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Tabakalı Örnekleme Yöntemiyle Türkiye’deki Patates Üretimine İlişkin Verim Miktarının Tahmini Verim Miktarının Tahmini

KÜME ÖRNEKLEMESİ

6.1. Türkiye’deki Patates Üretimine İlişkin Verim Miktarının Tahmini

6.1.2. Tabakalı Örnekleme Yöntemiyle Türkiye’deki Patates Üretimine İlişkin Verim Miktarının Tahmini Verim Miktarının Tahmini

Iniciar toda e qualquer reflexão, investigação e/ou descrição sobre as racionalidades hegeliana e marxiana demanda, sobretudo, compreender o tempo histórico em que G. W. F. Hegel e Karl Marx viveram, o cenário político-social que se descortinava diante da visão desses dois pensadores. O historiador Osvaldo Coggiola, no curso Marx e Engels, promovido pela Editora Boitempo, em agosto de 2012, observou que a história favoreceu que as obras de Karl Marx, em parceria com Friedrich Engels, pudessem ser escritas. Foram as circunstâncias históricas que confluíram para a elaboração da brilhante teoria. A história não se repete, tais teorias, escritos, legado filosófico, só foram possíveis por conta das circunstâncias das convergências históricas e, não somente, por composição genética, dote de inteligência ou genialidade desses incríveis pensadores.

Tais obras e teorias são sínteses analíticas de um sortilégio de acontecimentos históricos, da observação de profundas mudanças na sociedade, que dão a tônica para o pensamento filosófico, político e social de um futuro que se estende ao menos até o momento em que a autora desta dissertação digita estas linhas. Da publicação de Fenomenologia do Espírito, até o presente momento,

passaram-se 207 anos, na época o excepcional pensador contava com 37 anos, idade atual da presente pesquisadora.

No que se refere a Marx, desde o término de “Por uma crítica da Filosofia do direito, de Hegel: Introdução de 1844”, passaram-se 170 anos; Marx tinha apenas 26 anos. As transformações societárias foram a força motriz para suas análises e, no caso de Karl Marx e Friederich Engels, luta política, entremeando-se na vida cotidiana desses célebres homens.

Esta primeira aproximação tem a proposição de fazer uma tentativa de apreensão das dialéticas hegeliana e marxiana, não apenas numa dimensão teórica, mas, sobretudo, relacionando o método de análise dos pensadores a momentos históricos cruciais para a sua elaboração, de modo a traçar uma linha de raciocínio que permita, através de aproximações sucessivas, adensar a compreensão dos elementos primordiais e categoriais, para subsidiar a discussão, sobre a categoria mediação na prática profissional, do assistente social, inserido no Tribunal de Justiça de São Paulo, especificamente, na Vara da Família e Sucessões.

Georg Wilhem Friedrich Hegel conta com 19 anos quando, diante de seu olhar jovem e idealista, observa a Revolução Francesa e, mais que isso, acompanha apaixonadamente a sucessão de acontecimentos que marcam, profundamente, a história da humanidade, o marco histórico que faz a transformação, a derrocada do sistema feudal e, ao mesmo tempo, o fortalecimento da ordem burguesa.

O pensamento, o conceito de direito fez-se de repente valer e o velho edifício de iniquidade não lhe pode resistir [...] Desde que o sol está no firmamento [...] não se tinha visto o homem [...] basear-se numa ideia e construir segundo ela a realidade [...] Trata-se, portanto, de um soberbo nascer do sol. Todos os seres pensantes celebraram essa época. Reinou nesse tempo uma emoção sublime, o entusiasmo do espírito fez estremecer o mundo, como se só nesse momento se tivesse chegado à verdadeira reconciliação do divino com o mundo (CHÂTELET, 1985).

É a contradição desse momento histórico que fará com que Hegel determine sua resolução pela Razão. Hegel era alemão e a Alemanha, nesse momento histórico, ainda não havia se unificado, dividia-se em diversos Estados e ainda estava mergulhada na ordem feudal. Neste sentido, não se pode compreender o pensamento de Hegel sem relacioná-lo com sua vivência.

O método que elaborou para tentar vencer as dilacerações e as contradições do seu tempo - a dialética idealista - só pode ser compreendido a partir da experiência viva e do drama vivido que suscitaram nele a exigência filosófica (GARAUDY, 1971, p.77).

