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5. TARTIŞMA ve SONUÇ

5.5. Tıbbi Malpraktis

5.5.1. Tıbbi Malpraktisin Nedenleri

A adolescência compreende uma etapa da vida entre a infância e a vida adulta, não há contudo uniformidade conceitual sobre sua abrangência. A Organização Mundial de Saúde (OMS) circunscreve a adolescência à segunda década de vida (dos 10 aos 19 anos) e considera que a juventude abrange dos 15 aos 24 anos (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

A legislação brasileira estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), através da Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990 define no seu Art. 2º como criança, toda pessoa até 12 anos de idade incompleto e adolescente, aquela entre doze e dezoito anos de idade. O Ministério da Saúde brasileiro adota os parâmetros etários da OMS ao referir se a adolescência e revela certo descompasso com a legislação vigente (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

A adoção de parâmetros etários pelos órgãos de saúde tem como meta a escolha de requisitos que norteiem a investigação epidemiológica para a construção de políticas públicas. Na adoção de parâmetros exclusivamente etários, as características individuais ficam em segundo plano e critérios biológicos, psicológicos e sociais perdem o relevo na abordagem conceitual da adolescência (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

É aceito na cultura ocidental contemporânea como marco do início da adolescência o surgimento dos primeiros sinais da maturação sexual, deflagrados pela puberdade. A puberdade segue parâmetros universais, ocorrendo de modo semelhante em todos os seres humanos. É caracterizada por mudanças biológicas desencadeadas pela eclosão hormonal, aceleração do crescimento físico, mudanças da composição corporal, evolução da maturação sexual, dentre outros (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

O conceito de adolescência envolve um processo biopsicossocial, enquanto a puberdade constitui parte deste processo. A adolescência trata se de fenômeno particular permeado por fatores sociais e culturais, peculiares a cada indivíduo em seu contexto social, vinculada a componentes étnicos, sexuais e de gênero, ideológicos, religiosos, intelectuais, vocacionais, familiares e econômicos, constituindo um indivíduo histórico, singular (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

Neste estudo optou se pela nomenclatura do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para referir se à adolescência. Pretendeu se, desse modo, contextualizá la na sociedade brasileira, em cuja legislação se destacam dispositivos de proteção, assegurados nas esferas da saúde, da educação, da justiça e do bem estar social, como parâmetros da sociedade brasileira em seu atual momento histórico social (BRASIL, 1990; BRASIL, 2005b).

Sabe se que a prevalência de problemas de saúde mental em crianças e adolescentes pode estar relacionada tanto a fatores biológicos como a experiências psicossociais adversas na infância, que têm sua ocorrência em casa, na escola ou na comunidade (US, 1999).

Bordin e Paula (2007) reportam taxas de prevalência para problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes brasileiros que variam de 8,3 a 35,2%, dependendo dos informantes utilizados, e destacam a importância do conhecimento das demandas de diferentes grupos populacionais na implantação de políticas públicas.

No Brasil, a carência de serviços públicos em saúde mental voltados para infância e adolescência gerou ao longo do tempo o surgimento de uma rede de assistência com base em instituições filantrópicas e privadas que evidenciavam marcado componente tutelar, tais como: abrigos, educandários, escolas especiais, institutos para deficientes mentais e crianças

autistas. A partir de 2003 é que o Ministério da Saúde brasileiro passou a encaminhar a organização de uma rede de assistência de base comunitária, de acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica (BRASIL, 2005b; DELGADO et al., 2007).

A Reforma Psiquiátrica brasileira deflagrada a partir dos anos 70, preconizava a mudança dos modelos de atenção nas práticas de saúde; constituiu se em um processo político social complexo, catalisado por uma sucessão de eventos importantes. Dentre estes destacam se: a promulgação da Constituição Federal Brasileira em 1988, a criação de um Sistema Único de Saúde (SUS) e a chegada ao Congresso Nacional Brasileiro, em 1989, do Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado. Este último, em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica, propunha a regulamentação dos direitos da pessoa portadora de transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país (BRASIL, 2005b; DELGADO et al., 2007).

Em 2001, com a sanção da Lei Paulo Delgado (Lei nº 10.216) pelo Congresso Nacional, a assistência em saúde mental passou a receber um redirecionamento, com a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o território brasileiro, os quais passariam, estrategicamente, a catalisar todo um processo de mudança de um modelo hospitalocêntrico, para tratamentos em serviços de base comunitária, que desse modo, serviriam como ponto de partida para a reestruturação do sistema de atenção em saúde mental (BRASIL, 2005b; DELGADO et al., 2007).

A reorganização da atenção em saúde mental voltou se mais especificamente para a população infanto juvenil a partir de 2004, após o Fórum Nacional de Saúde Mental Infanto Juvenil, quando o Ministério da Saúde brasileiro passou a preocupar se com a construção da rede de Centros de Atenção Psicossocial Infanto juvenil CAPSi (BRASIL, 2007).

O embrião do novo modelo assistencial paulatinamente fortaleceu o discurso acerca da necessidade da criação de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico e implicou em mudanças no enfoque das intervenções das equipes de saúde e sua inserção no ambiente dos sujeitos, no próprio ambiente familiar (SEVERO et al., 2007).

Desse modo, o processo de reforma psiquiátrica restaurou o protagonismo da família, na medida em que as pessoas portadoras de problemas mentais passaram a recuperar seu trânsito no âmbito familiar e na sociedade. Assim, a valorização do papel da família nos processos terapêuticos trouxe em seu bojo fundamentos essenciais para a desinstitucionalização da loucura e ruptura de posturas de exclusão social (SEVERO et al., 2007).

Algumas pesquisas acerca das vivências familiares na assistência a saúde frente a reestruturação do modelo assistencial destacam a participação de configurações familiares constituídas por pessoas de diferentes graus de parentesco, que evidenciam nas camadas populares, as famílias longas, freqüentemente chefiadas por mulheres, distanciando se do modelo nuclear de família, composta por pais e filhos privilegiado nas classes médias. Desse modo, tornou se frequente a busca por vizinhos e outros parentes para o auxílio na resolução dos problemas cotidianos e demonstrou que o envolvimento comunitário se transforma em um recurso em potencial para essas pessoas (SEVERO et al., 2007; AMAZONAS et al., 2003).

Assim, neste estudo buscou se trabalhar com um conceito mais ampliado relativo ao sujeito responsável pelo cuidado ao adolescente, o qual podia estar inserido, tanto no modelo nuclear de família quanto podia estar inserido mediante outros arranjos familiares e comunitários, daí a apropriação da nomenclatura ! indicativa de seu caráter mais abrangente.

Nesta perspectiva mais ampla do cuidado, o papel do cuidador ultrapassa o simples acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos, sejam eles saudáveis, enfermos e/ou acamados, em situação de risco ou fragilidade, seja nos domicílios e/ou em qualquer tipo de instituições na qual necessitem de atenção ou cuidado diário (BRASIL, 2008).

Além disso, no âmbito da legislação brasileira, a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoa em desenvolvimento, estipula em sua condição de tutelado, a presença dos pais, ou responsável legal ou ainda da figura do curador especial no acompanhamento de suas necessidades. No âmbito desta pesquisa, esse ator social será reportado como ! .

Benzer Belgeler