• Sonuç bulunamadı

2.2.6.1 Yüzey Artırılmış Raman Spektroskopis

3. XRF İLE RAMAN SPEKTROSKOPİSİNİN ARKEOLOJİK ESERLER ÜZERİNDE UYGULAMALARI VE METODLAR

3.8. Taşınabilir Spektrometreler ve Yerinde Analiz

RATZINGER em seus debates com Habermas afirma: "(...) a desconfiança e a

revolta contra o direito ganham força quando o próprio direito já não parece ser a expressão de uma justiça a serviço de todos, ..., isto é, de uma usurpação do direito praticada por aqueles que detêm o poder”.532 Evitar esta usurpação é, conforme se depreende de Habermas, neste diálogo, uma relação comunicativa em que se discute o entendimento sobre o Direito.533

528 Que no discurso de aplicação não é necessariamente “verdade” devido à possível pauta estratégica como se depreende de HABERMAS, Direito e Democracia: entre a Faticidade e a Validez I, 1997, pp.287-288, apesar da resposta de que não são necessariamente ações estratégicas ao colaborarem com a construção da Decisão na perspectiva do juiz, o que considero uma resposta insatisfatória, pois desconsidera o trato igualitário entre as partes que o próprio autor defende.

529 PERELMAN, Ética e Direito, 2005, pp.504-505.

530 HABERMAS, Direito e Democracia: entre a Faticidade e a Validez I, 1997, pp.294-295. 531 Conforme depreendo de POZZEBON, 2005, pp. 442-443,449,453-456 e 459.

532 HABERMAS, Dialética da Secularização, 2007, ´pp.65-66. 533 IDEM, 2007, p.36.

Habermas coloca esta posição em face da Democracia, mantendo seu desapego aos juízos de fundamentação no Processo.

No entanto, HABERMAS deseja que existam princípios de Justiça que dêem substância a solidariedade na sociedade.534 Assim, considera que "... ante esse é necessário

que a ordem jurídica universalista e a moral e igualitária da sociedade sejam de tal maneira conectadas internamente ao ethos da comunidade e que um elemento decorra consistentemente do outro".535

Depreende-se disso que o juiz (como integrante da sociedade) deva expressar estes elementos no seu trabalho (o que contradiz, superficialmente, a proposta de uma cisão de discursos no processo), pois, do contrário, reafirmaria o que se quer negar. No exercício da Decisão Penal, o juiz deve pautar-se pelo interesse de todos e, ao mesmo tempo, construir a Decisão de tal forma que seja acessível e inteligível publicamente536.

Considerando-se que, segundo o próprio HABERMAS, o discurso jurídico deve manter a segurança jurídica (como legitimidade) e a manutenção das expectativas de comportamento, ele deverá manter em sua Decisão uma moral neutra e igualitária, embora o ordenamento penal corresponda ao uma reprovação. Pondo em suspenso este aspecto controverso do juízo de aplicação da teoria de Habermas, o Processo Penal, para ser entendido, de qualquer maneira, não pode cercear a argumentação do suposto réu e deve permitir um trato igualitário, ou seja, uma simetria entre as partes conforme proposto por FAZZALARI.

Assim, levando em consideração, também, que a sentença possa ser falha (ainda que esta falha seja decorrente, exclusivamente, do juízo de aplicação, ou que o princípio democrático no juízo de fundamentação não foi seguido produzindo uma norma sem legitimidade alguma), ela não passará de uma seqüência de atos de fala pretensiosa à Justiça. Nesses termos, tal pretensão na Sentença assemelhar-se-ia, pelo menos, a proposta do significado Justiça de PERELMAN.

O juiz, no curso do procedimento-processo, aplicaria um trato simétrico entre as partes sem desprezar a argumentação deles e, ao mesmo tempo, disponibilizando-se ao entendimento. Sua decisão, assim, foge da arbitrariedade correspondendo a um consenso, pelo menos sobre entendimento (que se põem a serviço de todos), sobre uma Justiça Formal.