Henrique Cláudio de Lima Vaz (2013, p.13) na apresentação do livro A Fenomenologia do Espírito (HEGEL, 2013), informa que segundo Hegel, “[...] fenomenologia somente poderia ter sido escrita no tempo histórico que era o seu e que assistira à revolução kantiana na filosofia e à revolução francesa na política”.

Nestas circunstâncias históricas, filosoficamente Hegel trabalha o movimento do vir-a-ser – devir, pois a realidade está em constante processo e para compreender este processo é preciso uma nova lógica: a dialética.

A dialética pressupõe que todas as coisas deixam de ser o que são – “morrem”, revelando seu movimento de três etapas: negação, síntese, superação da contradição entre negação e síntese. Neste sentido a história é compreendida como resultado de longo processo e não apenas acumulação de fatos decorridos no tempo, mas de uma interação cujo motor interno é a contradição dialética. Sem, contudo, fazer especulações sobre o futuro, a filosofia de Hegel centra-se no tempo presente, sua metodologia refuta qualquer especulação sobre o futuro. Sob influência da crítica da razão de Immanuel Kant, pensa a realidade, a partir do que é, nunca separadamente do que deveria ser, ou seja o ser do dever-ser, ponto no qual é duramente criticado, por ser considerada uma forma de “reconciliação com a realidade”.

Hegel, como se sabe, havia sido um crítico veemente de qualquer forma de especulação sobre o futuro, de qualquer antecipação arbitrária da consciência voluntarista interessada em ir além do círculo de ferro da necessidade do momento, de qualquer veleidade utopista separando o “ser” do “dever ser” que rompa a imagem monista de uma totalidade imanente e faça a dialética saltar fora de seu curso real [...] (FREDERICO, 1995, p.22).

A epígrafe do início deste capítulo faz uso de uma anunciação de Mefistófeles a Fausto de Goethe "o gênio sou que sempre nega". Contradição, negação são os vetores do movimento, são as nuances que fazem com que Hegel rompa com a lógica tradicional aristotélica que, ao seu modo de analisar, não dão conta de explicar o movimento. O ponto central é que a filosofia de Hegel é uma filosofia do devir, do vir-a-ser, portanto do movimento, a dialética.

O método dialético deixado por Hegel torna-se, após sua morte, ponto central dos debates, análises e crítica dos jovens acadêmicos denominados hegelianos que se dividem entre os hegelianos de direita e de esquerda. Dentre hegelianos de esquerda, pode-se citar Marx, Engels, Ruge, Feuerbach, Cieszkówski, Hess, Bauer entre outros. Para estes, o método deve se realizar pelo trabalho do negativo, isto porque o “real” e a “realidade empírica positiva” não são idênticos. O único modo de suprassumir em um nível superior ao conceito é pela negação, de modo que: “A esquerda hegeliana recorria ao caráter negativo da dialética para argumentar que o movimento da ideia nunca cessa e, portanto em sua marcha ascendente, superaria o presente [...]” (FREDERICO, 1995, p.21).

O presente estudo busca, através da leitura do prefácio da Fenomenologia do Espírito, apreender as determinações centrais para a elaboração do método dialético. No momento em que escreve a obra, Hegel está mergulhado no debate filosófico da época. Além de abandonar a lógica tradicional aristotélica, constrói uma substancial crítica a Kant, as reflexões necessárias para o debate vão para além, entrecruzam-se com o momento histórico e se torna fecundas sobre as expectativas do momento histórico, a modernidade.

O objeto central da fenomenologia do Espírito é o trajeto da consciência em direção à ciência. A reflexão a respeito da história da filosofia, como movimento central no interior do próprio fazer filosófico, permite pela primeira vez um fazer filosófico que verá a história da filosofia como história do movimento da razão em direção à sua auto-determinação enquanto ciência. Temos, então, um novo conceito de história, de modo que o presente é resultado de longo processo. Não se trata de acumulação dos fatos decorridos no tempo: trata-se de seu engendramento, dos nexos que compõem tais fatos e de sua processualidade, cuja a força motriz é a contradição dialética.

