesa C D D D D Matemática D C D D D Educação Artística C C C C C Educação Física C C C C C Estudos Sociais C C C C C Ciências e Saúde C C C C C Ensino Religioso F F F F F
1985 – Reprovada na 2ª série da classe especial
Matérias 1º Bimestre 2º Bimestre 3º Bimestre 4º Bimestre Conceito Final
Língua Portuguesa D C D D D Matemática D C D C C Educação Artística C C C C C Educação Física C C C C C Estudos Sociais C C D B C Ciências e Saúde C B C C C Ensino Religioso F F F F F
Ao longo de seu relato, há alguns momentos em que se confunde e afirma que a professora questionava o que Marina estava fazendo na classe especial, pois não via a necessidade neste tipo de atendimento a ela. Acrescenta que a professora transferiu-a para a classe comum, na qual completou a 3ª e 4ª séries. Toda essa mudança só foi decorrente do empenho da professora, que dava mais atenção aos alunos e à própria Marina; esta logo passou para uma sala mais forte, com pessoas mais adiantadas, o que resume da seguinte forma: “Aí era série normal, porque eles viram que eu não tinha nada a ver com aquilo, que meu problema não era aquele”.
Independente dos motivos que levaram Marina a contar essa versão de sua passagem pela classe especial54
, é importante resgatar no relato as impressões desse