534 HABERMAS, Dialética da Secularização, 2007, p.39. 535 HABERMAS, Dialética da Secularização, 2007, p.54.

536 Não havendo outro recurso para isso senão a linguagem natural que depende das relações comunicativas que,

nas palavras de ! " # . . São Paulo, Editora

Revista dos Tribunais. 2001.p.134., exigem “que sejam interpretadas de acordo com o significado a elas atribuído pelo grupo social”

Ora, caso os juízes pretenderem expressar uma "igualdade", fruto de uma relação solidária no curso do processo como fundamento para a Decisão Penal, a coação que dela deriva será uma expressão da argumentação; do contrário será a expressão de um poder sobre os corpos. Decidir uma prisão com base na norma, não pode corresponder, em primeiro lugar, a nenhum intuito ilocutório der causar violência a alguém, instrumentalizando o ser humano, e, em segundo lugar, deverá corresponder, também, a significado de Justiça que sirva de fundamentação em relação à solidariedade.

Um fato interessante, quanto à Habermas, é que o autor pressupõe que em determinadas estruturas institucionais como, por exemplo, os tribunais, as pessoas que entram em argumentações dentro dele devem submeter-se a suposições de racionalidade. Nas palavras do autor, expressas imediatamente antes da afirmação anterior:

Ninguém pode entrar seriamente em uma argumentação se não pressupõe uma situação de diálogo que garanta em princípio a publicidade do acesso, iguais em direitos de participação, a veracidade dos participantes, a ausência de coerção nas posições que se tomem,etc. Os participantes só podem pretender convencerem-se uns aos outros se pragmaticamente pressupõe que seus "sins" e seus "nãos" unicamente vão vir determinados pela coação do melhor argumento. (HABERMAS,1991. p.96).

Embora proponha o juízo de aplicação como um constritor a trabalho do judiciário, a pretensão acima exposta, seja como reconstrução, no curso processo, da fundamentação da norma, de acordo com o Princípio da Democracia, seja como o intuito de suprir relações de solidariedade,537 levaria a Decisão a ser o que consideramos Justo. A própria postura do juiz deverá transparecer isso, do contrário não conseguirá dar seqüência ao convencimento que pretende incluir no seu trabalho.

Atendo-se a uma interpretação estrita da teoria da aplicação de Habermas, em que o judiciário "... só pode mobilizar as razões que lhes são dadas",538 sem sequer fazer uma reconstrução argumentativa (numa perspectiva de entendimento-convencimento) da fundamentação, apresentar uma Decisão passível de ser entendida é um trabalho inviável. De nada serve tratar sobre os “fatos”, se face à norma devida a correspondência entre estes e a Justiça somente fica pressuposta numa legitimidade que não ressurge no momento singular do julgamento.

537 Outro ponto que impede que o Direito contrarie a moral.

Concordando com STRECK, "mais do que fundamentar a decisão, é necessário

justificar (explicar) o que foi fundamentado. Fundamentar a fundamentação, pois".539 Do contrário não se chegará a uma decisão racional que não prescinde de uma argumentação adequada,540 pressuposto para uma Decisão correta.

A linguagem toma contornos especiais nessa perspectiva, pois, ainda que “os

enunciados lingüísticos que descrevem o direito não são o lugar de encontrar a resposta correta, mas a resposta correta será o lugar dessa ‘explicitação”,541 ou seja, a Decisão. O autor considera que a explicitação é um sinônimo de argumentar,542 portanto, a própria linguagem daquele (que permite a fundamentação) depende também de uma argumentação com base numa linguagem inteligível. Assim, os juízes que pretendem a Justiça, acima de tudo argumentam para serem entendidos e para convencer sobre a correção de sua Decisão. Uma Decisão Penal válida é a que se explica, que explica sua linguagem, que constrói seus significados, sem pretender uma violência.