Tal fato é fundamental para a compreensão da noção Hegeliana de história e pode ser exemplificado na seguinte passagem:

O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-ai da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si. Porém, ao mesmo tempo, sua natureza fluida faz delas momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contra-dizerem, todos são igualmente necessários. É essa igual necessidade que constituí unicamente a vida do todo [...] (HEGEL, 2013, p.24).

A metáfora expressa com maestria a concepção dialética, a passagem do ser ao não ser, que não deve ser compreendida como aniquilamento, destruição ou morte pura e simples, mas movimento para outra realidade. A contradição faz com que o ser suprimido se transforme. A centralidade do presente na dialética de Hegel, não excluí o futuro. Ela o contém sob a forma de tendências, de possibilidades objetivas [...] (FREDERICO, 1995, p.23).

Se cada fato histórico deve ser refletido como momento que constitui uma situação que se desencadeia no presente, significa reconstituir seus momentos de modo a compreender a verdade a partir do ponto de vista da razão, de modo não linear de reconstituição histórica:

[...] Hegel tenta implementar um perspectiva imanente de compreensão do desenvolvimento das figuras da razão em sua história, ou ainda, simplesmente da razão na história. Ou seja, trata-se de compreender o impulso que ordena as passagens de uma figura da razão à outra através de tensões internas. Ao tentar se efetivar seu conceito, uma figura da razão produz experiências que não se deixam apreender completamente pelo conceito que a anima. Trata-se então de comparar a figura consigo mesma, insistir na contradição entre o conceito e aquilo que se coloca

como campo de experiência para a consciência de um certo momento.

Trata-se, pois, de mostrar como uma determinada figura da razão não foi capaz de realizar seu próprio conceito. Esta é, de uma certa forma, o cerne de uma perspectiva imanente na compreensão do desenvolvimento da razão em sua história (SAFATLE, 2011, grifo nosso).7

Lukács (2012, p.183), parafraseando Marx, ao se referir a Hegel observa que: “no mestre, o que é novo e significativo se desenvolve em meio ao “esterco” das contradições, brotando vigorosamente dos fenômenos contraditórios”, e faz tal colocação apontando alguns momentos dentre os quais: “a dinâmica das contradições dialéticas não é um simples devir universal ou nem uma sucessão de graus na apreensão do mundo pelo pensamento” e centraliza o tempo presente como uma das grandes problemáticas contraditórias da dialética Hegeliana:

A concentração no presente enquanto reino da razão efetivamente alcançado expulsa da dialética, por um lado todos os elementos necessariamente subjetivistas e sublinha seu caráter ontológico objetivo, mas por outro a mesma concentração oculta em si uma profunda e insolúvel contradição: o presente pode alcançar uma fundamentação ontológica

7

SAFALTE, Vladimir. Curso: A Fenomenologia do Espírito - Hegel. Disponível em: <http://projetophronesis.com/2011/06/04/vladimir-safatle-aula-130-fenomenologia-do-espirito-de- hegel>. Acesso em: Ago. 2014.

genuína tão somente enquanto ponte entre o passado e o futuro [...] (LUKÁCS, 2012, p.183).

Hegel centra no presente histórico toda sua filosofia – busca conceitual – crítica do dever-ser em relação ao ser, isto quando analisa tanto a sociedade quanto a história “uma notável objetividade, que se situa acima de intenções e desejos” (LUKÁCS, 2012, p.188). A nova ontologia apresentada por Hegel centraliza a realidade no “sistema de categorias global” e, deste modo, “a supremacia ontológica do ser-propriamente-assim da realidade com relação a todas as demais categorias subjetivas e objetivas” (LUKÁCS, 2012, p.188).

Importante ressaltar que a história na perspectiva hegeliana, não se coloca como mera narrativa, sucessão de fatos, mas se trata da exposição de um processo de formação, no qual todos os momentos são necessários para sua compreensão. A análise só pode ser colocada por meio da unificação entre o resultado e o devir, de modo que, não é tarefa do pensar, emitir julgamentos na solidez de determinações fixas:

Com efeito, a Coisa mesma não se esgota em seu fim, mas em sua

atualização; nem o resultado é o todo efetivo, mas sim o resultado junto

com o seu vir-a-ser. O fim para si é o universal sem vida, como a tendência é o mero impulso ainda carente de sua efetividade; o resultado nu é o cadáver que deixou atrás de si a tendência. Igualmente, a diversidade é, antes, o limite da Coisa: está ali onde a Coisa deixa de ser; ou é o que a mesma não é (HEGEL, 2013, p.25).

