• Sonuç bulunamadı

Şiddete Tanık Olma Durumu ve Şiddete Maruz Kalma Kaygısı

5. TARTIŞMA ve SONUÇ

5.7. Şiddet

5.7.1. Katılımcıların Şiddet Olgusuyla İlgili Özellikleri

5.7.1.4. Şiddete Tanık Olma Durumu ve Şiddete Maruz Kalma Kaygısı

A investigação das concepções de saúde entre adolescentes e seus cuidadores remetem a breve revisão de como o conceito de saúde é entendido na atualidade pelos profissionais que atuam no campo da saúde mental e que influenciam sua compreensão das questões de saúde assim como suas práticas.

As três concepções de saúde mais difundidas que tem emergido na humanidade são: o conceito da medicina tradicional, o conceito da Organização Mundial de Saúde e o conceito ecológico (BALOG, 1978 apud BORUCHOVITCH; MEDNICK, 2002).

O conceito da medicina tradicional, é relativo à primeira noção de saúde como um estado livre de doença, foi amplamente aceita na primeira metade do século XX, principalmente entre médicos e equipes de saúde. Baseou se na aceitação de que saúde e doença eram fenômenos objetivos e observáveis, conceito fortalecido pelo desenvolvimento nas áreas de anatomia, bacteriologia e fisiologia (BALOG, 1978 apud BORUCHOVITCH; MEDNICK, 2002).

O conceito proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no final da década de 1940 (WHO, 1946) caracteriza saúde como sendo um estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença ou enfermidade. A adição de critérios sociais e psicológicos, trouxe em seus fundamentos o reconhecimento da saúde e da doença como fenômenos multicausais e ampliaram sua abrangência de uma perspectiva estritamente médica. Algumas críticas a esse conceito são resultantes da falta de clareza quanto ao significado operacional de bem estar, que dificultam sua aplicação em situações práticas e mais, por implicar na idéia de um estado perfeito e completo, na verdade irreal e inalcançável (BORUCHOVITCH; MEDNICK, 2002; SCLIAR, 2007).

O conceito ecológico emergiu entre os anos de 1960 e 1970, concebido como o estado de perfeita e contínua adaptação do homem ao seu ambiente. Esta perspectiva diferiu das abordagens anteriores principalmente em dois aspectos: primeiro, por conceber que saúde humana pode variar de acordo com vetores ambientais e segundo, por colocar uma ênfase maior nas inter relações entre o ambiente e a qualidade de vida do indivíduo. As críticas que são feitas a esta abordagem estão relacionadas, em primeiro lugar, à adaptação do sujeito, pois esta poderá ser saudável ou não e em segundo lugar, que a adaptação poderá variar de acordo com o meio social, ou seja, a exclusão em boa medida da percepção dos determinantes sociais da doença (FORATTINI, 1990; BORUCHOVITCH; MEDNICK, 2002).

O conceito de determinantes sociais de saúde (DSS) emergiu nas décadas de setenta e oitenta e estava relacionado às preocupações com as limitações das intervenções sobre a saúde, quando orientadas estritamente para os riscos de doença nos indivíduos. Avançava se no entendimento de que a saúde do indivíduo está intimamente relacionada ao seu contexto social. Desse modo, as intervenções deveriam voltar se aos fatores que ajudam as pessoas a ficarem saudáveis, mais do que o auxílio quando se tornam doentes (SOLAR; IRWIN, 2005).

Os DSS, entendidos como fatores de ordem econômica e social que afetam as condições de saúde de uma população, estão relacionados tanto a aspectos específicos do contexto social como também, para a forma como as condições sociais incidem sobre a saúde. Assim, passaram a merecer atenção aqueles aspectos que podem ser potencialmente alterados pela ação, baseada em informações: renda, educação, condições de habitação, trabalho, transporte, saneamento, meio ambiente (SOLAR; IRWIN, 2005; LOPES, 2006a

A preocupação com os DSS tornou se crescente a partir do ano 2000 fomentada pela Organização Mundial da Saúde, com o estímulo à ações que visam promover a equidade na saúde, ou seja, a abordagem de diferenças injustas, evitáveis ou remediáveis que incidem nas populações (EVANS et al., 2001 apud SOLAR; IRWIN, 2005).

O Brasil foi o primeiro país a criar sua Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) em março de 2006, a qual se articula com o processo de reforma sanitária brasileiro sintetizado na Constituição de 1988, que reconhece a saúde como direito de todo cidadão e dever do estado (CNDSS, 2008).

A CNDSS adotou o modelo de Dahlgren & Whitehead (1991) para classificar os determinantes da saúde, no qual existe uma gradação dos determinantes mais gerais, relacionados às estruturas socioeconômicas e culturais de uma sociedade, até os determinantes individuais relacionados à biologia de um determinado indivíduo (BUSS; PELEGRINI FILHO, 2007; CNDSS, 2008).

No âmbito da saúde mental, o manejo dos DSS implica em se conhecer as reais

demandas sociais, para diferentes grupos populacionais, em seus diferentes estratos, que possam subsidiar o gerenciamento dos recursos disponíveis para ações preventivas eficazes.

Ações de saúde mental na faixa etária que abrange a adolescência no Brasil revelam se necessárias como já apontadas em estudos de rastreamento. A lacuna que se apresenta a seguir é a necessidade de conhecer como os adolescentes compreendem as questões relativas à saúde mental, antes de definir as ações a serem implantadas, com o entendimento de que somente serão eficazes a partir do conhecimento da percepção da população a ser trabalhada, favorecendo o comprometimento e a participação da comunidade de desse modo ampliando seu empoderamento (CNDSS, 2008).

Estudos que priorizem a compreensão de adolescentes sobre as questões de saúde mental vem avançando no Brasil e inspiraram esta pesquisa a partir de um estudo brasileiro coordenado por Amparo (2007), da Universidade Católica de Brasília (UCB) desenvolvido como um projeto integrado, realizado em parceria com a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e UNIFOR (Universidade de Fortaleza), com coleta de dados em amostras

populacionais de adolescentes nas cidades de Brasília, Porto Alegre e Fortaleza, o qual dentre outros aspectos buscou investigar as concepções de adolescentes acerca de questões relativas a saúde mental, em conjunto com seus cuidadores.

Assim, realizou se estudo sobre as perspectivas de adolescentes e seus cuidadores relativas a saúde mental em amostra obtida na cidade de Belém, estado do Pará.

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Geral:

Analisar os conceitos e percepções que adolescentes e seus cuidadores possuem sobre saúde mental e serviços de saúde, em seu contexto ecológico e suas implicações na atenção de suas necessidades prioritárias em saúde mental e particularmente a investigação de barreiras de acesso à assistência a saúde mental vivenciadas.

1.3.2 Específicos:

Descrever a percepção que os adolescentes e seus cuidadores possuem de saúde e doença mental e sobre o acesso aos serviços de saúde mental;

Identificar os fatores de risco e de proteção à saúde mental na percepção dos adolescentes e seus cuidadores;

Verificar as estratégias utilizadas pelos adolescentes para cuidar da saúde mental; Identificar as instituições ou pessoas apontadas pelos adolescentes como potenciais ao atendimento frente ao sofrimento mental;

Benzer Belgeler