Se a análise só se pode efetivar por meio da junção entre o resultado e o devir, é possível compreender que tal análise faz, minimamente, uma tentativa de conciliar os fatos e, sobretudo, mantê-los unidos.

No que se refere à concepção de história, Hegel ontologicamente analisa de modo unitário: natureza e história. Tal como a tônica do pensamento Iluminista propõe “a natureza como base e pré-história muda, não intencional da sociedade” (LUKÁCS, 2012, p.184). Contudo, elabora uma análise para além do pensamento da época da qual é contemporâneo - a dialética desenvolve-se diretamente a partir da natureza – o novo em Hegel é a proposição de novas categorias suas conexões e legalidades “qualitativamente novas, tão numerosas que só podem ser derivadas da natureza em termos dialético-genéticos” tais categorias derivam no que se refere ao conteúdo e consequentemente nas formas essenciais, por isso, para além da natureza dela se distinguindo (LUKÁCS, 2012, p.184).

A compreensão da dialética perpassa por uma categoria fundamental que é a totalidade, pela qual o todo predomina sobre as partes que o constituem. Ou seja, as coisas estão em constante relação recíproca, e nenhum fenômeno da natureza ou do pensamento pode ser compreendido isoladamente fora dos fenômenos que o rodeiam.

"A verdadeira figura, em que a verdade existe só pode ser o seu sistema cientifico" (HEGEL, 2013, p.25), a busca pela verdade, num sistema cientifico deve elevar a filosofia à ciência num movimento que "[...] deixe de chamar-se amor ao saber para ser saber efetivo [...]" indo além das motivações individuais, procurando respostas aos desafios do tempo presente na condição de ciência, em sua realização enquanto Saber Absoluto.

Deste modo, Hegel entende que criando um sistema da ciência, que negue a articulação do saber em sistema, possibilita uma compreensão do objeto como devir, e ainda tem a capacidade de dar forma do conceito àquilo que parece se apresentar como não conceitual.

O pensamento de Hegel, contudo, pretendia estar a salvo da contradição reivindicada pelos seus discípulos entre sistema e método e, também, da escolha unilateral entre a realidade da razão e a racionalidade do real. Hegel era bastante cauteloso com as possíveis consequências de suas ideias. Além, disso a tese da racionalidade do real precisa ser lida, coerentemente com o seu método, valendo-se da sutil diferença entre o

real, entendido como um processo, e o existente, um momento empírico e

contingente (e, enquanto tal, falso) do fluxo real (FREDERICO, 1995, p.24).

Para tal intento, é preciso que o pensamento realize um esforço de ordenar as determinações, por meio de princípios gerais e universais, o que possibilitará a apreensão da experiência de uma Coisa em geral. Do mesmo modo, é preciso estruturar categorias para se determinar predicados possíveis para um objeto geral. Contudo, não se deve perder a perspectiva de negação em toda a formulação hegeliana, pois ainda que a apreensão da experiência de uma Coisa geral seja fundamental, esta não se dá como resultado de uma experiência de objetos em geral. Ao contrário, o pensar tem o imperativo de pensar o particular, adentrar na experiência da Coisa Mesma, implicando um pensar sobre aquilo que não se deixa pôr como experiência de objetos em geral:

O começo da cultura e do esforço para emergir da imediatez da vida substancial deve consistir sempre em adquirir conhecimentos e princípios e pontos de vista universais. Trata-se inicialmente de um esforço para chegar ao pensamento da Coisa em geral e também para defendê-la ou refutá-la com razões, captando a plenitude concreta e rica segundo suas determinidades, e sabendo dar uma informação ordenada e um juízo sério a seu respeito. Mas esse começo da cultura deve, desde logo, dar lugar à seriedade da vida plena que se adentra na experiência da Coisa mesma. Quando enfim o rigor do conceito tiver penetrado na profundeza da Coisa, então tal conhecimento e apreciação terão na conversa o lugar que lhes corresponde (HEGEL, 2013, p.25).

Hegel pensa seu tempo histórico, a modernidade e, neste sentido, o sujeito é aquilo que aparece como negatividade que rompe o campo da experiência e faz com que nenhuma determinação subsista. Assim, sujeito e subjetividade são postos como fundamento, conforme nos explica Safatle (2011):

[...] a modernidade aparece para Hegel como momento histórico no qual o principio de subjetividade pode se por como fundamento. No entanto, este sujeito não é apenas a condição transcendental de toda representação (ou seja, não um sujeito psicológico, um individuo, mas a possibilidade de que, ao representar objetos, eu apreenda também as regras de organização da experiência de representação). Na verdade, Hegel lembrará que o sujeito é aquilo que faz com que o “espirito nunca esteja em repouso" porque são suas exigências que instauram um processo no qual "o espirito rompe com o mundo do seu ser-aí e do seu representar".

Se o sujeito e a subjetividade são postos como fundamentos para Hegel, e se a Fenomenologia nos coloca o devir do saber, da ciência, pressupõe então um processo de formação da consciência deste sujeito no qual pensar e ser podem reconciliar-se? Qual seria este processo de formação da consciência?

[...] O saber como é inicialmente - ou o espirito imediato - é algo desprovido de espírito (geistlose), a consciência sensível (o primeiro estágio das figuras da consciência). Para tornar-se saber autêntico, ou para produzir o elemento da ciência que é para ciência o seu conceito puro, o saber tem de percorrer um longo e árduo caminho. Esse devir como será apresentado em seu conteúdo e nas figuras que nele se mostram, não será o que obviamente se espera de uma introdução da consciência não-cientifica à ciência, e também será algo diverso do estabelecimento dos fundamentos da ciência. Além disso, não tem nada a ver com o entusiasmo que irrompe imediatamente com o saber absoluto - como num tiro de pistola - e descarta os outros pontos de vistas, declarando que não quer saber nada deles (SAFATLE, 2011).

Para Hegel, o saber passa por um longo e árduo caminho que vai da consciência em seu estado mais imediato, até o espírito realizado –

“desenvolvimento histórico da razão em seu conceito” (ENDERLE, 2010)8. Contudo,

o sujeito está enraizado num entendimento de mundo que aparece a ele num imediato. Então, a morte é a experiência da fragilidade das imagens do mundo. O sujeito precisa apreender seu processo histórico de formação, aquilo que o move, a negação como força de fragilização das visões de mundo e dos sistemas que lhe estão enraizados pelas práticas sociais de ação e justificação.

A morte se assim quisermos chamar essa inefetividade- é a coisa mais terrível; e suster o que está morto requer a força máxima. A beleza sem força detesta o entendimento porque lhe cobra o que não tem condições de cumprir. Porém, não é a vida que se atemoriza ante a morte e se conserva intacta da devastação, mas é a vida que suporta a morte e nela se conserva, que é a vida do espirito. (HEGEL, 2013, p.42).

Nas palavras de Rubens Enderle (2010), Hegel ensinava que “a ciência não é algo que se recebe, mas sim algo que se desenvolve algo cujo sangue espiritual se impulsiona do coração até as extremidades”. Nesta perspectiva, é para além, do desenvolvimento da consciência para a moralidade é, sobretudo, um “progresso do saber”, pois: “não se suspeita da consciência particular do filósofo, mas sua forma de consciência essencial é construída e elevada a uma determinada forma e significação, com o que ela é, ao mesmo tempo, ultrapassada.” (MARX apud ENDERLE, 2010, p.12).

A consciência faz neste sentido uma trajetória em direção a um conceito de Espírito e este, por sua vez, não é uma entidade substancial à parte que se utilizaria das consciências como uma expressão de astúcia. Espiritual é a expressão da capacidade que têm os sujeitos de apreenderem autorreflexivamente o processo histórico que os forma. Como, então, segundo Hegel, os homens fazem sua história?

Os homens fazem sua história, mas não como imaginam. A consciência age, mas não sabe o que faz, porque ela é um modo de presença, é um modo de apresentar objetos, de determinar um campo de visibilidade. Nesse regime, aquilo que é experiência histórica é impensado, porque a experiência histórica não é a experiência de indivíduos dotados de consciência, mas a experiência de sujeitos